Traição

7 Capítulo 7 - Quando o Chão Some


Edward não voltou direto para casa.

Dirigiu sem rumo pelas ruas de Nova York, os faróis refletindo em vitrines que ele não via. A conversa com Alec ecoava como um golpe limpo, preciso demais para ser ignorado.

Ela escolhe.

Sempre escolhera.

E, pela primeira vez, Edward sentiu que talvez não fosse ele.

Parou o carro em uma rua quase vazia e desligou o motor. O silêncio veio pesado, sufocante. Apoiado no volante, fechou os olhos.

Não era ciúme apenas.

Era medo.

Medo de ter chegado tarde demais. Medo de perceber que toda a mudança, todo o esforço, talvez não fossem suficientes para apagar a imagem do homem que a feriu. Do homem que jogou dinheiro no chão. Do homem que a empurrou para fora da própria vida.

Ele bateu o punho contra o volante uma única vez.

— Idiota… — murmurou para si mesmo.

Passou a mão pelo rosto, sentindo o peso do cansaço, da culpa, da abstinência dela. Bella sempre fora seu eixo, mesmo quando ele fingia não perceber. E agora… agora ela ria com outro homem.

Não porque fosse fraca.

Mas porque estava viva.

Edward respirou fundo, sentindo algo raro e perigoso se instalar no peito.

Desespero.


Bella tentou se concentrar na conversa.

Alec falava sobre uma viagem que pretendia fazer, alguma história engraçada envolvendo um congresso médico e um erro absurdo de hotel. Ela ria, mas parte de sua mente ainda estava presa à imagem de Edward parado à porta.

Sozinho.

Contido.

Respeitando.

— Ei — Alec chamou, com suavidade. — Você foi embora por um segundo.

Bella piscou.

— Desculpa.

— Não precisa pedir desculpa — ele disse, sorrindo de lado. — Só… não quero competir com fantasmas.

Ela baixou o olhar, mexendo no guardanapo.

— Ele não é um fantasma.

— Eu sei — Alec respondeu. — Fantasmas não doem assim.

Bella engoliu em seco.

— Alec…

— Ei — ele a interrompeu, com delicadeza. — Não estou pedindo nada. Só estou aqui.

E isso era o que mais a confundia.

Ele não exigia.

Não pressionava.

Não queria moldá-la.

Apenas aquecia.

Quando saíram do bistrô, a noite estava fria. Bella cruzou os braços instintivamente, e Alec tirou o casaco, colocando sobre seus ombros sem perguntar.

— Você vai pegar um resfriado — disse.

— Sempre fui péssima com o frio.

— Posso resolver isso — ele respondeu, meio brincando.

Pararam na calçada.

Houve um instante suspenso.

Alec a encarou, sério agora, mas sem peso.

— Bella… se algum dia você quiser algo simples — disse. — Algo que não doa… eu estou aqui.

Ela levantou o rosto.

Ele estava perto demais.

O calor do corpo dele, o cheiro limpo, a calma — tudo era tão diferente do incêndio que Edward provocava.

E, talvez por isso mesmo, tão tentador.

Bella fechou os olhos por um segundo.

Quase cedeu.

Quase deixou que os lábios dele tocassem os seus.

Mas então o rosto de Anthony surgiu em sua mente.

E o de Edward, cansado, tentando.

Ela deu um passo para trás.

— Eu não posso — disse, a voz baixa, sincera. — Não ainda.

Alec assentiu. Nenhuma frustração visível. Nenhuma cobrança.

— Tudo bem — respondeu. — Obrigado por não fingir.

Ela sorriu, emocionada.

— Obrigada por não me pressionar.

Ele se inclinou e beijou sua testa.

— Boa noite, Bella.

Ela observou enquanto ele se afastava, sentindo algo estranho no peito.

Não arrependimento.

Mas a certeza assustadora de que estava, de fato, sendo disputada — não por jogos…

Mas por escolhas.

E, em algum lugar da cidade, Edward sentia exatamente isso.