Traição
6 Capítulo 6 - Linhas no Chão
Bella não acreditou na mudança de Edward.
Não completamente.
Mas também não a ignorou.
Na semana seguinte, ela decidiu testá-lo — não com provocações, mas com limites.
— Você pode pegar o Anthony na sexta — disse, enquanto organizava a mochila do filho. — Mas eu vou buscá-lo depois do jantar. Tenho um compromisso.
Edward assentiu sem questionar.
— Tudo bem. Que horas?
Bella ergueu o olhar. Esperava uma pergunta. Uma insinuação. Um comentário.
Nada.
— Às nove.
— Estarei pronto.
Ela respirou fundo.
— E… Edward — acrescentou. — Esse compromisso é meu. Não vou explicar.
Ele sustentou o olhar por um segundo.
— Não precisa — respondeu. — Não é da minha conta.
Aquilo a desarmou mais do que qualquer discurso.
Na sexta-feira, Bella chegou no horário combinado.
Edward estava na portaria com Anthony, ajoelhado para ajustar o cadarço do tênis do menino. Quando a viu, levantou-se devagar.
— Oi.
— Oi.
Anthony correu até ela.
— Mamãe! O papai fez macarrão!
Bella sorriu.
— Que maravilha.
Edward se manteve a um passo de distância.
— Ele já tomou banho. A mochila está completa.
— Obrigada.
Silêncio.
— Bom… boa noite — ele disse.
Bella hesitou.
— Boa noite, Edward.
E saiu.
Dentro do carro, o coração batia forte. Não de saudade. De cautela.
Ele estava respeitando.
E isso mudava tudo.
O compromisso de Bella não era segredo.
Era Alec.
Eles estavam sentados em um pequeno bistrô, rindo de algo bobo que ele havia dito sobre pacientes dramáticos e médicos com síndrome de herói.
— Você devia ter sido comediante — Bella disse, sorrindo.
— Considerei — Alec respondeu. — Mas percebi que salvar vidas impressiona mais.
Ela riu, genuína.
E então Edward entrou.
Não por acaso.
Ele havia esquecido o casaco de Anthony no carro e voltara para entregar.
Parou ao vê-los.
Bella o viu também.
O sorriso desapareceu, mas ela não se levantou.
— Edward — disse, firme. — Esse é o Alec. Um amigo.
Alec levantou-se, educado, estendendo a mão.
— Prazer.
Edward apertou a mão dele. O gesto foi controlado, mas os olhos denunciaram o impacto.
— Prazer — respondeu.
Houve um segundo de silêncio espesso.
— Edward é o pai do Anthony — Bella acrescentou, clara. — E meu ex-marido.
Alec assentiu, atento demais para não entender tudo o que não estava sendo dito.
— Imagino — disse. — O Anthony fala bastante do pai.
Edward desviou o olhar por um instante.
— Espero que bem.
— Fala com carinho — Alec respondeu. Sem provocação. Sem submissão.
Bella observava os dois. Não interveio.
Edward respirou fundo.
— Eu só vim devolver isso — disse, estendendo o casaco a Bella. — Desculpa interromper.
— Obrigada por trazer — ela respondeu. — E… eu volto mais tarde.
Edward assentiu.
— Tenham uma boa noite.
Virou-se para sair.
— Edward — Alec chamou, antes que ele se afastasse.
Edward parou.
— Só uma coisa — disse Alec, calmo. — Bella não é alguém que precise ser disputada. Ela escolhe.
Edward o encarou. Não houve ameaça. Nem hostilidade.
Apenas verdade.
— Eu sei — respondeu. — E é exatamente por isso que estou aqui… e não sentado à mesa.
Saiu.
Bella soltou o ar que nem percebeu estar prendendo.
Alec sentou-se novamente.
— Ele está tentando — disse.
— Está — Bella concordou. — Mas tentar não apaga o que foi quebrado.
Alec inclinou a cabeça.
— Então você vai deixar ele tentar?
Bella olhou para a porta por onde Edward havia saído.
— Vou deixar — respondeu. — Desde que ele respeite onde eu tracei a linha.
E, pela primeira vez, sentiu que essa linha era sólida
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