Transgressão

1 X — Rosa Slowpoke e o toque do Ukelelê


Notas iniciais
Hey, então! Tentei fazer algo bem diferente dessa vez. Espero que goste!

Como as diversas outras pessoas que tu nunca conhecerias, prostrava-se ali. Ainda que um pouco assustador, ao mesmo tempo era incrível. E, por mais louco que pareça, a chuva de sentimentos confusos que tinhas se amenizava quando lembravas que não estavas só... O cenário até que parecia real! Só que acontecia que a tua mirada não alcançava a ninguém. Entretanto, você se permitiu viver o momento.

De onde estavas, o horizonte parecia limitado a um deserto de sal onde chovera em um dia perfeitamente ensolarado, como o que vistes na TV domingo retrasado. No limite entre o solo e o céu, erguiam-se aparelhos eletrônicos antigos, tingidos de verde-água, estes adornados com flores de várias formas e tamanhos, todas coloridas da mesma maneira, com aquele rosa que é tão predominante em um Slowpoke.

Você se encantou em como o solo parecia um espelho do céu por um instante, antes de um forte vento balançar o seu cabelo. Mas antes que pudesse se perguntar qual o problema daquele lugar, sentistes respingos gelados no tornozelo em conjunto com aquele cheiro.

Casa.

Você piscou, felizmente incrédulo. Foi estranho. Ao mesmo tempo que você tentou fechar os olhos, o lugar não desapareceu. Era como se nada tivesse realmente acontecido contigo.

Desse modo, chegou um momento em que, só de observar, os sentimentos mais calorosos possíveis te abrasaram. Mas alguma coisa ali lhe pedia para continuar calmo, e você concordou sem pestanejar.

Logo, logo entenderias o que iria por vir. E quando eu falo logo, significa quase agora.

Um Musharna apareceu a ti por entre uma e outra rajada. Você não entendia o real propósito daquilo tudo, mas alguma parte do seu subconsciente parecia compreender o que acontecia. O Pokémon então aproximou de um dos objetos minguados, e a cada passada próxima, você podia ver que pequenos espíritos engraçadinhos se desprendiam deles.

As criaturinhas construíam cidades quase da sua altura, evoluindo conforme as céleres eras, ainda que a música baseada em toques de ukelelê continuasse com a mesma passividade baixa e no compassado de sempre, o que lhe era tranquilizante. As rosas cultivadas nos eletrônicos se desenvolviam e fortificavam o cheio que sentias, cresciam junto com suas respectivas plantas e enfim se enroscavam nos prédios, que eram tão baseados em formas de luz azul clara meio transparente como quase tudo.

Você sorriu quando, por curiosidade, Musharna olhou para você, notando como aquilo era quase que uma tentativa para te deixar assim, um bobo contente com todas as cores alegres e o sol que o deixaria insano em outras situações.

Mas o único lugar quente o bastante continuava sendo perto do seu peito, e isso era uma situação reconfortante.

O show mudou de cenário pouco tempo depois, quando tudo escureceu de uma hora para a outra, com um simples manejar da cabeça do Pokémon dorminhoco. Sua fumaça cobriu tudo de forma rápida, fazendo assim o rosa transgredir para o roxo e então azul. Logo, o presente se resumia em uma cena onde só restava você, uma noite sem nuvens, as criaturinhas azuis de energia e o céu estrelado.

É, Musharna havia sumido por uns instantes. Você pensou que talvez o achasse se olhasse mais para cima.

Hoje era lua cheia, e fora lá onde avistara o Pokémon rosa se restaurando por um instante. Seus olhos vermelhos haviam se fixado no satélite quando ambos adotaram um brilho fugaz, o que, de uma maneira inexplicável, adicionou a melodia de um piano à trilha sonora que, desesperadamente, se tornou picante. A adrenalina que agora circulava fortemente pelas tuas veias levava-te a arfar ao respirar cada vez mais e mais fundo.

Despencando de uma maneira celestial e, ao mesmo tempo, apavorante, os astros caiam em sequência, sumindo rente às construções em volta de ti com uma explosão ofuscante. E você os viu: a lua, estrelas, asteroides, vênus, saturnos e uranos. A fumaça do Pokémon dorminhoco inebriou os seus sentidos quando você começou a andar para trás, e, respectivamente, a aparição rosa se transformou no mesmo que, em alguns segundos para o fim do mundo, pareceu olhar-te bem de perto até que apenas... Te puxou dali.

E assim você voltou para o lugar onde a arena de um torneio ainda era, bom, apenas uma arena normal. Treinadora e Pokémon agradeceram rapidamente à plateia enlouquecida enquanto a narradora falava com paixão sobre alguma coisa a ver com hipnose, e o movimento “Luz da Lua”, e a mesclagem de competências e habilidades para envolver todos os presentes, enquanto ainda pensavas, meio atrasado, segurando forte nos braços da cadeira: Uau.

Você perdera ambos de vista quando a próxima apresentação, sendo esta irremediavelmente genérica, começou. Sua cara se fechou mais uma vez enquanto se apoiava no estofado do assento.

Notas finais
Tá chovendo e relampejando muito e eu aqui, alguém me para kkk
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!