Notas iniciais
Olá Meninas.
Aqui está mais um capítulo.
Antes de qualquer coisa queria dizer que quem ainda não apresentou um nome para o novo Guerreiro e pretende fazer... está é a última semana para enviar. Ok?
Outra coisa, sei que algumas de vocês esperam que a Virgem Escriba ajude Lisa a sair do cativeiro, então quero explicar um fato que talvez não esteja claro. Depois que Évora fez o sacrificio envolvendo a morte das quatro crianças, ela invocou um feitiço poderoso e lembrem-se a casa passou a não existir para qualquer ser vivo, inclusive Ômega. O lugar também não pode ser visto por ninguém (ficou invisível), a não ser Évora e Paul.
Sendo assim essa regra se estende para a Virgem Escriba e também para Lassiter. Dentro desse círculo onde os corpos das garotas estão enterrados e marcam os pontos cardeais, tudo está protegido e quero acrescentar que também não é possível sentir a presença de Lisa.
Estou muito alegre...
No final do capítulo tem um presente maravilhoso que a minha querida Gaabii a mais nova leitora dessa história fez pra mim e que eu faço questão de compartilhar com todas vocês.
A montagem ficou lindíssima e diz tudo, não é necessário maiores comentários e para ser sincera... esse presente chegou no momento exato.
O momento pede, mais do que nunca, por esperança e a foto veio acalentar corações!
bj.
Fênix

Quatro dias depois...



– Uma 9 mm. Pensa que pode entrar armado nesse clube?


– Tenho licença legal para o porte da arma. Portanto sim, posso entrar nesse clube com ela. A Lei me assegura o direito de...


– Que se foda a Lei. Aqui você não entra. – O segurança alto com olhar duro e voz rouca, não estava brincando – Ou muda de idéia e deixa a arma no guarda volumes ou jogarei você com arma e tudo no beco ao lado. Você decide amigo, mas seja rápido porque não tenho a noite toda.


– Algum problema Iam?


A voz soou atrás do mouro nitidamente.


– Nenhum Xhex. Só estou dando um tempo para o rapaz aqui pensar sobre a vida e sua pistola automática.


Ela se aproximou, exibindo um ar imponente e então perguntou ao homem negro.


– Qual o seu nome e porque está armado?


– Se olhar meus documentos e souber ler, obterá a resposta. Quanto à arma... tenho porte.


Xhex mostrou desprezo no olhar, mas conferiu os documentos.


– Então Nick – disse ela pausadamente – Já decidiu se vai entrar ou voltar para casa?


– Vou entrar.


– Ótimo, eu guardo a arma para você até que saia.


Nick não gostou nem um pouco de entrar no ZeroSum sem sua automática, mas gostava menos ainda de não ter qualquer informação sobre Lisa. A última vez que teve notícias sobre ela foi através de um telefonema de Vishous que falou com Anne e já fazia quatro dias.


Dirigiu-se certeiramente para a área VIP, afinal foi ali que tinha visto os homens vestidos de couro a cerca de dois meses atrás, porém, esta noite o retrato era outro. Havia três “garotos” na mesa. Dois deles bem grandes e um com olhos azuis, ridiculamente franzino.


Merda, aquilo não era o que Nick queria encontrar. Decidiu esperar para ver o que rolava, ficou perto da parede que tinha uma cascata. A pista de dança estava lotada e fervia ao som da música “techno” que fazia os corpos balançarem, claro que alguns contavam com a ajuda de drogas para libertarem seus movimentos. .


Não demorou muito para notar a aproximação de um cara alto com cabelos que mais parecia a juba de um leão. Ele já o tinha visto antes e finalmente tinha achado o cara que lhe daria respostas sobre o paradeiro de Lisa.


Sem hesitar nem mais um minuto dirigiu-se à área VIP. A mesa da Irmandade ficava mais ao fundo, estrategicamente posicionada perto da saída de emergência. Aproximando-se ele aproveitou a deixa da garçonete que seguia a sua frente e caminhou para a mesa que era seu objetivo.


– Boa noite, rapazes.


Os quatro vampiros... bem, na verdade eram três. John ainda não tinha passado por sua transição, olhavam para o homem surpresos, afinal ninguém os incomodava. O negro postara-se firmemente na frente deles e tinha uma atitude ameaçadora. Phury foi o primeiro a notar a raiva perniciosa que emanava daquele homem.


– Quero falar com você. – Nick exibia a feição de um pitbull, só faltou rosnar – O assunto é sério, então falaremos agora!


– Deve estar enganado – Phury apesar de ser o Irmão mais cavalheiro e gentil, sustentou o olhar do humano e por um segundo pensou que seria divertido dar-lhe uma surra ou pelo menos um susto, só para variar.


– Não estou enganado. Seu amigo... o de cavanhaque, sumiu com Lisa Hendrix. Quero saber onde ela está e você vai me dizer.


– Cuidado como fala, minha paciência ultimamente está escassa.


– Que bom que você ainda tem. – Nick encontrava-se por um triz, sem perceber fechou as mãos ao lado do corpo, transformando-as em punhos prontos para a luta – Porque a minha acabou no fudido minuto em que seu amigo não cumpriu com a palavra de que cuidaria dela e a levaria para casa em segurança. Onde ela está?


Blay e Qhuinn se levantaram entendendo que a situação estava tensa demais aquilo era praticamente uma locomotiva prestes a sair dos trilhos.


– Seguranças? – Cutucou Nick


– Não. Porém não relutariam em esmagar você, pelo contrário... seria pura diversão.


– Me diga onde ela está ou como faço para encontrar aquele filho da puta que a levou.


Cheque mate!


Phury pegou o humano pelos colarinhos literalmente e o prensou contra a parede, batendo a cabeça de Nick tão fortemente que suas pernas cederam. Blay e Qhuinn colocaram-se na frente da cena encobrindo com seus corpos o que se passava.


– Aquele filho da puta é meu Irmão, portanto tome cuidado com os termos que usa, imbecil. Mataria você agora mesmo, mas em consideração a Lisa e principalmente a ele vou poupar sua insignificante vida desta vez... somente desta vez. Você tem trinta segundo para deixar esse lugar e preste atenção, quando tivermos notícias, avisaremos. Não tente entrar em contato conosco. Nós entraremos em contato com você.


Quando Phury soltou Nick, ele estava convencido de que aquele homem não estava brincando. Seus olhos amarelos vidrados e tristes continham um aviso claro e determinado de uma morte eminente e dolorosa, caso insistisse na discussão. Baixou a cabeça em rendição e falou calmamente.


– Eu entendi, mas por favor... eu e Anne estamos muito preocupados. Avise se...


– Sim. Agora, dê o fora.



O tempo passou vagarosamente nesses quatro dias. Butch tinha dores quase que insuportáveis em sua espinha dorsal e lombar, mas o que o estava matando era olhar para V. ligado a uma parafernália de equipamentos e tubos médicos e não ter nenhuma resposta positiva.


Deus era sua única testemunha que não suportaria viver sem seu amigo. Amava Marissa, estava super vinculado e muito feliz, mas Vishous era... droga, era especial.


Tinham uma intimidade que ultrapassava todos os limites. V. não precisava falar o que sentia, nem o que queria. Ele sabia... ele sempre soube e o contrário também era verdadeiro.


Cada um representava para o outro um livro aberto, sem segredos, sem enigmas. E tudo que V. tinha feito por ele? Sim, tudo que Vishous tinha feito por ele, por um humano sem eira nem beira que não tinha onde cair morto, que não tinha uma família.


O vampiro deitado naquela cama hospitalar tinha se transformado na sua família. O processo de entrar para a Irmandade nada tinha haver com o sentido de Irmão que Butch sentia, entre eles era tudo mais profundo... ele simplesmente amava V. Não se tratava de sexo... nem de atração física, trava-se da necessidade doentia e soberba de conviver todos os dias com Vishous, de estar lado a lado, de dividir problemas, alegrias e coisa bobas e tolas que compunham o cotidiano da vida. Pouco se importava se ele era pirado, bissexual, masoquista. Afinal quem não tem um pouco disso tudo? Fodam-se todos. Tudo isso não passa de um monte de merda. V. era o cara que se arriscou por ele, era o cara que o curava do mal dos redutores, era o cara que se comprometeu de corpo e alma abrindo mão de seus sentimentos para que ele e Marissa fossem felizes.


Agora seus olhos lacrimejavam e as lágrimas não podiam mais ser contidas. Debruçou sobre a cama agarrando-se a mão de V., apertando-a fortemente e se permitiu chorar. Deixou a tormenta contida há dias em sua alma fluir sem constrangimentos, sem empecilhos.


Um barulho esquisito, rouco e baixo preencheu o ambiente juntamente com os soluços chorosos e antes que o tira pudesse erguer seus olhos molhados sua mão sentiu a devolução do aperto. Era mínimo, fraco e quase... quase imperceptível, mas existia. Era real.


Vishous havia aberto os olhos. Não podia falar porque tinha um tubo inserido em sua garganta, o respirador artificial. Butch não conteve o grande sorriso e suas presas ficaram à mostra. Era uma mistura de choro e também... finalmente desopressão.


– Graças a Deus. Você voltou... pensei que... Jesus Cristo...


Imediatamente bateu a mão na campainha chamando as enfermeiras.


– Não tente falar, ok? Já passou por muito.


Quando a porta se abriu, ele sequer pensou em ser gentil, somente deu a ordem para que chamassem Havers. Em seguida pegou o celular e ligou.


– Querida... ele acordou.


Graças a Virgem. Você está bem?

– Estou. Será que você poderia vir... será que...


– Sim, Butch... sim, agora mesmo e diga a meu Irmão que eu o alimentarei.


– Eu amo você Marissa.


Vishous tinha os olhos arregalados. Apesar de estar atordoado sabia o que significava aquela ligação, imediatamente balançou a cabeça negando a oferta. Nunca! Não beberia da shellan de seu amigo.


– Escute aqui – o olhar do policial era feroz e sua voz dura como uma pedra – Não vou perder você, me recuso a chorar sua morte. Assim que tirarem esse tudo beberá de Marissa o quanto for necessário para se recuperar. Não há desculpas, não há negação. Quando ela entrar por aquela maldita porta você vai cravar seus dentes no pulso dela e se alimentará. Não aceito não como resposta. Se não for por você, que seja por mim.


V. continuou a balançar a cabeça lembrando-se de quando se ofereceu para alimentar Marissa. Butch ainda era apenas um humano e sua reação foi a pior possível.


– Se está se lembrando de algo que eu disse no passado é melhor admitir que hoje a situação é outra, completamente outra. Você quase morreu e ainda pode morrer senão se alimentar de...


Havers abriu a porta e entrou.


– Fique calmo Guerreiro – se aproximou do leito hospitalar e checou os aparelhos – Vou retirar o tudo do respirador e você vai se sentir mais confortável.


Enquanto executava o procedimento, percebeu nitidamente a palidez no rosto de Vishous, mas nada comentou. O importante agora é que ele tinha acordado, recuperado enfim a consciência. Era só uma questão de tempo para que uma Escolhida viesse para servi-lo com seu sangue.


– Boa noite – Marissa chegou resplandecendo beleza – Oi V., estou feliz que tenha voltado para nós.


– Olá minha irmã.


Marissa o tinha perdoado, mas a relação deles nunca voltou a ser o que foi um dia.


– Como vai Havers? Como ele está?


– Melhor. Já respira sozinho, o que é um verdadeiro milagre. Agora precisa se alimentar e de muito repouso, depois o processo de cura fará tudo por si mesmo. Sua constituição de Guerreiro foi o que lhe tirou das garras da morte. Ele é forte, vai ficar bem.


– Poderia nos dar licença – ela apontou para a porta – Precisamos de um pouco de privacidade.


– Sim. Claro, mas...


Então a ficha caiu. O irmão de Marissa ficou chocado com a possibilidade de ela querer alimentá-lo como fez com Wrath. Não... ela tinha um hellren e bem... Wrath, Wrath é o Rei, o soberano.


– Pode sair Havers?


Ele ainda olhou para ela com reprovação, mas Marissa simplesmente o ignorou virando-se de costas e andando em direção a Butch.


– Oi amor.


O tira a beijou docemente, enquanto ela dobrava a manga da clássica camisa branca da grife Chanel posicionou-se ao lado de V. Seu braço já estava estendido rumo à direção da boca de Vishous, quando a porta novamente se abriu e Zsadist adentrou. Sem dizer uma única palavra se colocou ao lado de Butch e esperou.


Até um completo idiota sabia que tudo tinha sido conversado entre eles anteriormente. Z. estava ali para conter o tira caso não suportasse ver Marissa alimentado V., mesmo que ele fosse seu melhor amigo.


– Não.


A palavra saiu como um murmúrio difícil de ouvir. Mas Butch não perdeu tempo e jogou na mesa sua última cartada, a única coisa que poderia mudar a opinião de V.


– Já lhe disse se não for por você, que seja por mim e se não for por mim... que seja por Lisa. – os olhos do tira encontraram os de Vishous e captaram a agonia – Está desaparecida, procuramos por tudo, mas... até agora nada.


Os caninos apontaram e as longas presas emergiram como num passe de mágica, V. as cravou fundo no pulso de Marissa sem hesitar, bebendo o sangue puro que precisava para se levantar daquela cama.



O último estremecimento do orgasmo de Paul acabara de deixar seu corpo. Ele estava retornando a Terra, deixando o magnífico e sagrado lugar que só os amantes saciados e satisfeitos eram capazes de afirmar que existia.


– Você é perfeita.


Lisa tinha os olhos duramente fechados e continuava presa aquela mesa de tortura de madeira. Toda a musculatura dos seus braços doía por estarem estirados para trás e seus pulsos, onde as amarradas de couro apertavam-na firmemente, já tinham começado a sangrar.


Parou de implorar que a deixasse em paz e que não há tocasse duas horas depois do primeiro estupro. Para que ficar repetindo palavras que não surtiam a menor diferença? Não adiantava digladiar, aquilo era uma batalha perdida. Ele a usou de todas as maneiras possíveis imaginárias e inimaginárias. Ele já conhecia todas as curvas do seu corpo, havia explorado cada entranha, cada poro. Nada escapou ao desejo anormal e desvairado de Paul.


A adrenalina de seu fetiche obscuro pelo coito inesperado e forçado e da possessão estúpida e dominante é o que o motivava a querer sempre mais. Sugá-la, lambê-la e penetrá-la desesperadamente procurando uma calma e fartura que nunca o satisfaziam o deixavam desnorteado. Só que no meio desse furacão o que o levava quase a querer matar Lisa era a total indiferença daquela mulher.


Depois de algumas horas, metido no meio das pernas dela e com Évora assistindo a tudo cheia de desejo, o silêncio reinou supremo. Não mais chorava, nem tão pouco se debatia ou xingava quando estava com ele. Assumiu a forma estática, transformou-se em um objeto inanimado. Poderia ser facilmente comparada a uma boneca do sexo, aquelas de borracha cheias de orifícios, dispostas a satisfazer seus proprietários a qualquer hora e local sem exigir nada, mas também sem proporcionar som ou emoção alguma.


Paul perdeu a conta de quantas vezes se deixou levar pelos delírios e gozos alucinados que aqueles quatro dias lhe proporcionaram. No caso de Lisa, ela vivia seu martírio. Uma peregrinação infinita, um caminhar que não levava há lugar algum. A luta se tornou inútil, pois a cada dia que passava Paul voltava mais sedento, mais faminto.


Por mais incrível que possa parecer, ter o corpo invadido pelo pênis daquele homem vil e desprezível não era o pior que lhe acontecia. Lisa não suportava o que vinha a seguir, o que acontecia depois do orgasmo. Paul a olhava com veneração depois do êxtase e então entrava numa espécie de estado de culpa. Tentando consertar o estupro ele a beijava. Nunca na boca, por que Lisa não permitia, mas por todo o seu corpo.


Corria a boca vagarosamente sobre aquele corpo perfeito e bronzeado depositando beijos amorosos e cheios de paixão. Algumas vezes pedia perdão, não havia um lugar sequer no corpo de Lisa que a boca de Paul não tivesse acariciado.


Deus... ela preferia a chibata, a dor do chicote. Aqueles beijos para Lisa era o pior castigo corporal. Insuportáveis de aceitar e nefastos de se permitir.


Infelizmente era o que estava acontecendo naquele momento, para seu maior desespero.


– Eu te amo. – A voz dele era baixa e carregada de emoção – Eu sei que ainda não compreende o meu sentimento, mas com o tempo vai aceitar que eu sou o homem certo para você.


Levantou a cabeça para olhar em seus olhos, depois que depositou beijos em seus seios, mas Lisa continuou a ignorá-lo.


– Quero que me ame. Quero que se apaixone por mim perdidamente. Nós... nós seríamos felizes.


Retirando-se de seu interior e também de cima dela, Paul esboçou um sorriso e respirou profundamente.


– Tenho uma surpresa pra você. – sem poder se conter, passou as mãos pelos longos cabelos dela – Hoje poderá dormir em um dos quartos. Deve estar com o corpo dolorido por causa da madeira dessa cama. E também vai poder se vestir. Pedi para Évora que comprasse algumas roupas, ela foi até a cidade.


Começou a soltar as tiras de couro delicadamente e ficou sem jeito quando viu os pulsos de Lisa sangrando. Instintivamente abaixou o rosto e beijou o machucado.


– Sinto por isso, mas você me obriga a fazer. Se fosse boazinha, se estivesse disposta a entender e aceitar o que sinto por você, as coisas seriam mais fáceis.


Ela queria que Paul parasse com as explicações. Sempre que ele começava com esses loucos devaneios, Lisa se perguntava se não era melhor morrer.


Morrer? Jesus Cristo... não. Não podia sequer pensar nessa hipótese. Em seu ventre escondido do mundo a semente de Vishous crescia e pensar que ele viveria através de seu filho a tornava corajosa e pronta para continuar com esperança. Seja lá o que tivesse que suportar e fazer... ela se submeteria. Mas a sombra do medo rondava seus pensamentos. O que Paul faria quando descobrisse?


Até agora Évora não tinha contado e é claro que havia um bom motivo para isso, Lisa só não sabia qual era.


Deus... o que seria capaz de fazer para manter seu bebê vivo? Precisava fugir o mais rápido possível, não conseguiria esconder aquela gravidez por muito tempo, talvez dois ou três meses. Pelas suas contas sua menstruação estava atrasada cerca de vinte dias, como não notou antes? O que Vishous diria a ela quando ouvisse que ia ser pai?


Em seu íntimo, Lisa tinha a certeza de que ele seria um ótimo e maravilhoso pai e V. ficaria orgulhoso de si mesmo por formar uma família, ambos teriam o que nunca...


– Sabe o que eu realmente quero de você, Lisa?


Agora estava totalmente desamarrada e Paul a ajudou a se levantar, segurando seu corpo para que não caísse ao chão. Não podia andar, não tinha força nas pernas, afinal ele não tinha lhe dado de comer e o esgotamento físico era um grande aliado.


– Quero ter uma família com você. – falava com uma voz baixa e sensual – Quero um filho.


Pela primeira vez em quatro dias ela o encarou nos olhos. Uma fúria emanou da sua alma, fez seu sangue ferver. Aquilo era um pesadelo, não podia ser real, não... não estava acontecendo.


– Já lhe disse como seus olhos são bonitos? Posso imaginar perfeitamente como será o meu filho: forte, lindo e perfeito.


Ficou esperando que Lisa lhe dissesse alguma coisa, mas nenhuma palavra foi pronunciada.


– Falarei com Évora e...


– Não! – Aquela era a sua chance de reverter à situação, precisava ter calma, precisava pensar, mas que merda... não tinha tempo para ponderar, tinha que agir. – Deixe Évora fora disso.


Ouvindo a voz de sua amada ecoar pelo porão, uma alegria se instalou no peito de Paul.


– Quero dizer... não percebe como ela olha para você?


– Como?


– Ela o deseja e...


– Oh Deus... você não falava comigo porque estava com ciúmes, não é? O fato de Évora ficar olhando enquanto nós fazíamos amor lhe incomodava – ele riu satisfeito acreditando em suas mentiras – E eu pensando que era por causa daquele animal, daquele vampiro anormal e imundo.


Lisa tremeu por dentro e tentou não demonstrar todo o nojo que sentia por Paul e pelo que estava prestes a se submeter, porém não conseguiu e uma ânsia tomou seu corpo fazendo com que ela se curvasse para vomitar apesar de não ter nada em seu estômago.


Como sua vida mudou tão rápido em quatro dias? Vishous estava morto e o redutor que a espancou e estuprou falava que faziam amor, como se fossem um casal apaixonado.


– Lisa, meu amor... está tudo bem.


Amparando-a em seus braços, Paul levantou-a do chão e a carregou no colo escadaria acima. No quarto reservado para ela apenas um colchão, um travesseiro e um cobertor compunham o local. Na parede próxima ao catre dois ganchos de ferro fixados estrategicamente indicavam a ela que sua prisão era eterna.


Trancou-a no quarto e saiu de lá envolto em pensamentos privados e pecaminosos foi quando escutou um grito do lado de fora.


– Mas que diabos está acontecendo?


Não teve tempo de olhar pela janela Évora surgiu sorridente, como uma criança que acabara de ganhar seu brinquedo favorito e nem se deu ao luxo de fechar a porta.


– Seus problemas em breve estarão resolvidos.


– Mas de que merda você está falando?


– De Lisa.


– Ela não é um problema. Veja como fala.


– Ainda, não é... mas será. Assim que começarem a procurar por ela e não estou falando apenas dos humanos. Estou falando de Ômega.


Paul fechou os olhos odiando que Évora tivesse razão.


– É... eu tenho razão, não é mesmo, Paul?


Ela o encarou satisfeita sentindo que o forçava admitir sua astúcia e sagacidade.


– Fique tranquilo, esse problema dentro de algumas horas não mais existirá.


– O que vai fazer?


– Tem um bisturi, nas suas “coisinhas”?


– Eu lhe fiz uma pergunta. O que é que você vai fazer?


– Preciso do sangue de Lisa para...


Está louca se acha que vai tocar nela. – Ao gritar as palavras, Paul quase avançou em Évora. – Não se atreva.


– Escute aqui – Évora não se intimidava com gritos e ameaças – Acabei de capturar uma vadia que estava em um beco comprando drogas e vou transformá-la em Lisa Hendrix. O que estamos vivendo nesses quatro dias não é seguro. É somente uma questão de tempo até que Ômega venha atrás de seu chefe pedindo explicações e você sabe muito bem que não há perdão no dicionário dele. Uma coisa leva a outra e logo deduzirão o inevitável.


Paul andava de um lado para o outro, como um tigre enjaulado, mas sua consciência lhe dizia que Évora estava coberta de razão. Se alguma coisa não fosse feita a esse respeito os humanos, Ômega e certamente os “amiguinhos” do vampiro morto viriam atrás dela.


– O que vai fazer com Lisa?


– Cortar uma mecha do seu cabelo e colher um pouco de sangue.


– Mas...


– Qual é? Seja prático. Você quer ou não passar a eternidade ao lado dela? Se sua resposta é sim... saia do meu caminho e me deixe fazer o que é preciso.


– Eu corto o cabelo e...


– Não, eu faço. Caso contrário não funciona.


Era uma grande mentira, mas sangrar Lisa e submetê-la a um maior sofrimento era algo que Évora esperava com obstinação.


Mesmo contrariado ele cedeu.


– Ela está naquele quarto. – disse Paul apontando para a porta do lado direito.


A feiticeira caminhou até a cozinha e pegou uma faca e um pequeno pote de vidro. Antes de entrar no quarto, perguntou sorrindo maleficamente.


– Quer assistir ou confia em mim?


– Vá à merda Évora, apenas faça.


Paul tremia por inteiro consumido entre o que devia ser feito e a possibilidade daquela desvairada perder o controle e matar Lisa.


Évora entrou fechando a porta suavemente. Sua vítima estava deitada nua, mas acorrentada aos ganchos da parede, porém desta vez as correntes eram extensas e permitiam que os braços de Lisa ficassem ao lado do seu corpo.


– Olá.


Não houve resposta.


– Vejo que está mais confortável. Certamente ser estuprada sobre esse colchão lhe dará maior prazer do que em cima daquela mesa de madeira. Observei com afinco todo o ato – ela sorriu desdenhando – Suas costas devem estar doloridas.


Sem poder se controlar Lisa a olhou com ódio.


– E o meio de suas pernas também, já que permaneceu tanto tempo com elas abertas.


Por alguma razão, aquele ódio aterrador fez com que conseguisse ler a alma de Évora e Lisa pôde ver claramente: Ômega a possuindo... ela grávida sendo captura pelos vampiros, eram diferentes nas vestimentas que usavam, mas no porte físico conservavam as mesmas características. Machos grandes e fortes... o Rei ordenando que o bebê fosse queimado.


O Rei? Lisa o conhecia das memórias de Wrath.


Jesus... era o pai dele. O quebra-cabeça começava a ser montado. As peças estavam se encaixando.


– Preciso de algo que só você pode dar e vou pegar.


– Vá para o inferno sua maldita.


– Tem certeza de que vai sobreviver Lisa? – a feiticeira se aproximou segurando a faca ameaçadoramente – Porque eu posso abrir um grande corte em sua barriga e aí... tchau neném vampiro.


– Faça isso e Paul acaba com você.


– Olha só... já está confiando no príncipe encantado para salvá-la. Trocou de macho rápido, não é vagabunda?


Uma desagradável risada rompeu o ar e a faca entrou no antebraço de Lisa, porém permaneceu em silêncio aguentando firme a dor.


– Paul não conseguiria fazer nada comigo – ela aproximou o pote e colheu o sangue que corria farto – Eu o mataria antes que tentasse.


– Não mata não... precisa dele, assim como precisa de mim. Pelo menos por enquanto.


As palavras pronunciadas raivosamente lixaram a segurança de Évora e numa fração de segundo ela se retraiu, antes de lhe cortar uma mecha dos cabelos.


– Eu não ligo que você olhe quando estou sendo estuprada – Lisa sentiu que a mulher a sua frente não conseguia responder, estava surpresa com a reação inesperada – Você não me incomoda, quero que olhe pra mim... quero que sempre olhe para mim. E sabe por que Évora?


A feiticeira se afastou rapidamente, conseguiu o que queria. Mas reconheceu em Lisa um poder nefasto que por mais que tentasse adquirir nunca teria, já que não era descendente direta de um demônio. Quando colocou a mão na maçaneta da porta, escutou a última frase soar sobre os seus ombros.


– Porque eu serei a última coisa que verá antes de morrer. Sua morte será lenta e recheada de muita, muita dor.


Évora não se permitiu olhar para trás, seu corpo estremeceu e soube que se Lisa tivesse uma chance, cumpriria sua promessa agora mesmo.


– Como ela está? Perguntou Paul preocupado.


Ela não parou, atravessou a sala e foi direto para o lado de fora da casa, abriu o porta malas do carro e puxou a mulher jogando-a no chão, estava inconsciente. Debruçou sobre ela, abriu-lhe a boca e derramou o sangue enquanto metia o tufo dos cabelos de Lisa garganta abaixo com os dedos.


– Qualis vita, finis ita!


Tradução: (Tal vida, tal morte).


Num piscar de olhos começou a transformação. Primeiro foi a cor da pele e os cabelos, depois todo o resto. Em pouco tempo uma cópia de Lisa apareceu diante dos olhos incrédulos de Paul.


Sentindo um calafrio percorrer sua espinha Évora liberou sua ira e começou a chutar a mulher no baixo ventre descontroladamente. Dizia palavras sem nenhum sentido e que saíam distorcidas.


A lâmina da faca baixou e atingiu-lhe o pescoço, abrindo a garganta de um lado ao outro. Os olhos da mulher se abriram e ela levantou as mãos tentando conter o sangramento. Lutava para respirar, os sons que emitia eram pavorosos, um grunhido delirante por ajuda, mas nada impediu que se engasgasse com o próprio sangue, sufocando até a morte.


– Coloque-a de volta no porta-malas.


Paul não se mexeu. A dor apertava seu peito acreditando que era realmente Lisa. Estava transtornado.


– Paul? – gritou Évora, como não houve resposta, ela esbofeteou seu rosto – Paul, não é ela.


–Sim... sim, eu sei... sim...


– Coloque-a no porta-malas.


Ele engoliu a saliva de sua boca compulsivamente. Dizendo a si mesmo que não era Lisa, não era Lisa. Ele mal colocou o corpo sem vida no carro e Évora acelerou em disparada rumo a Caldwell.



A noite já estava na metade quando o Escalade chegou aos portões de ferro da mansão. Pelo caminho Z. e Butch conversaram, batendo na mesma tecla: a teimosia de Vishous em se recusar a ficar na clínica e voltar para casa.


Caramba, aquele macho era duro na queda. Assim que soltou o braço de Marissa e começou a se sentir energizado decidiu que ele mesmo se daria alta, contrariando e desafiando logicamente as ordens expressas de Havers que não gostou nem um pouco. Como se V. se importasse com tal fato.


Assim que os três colocaram os pés no Buraco, a sala de estar com sua enorme TV de plasma pareceu pequena. Todos estavam a sua espera. Wrath e Beth, Raghe e Mary, Phury, Bella com a pequena Nalla em seu colo, Thor e em um canto afastado Lassiter.


Ele ficou emocionado com tamanha demonstração de carinho e pensou que aquele seria o momento perfeito da sua vida se Lisa estivesse ali... ao seu lado, junto com sua família.


– Você quase nos matou de susto – O Rei se aproximou – Estou muito feliz meu Irmão por estar vivo. Muito feliz.


Murmúrios afirmativos resvalaram de todos os cantos da sala. Wrath abraçou Vishous forte esquecendo-se completamente de que o estado de saúde ainda era debilitado.


– Meu Senhor? Afrouxe um pouco o abraço, não consigo respirar.


Algumas risadas foram ouvidas.


– Desculpe.


– Tudo bem. – Vishous sorriu levemente e se apoiou em seu Rei , com medo de desabar ao chão – Sei como se senti Wrath, já passei por isso com você.


– Venha, vou levá-lo para a cama. Precisa de repouso.


Acomodaram V. em sua cama e Butch lhe arrumou os travesseiros. Raghe ligou a TV no quarto e a programação de esportes da ESPN preencheu a tela.


– Hei, que tal se o deixarmos dormir um pouco? – perguntou Mary da sala – Havers ligou passando os cuidados necessários, já se esqueceram? E o mais importante deles no momento é descansar.


– Sua shellan tem razão. – disse Phury olhando para Hollywood – É melhor desligar a TV, afinal na sala está passando à mesma coisa.


– Ela tem sempre razão e não...


De repente a programação foi interrompida para que uma notícia de última hora fosse dada com urgência. A atenção de todos ficou concentrada na tela plana.


– O que será que aconteceu? – Perguntou Raghe.


– Sossega, já vamos saber. – Respondeu Z.


O famoso locutor de esportes Billy Signet surgiu com um semblante carregado.


“ É com muito pesar que informo aos nossos telespectadores a morte da extraordinária cantora Lisa Hendrix. Seu corpo foi encontrado a cerca de uma hora, dentro de um carro embaixo da ponte Herbert G. Falcheck, próximo as margens do Rio Hudson. Ela tinha sinais de espancamento e a garganta cortada. ”


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Notas finais
E agora? Qual o próximo passo a ser tomado pela Irmandade?
Qual a reação de V. ao saber da morte de Lisa?
E Lisa perderá todas as esperanças quando descobrir que Évora forjou sua morte?
Como vai suportar a idéia de todos aceitarem que ela realmente morreu?
Podem começar a escrever... e sejam minuciosas.
Adoro vocês garotas.
Até mais.
Grande beijo.
Fênix