Traição
18 Capitulo 18
Notas iniciais
Dias se passaram e os hematomas de Jane estavam sumindo, apesar de ainda estar com os pontos, logo a cicatriz seria a única marca da briga que teve com Casey. Se não fosse por isso chegaria a duvidar que fosse real, todos estavam agindo como se nada tivesse acontecido. E como negar que aquele encontro inesperado tinha feito estragos que pareciam irreparáveis para ela, desde aquele dia estava em silencio.
Refletia sobre tantas coisas e não resolvia nada, olhava para Maura e pensava em como chegaram naquela situação, não se falavam há dias pareciam duas estranhas. Estavam sofrendo caladas. Não sabia como, mas de alguma forma se perderam durante o caminho, e agora esse parecia ser um caminho sem volta.
Jane estava no sofá procurando alguma solução, como fazia diariamente depois da briga, chegava em casa e o silencio se instalava, parecia que não havia mais nada a ser dito. Pensava, pensava e só chegava a uma conclusão, estavam perdidas. Parecia que nada poderia mudar isso se levantou do sofá e foi até a cozinha.
Maura fazia chá distraída em silencio, depois de tanto tempo se acostumou, a falta de palavras se comunicavam pelo olhar, procurava entender quando tudo desmoronou, quando começou a perder Jane, e como poderia recuperar seu amor.
Se assustou e foi tirada de seus pensamentos quando Jane quebrou o silencio, ouvir a voz da morena novamente foi estranho, não sabia o quanto sentia falta disso até ouvi-la falar novamente.
– Maura, tenho que falar com você. — Sua voz rouca cortou o silencio, e a loira olhou para ela esperançosa
– Jane...
– Eu estive pensando... e acho que não podemos continuar assim. — Afirmou triste.
– Fico feliz que você finalmente queira conversar eu sent... — Disse com um sorriso, mas Jane a interrompeu.
– Não, Maura eu vou embora. — Viu o sorriso morrer nos lábios da loira e saiu em direção ao quarto.
Sabia que não tinha um jeito fácil de fazer aquilo, mas era o certo a se fazer não podiam continuar se machucando para manter uma relação destruída. Amava a loira como nunca amou ninguém na vida. Só que esse amor estava trazendo mais tristeza que alegria era loucura continuar com aquilo, sem duvida essa foi a decisão mais difícil que já tomou na vida não queria se afastar da loira, mas naquele momento era o certo a se fazer. Mais cedo ou mais tarde Maura entenderia, não estava abandonando a loira estava dando a elas um recomeço, a chance de conseguirem se recompor do furacão que passou e destruiu tudo que haviam construído juntas.
Chegou ao quarto pegou uma mala e começou a colocar suas roupas, não teve tempo de colocar muitas, pois Maura entrou no quarto e a segurou impedindo que continuasse.
– Você não vai fazer isso comigo Jane Rizzoli! — sua voz estava alterada e seus olhos marejados. — Você não vai me abandonar!
– Não estou te abandonando Maura, estarei com você sempre que precisar. — Abraçou a loira. — Mas a decisão já foi tomada.
– Eu preciso de você agora. — Chorava.
– Não, você não precisa... Maur olhe para nós, estamos devastadas. — Encarou a loira. — Não sei como, nem quando, mas de algum jeito nos perdemos no caminho, não faz sentindo continuar.
– É só uma fase Jane, podemos concertar isso. — soltou a morena e encarou a mala na cama. — Não vá embora.
– Eu preciso... Quem nós queremos enganar? Você não vê? Tudo que fazemos é nos machucar mais, vai ser melhor assim.
– Mas... Eu te amo! — Disse simplesmente.
– Eu também, mas só o amor não basta quando não confiamos uma na outra, quando não somos capazes de resolver problemas porque não conversamos sobre eles. — Se afastou e continuou a arrumar a mala.
– Isso é por causa do Casey? — Olhou para Jane incrédula.
– Não! Isso é por nós, Casey fez o que fez, mas não teve poder sobre as suas decisões. E podemos falar o dia inteiro sobre elas e ainda assim não vou entender... Maura eu tentei... tentei entender porque você não confiou em mim. — Parou e encarou a loira com os olhos marejados. — Mas não consigo, era sua decisão Maura e você não confiou em mim... eu acho que nunca teria contado se eu não tivesse visto aqueles papeis. — Afirmou com tristeza. — Eu te amo, mas isso não parece suficiente agora.
– Sei que é difícil entender o que eu fiz, mas eu confio em você Jane sempre confiei se não contei sobre isso foi porque queria te proteger. — Se aproximou da morena novamente.
– Pode ser, mas agora sou quem não tem confiança em você. — Encarava a loira e as lagrimas rolavam por seu rosto. — Foram suas decisões Maur não minhas, queria que tudo fosse fácil, queria entender as coisas que você faz. — Colocou mais algumas roupas na mala e a fechou. — Eu respeito suas escolhas mesmo não concordando com elas. — Se aproximou da loira e a beijou. — Não farei nada contra sua vontade. — Limpou as lagrimas no rosto da loira. — Mas tenho que ir... espero que você respeite a minha decisão. — Pegou a mala da cama e foi em direção a porta.
– Jane...
– Sinto muito Maur. — Foi embora sem olhar para trás temendo que se visse o olhar da loira não tivesse a coragem necessária para partir.
[***]
Todos poderiam dizer que havia sido uma surpresa a separação das duas, mas seria mentira era nítido que algo não estava bem, só não sabiam o que? E mesmo com a separação continuavam sem saber, Ângela estava acabada via nos olhos de Jane a tristeza, não como quando descobriu a traição essa dor era mais profunda. A morena parecia sem vida, não dizia uma palavra sobre a separação se fechou assim como Maura.
O fim de qualquer relacionamento é difícil, e o delas parecia ser pior ainda diante das circunstancias e das palavras ditas. Maura ainda ouvia Jane dizer "foram suas decisões" e "você não confiou em mim." Quis protegê-las e acabou fazendo o contrario, quebrou a confiança da morena e as tornou frágeis. E o pior de tudo era ter a certeza que perdeu Jane por suas próprias escolhas, queria sua vida, queria Jane e não fazia ideia de como recuperar a confiança dela e trazê-la de volta. Estava correndo pela praça depois de mais um dia de trabalho, tentando parar de pensar em Jane e no fim do relacionamento delas, quando sentiu alguém a puxar pelo braço com força.
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