Tragic Magic

2 O dia em que eu não tomei o chá das 5


Notas iniciais
Oi. Tchau.

Ah meus deuses... Ele... é lindo. LINDO. Por que não tem mais ninguém olhando pra ele? Vasculho o restaurante com os olhos, procurando outras garotas. Tem uma boa quantidade delas mas... TODAS COMEM SALADA. Merda, parecem minha tia. Dou uma olhada melhor, e começo a tirar detalhes. Todas são mais magras que eu. Todas são loiras, naturais ou artificiais. Todas usam saias ou biquínis. Depois de concluir que nenhuma das Pollys no fundo da lanchonete estava olhando para a mesa do "Absurdo", volto minha concentração para ele.

Tem os olhos lindos. Amendoados e negros. Não sorri, apenas escreve como louco nos pulsos, ignorando a batata frita gordurosa e já fria à sua frente. Olho pro meu próprio pulso pálido, cheio de frases escritas à caneta preta permanente. Resolvo ir falar com ele. Fecho melhor a blusa e passo os dedos pelos cabelos. Levanto, segurando minha bandeja e sento na cadeira ao lado da dele.

Ele ergue os olhos negros para os meus castanhos claros e eu sorrio. Ele me olha curioso e entreabre os lábios, tentando entender a situação.

_Oi, sou Taylor. Perdoe-me o sotaque. Você é...?

_Escocês_ e ele abre um sorriso_ Não se preocupe tanto com sotaque_

Ah deuses... o sorriso. Aquele sorriso enorme e lindo. Sinto minhas bochechas queimando, e meus lábios se curvando num sorriso bobo. Que frio na barriga é esse, Tay? Ele é só um escocês sentado no Mc Donald's, acalme-se.

_Oh, meus deuses, obrigada_ Sorrio de volta_ Sou daqui da califórnia, mas morei quase a vida toda em Londres, então, sotaque.

_Ah, eu me chamo Ronnie. Sou escocês mesmo, porém de família latina_ ele me olha, franzindo a testa_Quantos anos tem?

_18_ vejo um sorriso de canto de boca nos lábios de Ronnie e me apresso a completar _Estou aqui sozinha. Meio que "fugi" de casa quando fiz 18. Não os suportava._ dou um sorriso sem graça e olho para as batatas. De repente, ela perdeu o gosto.

_Ah... Pais rigorosos?_ ele dá um sorriso solidário e se inclina na minha direção. Ele tem cheiro de... de menta.

_Tios. Morava com meus pais, mas eles... ah... enfim, acabei na casa dos meus tios._ Ouço o relógio apitar. 16:30, a hora que eu me arrumaria para tomar chá com tia Helena, Anna e James._ Oh, céus. Quase hora do chá.

_Ingleses..._ Ronnie dá um sorriso brincalhão e me estende a mão_ Gostaria de ser americana de verdade e vir passear? Pode saber tudo da minha vida podre e falida. Vai ser divertido ouvir um monólogo meu, te asseguro.

Sorrio para o Ronnie escocês dos desenhos no pulso e aceito a mão para levantar. Saio do restaurante logo atrás dele, ele puxa um maço de cigarros do bolso. Pega um e aperta entre os lábios. Vira pra mim e estende um na minha direção:

_Fuma?_ ele tenta sorrir com o cigarro apagado na boca.

_Não_ puxo o cigarro da mão dele e o seguro entre os dedos_ Mas nunca é tarde pra começar.

Ele acende o meu cigarro e o dele, e começa a fumar de olhos fechados. Olho para o objeto entre os meus dedos e dou um trago. Fumaça quente e densa preenche minha boca e meus pulmões. Seguro um tempo e depois solto pelo nariz. Quando abro os olhos, percebo os grandes olhos amendoados de Ronnie por trás da minha mão, observando cada movimento.

_Gostou?_ ele pergunta batendo o cigarro num dos dedos, tirando as cinzas da ponta.

_Suicídio lento e gradual_ dou mais um trago longo e olho pra ele_ adorei.

Então continuamos a fumar lentamente um cigarro após o outro, até que Ronnie tirou outro maço do bolso e começou a falar. A falar, e falar e falar e falar... O relógio apitou novamente as 17:00, mas eu já estava longe, levada pela densa fumaça cancerígena e pela voz rouca e linda do rapaz escocês que não gostava das minhas batatas fritas favoritas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.