Traga-me Para A Vida
42 Capítulo 41
Notas iniciais
não me matem!!!
O atraso da postagem não foi proposital, eu juro. É que eu me embananei (credo, esse termo existe?)todinha essa semana e não tive tempo pra mais nada.
Mas eu escrevi esse capítulo cheio de emoção com o coração nas mãos. Eu chorei e me vinguei e depois chorei novamente, enfim, foram momentos inesquecíveis.
Espero que gostem.
Uma boa leitura e não esqueçam:
- Eu adoro todas vocês!
Beijos
Fênix
Fora da sala de exames se encontravam Wrath, Butch e Vishous. Os outros Irmãos depois de terem sido costurados retornaram à mansão. O mais ferido deles foi Z.. Quando chegou à clínica de Havers tinha um corte profundo no ombro esquerdo. A priori pensaram que talvez pudesse ter rompido os tendões do braço, mas felizmente, como mostraram os exames nada de mais grave tinha acontecido.
Depois de “curar” Butch, tirar-lhe o mal que o torturava por ter sugado seus inimigos, Vishous insistia para que o tira fosse embora, assim como Wrath. Porém nenhum dos dois lhe dava ouvidos, não iriam a lugar algum antes de ouvirem sobre o estado de saúde de Lisa. Quando chegou a clínica estava desacordada e a hemorragia a castigava, sem dar trégua.
Visivelmente angustiado e lutando com todas as suas forças para não arrebentar a porta que o separava de Lisa, V. começou a caminhar de um lado para o outro do longo corredor.
– Que demora é essa? Já se foram quase duas horas. Que porra está acontecendo lá dentro?
– Calma V., deixe que Havers faça seu trabalho. – falou Wrath usando um tom duro na voz. Ou era isso ou segurar Vishous pelo colarinho.
O vampiro não respondeu. A resposta que ficou guardada em sua mente, era melhor não ser pronunciada. Seria no mínimo um desacato.
O bater das botas foi ouvido pelo corredor, Eligor retornava.
– E então? – perguntou ele.
– Nada ainda e minha paciência...
Nesse momento as portas da sala de exame foram abertas e Havers saiu acompanhado por uma das enfermeiras que assistiu a todo o procedimento. Ela continuou caminhando rapidamente para algum lugar do hospital, muito concentrada em seu trabalho.
O sério médico ajeitou seus óculos, antes de começar a falar. Parecia exausto.
– Querem se sentar? – Apontou para as poltronas que estavam a sua frente, afinal o que tinha a dizer não era nada fácil – Talvez queiram um café ou...
Vishous pulou em cima dele literalmente. Agarrando-o pelo jaleco prensou-o contra a parede, os narizes quase se tocaram. Com as enormes presas totalmente expostas e um ar sombrio, Havers tremeu diante do Guerreiro.
– Caralho, é simplesmente inacreditável. A situação já não é bastante dramática pra você fazer mais merda? – O Rei já estava puxando V. de cima do pobre coitado, praticamente levantando-o do chão com um único golpe – Solte-o agora e escute o que ele tem a dizer. Mexa-se V. isso não é um pedido.
Apesar de alguns murmúrios contrariados, todos se acalmaram, afinal o Rei não estava para brincadeiras. Sua fisionomia mortal e ácida expressava seu humor claramente e óbvio... Butch segurava seu amigo com as duas mãos chumbadas sobre o seu peito como barras de ferro.
– Fale Havers. – ordenou Wrath – E seja objetivo, para o seu próprio bem.
Tentando inutilmente se recompor da ameaça, o médico se sentou em uma das poltronas que anteriormente tinha apontado.
– Ela foi brutalmente espancada. – começou a falar olhando para o chão e rezava a Virgem Escriba para os machos ali presentes, fossem capazes de conter a ira de Vishous – Apresenta hematomas e várias cicatrizes por todo o corpo, mas principalmente em suas costas, onde as marcas parecem ser de um chicote... foi acorrentada pelos pulsos e também pelos tornozelos, ali também há marcas visíveis.
Enquanto ele relatava a temperatura caía sensivelmente. Não seria demais afirmar que a qualquer momento poderia nevar naquele corredor.
– Também apresenta fissuras vaginais e anais – de repente Havers engasgou com a dura realidade sofrida pela pobre mulher, sem perceber passou as mãos pelo seu cabelo, buscando coragem. Ele estava em agonia, o exame, a assistência prestada, a barbárie, os machucados. – Consequência dos estupros e...
– Redutores são impotentes!
Vishous queria acreditar na sua afirmação, que era verdadeira e fazia sentido. Porém ele sabia que havia outros métodos e dentro dele um calor tenebroso começou a queimá-lo vivo. Lentamente, sem pressa. Estava completamente desequilibrado e... nem sequer tinha recebido todo o relato médico. Não imaginava a notícia que estava por ouvir.
– Évora vai pagar. Cobrarei centavo por centavo – rosnou Eligor, suas feições estavam transformadas e o ódio maléfico expresso em seus olhos revelou o demônio que era. Impiedoso, execrável e capaz de tudo.
– E... ela está... está grávida. – terminou dizendo Havers.
Tudo aconteceu muito rápido. Uma das poltronas foi atirada pelo corredor, seu estofamento pegava fogo e o ferro que a compunha retorcia-se em brasa. Brilhando vermelhamente como o próprio sol. Quando aterrissou no piso vinílico branco deixou sua marca por cerca de um metro e meio. Não foi o bastante... e outra poltrona seguiu o mesmo destino.
A luva da mão amaldiçoada e tatuada havia se desintegrado e não era apenas ela que reluzia fortemente, todo o corpo do vampiro emitia a poderosa e mortal luz. Ele pairava a centímetros do chão. Igual a sua mãe, uma cópia masculina. A visão era aterradora.
Wrath falava e Butch também. O médico foi empurrado para trás, para longe e todos tinham plena consciência de que Vishous era uma bomba atômica em explosão. Os sons, gritos de enfermeiras, dos funcionários, os pedidos para que se acalmasse soavam como um borrão, um ruído longínquo e distante. Ninguém estava seguro perto de V., ninguém poderia escapar a sua ira.
Se ninguém tomasse uma atitude ele destruiria todo o andar. Porém não era hora de tentar impedir, não com aquela mão totalmente livre, sem qualquer proteção. O balcão da recepção começou a pegar fogo, o pânico apoderava-se dos funcionários e gritar com o vampiro transtornado não estava surtindo efeito. Ele não ia parar. Não até descarregar todo o seu desespero.
As lâmpadas explodiram acima de suas cabeças. Uma a uma, seguindo uma seqüência que parecia combinada. Ele, então, começou a esmurrar a parede, pronunciava algumas palavras no idioma antigo misturadas com blasfêmias e um pesar insuportável. Os nós de seus dedos começaram a sangrar e quanto mais o sangue pingava... com mais força V. esmurrava. Todo o seu corpo estava tomado por um tremor, uma selvageria dantesca.
– Já chega! – falou Eligor mansamente. Tocou-lhe o ombro puxando-o para que ficassem frente a frente. Dos olhos diamantados caíam pesadas lágrimas – Não continue com isso. Não alimente essa “coisa” que o está dominando. Eu conheço o ódio, a bestialidade. E isso não é para você.
– Tem certeza? – perguntou V. sarcástico.
– Eu tenho. – disse Wrath sem hesitação.
– Eu também. – falou Butch caminhando na direção de seu amigo.
– No momento temos que ser práticos e você tem que pensar no que é melhor para Lisa. Vishous está me ouvindo?
– Wrath, eu... eu...
A comoção das terríveis notícias começava a ceder, dando lugar a outro tipo de dor. Não havia mais nada a ser feito pelo que Lisa tinha enfrentado durante aqueles três meses no cárcere, mas essa gravidez não podia seguir em frente. Era isso que todos tinham em mente. Não permitiriam que ela carregasse em seu ventre um ser monstruoso. Seria mais uma tortura.
Aos poucos a tempestade foi passando e Vishous forçou-se a se concentrar. Acalmando-se não brilhava mais e ele tentou esconder sua mão tatuada para não ferir ninguém. Foi então que percebeu que seu corpo estava se rendendo ao impacto. Tremendo pensou que era melhor se ajoelhar ou cairia ao chão, mas as mãos de seus Irmãos não permitiram. Wrath o amparou e Butch também, sustentaram seu peso enquanto o vampiro chorava a sua dor e também a de Lisa.
– Doutor, é possível uma intervenção, um aborto? – perguntou Eligor.
Antes de responder Havers olhou seriamente para todos com pesar e depois para a destruição que se encontrava na clínica. Será que uma nova onda de fúria viria à tona com sua resposta?
– Não. Se bem que a hemorragia foi intensa e não há certeza de que o be..., isso é, o feto vá resistir. Pelos exames o ultrassom mostrou que está com 22 semanas de gestação, ou seja, quase seis meses.
– O quê você disse? – V. levantou a cabeça dos ombros de Wrath e olhou incrédulo.
– É isso aí – Eligor foi o primeiro a sorrir.
Por Deus! Aquele demônio parecia aliviado, como se finalmente estivesse olhando para uma luz no fim do túnel.
– Não sou especialista em humanos, mas a gestação corresponde a 40 semanas, portanto já passou da metade.
Agora sim, Wrath e Butch sustentavam todo o peso do corpo de Vishous. Ele estava totalmente platônico, fazia contas em sua cabeça. Houve um pequeno silêncio e todos chegaram à mesma conclusão.
– Jesus Cristo... ele é meu. – disse erguendo-se, sustentando seu peso sobre suas pernas — O bebê é... é meu filho!
Todos expressavam um tímido sorriso, com exceção de Eligor, que não conseguia parar de sorrir.
– É melhor ir ver sua fêmea, meu camarada. – falou Butch.
– Esperaremos por você aqui.
Ao mesmo tempo em que V. concordava com Wrath balançando a cabeça ele abria a porta do quarto onde estava sua amada.
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– Alguém viu Legassa?
Não houve resposta alguma por parte dos escravos e subordinados de Eligor. Porém uma risada recheada de escárnio saiu da boca de Évora.
– Se eu fosse você não estaria rindo. Você não perde por esperar.
– Legassa deve estar morta, então eu só posso comemorar Ádamo. Afinal, tirar coisas do seu chefe sempre foi o meu objetivo.
A feiticeira estava suspensa, sustentada por grossas correntes que prendiam seus tornozelos e seus pulsos como um “X”. De qualquer maneira ela ainda mantinha a determinação da vingança e do ódio sem precedentes. Ela queria acabar com seu inimigo, queria destruir.
Para chegar naquele fundo do inferno, os domínios de Eligor era preciso descer pelo poço. Um buraco profundo que parecia não ter fim, onde as paredes se mexem como se não fossem feitas de tijolos, o cheiro de carniça queima suas vias respiratórias e faz vomitar e os gritos horripilantes soam cada vez mais altos.
– Você não passa de um serviçal que está sempre cumprindo ordens. Sempre foi assim Ádamo e sempre será. Você é como um cachorrinho. Seu dono te ensinou um truque e você repete e repete até cansar, só para agradá-lo. É isso que ele fez com você.
– Você não sabe o que está dizendo, sua vadia. Eligor nunca...
– Não me defenda Ádamo! Não é necessário.
E lá estava Eligor em toda a sua supremacia. Altivo e imponente. No rosto expressava a vitória, seu bom humor era contagiante, tinha um sorriso pregado em seus lábios. Porém sua aura negra e demoníaca sobrepunha-se a todo o restante. Havia um propósito em seu retorno, desta vez não era apenas administrar o Exército, manter seus homens na linha, punir as almas perdidas que lhe eram enviadas... era satisfação própria. Vingaria Lisa e também, finalmente a mãe dela, Rachel a humana que ele amou desesperadamente e que foi obrigado a deixar para trás.
– Olá Eligor, já voltou? Então, como está sua filhinha? – Évora sabia que o demônio era implacável, mas sentia-se preparada para apanhar o quanto fosse necessário. Não seria a primeira vez.
A gargalhada insana do Rei ressoou no covil iluminado por milhares de velas negras.
– Ádamo, convoque a minha Guarda Pessoal.
– Está correndo perigo, meu Senhor?
Outra gargalhada.
– Não, meu bom amigo. Peça para os soldados formarem uma fila na entrada e informe a todos que hoje eles terão diversão.
– Sim meu Senhor. – desta vez foi Ádamo que gargalhou enquanto se retirava para cumprir a ordem.
Évora arregalou os olhos temendo o pior.
– Seu imundo! O que pretende? – gritou descontrolada.
Porém ele não respondia. Não emitia uma palavra. Apenas caminhou até seu trono e se sentou majestosamente ocupando, preenchendo o lugar que era seu por direito. Ele era famoso por ser justo, mas também impiedoso, sanguinário e perverso com seus inimigos.
– Não pode me submeter a isso! – Évora se debatia, tentando se soltar das pesadas correntes e de seu pétreo destino.
Quanto mais o desespero a tomava, mais lancinante era a satisfação do Rei do Inferno. Aquilo era música para seus ouvidos... era o início da sua implacável vingança. Ela tinha feito Lisa sofrer, mas sofreria um milhão de vezes a mais para pagar e nunca seria o suficiente.
– Eles estão aqui meu Senhor, como ordenou!
– Tire as roupas dela, Ádamo. – A voz saiu gutural, monstruosa.
Sem questionar o fiel servo aproximou-se e começou a remover as roupas da miserável mulher rasgando-as rapidamente.
– Não pode fazer isso comigo. Não é justo. Eu não expus Lisa dessa maneira. — gritava Évora ensandecida.
– Está feito meu Senhor, mais alguma coisa?
– Quer ser o primeiro Ádamo? Pode possuí-la como bem desejar.
Os olhos do servo chegaram a brilhar com a oferta.
– Não! Ela não me agrada.
– Sábias palavras, meu amigo. Sempre soube que você tinha bom gosto.
– Meu Senhor, se não for pedir demais gostaria... – Ádamo não chegou a terminou a frase, somente aproximou-se de Évora novamente.
– Vá em frente.
Ele tirou um bisturi do bolso e falou ao ouvido de Évora calmamente.
– Depois que eles acabarem com você, eu vou cortar sua pele na altura dos ombros e seguir pelas costas até completar o círculo... depois disso vou continuar com os cortes até chegar aos seus seios e mais em baixo por seu ventre e só então, puxarei e arrancarei toda a sua pele, tudo de uma vez. Você vai ficar em carne viva, a dor será tão insuportável que o que esses “ogros” farão com você agora vai parecer um simples passatempo.
Assim que a última palavra foi pronunciada pelos lábios de Ádamo, Évora encontrava-se aterrorizada, com olhos arregalados sua mente já produzia as visões do que estava por padecer e o tremor sacudia seu corpo.
– Bravo! Bravo meu amigo! – gritou Eligor em êxtase, enquanto batia palmas – E com um chicote de três pontas com ferro afiado em suas extremidades terei o prazer de açoitá-la.
Eligor se arrumou em seu trono, encostou-se confortavelmente enquanto acomodava os pés em cima do que poderíamos chamar de mesa de apoio se não fosse composta por dezenas de crânios humanos.
– Libere a entrada. – só então ele olhou para Évora, seus olhos vorazes se fixaram nos dela – Agora você vai aprender profundamente o amplo e total significado da palavra estupro. A princípio serão apenas dez "Onis".
Eles entraram, todos juntos e armados, dez humanóides ao todo. Um "Oni” é uma espécie de mistura de homem com uma besta, um lobo monstruoso. Possuí três cifres longos e pontudos sobre a sua cabeça e o corpo é totalmente coberto por pelos grossos e espetados. Suas feições são desfiguradas e quando existe a possibilidade se alimentam de carne humana. São os soldados mais temidos do Exército Infernal, originalmente ferozes, seu único desejo é o sofrimento, a tortura e a morte de quem atravessa seus caminhos. E só se curvam e obedecem a um único Rei — Eligor.
A visão da mulher loira, nua e acorrentada inebriou a todos, eles não sabiam se olhavam para ela ou para seu Mestre.
– Ela é um presente que dou a todos vocês. Usem-na como desejarem, façam o que quiserem, só não a matem. Quero-a viva! Quero que ela desfrute de nossa companhia por séculos e mais séculos.
Quando um brado selvagem de consentimento preencheu a caverna, Eligor tinha certeza de que o longo calvário de Évora estava somente começando. Sorrindo ele disse:
– Podem começar.
E seus soldados avançaram famintos, com uma animalidade que beirava a loucura em busca de luxúria, prazer, volúpia, pornografia... As súplicas e os gritos de Évora ressonavam por todo o recinto, porém não havia saída, compaixão, misericórdia.
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Lisa dormia profundamente, em um dos braços estava conectado o soro com medicação. Olhando para ela com mais atenção V. notou como estava mal. Muito pálida, seu rosto expressava ter mais idade do que realmente tinha, possuía escuras e profundas olheiras e ele viu as marcas nos pulsos que Havers descrevera há pouco. Como podia estar com quase seis meses de gravidez e se encontrar tão magra? A região da barriga e do ventre estava praticamente plaina. Sua primeira intenção foi levantar o lençol que lhe cobria o corpo, todavia hesitou, faltou-lhe coragem. Sentiu uma enorme vontade de poder matar Paul novamente.
Sem fazer barulho puxou a cadeira que estava ao lado dos monitores cardíacos, aproximando-a do leito e sentou-se ali. Exausto e completamente abatido Vishous entrelaçou sua mão, a normal, com a de Lisa e baixou sua cabeça no colchão, tinha tantas coisas para pensar, mas logo adormeceu. Afinal eram meses sem ter pelo menos uma hora inteira de sono.
Depois de sabe-se lá quanto tempo Lisa despertou, ainda sem forças tentou entender onde estava correndo seus olhos por todo o ambiente. Era um hospital. Estava livre e em uma sala hospitalar, talvez na UTI.
Quando virou a cabeça para o lado é que visualizou de onde vinha o calor que emanava de sua mão suada. Vishous!
Seu homem, seu amado e precioso Guerreiro dormia ao seu lado, com seus cabelos negros esparramados tão próximos aos seus dedos. Lisa começou a chorar de alegria. Isso fez com que ele despertasse.
– Lisa? Meu Deus... está com dor? Quer que eu chame o médico?
Negando com a cabeça ela somente chorava e apertava-lhe a mão cada vez mais.
– Não sei o que fazer leelan. Fale comigo, meu amor.
O soluçar do choro era cortante e as lágrimas escorriam sem poder serem contidas. Era um choro excruciante, libertador. O pesadelo do cárcere havia terminado e ela se lembrou do momento em que V. matou seu carrasco.
– Você me encontrou. – disse ela entre os soluços.
– Sim... agora tudo vai ficar bem.
Em um impulso sobrenatural para o estado de fraqueza que se encontrava, ela levantou a parte superior de seu corpo da cama e o abraçou com força. Passou seus braços pelo pescoço de Vishous enquanto as lágrimas continuavam a cair.
– Me abraça... por favor me abraça.
V. passou somente a mão “normal” em volta das costas dela. Não sabia o que a outra poderia fazer em relação à gestação. Sabia que podia curar-lhe o corpo, mas não podia prever nada quanto ao bebê. Tinha medo de agravar ou prejudicar seu estado de saúde.
Lisa estranhou a falta de contato, o abraço pela metade.
– O que foi? Tem algo errado?
Perguntou com medo que fosse ressentimento pelas palavras que Paul havia dito antes de morrer. Ela tinha plena consciência de que aquela frase era capaz de abalar e destruir qualquer relacionamento. E com toda a sinceridade, o redutor expressou o que pensava ser a verdade para ele. Lisa fingiu categoricamente bem o prazer e os orgasmos para sobreviver. Essa era a culpa que a assombrava e que carregaria para sempre.
– Não me deixe Vishous... você é tudo que eu tenho, tudo que eu quero... por favor. Não me deixe.
– Shhh... calma Lisa. O que está falando? Não vou a lugar algum. Você é o meu mundo.
– Não... eu sei como você se sente. Eu... sei que é pelo que Paul disse, mas eu... eu precisei... sei que não quer me tocar... mas, eu... eu fiz... não me deixe...
Quanto mais ela tentava se explicar, mais desequilibrada ficava. Abalada psicologicamente ela agarrava-se a ele desesperadamente, apertando-o contra si.
– Meu Deus! Lisa, não é nada disso. – Vishous tentava controlar a situação, acalmá-la de alguma forma, mas parecia que Lisa não ouvia nada do que ele estava dizendo.
– É... é minha culpa... eu errei... eu sei... não me deixe.
Foi então que V. sentiu sua camiseta molhar, algo escorria por suas costas. Só podia ser o cateter, havia se desconectado do braço. A porta do quarto se abriu e Havers entrou apenas com o intuito de checar se sua paciente permanecia estável, mas a encontrou completamente descontrolada dentro de uma crise de insanidade.
– Mas o que é que está acontecendo aqui? – indagou o médico correndo em direção ao casal.
Com a pergunta soando clara pelo corredor, Wrath e Butch também entraram depois de ouvi-lá. Vishous tinha sua mão tatuada erguida para o alto, tentando não fazer nenhum tipo de contato. Inutilmente Havers tentava convencer Lisa a se deitar e se acalmar, mas ela continuava agarrada ao pescoço do macho como se ele fosse o seu oxigênio.
– Vou entrar com um tranquilizante. – disse o médico, chamando a enfermeira pelo botão no painel da cama hospitalar.
– Não Vishous... não deixe. – o desespero de Lisa era doentio.
– Do jeito que está agitada, seu estado só tende a piorar. É preciso sedá-la imediatamente.
A enfermeira chegou trazendo a seringa com o medicamento. Lisa precisou ser contida e foi Butch que conseguiu finalmente dominá-la. Em nenhum momento V. soltou de sua mão e ainda não estava convencido de que colocar sua fêmea para dormir era a melhor opção.
Um redemoinho começou a se formar. Os móveis e o resto das coisas que ocupavam todo o quarto começaram a vibrar, Vishous já tinha presenciado isso anteriormente. Primeiro foi o quarto da mansão que foi transformado em pó e depois na sua cobertura no Commodoro, tudo teria acontecido igual se ele não a tivesse tocado com a sua mão... amaldiçoada.
Então o sangramento voltou. Uma pequena mancha de sangue apareceu por entre os lençóis brancos e quando ela se deu conta de que estava sangrando tudo piorou.
Havers estava para injetar o medicamento quando no último segundo V. impediu.
– Não! – falou se apropriando de seu direito de macho vinculado – Eu assumo daqui.
E para surpresa de todos e consternação do médico Vishous envolveu Lisa totalmente em seus braços, puxando-a para si, encostando sua cabeça em seu largo peito. A mão amaldiçoada subia e descia passeando pelas costas de Lisa trazendo alento, proteção e calmaria.
A respiração dela começou a se normalizar e por fim o quarto parou de vibrar. Como ele esperava os hematomas nos braços começaram a clarear instantaneamente e assim deveria estar ocorrendo pelo corpo inteiro de sua fêmea. E ele rezava aos céus que a cura também se estendesse ao bebê.
Apesar de se sentir uma aberração por toda a sua vida, naquele momento ele teve a certeza de que pertenciam um ao outro, de que necessitavam um do outro. Ele cuidaria dela porque Lisa era a sua salvação, seu porto seguro. Era quem ele queria ver em sua cama quando voltasse da Guerra ao amanhecer. Ela era a razão, o motivo, o amor que ele tanto esperou.
– Vou levá-la para casa! – afirmou V.
Wrath deu um passo atrás se preparando para abrir caminho para que Vishous saísse com Lisa.
– Não pode. – Intercedeu Havers – Ela precisa além de medicamentos de tratamento psicológico, não está apta para distinguir o que é melhor para si. Ela está...
– Chega doutor. – O Rei o fez calar – Talvez não tenha percebido que os machucados de sua paciente sumiram?
– Mas, meu Senhor eu não posso concordar com isso – tentou argumentar o médico.
– Havers, você não tem que concordar com nada – falou V. categórico – Agradeço por tudo que fez até aqui, mas de agora em diante eu cuidarei de minha shellan. E vou começar levando-a para casa, onde ela será amada e irá conviver com pessoas que a respeitam e lhe querem bem. É isso que ela precisa. E é o que todos os meus Irmãos e suas companheiras farão.
Lisa estava tão cansada que não conseguia sequer abrir os olhos, mas pelo seu gemido de satisfação o jeito que se aninhou no colo de Vishous, não havia dúvidas de que aquela era a decisão certa a ser tomada.
– Se ela vai precisar de medicamentos, faça a receita Doutor. Temos pouco tempo antes do amanhecer. – disse Butch – Estou indo buscar o carro, encontro vocês na saída.
Ele saiu e o médico o acompanhou.
– Tudo ficará bem Vishous, com sua fêmea e também com o seu bebê.
– Assim espero Wrath. – respondeu V. acomodando Lisa em seus braços.
– Vai ficar meu Irmão. – O Rei abriu um cobertor e cobriu o corpo de Lisa, vestido apenas com um avental. – Agora vamos para casa!
Notas finais
O que esperam de agora em diante?
É só levar Lisa para casa que tudo estará solucionado?
E quanto a Évora? Tá bom ou precisa mais? kkkkk
Me contem tudinho.
bj
Fênix
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