Transformada A Saga Carmim 1°Livro
4 Capítulo 4 - O que houve comigo?
Notas iniciais
Acordei com alguém chorando do meu lado, abro os olhos e vejo que é minha mãe. A chamo com a voz roca e quando ela me vê de olhos abertos me abraça aliviada.
—Mãe o que houve?
—Eu não sei meu bem. – Ela falou passando a mão no meu rosto – Eu fiquei preocupada e então vim te procurar e te encontrei aqui desmaiada ou dormindo não sei.
—Então por que estava chorando?
—Eu que pensei coisas a mais meu amor. – Disse sorrindo tentando tampar a sua dor – Mas graças a Deus, você está bem.
Me levantei da cama e vi tudo rodando, me encostei na cabeceira e esperei a tontura passar. O que eu achei estranho mesmo, foi eu estar escutando os batimentos cardíacos de minha mãe em seu pescoço e uma ardência em minha garganta.
Ela me olhou preocupada.
—Está tudo bem filha?
—Sim, só estou com sede.
—Vou lá pegar um copo de água e já volto.
Ela saiu do quarto me deixando lá sozinha e aí me lembrei do que tinha acontecido. Um vampiro me mordeu e agora não faço a mínima ideia do que fazer. Estava com sede, sim mas acho que não é de água já que um vampiro idiota me mordeu.
Mas eu acho que não é assim, acho que demora um pouco para sentir sede por sangue, isso se eu me transformar também.
Me levantei da cama e fui até o espelho e vi que meus olhos estavam com um tom mais escuro, levemente puxados para o vermelho. Ainda bem que minha mãe não é de prestar atenção em mim, principalmente em meus olhos. Senti uma presença me olhando, viro o rosto na direção da presença é vejo ele, o desgraçado que acabou com a minha vida e possibilidades de ir para o Colégio de Moda.
—O quê você quer? – Falei irritada com ele – Já não basta o que me fez?!
—Só vim ver se você já tinha acordado e que deu certo a transformação. – Ele disse e em um piscar de olhos ele estava na minha frente com a mão em meu rosto e verificando se tinha alguma marca em meu pescoço – E a transformação foi um sucesso. Me desculpe se fiz isso sem você querer, mas de pouco em pouco você vai se lembrando do que aconteceu.
—O quê aconteceu depois que eu desmaiei? – Perguntei o olhando.
—Eu te dei o meu sangue para você começar a se lembrar das coisas, já que é assim que se faz. – Ele disse e colocou o meu cabelo para frente– Mas não se preocupe, logo você se lembrará de tudo.
—Do que você está falando?
—Das suas memórias. – Ele disse me olhando – Você tem memórias desde quantos anos, Mary?
—Desde os meus quatro anos – Digo o óbvio –, mas isso é normal.
—É normal – Disse calmamente –, mas não para você ou para mim.
—Então explique-me, porque eu não estou entendendo nada do que você está falando. – Digo gesticulando as mãos – E como sabe o meu nome?
Ele respirou fundo e se sentou na cama me chamando logo em seguida.
—Não temos tempo agora, mas vou tentar te falar o quê aconteceu com você. – Falou e nós dois nos vitamos para a porta, quando escutamos passos – Te conto mais tarde, e eu sou o Thiago.
Ele não deixou nem eu falar nada e já sumiu da minha frente, assim que minha mãe abriu a porta do quarto, eu para disfarçar fiquei olhando para a janela.
—Aqui filha, o copo de água.
—Obrigada mãe. – A agradeci pegando o copo e bebendo a água.
— Quer me contar o que houve, filha? -Ela perguntou se sentando do meu lado – Quer dizer, o que aconteceu antes de você desmaiar?
—Eu não me lembro mãe – Digo para ela –, desculpa.
—Não foi nada meu amor. – Ela passou a mão de leve em meu rosto – Uma hora você vai se lembrar das coisas.
Sorri para ela e ela se levantou da cama, pegou o copo e se dirigiu até a porta, a abriu e me mandou um beijo antes de sair e fechar a porta.
Suspirei e ai que fui me tocar do que ela falou "Uma hora você vai se lembrar das coisas", ela sabe o que sou e que diz eles que eu perdi as minhas memórias de antes dos quatro anos. Me levantei da cama novamente e fui para frente do espelho grande, e me olhei de cima a baixo e vi que estava mais branca do que o normal, pálida mas nem liguei porque eu já sou pálida de nascença e a minha temperatura sempre foi amena, mas agora está um pouquinho mais gelada que o normal.
Fiquei me olhando até sentir uma brisa e braços ao redor de minha cintura, olhei para a pessoa desconfiada e confusa e vi que era o Thiago.
"O que você pensa que está fazendo?"
"Nada, só quero te abraçar Mary."
O olhei horrorizada e falei me soltando dele e o empurrando.
—O quê que foi isso agora!? Quem você pensa que é para me abraçar assim!?
—O seu noivo que te espero por dezesseis anos. –Ele disse meio magoado.
—Noivo? Que noivo?! Eu só tenho dezesseis anos e você me vem com essa de noivo?! – Digo irritada e dou uma risada sínica – Era só o que me faltava. Me deixa sozinha, saia daqui.
—Mary...
—Saia. – Digo virada olhando para o espelho de baços cruzados.
Ele saiu do quarto pela porta mesmo, fui até a cama e me sentei nela e comecei a chorar desesperadamente pela minha vida ter acabado. E o que ele quis dizer com eu vou né lembrar? E sobre ele ser o meu noivo? O que esta acontecendo? Não estou entendendo nada, tá tudo confuso. Me deito na cama e acabo adormecendo chorando.
—Mary, temos que ir. – Alguém falou – Eles estão chegando.
—Quem está chegando – Perguntei preocupada –, July?
—Vamos, eu te explico no caminho. – Ela diz me ajudando a levantar e a correr com aquele vestido. – A Senhorita está correndo perigo. Tenho que levar até sua mãe e seu pai.
—Tá... –Digo a seguindo, tropeçando naquele vestido de vinte a trinta camadas de seda.
Ela me levou até um dos esconderijos onde minha mãe estava e saiu de lá, nos deixando sozinhas. Eu corri e abracei minha mãe com medo.
—Mamãe, estou com medo. O que esta acontecendo lá fora?
—Não é nada meu amor, são só alguns caras maus que querem machucar a gente. – Ela disse abraçada a mim e eu chorava assustada e sentindo cheiro de sangue pelo ar – Você tem que me prometer que ficará bem e que não causará problemas com os humanos que te adotará.
—Porque você está falando isso mamãe? – Pergunto a olhando chorando – Você não vai ficar comigo?
—Oh meu amor, eu te amo muito e sempre vou te amar. – Ela disse fazendo carinho em meu rosto – E quero que se lembre que estou fazendo isso para te proteger desses caras maus e que te amo a ponto de me sacrificar.
—Mamãe, não estou entendendo?
—Eu vou selar a sua existência de vampira, assim te transformando em uma humana meu amor. – Ela disse triste mais orgulhosa – Assim que eu fizer esse ritual, eu não vou mais poder estar ao seu lado e você não se lembrará de nada assim que abrir os seus olhinhos de novo. Te amo muito Mary Julietta Morrow.
Ela me abraçou e começou a sangrar e eu a chamava desesperadamente, até que eu perdi os censos e desmaiei.
Acordo encolhida na cama e assustada com o sonho, me sento nela e vejo que estou usando a mesma roupa de hoje de manhã, o short e o cropped. Me levanto pensando no sonho que tive e fui para fora do quarto, desci as escadas, passei pelo salão de festas e fui para a cozinha, onde os cozinheiros estavam terminando de fazer a janta. Assim que eles me viram, o chefe veio até mim e me acomodou em uma cadeira.
—O quê a Senhorita deseja?
—Água... – Digo em um fio de voz, apavorada – Um copo de água, July...
—Senhorita, está bem? – O chefe perguntou preocupado com uma mão em meu ombro – Quer que eu chame a sua mãe?
—Não, estou bem. Só um pouco assustada. – Explico e me levanto e vou na direção da porta – Tive um sonho esquisito, só isso. Obrigada, agora vou voltar para o quarto.
—Sim, Senhorita. – Ele disse me olhando – Cuidado na escada.
Subi as escadas e fui para o último andar e fiquei no terraço tentando entender o meu sonho, e toda hora aquela imagem da mulher sangrando e vindo na minha direção vem a minha cabeça e eu fico histérica com isso.
Estava a ponto de cair de lá de cima, por ter perdido o equilíbrio, quando sinto alguém me segurando firme e me puxando para um abraço. Coloco as duas mãos na cabeça tentando fazê-la parar de doer, mas foi inútil, ele me abraçou mais forte e apoiou o queixo na minha cabeça.
—Calma Mary...
—Mary, o que houve? – Escutei uma voz conhecida, mas nem fiz questão de me mexer – Você está bem? Se lembrou de algo do seu passado pequena? Me fala, estou preocupada.
Continuei calada com as mãos na cabeça chorando de dor. Senti os braços dele me soltando de leve e me olhando.
—Juh, você está bem? – Ele me perguntou me forçando a olha-lo – Você se lembrou de algo? Respondi por favor.
—Juh? – Ela perguntou e eu olhei para ela com os olhos marejados – Quem é Juh?
—Juh, sou eu. – Digo com a voz embargada e me segurando para não chorar mais – Meu nome completo é Mary Julietta Morrow, mãe.
Ela me olhou preocupada e feliz por eu ter me lembrado de algo do meu passado. Veio até mim e me abraçou, assim que o Thiago me soltou. Eu retribui o abraço e olhei para o Thiago e falei.
—Eu tenho que ir – falei me soltando dela –, quero ficar sozinha por um tempo. Organizar as coisas que acabei de me lembrar e tentar não enlouquecer com tudo isso.
Ela me olhou compreensiva e confirmou.
—Tudo bem meu amor. – Ela colocou o meu cabelo atrás da orelha – Mas você vai voltar o próximo bimestre para entrar no Colégio, certo?
—Sim, mamãe. – Digo lhe tocando o rosto – Eu vou voltar o próximo bimestre, talvez até antes.
—Assim espero, meu bem. – Ela disse e me deu um beijo na testa – Cuide-se Mary.
Desci as escadas e fui até o quarto de Marissa, bati na porta e esperei ela abrir. Alguns minutos depois, escuto ela abrindo a porta e quando a vejo me jogo em seus braços chorando.
—Miga, tá tudo bem? – Mar perguntou me abraçando – O que houve?
—A minha vida... Está do avesso Mar... – Digo chorando abraçada a ela – Não sei se vou conseguir resistir a isso tudo... Eu também não sei se vou voltar para o Colégio com você amanhã, desculpa Mar.
—Oh miga. Me conta isso direito – Ela perguntou se sentando de mim e secando o meu rosto –, por quê você não vai voltar comigo amanhã?
—Me lembrei de fragmentos do meu passado, Mar.
—Vem entra – disse gentilmente me puxando para dentro –, assim teremos mais privacidade.
Entrei no quarto dela e me dirigi até sua cama que me sentei e sequei o rosto e me recompus. Ela veio até mim, se sentando do meu lado, pego as minhas mãos e ne olhou nos olhos.
—O quê foi que você se lembrou, Mary?
—O meu nome completo e quem era a minha família.
—Qual era o seu nome? — Ela perguntou confusa – Não é Maryanne Morrow?
—Não, é esse sim. Só que diferente. – Explico – Meu nome é Mary Julietta Morrow, e meus pais morreram para me proteger.
—Mas de quem?
—Eu não sei, e não sei também o que aconteceu depois. – Digo inconformada balançando a cabeça – Eu não consigo me lembrar disso. Está tudo confuso ainda.
—Ei, se acalma. – Ela disse me acalmando – Você vai se lembrar. Então vamos nos ver quando agora?
—Eu não sei, talvez eu volte antes de acabar esse bimestre – Digo a olhando com um sorriso –, assim passo o resto do bimestre com você.
—Ok. Então da um jeito de estar aqui antes de terminar o bimestre, Maryanne!
—Pode deixar Marissa. – Digo divertida – Vou tentar.
Conversamos mais um pouco e depois eu fui embora. O primeiro lugar que me veio na cabeça foi a minha antiga casa, a mansão onde morava com meus pais. Fui até um ponto de táxi e chamei um, assim que ele chegou, entrei e falei para ele ir para Santa Germânia.
Acabei dormindo no táxi durante a viagem, o interior do carro estava bem quentinho, então me esquentou um pouco e eu me senti nos braços de minha mãe, quando eu tinha seis anos ela me abraçava e dormia comigo em meu quarto, assim todos os pesadelos sumiam e nem chegavam perto dos meus sonhos.
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