Notas iniciais
Olá minhas amigas.
Aqui está mais um capítulo... por favor, me perdoem. Eu tentei escrever com o máximo de respeito que vocês merecem, mas minha cabeça está muito cheia e realmente eu me encontro muito, muito triste.
Acho que o texto abaixo de "Martha Medeiros" expressa bem a minha alma.
Tristeza é quando chove
quando está calor demais
quando o corpo dói
e os olhos pesam
tristeza é quando se dorme pouco
quando a voz sai fraca
quando as palavras cessam
e o corpo desobedece
tristeza é quando não se acha graça
quando não se sente fome
quando qualquer bobagem
nos faz chorar
tristeza é quando parece
que não vai acabar.

Um grande beijo a todas e uma ótima Páscoa. Espero realmente que a renovação chega para todas vocês. Que bons e novos ventos tragam dias cheios de luz, alegria e amor.
Fênix

Como descrever o que uma caneca de chocolate quente e fumegante pode proporcionar em uma noite de inverno extremamente fria, quando a solidão é sombreada por fantasmas dos seus erros mais obscuros?


Era assim que Lisa se sentia parada no meio da enorme e bem equipada cozinha da mansão. Fritz tirava do forno pequenos biscoitinhos amanteigados que havia preparado especialmente para a grávida depois que ela, em uma conversa rápida e casual, mencionou os tais biscoitos como uma lembrança de sua infância.


O cheiro era maravilhoso e Lisa olhava-o com gratidão, enquanto o mordomo arrumava-os em uma travessa rústica de prata, forrada com uma linda e delicada toalha bordada com espigas de trigo douradas.


– Espero que goste, Srta Hendrix.


– Sei que estão perfeitos. Obrigada Fritz, você é muito atencioso e, por favor... me chame de Lisa.


– Só faço o meu trabalho. É um prazer servi-la – respondeu humilde.


– Seu trabalho não é cozinhar biscoitinhos. Pelo menos não para mim. – disse ela secamente – Mas eu agradeço de coração. Será que poderia colocar tudo numa bandeja para que eu possa levar para o meu quarto?


– Eu levarei e...


– Eu mesma posso fazer isso – Lisa não queria dar trabalho e muito menos se aproveitar da bondade. Ele não estava ali para servi-la – Por favor, apenas faça o que estou lhe pedindo.


Contrariado, Fritz arrumou uma pequena garrafa térmica com o que sobrou do chocolate quente e os biscoitos sobre uma bandeja de madeira, então Lisa apoiou sua caneca, ficando com as mãos livres para segurar as alças firmemente. Ela saiu da cozinha e dirigiu-se diretamente para o seu quarto.


Já haviam se passado três dias da terrível discussão. Eles mal se falavam. Por outro lado, a distancia imposta fazia com que não houvesse agressões verbais ou gestos impensados. Tudo se resumia em se encontrarem nas refeições e em olhares interreogativos, isso é, quando não evitam um o olhar do outro.


Porém, esse espaçamento aflorou a saudade de Lisa e ela se surpreendeu pensando em V. de forma diferente. Seu corpo tremia e o sangue corria voluptuoso ao lembrar de como era fazer amor com o vampiro temperamental e mandão e como num passe de mágica... seus batimentos cardíacos se aceleraram e ela arfou excitada.


Será possível que sua culpa estava diminuindo, ruindo aos pés do inesperado desejo que assolava seu corpo? Será que o convívio carinhoso e o afeto dispensado a ela por todos que moravam ali estava surtindo efeito? Um efeito tão poderoso que ela começava a se curar de dentro para fora sem ao menos notar a transformação?


Só podia ter perdido o último fio de sanidade e lucidez que possuía. Sua consciência a lembrava acusatoriamente que as últimas palavras dele foram arbitrárias e muito prepotentes. Chegou à conclusão que realmente não passava de uma vadia altamente destrutiva e que não possuía qualquer estima por si mesma, ou melhor, sua auto-estima no momento encontrava-se em queda livre, rumo a um abismo sem fim. Não havia outra explicação racional...então, a frase retumbou em seu lóbulo central:

Vai ter que implorar por mim... caso contrário nunca mais me terá!


Tá bom... vai sonhando! Seu vampiro estúpido, burro e deliciosamente perigoso. Vou dobrar você... – Pensou ela, para seu desespero e agonia. Ele a afetava. Mais do que Lisa gostaria e ela por sua vez, estava começando a ceder.


Tentou se concentrar no caminho a sua frente, a última coisa de que precisava era um tombo. Seguia direto para o seu quarto. Estava no meio da escadaria, quando Vishous lhe tirou a bandeja das mãos, com um breve puxão, sem nada perguntar.


– O que está fazendo é perigoso – a afirmação dita com censura expressava o humor do macho. – Pode tropeçar e cair. Os criados, são eles que devem fazer esse trabalho.


– Eu disse a Fritz que não precisava de ajuda – rebateu calmamente. Não queria começar uma nova discussão.


– Mas terá a minha – disse sem demonstrar nenhuma expressão – E você precisa de ajuda.


O quê? Ele está dizendo que preciso de ajuda física ou psicológica? Até parece que é bem resolvido. Ele me irrita e... hummm, essa camiseta sem manga... Meu Deus, como ele está gostoso! – Ela balançou a cabeça e olhou para o teto revoltada com si mesma.


Vishous não esperou por ela. Apenas continuou subindo as escadas e andou até um dos quarto de hospedes que agora era ocupado por Lisa. Estava acomodando a bandeja na mesa, quando a pergunta o pegou de surpresa.


– Gostaria de experimentar um biscoitinho? Eu ainda não provei, mas tenho certeza de que Fritz os preparou iguais aos da minha mãe – as palavras foram pronunciadas baixas e com certa esperança de diálogo. Ela sorria sutilmente.


– Não!


Ele se afastou da bandeja dando espaço para que Lisa se servisse.


– Você não desceu para jantar? Por quê? – perguntou ácido.


Não era possível distinguir nenhuma emoção no rosto duro e glacial de Vishous, porém o que Lisa olhava era para os ombros largos e os braços fortes que estava à mostra por causa da camiseta preta sem manga. Que contraste... um rosto gélido e um corpo ardente. Uma enorme eletricidade preencheu o ar, o clima começava a mudar.


Controle-se! – Pensou Lisa amargamente.


– Eu... apenas dormi demais. – respondeu ela sem olhar nos olhos dele. Estava dividida entre o desejo que já voltava a incendiar o seu corpo e o desprezo que seu cérebro teimava em dar ao macho prepotente.


– Precisa comer. Se me lembro bem, já falamos sobre isso. – Não havia nada de pessoal nas frases de V., apenas distanciamento, frieza e imposição.


– Sempre dando ordens. Será que é força do hábito? – e lá estava Lisa, perdendo a compostura e deixando seu sangue ferver de raiva.


Os olhos de V. estavam cravados nela. Era algo semelhante a uma ave de rapina espreitando sua presa indefesa e alheia a caçada. Ele não respondeu, apenas se dignou a ouvir o desaforo sagaz.


– Claro que sim – prosseguiu Lisa sem se abater – Afinal um dominador experiente como você, não espera menos que total e plena obediência de suas... parceiras, não é?


– Lisa... – disse ele balançando a cabeça e fechando as mãos em punhos – Não estou para brincadeiras e muito menos para ironias.


– Que pena! Não pude evitar.


Ela se aproximou em silêncio, pegou sua caneca de chocolate e a envolveu com as duas mãos. O gesto tão pequeno tentava afastar o frio que ela sentia emanar do corpo dele, apesar do aquecimento central proteger toda a mansão do inverno e de suas temperaturas baixíssimas, nada podia fazer sobre Vishous. Absorveu um grande gole, como se fazendo isso sua alma fosse aquecer.


O chocolate estava no ponto, cremoso e encorpado. Lisa fechou os olhos e gemeu baixinho ao sentir o delicioso gosto em sua boca. Um pequeno e breve prazer.


O som soou retumbando erótico nos ouvidos de Vishous e por dentro ele conteve o impulso de tomá-la em seus braços e enfim lhe mostrar o quanto sentia falta dela.


– Ahhh, está tão bom – a voz de Lisa demonstrava seu prazer, era quase um ronronar – Nunca imaginei que o desejo de uma mulher grávida podia ser tão gratificante.



Sorrindo, finalmente ela esticou sua mão para pegar um biscoito, só que para a sua surpresa Vishous chegou primeiro e levou a pequena bolacha até a boca de Lisa.


Ela não olhou para ele, mas abriu a boca aceitando o que lhe era oferecido. E perturbadoramente V. escorregou as pontas de seus dedos pelo rosto de Lisa carinhosamente. Não fez nenhum comentário. Não era preciso, afinal, havia se traído. Caiu na própria armadilha.


Que porra é essa que você acabou de fazer? Perguntou a si mesmo indignado.


Quando ela terminou de mastigar, deu um passo à frente aproximando-se ainda mais do vampiro insolente e dominador. Sua linda barriga pontuda tocou levemente o corpo do macho mal humorado. Como ela era bem mais baixa que ele, a barriga encostou-se à virilha. Olhando dentro dos embriagantes olhos adiamantados, perguntou com uma voz profunda e rouca.


– Quero mais, pode me dar mais um?


A primeira intenção de V. foi negar, lutar contra o pedido, porém o macho vinculado dentro dele nunca permitiria isso. A necessidade de alimentá-la e protegê-la era tão necessária, quanto respirar é para viver.


Subjugado pelo ímpeto e não demonstrando sua satisfação por lhe dar aquele alimento ele pegou outro biscoito e repetiu o gesto de adoração e amor. Só que desta vez levou alguns poucos segundos para afastar seus dedos dos lábios dela.


Vishous sabia que estava perdido... ela era tudo o que ele queria, era tudo do que precisava para ser feliz e ali, diante de sua fêmea, pela primeira vez ele se permitiu vislumbrar uma luz no fim do túnel. Mas é claro que não admitiria sua breve felicidade.


Mais um pequeno gemido de satisfação e desta vez Lisa sentiu a forte vibração entre os corpos e se ela sentiu, ele com certeza também tinha sentido, mesmo que jamais admitisse. Lá estava aquela energia novamente. Ela teve vontade de sorrir pela teimosia e arrogância demonstradas e tentando conter o sorriso mordeu o lábio inferior.


O corpo dele tremeu ao interpretar o gesto como extremamente sexy. Somente alguns poucos centímetros separam as bocas carnudas e tentadoras de um beijo avassalador.


Com audácia extrema Lisa apoiou as mãos sobre o peito de V. e suavemente moveu uma delas para cima. Passando pelo ombro, roçando nas pontas dos cabelos até parar e envolver o grosso pescoço. Seu corpo estava quente e a ocasião pendia para um desfecho luxurioso.


É agora que ela vai se desculpar. Pensou Vishous confiante.


– Você me alimentou – disse ela quase que sussurrando – Obrigada.


O olhar fixo exibia um brilho voraz, uma união brutal, uma necessidade selvagem...


– Me toque... – para sussurrar essas duas pequenas palavras no ouvido de V., ela precisou ficar nas pontas dos pés. O que ocasionou o roçar ardente dos corpos.


Vishous fechou os olhos e sua boca se abriu levemente, parecia saborear o pedido e num gesto de domínio enlaçou-a pela cintura puxando-a para si. Nesse exato momento o celular vibrou no bolso de trás de sua calça de couro...


O celular de V. vibrou, acusando a chegada de uma mensagem. O momento havia ficado para trás. Ele pegou, leu o que estava escrito, digitou uma única palavra e se afastou de Lisa como se a energia no ar não existisse. Em seu rosto a máscara de frieza havia retornado.


Quando estava para cruzar a porta do quarto, sem ao menos dizer uma única palavra, Lisa resolveu honrar seu orgulho. Levantou os ombros, empinou o queixo para cima e falou, apesar de ofegante, com total segurança:


– Vishous... eu nunca irei implorar.


Ele teve uma ereção instantânea, seu corpo estremeceu pelo fato de Lisa afrontá-lo e desafiá-lo sempre que possível. Ela era diferente, tinha personalidade e falava de igual para igual. Ela era de se admirar.


Não se virou e nem queria, já que o volume em suas calças seria facilmente notado. Lisa não viu, mas V. saiu com um leve sorriso ordinário em seus lábios.



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Legassa passou por V. no corredor, porém o macho nem se deu ao trabalho de cumprimentá-la, absorto em seus pensamentos queria chegar o mais rápido possível onde foi chamado. Ele conseguiu esconder sua ereção de Lisa, mas Legassa notou assim que colocou os olhos neles, como não notar?


Uau!!!


Parou, deu uma leve batida na porta e quando ouviu o “entre”, abriu-a rápido, ficando feliz em ver Lisa disposta e com um grande sorriso no rosto.


– Então, porque tamanha alegria? – perguntou o demônio.


– Não é nada – desconversou Lisa.


–É mesmo? Porque acho que acabei de ver o “nada”... Uau!!!


Legassa expressava uma devassidão em seu rosto que Lisa simplesmente não teve coragem de falar ou perguntar o significado da frase, ou melhor... do “nada” e rápido mudou de assunto.


– Nossa. Quase não a reconheci usando calça jeans, camiseta e rabo de cavalo. – brincou Lisa – Onde estão seus chifres e suas asas?


– Você quer realmente que eu exiba minha verdadeira forma por aí? Os humanos teriam um ataque cardíaco – sorriu Legassa divertindo-se – Não que eu me importe com eles.


– Quanto sarcasmo, não?


– Não é sarcasmo. É o que eu penso – disse ela jogando-se em cima da cama – A propósito, acabei de ver o seu homem... mas parece que ele não me viu ou fingiu que não. Pelo jeito está de mau humor. Aconteceu alguma coisa?


– É uma longa história.


– Disso eu não duvido, já que chamou a mim para sair com você e não ele. Então o que está rolando?


– Brigas, discussões, cobranças, conflitos, acusações...


– Já entendi – falou levantando a mão como se não quisesse mais escutar – Coisas do dia a dia de um casal apaixonado.


– Antes fosse simples assim – Lisa baixou os olhos, triste.


– Claro que é simples. Você o ama e ele a adora... é só uma questão de tempo, então não chore por ele. Aquele vampiro não vai a lugar nenhum sem você, não conseguiria. Só está se fazendo de difícil, afinal é só olhar para ele para saber que ele é extremamente arrogante...


– Pode até ser, mas não deixa de ser uma situação complicada.


– Complicada é a situação do seu pai... e a minha, já que não vou tolerar por muito tempo. Anda arredio, nervoso, um verdadeiro demônio... – de repente Legassa soltou uma alta gargalhada – E ele ainda nega que não está apaixonado por Gaya. Chega a ser patético. O que grávidas não são capazes de fazer com o sexo oposto, não é? Será que são os hormônios? Resumindo: você vai enlouquecer Vishous e a loira vai enlouquecer seu pai. Quanto a mim, vou assistir a tudo de camarote, se aguentar. Agora desembucha, me chamou para sair. Onde é que vamos?


– Para minha velha casa. Buscar o meu piano.


– Maravilha – falou Legassa se levantando.


– Preciso de só mais um minuto – Lisa ficou sem graça – Primeiro tenho que avisar Wrath que vou sair.



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– Alô.


– Nick... sou eu, Anne.


Por um instante pensou que ele não falaria com ela. O rompimento foi dramático e cheio de acusações errôneas.


– Sei que é você. Vi sua foto antes de atender.- disse Nick nervoso.


– Tem um minuto? Gostaria de conversar com você sobre... sobre um assunto delicado.


– O único assunto delicado que há entre nós refere-se àquele filho da puta que matou Lisa. – respondeu indignado.


– Nick, por favor, me escute...


– E sobre isso eu não vou falar. Tem mais alguma coisa?


– Podemos nos encontrar? Onde você está?


– Voltei para Nova Orleans – mentiu Nick sem nenhum ressentimento – Estou tentando recomeçar minha vida. Talvez isso seja fácil para você, mas para mim... está difícil.


– Por favor... – Anne tentou insistir – É muito importante, não posso falar sobre isso por telefone. Se você não quiser vir para Nova York eu poderia pegar o primeiro vôo e...


– Anne, nós não temos mais nada para conversar.


– É muito importante, é um assunto que diz respeito também a você.


– A polícia encontrou alguma pista sobre a morte de Lisa?


– Não. Mas talvez... quero dizer, se você me ouvir o que tenho a dizer...


– Você insiste em defender aquele assassino. Eu me lembro bem das suas palavras: “Não acredito que V. matou Lisa”. Você ainda pensa assim?


Como Anne poderia explicar que Lisa estava viva por telefone? Não era o tipo de assunto que se conversa casualmente. Havia muita coisa envolvida, principalmente sua lealdade à amiga que ela considerava como irmã. Porém ela sentia falta de Nick... ela ainda o amava, apesar de tudo e queria ver a sua dor aliviada. Ele tinha se transformado depois da morte de Lisa. Uma parte dele também havia morrido.


– Nick...


– Responda a pergunta. – a voz dele parecia transtornada.


– Ele não matou Lisa.


– Você não passa de uma ingênua. Aquele fodido sempre foi um assassino, por isso Lisa não podia falar sobre ele. A única diferença é que agora ele também carrega o sangue dela em suas mãos. Eu deveria ter ido à polícia, deveria ter contato tudo que sei e vi.


– Não faça isso Nick. Eu sei que ele não é culpado.


– Você sabe? – gritou descontrolado – Como? Ele lhe procurou? Você falou com ele?


– Não. Claro que não. – respondeu rapidamente tentando acalmá-lo.


– Não minta pra mim Anne. Esse verme matou Lisa e vai matar você.


– Não. Ele nunca faria isso.


– Se é nisso que acredita... então não temos mais nada a dizer – e desligou o telefone


Anne ficou olhando para o celular, incrédula. Tinha tanto o que falar, queria saber se ele estava melhor, queria poder acabar com sua tristeza e com sua revolta. Chegou a imaginar o encontro dos dois e o sorriso no rosto de Nick quando lhe contasse que Lisa estava viva e esperando um filho de Vishous...


O que tinha feito? Falar com o ex-namorado só deixou as coisas piores. Ele parecia mais descontrolado agora, depois de quase seis meses, do que na época da notícia fatídica.


Na época Nick ficou destruído. Sentiu como se tivesse falhado em proteger Lisa e insistiu com Anne para procurarem o Departamento de Polícia. Contariam tudo, desde o envolvimento com esse tal de V., até a aparição repentina de um casal. Sendo que a mulher chegou a ficar hospedada alguns dias na casa de Lisa.


Nick tinha fotos de todos. Ele as tirou sem que percebessem que estavam sendo fotografados. Só não tinha foto do homem por quem Lisa se dizia apaixonada, todavia tinha a certeza de que o tal casal o levaria a ele. Ou o casal ou a casa noturna Zero Sum. Onde, ultimamente ele passava as noites, escondido do lado de fora esperando uma oportunidade.



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– Vishous não vai gostar disso. – Disse o Rei, sentado atrás de sua mesa ao lado de seu fiel cachorro e Beth – Parece que você gosta de provocá-lo.


– Não estou provocando – respondeu Lisa ponderando as palavras e a situação incomoda – Ele foi claro ao dizer que eu poderia sair com alguém que pudesse me proteger. Eu confio em Legassa para fazer esse trabalho.


– Não tenho dúvida de que Legassa é capaz, mas eu ficaria mais tranquilo se algum dos meus Irmãos acompanhasse vocês – Wrath arrumou os óculos – Infelizmente não estão disponíveis. Graças a Virgem, Xhex foi encontrada e quem não está ajudando no resgate está patrulhando as ruas.


– Entendo... eu não sabia.


Então esse foi o motivo da mensagem do celular de V., pensou Lisa já que era noite de folga para o Guerreiro. Ela queria muito o piano, mas não podia criar caso diante daquela situação.


A porta do escritório real estava aberta e três batidas chamaram a atenção de todos.


– Posso entrar Wrath? – Disse Lassiter.


– Sim, entre.


– Não quero ser intrometido e nem ficar com fama de escutar atrás de portas, porque essa aqui estava aberta – falou zombeteiro de um jeito despojado – mas escutei alguém dizer que precisa de escolta para sair e como não estou fazendo nada, acho que seria uma boa dar uma volta com damas tão simpáticas.


– Compreendo, você quer bancar o segurança. E acha que V. vai gostar disso? – perguntou Wrath franzindo as sobrancelhas.


– Não. Ele não vai gostar nada é por isso que é uma ótima ideia, aliás excelente – Ele se virou para Lisa e Legassa e deu uma piscada sorrindo – Gosto de provocar aquele vampiro.


– Se eu não o conhecesse diria é um demônio e não um anjo. – Rebateu Legassa ironicamente.


Todos riram e Warth deu sua permissão.


– Tudo bem. Podem ir – disse ele gesticulando em direção a porta – E Lassiter... por favor, tente não arrasar quarteirões inteiros. Se precisar de ajuda, ligue.


– Deixa comigo, chefe – Ele se afastou abrindo caminho – As fêmeas primeiro.


Assim que cruzaram o batente, a voz de Beth saiu divertida.


– Vamos ter uma nova briga...


– Com certeza, shellan. – Warth puxou sua Rainha para que ela sentasse no seu colo – V. vai achar que é mais uma provocação e eu concordo com ele. Lisa está fazendo isso de propósito.


– Também acho – riu Beth.


– E você acha graça?


– Você ainda não percebeu, não é Wrath? Quanto mais ela o desafia... mais ele a ama – e Beth beijou seu hellren profundamente.



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Do lado de fora da mansão, Lassiter, Legassa e Lisa chegavam com o piano. Até que não ficou muito tempo ausente, na verdade foi tudo muito rápido. Quando chegaram à antiga casa de Lisa o piano já tinha sido colocado em uma carreta e foi preciso apenas atrelá-lo ao engate do carro.


– Pronto! Princesas... estão seguras agora. Como podem ver, sou um ótimo leão de chácara.


– Princesa? Eu? – Legassa riu – Lassiter, eu sou justamente a bruxa dos contos de fadas infantis e para os mais crescidinhos... algo parecido com a bruxa de Blair.


– Ta, já entendi. Você quer elogios – o clima estava tão calmo, tão agradável que Lisa sentia-se feliz, uma mulher normal – Então, muito obrigada. Você foi de grande e total importância. Nós duas não saberíamos o que fazer sem você está noite.


– Agora sim! – Ele olhou para Legassa divertindo-se e acrescentou – Aprenda com ela, minha linda. Lisa sabe como massagear o ego de um homem.


– Minha linda? — perguntou Lisa sem qualquer decoro – Mas o que foi que eu perdi?


Os risos soaram altos e todos se sentiam como amigos.


– Eu é que não vou explicar. – acrescentou Lassiter – Vamos entrar?


Porém tudo que é bom dura pouco e ao entrarem, notaram a movimentação no salão, além é claro da ambiência carregada. A mansão fervia em todos os sentidos. Z. passou por eles, seguido por Thor e Raghe, foi o loiro que parou e falou com Lisa.


– Vishous não está nada feliz. – Era mais um aviso do que uma retaliação.


– O quê? Mas Wrath...


– É melhor ir com calma, Lisa. Ele chegou tem uns dez minutos e não gostou nada de saber que você não estava em casa.


– Dramas familiares. Como Vishous é chato, heim! Não sei como suporta. – Falou Legassa entediada olhando para Lisa e depois voltou o olhar para Raghe – Ela estava comigo, posso zelar pela segurança dela melhor do que ele faria. Aliás, melhor do que qualquer vampiro faria. Isso é ridículo.


– Esse é meu tipo de mulher – achicalhou Lassiter, praticamente gargalhando – Ela tem a mesma opinião que eu. Vishous é realmente chato. Agora que tal comermos alguma coisa?


Hollywood não gostou do tom de Legassa, quanto a Lassiter o anjo já caminhava para subir a escadaria.


– Onde ele está?


– Agora não é uma boa hora. Ele está na enfermaria com...


Lisa não esperou o fim da resposta, deixando todos para trás.



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– Porque não a levaram para a clínica de Havers? – Perguntou Elena chocada com a descrição do estado de Xhex.


– Ela se negou a ir, querida – respondeu Rehv – Detesta clínicas e procedimentos médicos.


– Não temos todos os equipamentos que a clínica possui – afirmou Mary – Isso não é arriscado demais?


– Vamos dar um jeito – disse V., olhando para o todos – Preciso de sua ajuda Elena, não vou poder examiná-la sozinho e sei que não é isso que Xhex espera. Você vai ter que examiná-la e depois me dizer o que encontrou. John me disse que ela está com sangramento.


– Já podemos entrar?


– É melhor esperarem até que Xhex digam que podem entrar – falou Revh – Droga, se é que ela vai permitir que a examinem.



Zsadist chegou seguido por Thor.


– Se achar necessário V. posso ir buscar Havers agora mesmo. – falou Z.


– É melhor esperar por John. – frisou Revh.


– Talvez você tenha razão. – disse Thor, visivelmente abatido – Vamos esperar.


Tentaram se acomodar o melhor possível no corredor. Ninguém procurou puxar assunto, cada um envolvido em seus próprios pensamentos. Só restava esperar pela decisão de John.


Não demorou muito para que os passos de Lisa fossem ouvidos no corredor. Caminhava rapidamente e parou ao lado de Zsadist.


– Estava procurando por mim? – perguntou com o olhar queimando de raiva para Vishous.


– Agora não! – sibilou ele ferozmente.


Foi nesse instante que um grito aterrorizante ressoou desesperador. Xhex havia explodido, expondo toda a sua agonia e frustração do lado de dentro da enfermaria que ainda se encontrava com as portas fechadas.


O cérebro de Lisa travou. Tudo foi deletado, não sobrou nada. Ela esqueceu sua raiva e também o propósito que a levara até ali. Sentiu seu corpo fraquejar e suas pernas tremeram. Não se sentia apoiada em seus ossos, e sim, em cima de gelatina.


O grito, aquele grito... ela sabia o que representava e tudo voltou claro como o sol:



– Agora é o seu momento, Lisa – Paul estava de volta e totalmente transtornado – Diga que me deseja. Diga que me quer dentro de você. Diga que quer fazer amor comigo.

– Está me machucando.

– Diga, AGORA ou eu juro, juro que te mato e vou começar cortando o seu ventre e arrancando tudo que tem aí dentro. Você vai poder dar uma olhada no seu bebezinho antes de morrer.

– S-sim... sim.



A lembrança foi demais. O grito, o clamor da fêmea ferida foi demais e mesmo sabendo que Z. não gostava de ser tocado, Lisa agarrou forte em seus braços sentindo-se tonta. V. estava do outro lado, mantendo-se bem longe dela.


Não levou tempo algum para que o macho entendesse os pensamentos sombrios de Lisa... ele também assimilou prontamente o significado funesto do grito e foi torturado, por uma fração de segundo, pelo rosto de sua Ama. Olharam-se por um breve relance. Pavor, culpa, medo, assombramento... desolação. Foi isso que Z. viu nos olhos arregalados e sem esperança da fêmea que tremia agarrando-se a ele.


Tudo foi muito rápido. O segundo grito ecoou ainda mais mortificante e Lisa desmaiou nos braços de Zsadist. Ele a sustentou com cuidado, evitando que tombasse ao chão. Vishous já estava ao lado dele para socorrê-la.


– Se não fosse meu Irmão, eu mataria você aqui e agora. Seu grandessíssimo fodido, filho da puta! – rosnou Z. furioso.


– Solte-a agora. Ela é minha.


– Ela é sua? Então trate-a com decência e não como uma qualquer...


– Por Jesus Cristo, parem agora mesmo – gritou Mary autoritária aproximando-se – Não é hora para isso.


Revh colocou os braços entre os machos, temendo um confronto.


– Coloque-a na outra sala Z., por favor. Eu ficarei com ela – Mary olhou para Vishous – Quanto a você, tente se acalmar.


V. não abriu caminho e sem pensar nas consequências ergueu a mão enluvada fechando-a fortemente. Uma ameaça, um aviso destinado a Zsadist.


Thor se aproximou e se posicionou estrategicamente atrás do vampiro furioso. Como foi que a situação chegou a esse ponto?


Um macho vinculado instável que presenciava sua fêmea nos braços de outro macho. Que por sua vez era tão mortal e psicótico quanto o primeiro. Era apenas uma questão de minutos até alguém morrer.


– Por favor V. – interferiu Mary, agora com uma voz calma e macia – Deixe Z. passar. Lisa precisa de paz e você precisa ajudar Elena com Xhex... por favor, olhe para mim.


Mary colocou a mão sobre o ombro de V. e apertou de leve, só para lhe desviar a atenção de Z. e continuou falando.


– Eu prometo que cuidarei dela. Cuidarei dela como cuido de Raghe quando ele se transforma – pela primeira vez o olhar de Vishous desviou e ele encarou Mary parecendo entender seu propósito.


Em seguida John abriu a porta abatido e desesperado. Passando as mãos pelo cabelo ficou chocado com a cena que se desenrolava no corredor da enfermaria.


– E então? – perguntou Rehv.


Ele balançou a cabeça afirmativamente e gesticulou.


– Xhex cedeu, mas só porque o sangramento aumentou.


Lisa se mexeu sutilmente parecendo estar recobrando os sentidos.


Vishous fechou os olhos, respirou profundamente e se afastou de Z. O vampiro passou com Lisa em seus braços seguido por Mary e V. entrou junto com Elena na sala onde Xhex permanecia imóvel esperando por um diagnóstico.


Z. acomodou Lisa em uma cama hospitalar na sala ao lado. Ela abriu os olhos lentamente, enquanto Mary arrumava o travesseiro sob sua cabeça.


– Estarei lá fora caso precise de mim.


– Obrigada, Z.


Mary esperou que ele fechasse a porta e segurando na mão de Lisa sentou-se em uma cadeira ao lado da cama. Esperou que a humana acordasse completamente e lhe deu tempo para assimilar onde se encontrava. Quando percebeu a confusão em seu rosto falou:


– Você desmaiou. Sente-se bem, Lisa? Está com alguma dor?


Os olhos de Lisa buscaram os de Mary e pesadas lágrimas começaram a rolar.


– Ah, Mary... não estou nada bem – a agonia pulsava em sua confissão – Eu menti... eu tive que mentir...


– Lisa, por favor precisa se acalmar, pelo bebê. Vai ficar tudo bem.


– Não. Você não entende... eu menti. Eu disse para Paul que queria fazer amor com ele... eu fingi... eu fingi para não... – o tom subia a cada palavra pronunciada – Ah, Mary... eu quero morrer! Não consigo me perdoar e sei... eu sei que Vishous não vai entender. O que eu fiz... estou imunda. Estou suja... e essa sujeira nunca irá sair de mim.


Como se Mary fosse sua tábua de salvação Lisa agarrou-se a ela, abraçando-a fortemente e desabou a chorar. Soluços profundos se misturavam com uma dor dilacerante e uma tristeza infinita. A pequena sala azulejada, inóspita e fria foi preenchida pela desesperança e prostração.

- Imunda... estou imunda...



Notas finais
Sejam sinceras...
Espero os comentários ansiosa.
Beijos
Fênix