Transformada A Saga Carmim 1°Livro
10 Capítulo 10 - Últimos dois dias no Colégio.
Notas iniciais
Estou esperando a Marissa descer para ela tomar o seu café da manhã, mas ela não desce nunca. Me levanto impaciente do sofá indo até a escada quando escuto a minha mãe e a porta do meu quarto fechando e uma Mar desesperada sair correndo pelo corredor.
—Filha se acalma, ela já vai descer.
Ela aparece na ponta da escada com uma bolsa minha de mão ofegante.
—Desculpa pela demora. — Ela disse em um fio — Estava procurando essa bolsa e não a achava.
—Tudo bem, mas agora vai tomar o seu café. — Digo indo me sentar de novo — Porque ainda vamos passar na sua casa para pegar as suas coisas.
Depois dela ter demorado uns bons dez minutos, saímos de casa e fomos para a dela que era do lado da minha. Eu a esperei aqui fora com o Jonas. Estava pensando sobre o que aconteceria comigo quando todos me verem, estou bem diferente, não sou mais aquela garota ingênua de antes agora tenho atitude.
—Vamos Mary?
Alguém me perguntou, eu acabei levando um susto, mas me recuperei e olhei para a pessoa e vi que era a Marissa com as suas coisas me olhando. Como não a respondi ela me perguntou novamente, mas agora preocupada comigo, pois não sou de não responder alguém a não ser que tenho algo de errado me atormentando.
—Mary, você está bem?
—Sim... Está sim. — Falei meio atordoada ainda, mas entrei no carro assim que o Jonas abriu a porta — Vamos.
—Tem certeza que está bem? — Ela me perguntou sentada me olhando — Eu te conheço, pode me falar.
—Não é nada, Marissa. — Falei séria e colocando um ponto final nessa conversa — Estou bem.
Ela me olhou indignada e me falou coisas que não gostaria de ter ouvido, mas o pior foi que ela não disse em voz alta, ela pensou e depois olhou para fora, além do vidro da janela e assim ficou até chegarmos.
Eu tranquei a linha de pensamentos não querendo mais ouvir o que ela estava pensando de mim e me mantive calada o caminho todo. Chegamos e Jonas abriu a porta do meu lado e eu desci com a ajuda dele e lhe agradeci.
Esperamos o sinal tocar para entrarmos do lado de fora, encostadas no portão. Jonas tentou ne fazer esperar dentro do carro que seria mais seguro tanto para mim, quanto para os outros e a Marissa, mas eu recusei e ele ficou me observando do carro.
Ficar mantendo os poderes mentais bloqueados é muito cansativo e isso está me deixando fraca, mas como sou teimosa não vou parar e nem deixar transparecer o cansaço. O sinal tocou e eu entrei em nem falar com a Marissa, me despedi do Jonas baixinho, que só ele ouviu e depois fui direto para a sala de aula.
Estava sentada em um canto mexendo no celular, quando escuto três seres vindo na minha direção. Eu as ignoro totalmente, mas não deu muito certo e logo a insuportável da Aurora tomou o meu celular, senti o meu sangue ferver e me deu uma vontade enorme de esgana-la.
—O quê faz aqui?!
É sério isso?
—Sério mesmo Aurora? — Debochei a olhando serena — Você quer saber o que estou fazendo aqui?
—Se eu não quisesse não estaria perguntando — Ela disse se gabando e me diminuindo, ou está tentando -, né Maryanne!
—Está com tanto medo que de mim que está tentando me rebaixar usando o meu ex-nome, Aurora. — Dou um risadinha sínica balançando a cabeça. A olho assassina me levantando e paro a centímetros do roto dela — Devolva o meu celular, porque eu não te dei permissão para piranha tocar nele.
Não deu nem tempo para eu desviar ou segurar o seu braço, me vi com o rosto virado levemente para a esquerda e com o lado direito ardendo. Levei a mão ao rosto o massageando e em um movimento, a minha mão estava em seu pescoço apertando sem dó e piedade.
—Nunca, mas nunca mesmo me dê outro tapa vadia. — Digo apertando o seu pescoço a fazendo sufocar. — Você entendeu?
—Me... sol... ta... — Ela disse tentando se soltar e com dificuldade — Você... está... me su... sufocan... do...
—Eu ainda não ouvi a sua resposta!
Escutei ela soltando o resto do ar que tinha e o aperto em meu braço diminuir e as suas amigas gritando comigo para solta-la. Eu diminuí o aperto pegando o meu celular e logo em seguida a joguei contra a parede e fui embora, a deixando com as outras duas vadias. Fui para o pátio, um local deserto atrás do colégio e liberei os meus poderes de uma vez, o que fez um círculo preenchido ficar totalmente preto e vermelho, por causa do meu sangue que tinha escorrido de meu nariz. Me limpei e me sentei no chão e fiquei chorando, liberei os poderes mentais e chamei chorando pela July, desesperada.
July, vem na escola por favor... Preciso de você aqui... Por favor...
Alguns segundos depois ela me respondeu.
Onde a Senhorita está?
No pátio, atrás do colégio... Estou sozinha e eu briguei com a Mar e quase matei a Aurora. Não sei o que fazer, me ajuda.
Se acalma Mary, já estou indo. Não saia daí.
Tá.
Fiquei sentada encolhida em um canto chorando esperando a July chegar. Por ter liberado os poderes mentais, escutei várias coisas entre elas, as três lagartixas velhas falando para a diretora e pensando o pior de mim, algumas garotas falando de mim como eu estava diferente e a Marissa preocupada comigo, já que eu não sou de brigar.
Senti alguém me abraçando, levantei a cabeça e vi que era a July e o Jonas. O Jonas estava vigiando se ninguém vinha e a July ficou comigo.
—O quê houve pequena? — July me perguntou do jeito mais doce e gentil que alguém podia, fazendo carinho em meus cabelos.
—No carro eu briguei com a Mar e até agora não nos falamos e agora eu brigo com a Aurora, quase a matando e para ajudar, as outras duas lagartixas velhas viram tudo e contaram para a diretora. — Contei tudo para ela o que tinha acontecido. — Depois eu vim para cá e fiz esse estrago no chão com os meus poderes e aí te chamei.
—Se acalme. — Ela me perguntou docemente — Você quer ir embora?
—Não... Eu não quero ir embora. — Disse a olhando e secando o rosto — Eu tenho que arcar com as consequências.
— Se você quiser, eu posso ir com você conversar com a diretora. — Ela disse sorrindo — Assim, eu posso falar que sou a responsável por você que de certa forma é verdade, já que sua mãe se foi e ela me deixou responsável por você.
—Pode ser. — Disse mais tranquila — Assim é até melhor para mim e para a vaca da Aurora.
Esperamos do lado de fora, no pátio externo, até a diretora me solicitar em sua sala pelo interfone da escola.
"-Senhorita Maryanne Morrow, venha a minha sala agora."
Olhei para a July apreensiva e me levantei do chão abraçada a ela e fomos na direção da diretoria. Tive vários olhares na minha direção, o que só me fez ficar mais apreensiva e com uma sede que eu não deveria estar. Chegando lá, respirei fundo com a July do meu lado e tomei coragem e bati na porta. Ouvimos um Entre vindo de dentro, abri a porta e entramos.
—Me chamou –Perguntei apreensiva –, diretora?
—Chamei sim Senhorita Morrow. – A diretora falo – Já sabe o motivo de estar aqui?
—Não, diretora.
—Muito bem. – Ela começou a falar – A Srt. esta aqui porque bateu em uma colega sua, sem nem um motivo e mesmo se tivesse um motivo, você não deveria bater nela.
—Sem nenhum motivo? – Falei indignada e olhei para a Aurora – O que foi que você disse para ela, sua vaca?!
—Só a verdade. – Ela disse com uma cara amedrontada e convencida – Que eu estava passando por você e que do nada você me bateu.
—A verdade? –Perguntei a olhando – Então eu posso contar a versão original da história, diretora?
—E qual seria o lado verdadeiro da história, Srt. Morrow?
Olhei para Aurora que estava morrendo de ódio de mim e querendo me interromper de qualquer jeito, mas eu não dava espaço e nem tempo para ela falar que era "Mentira". Terminei de contar a versão original com tanta sinceridade e um pouquinho de drama que a diretora olhou para Aurora incrédula e a perguntou se aquilo tudo era verdade e como ela não a respondeu a diretora viu que o que eu tinha falado era verdade e ai foi o melhor dia da minha vida, ela a suspendeu por duas semanas seguidas. Vitoria minha.
(...)
As aulas acabaram, finalmente, não aguentava mais ficar no colégio. Estou estressada, assustada, com fome e uma dor enorme nas gengivas e na cabeça.
Encontro Mar no portão, ela está com um semblante triste, vou até ela e a abraço pedindo desculpas. Ela retribui o abraço e se desculpa também, entramos no carro e fomos para casa.
—O que aconteceu com você? Por que a diretora te chamou?
—Sem querer bate na Aurora e consegui com que a diretora a suspendesse por duas semanas.
—Como você conseguiu isso? E por que bateu nela?
—Primeiro, ela mentiu para a diretora e segundo, porque ela pegou o meu celular e me deu um tapa na cara. E eu não tenho sangue de barata.
Ela literalmente pulou em cima de mim, nos derrubando da cama. Começamos a rir da cara uma da outra e depois fomos jantar, fizemos as nossas lições e eu dei a noticia para ela. Ela ficou chocada e resmungando que não iria conseguir pagar as parcelas, mas eu a acalmei e disse que as financias ficariam por minha conta e ela sem mais nem menos deu um grito alto que me fez fazer uma careta e os três entrarem no quarto preocupados, correção quatro porque o meu irmão está no colo de minha mãe.
Nos olhamos e começamos a rir da cara deles que nem duas hienas, eles não entenderam nada mas logo os informamos que aquele grito foi de pura alegria. Eles voltaram para os seus quartos, mas antes de sair July me deixou uma garrafinha térmica. Deixei Mar tomar o banho dela primeiro, assim aproveitei para esvaziar a garrafinha térmica, tomei meu banho e fomos dormir.
Acordamos com dois celulares tocando, o meu com uma ligação da minha prima e o outro com o despertador, nos levantamos e fomos tomar o nosso banho. Arrumamos as nossas coisas e descemos, eu atendi o celular antes que ela aparecesse aqui preocupada.
—Alô?
—Nossa, graças a deus.
—Calma, eu estou bem.
—Por que não me atendeu primeiro?
—Acordo com dois celulares tocando, me levantei e fui me arrumar e depois eu atendi o celular. O que aconteceu Jenny?
—Tenho uma noticia para te dar.
Como não falei nada ela continuou.
—Eu vou morar com você!
Quase tive um treco, estou tomando o meu café da manhã e quase engasgo com essa noticia, minha mãe me esticou um copo de água que bebi e a respondo com uma risadinha da July.
—Que legal, prima.
—Sua mentirosa, eu escutei você engasgando quando dei a noticia que vou morar ai!
Ela me respondeu com um leve tom de raiva no voz, suspirei e a respondi e juro que pude ver ela sorrindo do outro lado da linha.
—Certo, você e a July ganharam. Você pode vir morar aqui, mas juízo e cuidado.
—Pode deixar mamãe, vou tomar cuidado.
—Até mais tarde, tchau.
—Tchau.
Desliguei o celular, me levantei com o pão na boca e o Danone na mão, me despedi de minha mãe, do meu irmão e da July. Peguei minha bolsa e fomos para o carro, onde Jonas nos esperava. Dei bom dia a ele que retribuiu com um aceno de cabeça e um sorriso, entramos no carro e ele deu partida em direção do colégio.
No caminho Marissa não parava de falar como seria legal estudar no colégio da moda e como seria bom ter minha prima morando comigo. Eu não gostei muito de ter Jenny morando lá em casa, ainda mais por ela nunca ter ficado no meio dos humanos e em casa tem o meu irmão e uma amiga desastrada, tomara que ela se comporte.
Na sala de aula, as garotas vinham me cumprimentar, tinha até gente que não era da nossa sala e todas por um único motivo, Aurora. Ninguém merecia ter ela e as lagartixas velhas nos atormentando, ainda bem que me livrei delas. O professor de francês entrou na sala e passou um trabalho para fazermos, uma redação, gloria a deus que nem eu e a Mar vamos ter que fazer. Dei uma risadinha baixa o que fez alguns olhares se virarem na minha direção, mas que logo se voltavam de volta para a lousa, para copiar o que ele escrevia. As outras duas aulas passaram numa tranquilidade que nem percebi quando tinha tocado o sinal, Marissa me cutucou e eu arrumei as minhas coisas e fomos para o pátio. Comemos e ficamos conversando até que o sinal tocou de volta e nos voltamos para a sala.
Matematica foi um pouco tenso, porque foi uma prova surpresa. Eu consegui terminar ela faltando dois minutos para acabar ela, e nisso já estávamos na quinta aula, sim eu gastei duas aulas fazendo essa droga de prova.
—Você tá bem?
—Sim.
A responde de cabeça baixa, com a cabeça apoiada na mesa esgotada. Estou com uma dor absurda nas gengivas e na cabeça. Ela se senta na minha frente e ergue a minha cabeça, assim que abro os olhos vejo os dela arregalados.
—O que foi?
—Os seus olhos.
Perdi uma batida do meu coração e olha que ele nem bate tanto mais, meus olhos estão vermelho, merda. Tenho que aprender a me controlar e rápido se eu não quiser me colocar em uma confusão maior. Pisco os olhos duas vezes e os esfrego, os sinto voltando ao normal e quando olho de volta para ela pergunto.
—O que tem meus olhos?
A sua expressão é hilária, ela não sabe o que aconteceu e nem o que viu.
—Eles estavam? Mas como? Como fez isso! Eles estavam vermelhos.
—Você está doida de vez, eu só estou cansada. Com sono e esgotada depois dessa prova surpresa de matemática.
A professora de artes entrou na sala e mandou que nos sentássemos em dupla, eu logo fui me sentar com Mar, já que tinha um garoto vindo na minha direção. Olhei para ele com um sorriso pedindo desculpas e ele deu meia volta e foi se sentar com o seu amigo, a Professora Sther passou Leitura de Imagem e a nossa imagem foi de uma onda se quebrando em uma pedra branca, fizemos a leitura e entregamos para ela, arrumamos as nossas coisas e saímos da sala, já que na aula dela a gente podia. Fomos para o pátio onde nos sentamos perto do portão e esperamos o sinal tocar.
—Finalmente livre!
Maryssa me olhou confusa e eu tive a obrigação de rir da expressão dela e de explicar.
—Estamos finalmente livre dessa escola. Amanhã começa o Colégio da Moda, miga!
—Uhul! Colégio da Moda lá vamos nós!
Rimos e o sinal tocou, fomos andando mesmo já que Jonas não tinha chegado ainda. Provavelmente foi Jenny que o raptou para ir fazer compras, paciência. Chegamos primeiro na casa dela, nos despedimos e eu fui para a minha, demorei vinte minutos do colégio até em casa. Abri a porta e entrei.
—Cheguei!
—Ainda bem que chegou, porque temos que conversar!
Me virei na mesma hora que ouvi aquela voz, o que ele faz aqui? Vejo que Jenny está querendo o matar e por causa disso tem um Jonas e uma July a segurando, minha mãe está com Giulio no colo apreensiva.
—O que faz aqui, Antony?! Pensei ter sido bem clara que não queria te ver nunca mais!
—Você não manda em mim, Maryanne. E essa casa ainda é minha...
Dou uma risada sínica, fria que fez minha mãe se encolher um pouco.
—Errado. Essa casa é minha, ela está no meu nome e eu descido quem fica aqui e você não é bem vindo nem aqui nem na minha mansão, então cai fora antes que eu perca o mínimo de paciência que eu tenho ainda e te coloque atrás das grades ou até mesmo em uma cova.
Ele me olha serio e frio, um pouco zangado mas nem ligo. Eu posso fazer bem pior do que ele está pensando e sinceramente, vocês não vão querer saber. Dou um passo na direção dele e vejo July desgrudar de Jenny e vir na minha direção.
Fica ai, July.
Tá. Mas cuidado com o que faz, não quero te perder de novo.
E não vai.
Ela volta para o lado e Jenny e me deixa administrar o problema, que se chama Antony.
—E então, ainda quer ficar aqui ou vou ter que chamar a polícia?
—Eu te garanto que volto e com um pedido de despejo.
—Fique a vontade, que bem me lembro você nos abandonou quando eu era uma criança ainda e com minha mãe grávida de Giulio. Então fique a vontade e vamos ver quem ganha na justiça. Agora saia.
Ele de muito mal gosto sai pela porta de casa me deixando lá na frente de meus familiares morrendo de ódio, deixei minha bolsa no chão mesmo e fui para o meu quarto, onde fecho a porta com tudo e me jogo na cama e dou um grito abafado pelo travesseiro. Eu sei que os três ouviram, mas se ouviram quiseram e deixar sozinha por enquanto.
Acabei dormindo de tanta raiva, nem ouvi meu celular tocar e muito menos baterem na porta. Só fui acordar a noite, com um cheirinho do meu lado e um ser deitado do meu lado, me viro para ver quem era e quase tenho um treco quando vejo quem é.
—Não acredito? É você mesmo, não estou sonhando?
—Nem sei como você consegue dormir ainda, mas não, não está sonhando. Estou aqui do seu lado de carne e osso, Juh.
Meus olhos se enchem de lágrimas, enterro meu rosto em seu peito e ele me abraça me reconfortando. Deixei toda a minha frustração, raiva e saudade saírem nessas lágrimas, ergui o rosto e o beijei com vontade.
—Estava morrendo de saudades, onde se enfiou?
—Estava arrumando umas coisinhas, para ficar com você. Mas agora você tem que se alimentar e voltar a dormir, pois amanhã começam as aulas.
Abro um sorriso fofo e decente, me sento sobre ele e pego o copo e o viro todo, o coloco de volta mesa e em um segundo já escovei meus dentes e estou de volta com ele. Me deito e fecho os olhos com ele me abraçando, volto a dormir com ele.
Fale com o autor