Traga-me Para A Vida
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Enquanto Nick e Anne se devoravam numa mistura de paixão e sexo ardente em seu pequeno apartamento. Do outro lado da cidade Lisa tinha mais um pesadelo revelador....
O Guerreiro abraçava um homem com cabelos negros e ombros largos, estavam sentados em um sofá de couro preto, numa sala onde havia uma grande mesa de pebolin.
– Vou cuidar de você, tira. Tudo vai ficar bem.
Os dois homens estavam entrelaçados e então o Guerreiro tirou a luva de couro preto da mão direita e uma luz brilhante emanou dela. Ele puxou o homem ainda mais para perto e pousou a mão brilhante sobre o peito dele. A luz começou a envolvê-los e então eles começaram a reluzir suavemente. O homem se mexeu e o guerreiro levou a outra mão que estava livre aos cabelos do amigo acariciando levemente.
– Tudo bem, apenas descanse. Temos tempo.
Alguns minutos depois o homem parecia curado de algo ou alguma coisa. Seus rostos estavam tão próximos que seus lábios quase se tocaram.
– Você é meu melhor amigo, V. Obrigado por tudo que faz por mim.
– Qual é cara? É minha obrigação.
– Não. É mais que isso, eu sei.
– Deixa quieto, tira, não quero falar sobre o assunto.
O homem parou por um minuto e ficou olhando para o Guerreiro como se quisesse entrar em uma conversa difícil.
– Vamos, Butch... pergunte logo. Pergunte o que você quer saber.
– Suas visões, elas voltaram?
– Não. Estou cego, sumiram.
– Elas retornarão. Você só está passando por uma fase difícil. Eu tenho certeza.
– A fase difícil vai passar — ele afirmou com um sorriso forçado e irônico — Só não sei se eu vou passar por ela.
O forte guerreiro parecia tão cansado, desanimado... triste.
– V. sabe que eu estou aqui, não é? Com você. Sempre!
– Sim.
– Então, por favor, não me deixe mais assustado do que na noite que você quase pulou da maldita cobertura do Commodore. Prometa!
O silêncio preencheu o ambiente. Não houve uma resposta.
– Por Deus, Vishous... me prometa, me prometa que não vai tentar se matar novamente ou eu juro, juro que faço Wrath te proibir de sair dessa maldita mansão para sempre.
O homem de olhos diamantado penetrantes e agoniados encostou sua testa na do amigo e sussurrou.
– Eu prometo.
Lisa levantou e foi direto para o computador onde digitou:
www.google.com
Edifício Commodore
Edifício Commodore, residencial, arranha-céu de luxo, construção de alto padrão situada em Caldwell/NY. Prédio arquitetônico, com linhas sóbrias e arrojadas. Possui apartamentos com finíssimo acabamento, ambientes espaçosos e dependências bem distribuídas, tudo projetado para proporcionar o máximo de conforto. Possuí duas coberturas elegantes e suntuosas. Seis vagas de garagem, elevador privativo.
Informações: 888.420.8815 — 322 W 57 TH STREET NY. – Fell Company
Coragem... gritava sua consciência. Ela desviou o olhar para a nova tatuagem, era como uma marca em seu corpo e estava exatamente onde deveria estar. Em seu pulso.
Pensou em como cada situação da sua vida era determinada pelo momento. Ontem quando saiu para fazer a tattoo estava certa de que a faria em seu ombro esquerdo, mas chegando ao estúdio sentiu a necessidade de olhar para a letra, não sabia explicar, mas em algum momento de sua vida seria dali que tiraria forças para enfrentar seus problemas. Não estava mais só, mesmo que ele não a quisesse, mesmo que ele a deixasse, mesmo que ele não a encontrasse. Aquele sinal ficaria para sempre em seu corpo e em sua alma.
Movida por essa coragem, ao mesmo tempo inpiradora e traumática, ela olhou para o relógio, 8:30h da manhã. Pegou o telefone e discou.
– Fell Company, bom dia. — uma voz feminina se ouviu do outro lado da linha.
– Bom dia. Por favor, preciso de informações sobre o Edifício Commodore. Tenho interesse em comprar um apartamento, de preferência cobertura. Mas preciso ir ao local o quanto antes, hoje se possível.
– Vou verificar. Com quem falo? — perguntou a voz feminina.
– Lisa, Lisa Hendrix.
– A cantora? — perguntou a mulher descrente. — A cantora Lisa Hendrix?
– Sim.
– Oh meu Deus... claro... só um momento, vou agendar. A propósito meu nome é Cindy. Desculpe-me a empolgação é que sou sua fã, Srta Hendrix...
–Claro Cindy, não há problema algum. Só veja se existe a possibilidade de uma visita ao edifício.
– Certamente. Qual o melhor horário?
– O mais rápido disponível.
– Pode ser às 10:00h? Tenho certeza de que para a Senhora não haverá qualquer impecílio quanto a ohorário.
– Excelente.
– Prefere encontrar com nosso corretor no local ou prefere que ele se dirija a sua residência?
– No local. Pode me passar o endereço.
–Certamente.
Quando desligou o telefone, Lisa tinha um objetivo, encontrá-lo era sua prioridade. A preciosa informação que lhe chegou através do sonho da macrugada seria checada pessoalmente, não havia a menor possibilidade dela comentar o que estava prestes a fazer. Agindo friamente, tratou de começar a se arrumar para sair rápido, não queria encontrar com Nick ou Anne. Isso ela iria fazer sozinha.
Desceu as escadas elegantes de sua casa, aproximadamente uma hora depois e foi direto para a cozinha. Abriu a geladeira, tomou um iogurte, pegou as chaves e saiu em direção à garagem. No meio do caminho se deparou com Maria, uma de suas empregadas mais antigas.
– Ah... Bom dia, Maria.
– Bom dia, Dona Lisa. Precisa de alguma ajuda?
– Não, vou sair.
– O Nick ainda não chegou, mas ligou que já está a caminho.
– Não tem importância. Vou sair sozinha. Até mais.
Ela se virou quase correndo para a garagem, não queria encontrar com nenhum deles justamente agora, quando estava prestes a andar livremente. E lá estava ele. O carro que ela adorava e pouco dirigia, uma Mercedes SLR MacLaren Roadstar branca, afinal sair sozinha era sempre perigoso e nunca permitido.
Passou os dedos pela lataria do objeto caríssimo, calmamente, como se o estivesse instigando com uma carícia sexual. É impressionanete o poder, o apelo que um carro pode ter sobre uma pessoa. Um sorriso brotou em seus lábios. Abriu a porta e virou a chave, o motor acordou rosnando. O ronco era espetacular, ela assimilou com liberdade. A liberdade que a levou a desligar o celular e se tornar incomunicável. Saindo apressada, ele acelerou para seu destino.
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11:00h — Uma hora atrasada, como sempre estava atrasada. Ela precisava rever seus horários, sua vida estava uma bagunça. Só porque era famosa, não tinha o direito de abusar das pessoas. E era isso que Lisa estava fazendo desde a hora que tinha aberto seus olhas naquela manhã. Estacionou na porta do edifício, suspirando profundamente e notou quando o manobrista veio ao seu encontro. Ele já estava esperando por ela. Atendo.
– Srta. Hendrix, bom dia. É um prazer.
– Obrigada. — disse enquanto aceitava a mão do homem para sair do veículo.
Um homem loiro de aproximadamente 35 anos, olhos acinzentados, estatura mediano, muito bem vestido e com um sorriso enorme se aproximava.
– Srta. Hendrix é um prazer conhecê-la. Meu nome é Philip, eu sou o corretor da Fell Company.
– Oi Philip, como está? — ela era pura simpatia.
– Muito bem, então podemos entrar? Ou...
– Claro, estou ansiosa para conhecer o local, ou melhor, os apartamentos.
Realmente o prédio era muito agradável. O Hall de entrada era impressionante, sua decoração impecável. Ela se permitiu demorar um pouco mais do que o necessário na entrada. É óbvio, quanto mais pessoas a vissem, mais rápido a notícia se espalharia e cairia como um presente nas mãos dos paparazzi. Nitroglicerina pura. Lisa Hendrix sabia como chamar a atenção, como ter os holofotes em cima de sua imagem quando queria e desejava.
– Philip, há alguma possibilidade de compra para as coberturas? Em uma conversa informal com um amigo, ele me disse que são ótimas.
– Na realidade as coberturas pertencem aos seus respectivos donos desde o lançamento do empreendimento. Os apartamentos disponíveis hoje estão no 22º, 28º e o 39º andar. Esse último fica abaixo da cobertura.
– Então é por esse que vamos começar — o sorriso que ela expressava convenceria Barack Obama a lhe mostrar os imóveis.
– Como quiser. — respondeu o homem totalmente magnetizado, encantado.
– Eu sei que talvez fosse um incomodo para os proprietários, mas será que poderíamos visitá-las? As coberturas? Quem sabe um deles possa mudar de ideia?
– Vou tentar. Talvez nos recebam, afinal quem não quer conhecer Lisa Hendrix? É uma honra e um verdadeiro prazer.
Isso foi uma cantada? Bem... pouco importava. Ela recebia dúzias delas e só as ignoravas. Era apenas mais uma a ser descartada e esquecida completamente.
Enquanto subiam pelo elevador, o corretor não parou um segundo de falar sobre o edifício e toda aquela velha estória de compra e venda de imóveis e valorização, como se ela precisasse de mais dinheiro e lucros monetários. Mas Lisa queria informações e estava disposta a descobrir.
´- Philip, você conhece alguns dos proprietários dessas coberturas, pelo que entendi são duas?
– Exatamente. Um deles é o Sr. Fritz Perlmutter, um homem bem reservado, já com certa idade, mas tenho certeza de que não tem interesse no assunto, não atende nem aos nossos telefonemas. É exatamente essa que fica acima do apartamento que eu vou lhe mostrar agora.
– Ok e a outra?
– Não tenho informações, mas estou levantando...
A porta se abriu e eles saíram em uma enorme sala com piso de mármore verde. A primeira coisa que Lisa fez foi conferir a vista da sacada, mas sua memória não contribuiu para que ela se lembrasse de algum ponto dos seus sonhos. Afinal era de madrugada, mas não deixava de ser excitante pensar que ele poderia estar um andar acima, tão perto e tão longe.
Sentindo-se frustrada e insatisfeita aturou a peregrinação pelos outros apartamentos e o blá blá blá do tal Philip, dando tempo ao tempo. Essa era a parte chata de toda aquela representação e a voz aguda do corretor não estava ajudando. Onde é que estava a sua paciência? No momento Lisa só podia sentir a adrenalina.
Terminado, ela estava de volta ao elevador rumo à saída e sem ter sequer chegado perto das coberturas. Merda. Quando as portas metalicas se abriram, ele teve a confirmação, parte do seu plano tinha dado certo.
– Minha nossa, o que é essa gente toda? — Phillip perguntou assustado — Como souberam que você estava aqui? Veja, quantos paparazzis e esses flashs, eu não sei se...
– Já estou acostumada a isso Phillip. Alguém deve ter ligado para um deles e aí a notícia se espalha com o vento.
– Deus, como você vai passar por eles? — o homem estava perplexo.
Ela não tinha como deixar o prédio no momento. Havia uma multidão do lado de fora. Fans, paparazzis, curiosos... aquilo tinha virado uma loucura. A rua fora interditada, estava fechada, os carros não podiam circular. Sem demonstrar sua satisfação, Lisa se manteve neutra e somente esperou pela oportunidade certa. A hora estava chegando.
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– Hei V.,está ocupado? E aí Bucth?
Raghe entrou no Buraco apenas com uma toalha branca enrolada na cintura e o odor da vinculação estava presente nele. Não era difícil de imaginar o que ele e Mary estavam fazendo alguns minutos atrás.
–Raghe? Cara, o que o traz aqui quase pelado? — Butch sorria cheio de sinismo.
– Mostrando o que é um corpo perfeito, já que a natureza não foi generosa com nenhum de vocês — respondeu o vampiro extremamente perfeito e lindo.
– Nessas horas eu penso como a solidão é boa e você tira? — argumentou Vishous.
– Eu cou além... acho o silêncio perfeito!
– Calem a boca vocês dois. Acho melhor você trocar o ESPN pelo canal das fofocas nesse exato momento, V.
– O que? Tá tirando uma com a minha cara? Vá se ferrar Hollywood. — e mostrou o dedo do meio para o Irmão.
– Me dá esse controle V. — com um movimento rápido Raghe arrancou o aparelho das mãos dele – É importante, porra!
– Que mer...
– Calado e veja isso, estão no Commodore, meu Irmão. No edifício que abriga sua cobertura.
Um locutor alterado falava entusiasmado sobre a novidade. Narrando os fatos com total satisfação.
... será que é realmente verdade que Lisa Hendrix vai se mudar para Caldwell? Isso ainda não sabemos, mas nesse exato momento ela se encontra no Edifício Commodore e fontes seguras nos informaram que ela foi para comprar uma de suas coberturas. Será possível? Vamos ver imagens ao vivo do local.
– O quê?
– Acho que ela quer comprar a sua cobertura, cara. — Raghe falou rindo, divertindo-se com tudo e principalmente com a cara de espanto de V. — Vai vender?
Antes mesmo de Vishous ter chance de responder, Zsadist entrou pela porta com o celular na mão.
– V.? Rehvenge está na linha me perguntando se você vai vender a sua cobertura, porque ele não vai vender a dele.
V. encontrava-se nervoso normalmente, mas agora chegava ao seu limite. Que porra maldita estava acontecendo?
– Mas que merda. Que merda é essa agora? Será que não dá pra ter um dia mais de paz. Porra! Uma celebridade surta e eu é que levo. — ele passou as mãos pelos cabelos.
– Então vai vender ou não? — questionou Z — O que digo para o meu cunhado?
– Diga pra ele tomar no meio do cú.
– Oh oh oh...escuta V.. Ela esta falando.
Foi Butch que interrompeu o xingamento e todos ficaram quietos para ouvir.
... não, isso não é verdade. Só vim olhar um apartamento que está à venda. Um amigo me falou tão bem sobre esse prédio, que resolvi dar uma passadinha por aqui. Mas eu não pensei que causaria tamanho transtorno, alguém deve ter avisado vocês da minha presença, não?
Lisa sorria divertidamente e apresentava-se simpática e cativante. Vestida descontraída, trajava uma calça jeans surrada, esburacada e absurdamente justa que marcava seu traseiro empinado, uma camiseta regata branca, com um leve decote e alças fininhas e terminado o visual um lindo par de sapatos pretos altíssimos da grife Louboutin, aqueles com solados vermelhos.
– Lisa, só mais uma pergunta. E o novo trabalho? A música já é um sucesso, é linda.
– Obrigado. É mesmo, não? A música foi bem aceita pelo público. O clipe terá o seu lançamento mundialdaqui a quatro dias, então para mim é tempo de expectativa. Mas acredito que vou alcançar o que eu realmente desejo. Vou encontrar o que quero e chegar em um determinado nível da minha vida que não terá mais volta. Será um marco. Estou ansiosa para viver tudo isso.
A entrevista ainda prosseguiu por algums minutos, porém nada foi tão revelador — se as pessoas pudessem ler nas entrelinhas — do que essa última frase....
– Resumindo meu caro, Vishous — Raghe não deixaria passar tal oportunidade — Você é dono de uma das coberturas e o Revh da outra e ambos são solteiros... então que tal marcar uma hora para mostrar TUDO, mas TUDO mesmo para esse mulherão?
– Até que não é uma má ideia Raghe, ela é linda demais.
– Era só o que faltava... até você Butch? — labrou Vishous irritado.
– Qual é? Ela é linda mesmo.
– Bom, encare pelo lado de que se ela realmente comprar um apartamento no seu prédio, a segurança vai melhorar muito, mas sua privacidade já era. — esse era Raghe, sempre atiçando — Lisa Hendrix é vigiada 24 horas por dia pelos fofoqueiros de plantão.
– Eu não preciso de mais segurança Raghe e você sabe bem disso. Quem cuida da segurança aqui sou eu e cuido perfeitamente bem ou você tem alguma dúvida?
O humor de V. estava no fim. O límite esta próximo de ser ultrapassado.
– Não nenhuma, você é perfeito quando o assunto é segurança. — Hollywood abriu um grande sorriso que exibia seus dentes brancos — Só vim aqui, mesmo, para te irritar.. já estou saindo e Z. obrigado pela contribuição. Você representou muito bem o seu papel, fingindo falar com seu cunhado ao telefone.
– É só pedir Hollywood — respondeu o vampiro com a cicatriz no rosto — Irritar o V. é legal.
– Vão a merda vocês dois e quer saber Z.? Quando foi que você adquiriu essa porra de senso de humor?
– Quando me uni a Bella, minha shellan faz milagres. Milagres, meu Irmão.
– Nisso todo nós concordamos. — falou Butch, enquanto dava tapas nas costas de V. tentando consolá-lo.
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Com a confusão formada, Lisa teve que ir a garagem do arranha-céu para pegar seu carro. Phillip continuava ao seu lado, desceram até o segundo nível. As portas do elevador se abriram e um odor de talco preenchia todo o local.
– Que cheiro estranho para uma garagem? — comentou o corretor — Será que o síndico lança perfume nos exaustores de ar?
– É adocicado, lembra talco, não acha Philip?
Um homem desce do carro e começa a andar na direção deles. Era alto, relativamente forte e tinha cabelos brancos.
– Acho que um fã conseguiu quebrar a barreira de segurança e está querendo te conhecer. Que homem estranho.
– Nossa, como ele é pálido. Parece doente.
Os faróis da Mercedes SLR reluziram no local e ao volante estava Nick com um semblante enfurecido, atrás dele, mais um carro de polícia. O homem pálido estancou, disfarçou e retornou para o seu veículo.
– Dando uma voltinha sozinha com o celular desligado. Isso é ótimo para você! Porque pra mim, seu segurança foi um porre! Uma merda! Uma verdadeira porra fudida!
Ela se virou e despediu-se de Phillip, não queria começar uma discussão na frente dele, depois entrou no carro, certa de que ouviria um extenso sermão. Bem que ela merecia, mas não podia deixar de admitir que fora divertido. Quando conseguiram vencer a aglomeração, Nick acelerou o potente carro e não parou até levá-la em segurança para casa. Ele não pronunciou uma única palavra, ela bem que puxou assunto, mas ele não respondeu. Os portões se abriram, quase seis da tarde. Anne esperava do lado de fora e foi logo despejando.
– Não acredito no que fez, desligou o celular, onde estava com a cabeça?
– Fui atrás de um lugar que apareceu nos meus sonhos — respondeu apaticamente, evitando um confronto ainda maior.
– Nós também... ontem à noite. Está lembrada? — Nick tremia tamanha era sua raiva. Sua voz saiu dura e implacável.
– E para o seu conhecimento, nós os encontramos, quatro deles. — gritou o segurança perdendo o controle.
– Jura Nick, aonde? Oh Deus... isso é magnífico.
Ele fechou os olhos e passou as mãos pelo rosto seguindo em direção à cabeça tentando manter uma tranqüilidade a muito perdida. Abriu os braços e gesticulou como se tudo estivesse perdido olhando para Anne.
– É incrível, ela não se sente nem um pouco culpada pela preocupação e agonia que nos causou todas essas horas. E depois você quer que eu fique calmo? Não dá gata. Eu estou com vontade de estrangulá-la.
– Não dá gata? — Lisa riu alto – Quando foi que passou de Anne para gata?
Ela olhava para os dois com as mãos na cintura.
– Droga!
Aquele descuido fez todo o momento ruir. Nick perdera toda a sua credibilidade e Anne encontrava-se completamente corada, parecia que ela tinha se queimado sob o sol, estava fuzilando-o com seu olhar. Não era para usar a palavra gata, Nick poderia até xingar... mas usar "gata", de jeito algum.
– Ceeeeeeerto. Parece que a noite não foi só de Guerreiros..., pois é... então... eu saí sem tomar café e vocês chegaram atrasados... será que já comeram alguma coisa depois dessa noite tão... agitada? Eu estou com fome, que tal conversarmos sobre isso e algo mais... durante o jantar? Quem me acompanha?
Lisa virou-se em direção a entrada da casa e foi caminhando maliciosamente enquanto gargalhava, deixando o casal para trás.
– Ah, Anne me desculpe saiu sem querer, nem percebi. Prometo, não vai se repetir — o jeito dele era miserável.
– Tudo bem, você estava tão preocupado com a situação que é compreensível. E ela de um jeito ou de outro ficaria sabendo, então, foi bom ter ouvido da sua boca.
– Por falar em boca... — um sorriso picante despontou em seu rosto — Estou louco para te beijar novamente e posso sentir, o desejo está estampado nos meus olhos.
Ela tocou a gola do terno dele, fingindo arrumar sua gravata.
– Mais tarde, Nick... aais tarde poderá beijar minha boca e todo o resto que desejar.
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No lado oeste de Nova York, fica a área rural da cidade. Ranchos que envolvem criação de animais pequenos e fazendas de gado. Em uma dessas propriedades, numa casa com aparência de abandonada acontecia uma reunião da Sociedade Redutora.
– Onde ela está?
– Não tivemos uma boa oportunidade, tinha muita gente ao redor, Sr. D.
– Idiota! Você achou que ia ser fácil? O tempo está correndo. – o grito estridente ecoou no ar.
– Fomos até o local assim que nos informou onde ela estaria. Mas quando chegamos à situação já estava insustentável.
– Seu imbecil, ela vive cercada por muitas pessoas, então você nunca conseguirá fazer o seu trabalho? É isso que está me dizendo?
– Não falharei da próxima vez, Sr. D.
– É bom mesmo, porque se falhar será a última falha.
– Por que ela é tão importante?
– Você é apenas um soldado, não precisa conhecer os porquês. Quando chegar à hora você e os outros serão informados. Para receber maiores explicações precisa merecer e no momento você está deixando muito a desejar.
– Consertarei essa situação, não vai se repetir. senhor
– Cheque a agenda dela e veja seus compromissos. Encontre um meio, mas traga-a pra mim e não a machuque.
– Sim, mestre.
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Dia 19/06/2012
Na mansão a noite se arrastava demoradamente. Para as shellans que esperavam o regresso dos seus machos da guerra era uma tortura e elas sabiam que essa calmaria da Sociedade Redutora era só aparente, a qualquer minuto tudo recomeçaria novamente e algum dos Guerreiros talvez não tivesse a sorte de voltar vivo para casa.
Na maioria das noites, enquanto aguardavam conversando entre elas, evitavam falar sobre a morte. Falar sobre tal possibilidade era como admitir que poderia acontecer. E nenhuma delas admitia tal hipótese.
Em uma das grandes salas Beth, Bella e Mary conversavam entre si enquanto olhavam para Nalla que a cada dia ficava mais graciosa. Marissa a companheira de Butch encontrava-se no abrigo, onde auxiliava fêmeas que sofriam maus tratos.
– Conversei com Raghe a respeito de um bebê. Ele não me deixou nem terminar. — as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. — Quero um bebê, um bebê que ele seja o pai. Quero que o sangue dele seja perpetuado.
– Pela Virgem Mary! Só de pensar sobre isso sou tomada por um terror descabido não posso cogitar a idéia de Zsadist se deitando com outra e acredito que você também não.
– Mas essa é a única maneira, Bella. Não posso ter filhos e Raghe é uma força da natureza, um macho forte, poderoso. Não é justo... seu sangue precisa continuar... não é justo. Não posso lhe tirar esse direito.
Beth fechou os olhos e murmurou.
– Wrath não quer filhos. Nunca!
– O que? Mas ele é Rei... quer dizer, vocês são a família real. — Bela estava se complicando com as palavras. — Precisamos de um herdeiro é a continuidade do trono, da raça. Por quê?
– Diz que não está disposto a arriscar minha vida por uma criança.
– Não é de se admirar que pense assim, eu quase morri. Senti-me indo em direção ao Fade. Acho que meu parto o assustou. — murmurou Bella.
– Mary, será que você poderia conversar com Wrath sobre isso? — a pergunta era apenas um sussuro.
– Claro que sim, Beth. Isto é, se ele permitir. Coisa que acho muito difícil. Se esse assunto já é difícil com Raghe, imagina com o Rei.
– O que estou dizendo? Desculpe-me, Mary. Você tem toda razão. Temos o mesmo problema. só que por motivos diferentes... e eu querendo que você converse com ele, me enchendo de falsas esperanças. Ele jamais cederá.
– Acho que precisamos é de chocolate, para enfrentar tal dilema. Olhem Nalla por um minutinho, já volto!
Bella saiu apressada pela porta em direção a cozinha.
– Já pensei em situações tão bizarras, mas agora tomei uma decisão. Falei com a Diretrix para me informar quando uma das Escolhidas entrarem no cio.
– O que? Enlouqueceu, Mary?
– Já está decidido. Que os Deuses me dêem forças... vou trancar Raghe com ela num quarto. Vou trancá-lo até que...
– Só pode estar brincando.
– Ainda não sei como vou fazer isso. Mas conhecendo-o, como conheço... seu... seu desejo será despertado, mesmo que resista por algum tempo.
– Qualquer macho cederia, mesmo sendo vinculado, tenho certeza que você sabe disso. O cio se intensifica tornando o desejo sexual impossível de ser contido, mas já pensou na possibilidade de Raghe não perdoá-la por isso?
– Beth, por favor! — disse obstinada — Você terá cios e seu problema será resolvido cedo ou tarde. Agora eu?... eu nunca terei nada e não me venha argumentar sobre adoção. Não é isso que eu quero.
Bela entrou na sala sobressaltada, sem nada de chocolates. Ligou a enorme TV de plasma e procurou pela MTV.
– Precisam ver uma coisa! — disse quase que assustada.
A priori não entenderam o que se passava. Estavam no meio de uma conversa séria e Bella queria mostrar vídeo clipes? Mas quando fixaram seus olhos, não puderam acreditar no que estavam vendo. Não, aquilo era apenas uma ilusão. Não estava acontecendo na realidade.
Lisa Hendrix aparecia estampada na tela, em um filme, cantando para um suposto homem “igual” a Vishous. Pedia para que ele lhe trouxesse para a vida, como se ele fosse um salvador. Elas se olharam incrédulas e todas falavam ao mesmo tempo. Uma bagunça de pesamentos e frases.
– Mas o que é isso?
– É Vishous?
– Ou alguém muito parecido com ele.
– Ou alguém fantasiado dele.
– Isso não é possível!
– Lisa Hendrix está cantando pra ele?
– Sim... acho que está.
– Na minha opinião ela é linda.
– Ela é super sexy.
– Mas não é disso que estamos falando...
– Tem razão.
– E o que é que estamos falando?
– Como ela sabe sobre ele?
– E com todos esses detalhes?
– Sei lá, a vida pessoal de V é...
– Agora tudo se encaixa. A visita dela ao Commodore.
– Ela foi até o prédio onde ele mantém aquela cobertura para as fêmeas.
– Jesus Crsito, ele...
– Ele transou com ela!
– Transou com ela?
– Como você sabe que transou com ela?
– Olhem para corpo do cara, do ator, do modelo... sei lá. Olhem.
– Até que ele é bonitinho!
– Bem definido, atlético...
Por um momento todas se olharam confusas. Foi Beth que tentou colocar ordem nas idéias que estavam totalmente desorganizadas e caóticas.
– Esperem, não é isso — disse a Rainha.
– Tem razão. O que estamos falando?
– Olhem a luva preta na mão direita — disse Beth.
– As tatuagens exatamente nos locais certos e tão parecidas — disse Mary.
– O gorro dos Red Sox — disse Bella.
– O cabelo...
– O cavanhaque...
– Meu Deus, ele transou com ela! — disse Beth
– Certamente! Transou com ela — repitiu Mary.
– Transou com ela... e não apagou sua memória — afirmou Bella.
– Não apagou, mesmo.
– E agora está em um videoclipe.
– Que está sendo exibido mundialmente.
– Assistido por milhões de pessoas, nesse exato momento.
– Milhares de pessoas que desconhecem o nosso mundo.
– Um mundo secreto.
– E que agora foi exposto.
– Totalmente exposto.
– Pela Virgem! — disse Bella.
– Wrath vai surtar! — disse Beth.
– Acho que todos vão. — disse Mary — Preparem-se!
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