"O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui"

Ele rosnava, batia forte na barreira, salivava. Ela do outro lado da barreira, estava ferida e chorava. A fera que rosnava sentia o cheiro do sangue da mulher, estava sedento. Mas uma barreira não permitia que ele passasse.

“Se tu queres a mim, ao meu sangue e a minha carne. Vinde a mim fera. Meu próprio povo me rejeita, não tenho motivos para continuar viva.”

A mulher ainda chorava muito ao dizer isso, mas levantou a mão e fez um sinal. A barreira que dividia ela da fera fora rompida. A mulher não conseguiu fechar os olhos, queria ver o seu fim por mais doloroso que isso soasse, encarou a fera sedenta correndo em sua direção. A fera a derrubou com um golpe só, era seu fim. Tinha de ser o seu fim.

-x-

O despertador soara, era hora de acordar. A jovem Rose estava cansada mesmo após ter dormido a noite inteira. Na noite passada, a menina tivera um sonho peculiar. Uma fera querendo devorar uma mulher, mulher a qual tinha dois furos nas costas onde perdia muito sangue. Se não morrera pela fera, provavelmente ia morrer de hemorragia. Pensou a menina. De qualquer forma, foi um sonho bem assustador.

Pegou uma toalha e seguiu para o banho. Hoje era o primeiro dia de aula. Rose estava ansiosa pois esse era seu último ano no colégio Elite.

Quando a água começou a molhar seu corpo, Rose sentiu uma tontura. Um cheiro nostálgico de rosas cercou o banheiro. A menina caiu no chão com a tontura e pressão que sentia, fechou os olhos. Quando abriu se deparou com algo estranho. Ela não conseguia ver o próprio corpo, era como se apenas a consciência estivesse ali. Ela queria que aquilo parasse. Estava louca, só podia estar.

Nem no próprio banheiro estava. Rose estava numa espécie de igreja. Cadeiras dos dois lados e uma passagem que dava a um altar, no altar tinha um trono e no trono uma pessoa com uma armadura negra repousava. Parecia até uma cena dos desenhos que Rose assistia.

A pessoa na armadura estava imóvel. A menina conseguia sentir muita tristeza vindo da pessoa, mas não conseguia ver seu rosto pelo elmo que usava. Foi quando uma terceira pessoa entrou na igreja.

“Você precisa se alimentar e rápido. É nosso líder, nosso rei. Não podemos tolerar que você morra aos poucos”

O homem que entrou e acabara de falar isso, estava muito nervoso. Após um pouco de silêncio, o homem no trono se pronunciou.

— Eu não consigo me alimentar Krantz.- Falou com a voz trêmula.

— Vossa alteza, eu esperava muito que você conseguisse se alimentar sem que eu precisasse usar isso.

— Isso o quê? — Questionou o que até então parecia ser o rei.

— Você rejeitou todos os alimentos que eu dei, mas esse não vai rejeitar- O homem que se chamava Krantz tirou do bolso um frasco de vidro e nele continha um líquido vermelho. Era sangue, Rose conseguiu identificar. Destampou o frasco e apontou para o rei.

Rose ficou mais ainda assustada com a cena que vira após o frasco ser aberto. O Rei criou garras, um focinho de algum animal saiu de seu elmo. Antes ele parecia ser alto, agora estava duas vezes maior. A cena foi rápida e a menina estava com muito medo. Essa fera, a mesma que ela havia visto no sonho da noite passada avançou para cima de Krantz, matou ele enfiando as garras em seu estômago. Pegou o frasco como se fosse a coisa mais preciosa do mundo e engoliu o líquido.

— Hora meu amigo, não deveria ter ficado com o sangue dela. Aquele sangue me pertencia.

Foi quando Rose piscou os olhos e voltou para o banheiro. Ainda caída no chão e com o chuveiro ligado. O que acabara de ver? Desmaiou e teve um sonho? E por que acima de tudo, estava se sentindo tão triste?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.