Traga-me Para A Vida
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Lisa não queria se abster de qualquer assunto relacionado ao videoclipe. Tinha chegado à fase de edição. As filmagens tinham terminado já fazia uma semana e agora em vez do estúdio de gravação, ela estava confinada dentro de uma sala com computadores e seus programas sofisticados de efeitos sonoros e digitais. Alguns membros da equipe começaram a trabalhar nisso antes do final das filmagens, então estavam adiantados.
Portanto, era editar e encaixar tudo na ordem certa. Franco Lawrence, o diretor, trabalhava junto com seu editor cortando cenas, unindo outras. Às vezes ele falava sozinho e para a surpresa de todos, desfazia tudo o que tinha acabado de fazer. Ele só parava quando tinha alcançado o seu melhor.
– Lisa o que me diz até agora? — Franco perguntou com os olhos cerrados.
– Nossa, não sei por onde começar! Quando você põe para rodar alguma parte que já está editada, eu simplesmente acho espetacular... mas aí você deleta tudo e diz que nada está certo.
– Ok... muito bom, Lisa.- disse ele sorrindo – Gosto muito dos seus comentários. Agora venha aqui, porque você vai assistir ao primeiro minuto definitivo do seu videoclipe.
Ele teclou “enter” e o filme começou a passar diante dos seus olhos. Aquilo estava perfeito. O ambiente criado em sua mente, nos seus sonhos enfim tinha ganhado vida. Era muito excitante e o ator caracterizado igual ao seu Guerreiro estava excelente.
– O quê? — perguntou ela hexitante — Já acabou?
– Eu disse que era só um minuto.
– Mas... Franco, está divino, como eu imaginava. Você é o melhor, mesmo. Não há dúvidas.
– Sabe o que é melhor mesmo? — repondeu zombeteiro — Tenho uma data pra você, 18 de Junho. Que tal?
– Uma semana? O videoclipe estará pronto para ser lançado em uma semana? Isso é sério?
– Sim. Pode mandar ver na divulgação — a voz do diretor soava relaxada com gosto de dever cumprido.
– Vou ligar para o Bob agora mesmo. Dê-me só um minuto -pegou o celular e ligou sem perder tempo.
– Oi garota, quais são as boas?
– Bob, o vídeo sai dia 18 de Junho, daqui a uma semana.
– Agora sim, você me deu boas notícias. Essa é a minha Lisa. Então dia 19 começaremos a exibi-lo.
– O que podemos fazer para...
– Tudo. Vamos fazer tudo e mais. Vou ligar para a gravadora e dar a ordem para soltarem a música agora em todas as rádios do país, quero que a toquem exaustivamente, massivamente. Não se preocupe com nada, querida. Quando dia 19 chegar não haverá uma única pessoa nos Estados Unidos da América que não tenha escutado sua nova canção. Sucesso garantido.
– Ótimo Bob. E a festa de lançamento? Será que ainda encontraremos um bom clube?
– Só pode estar brincado? Seu agente sou eu boneca. Só precisava da data pra ativar o sinal verde. O Double Seven eu já tinha reservado por tempo indeterminado, está tudo preparado. Agora é só enviar os convites para modelos, empresários, rappers e atorzinhos famosos de Hollywood. Essa gente toda que adora uma badalação.
– Tenho que admitir que apesar de nossas diferenças você é muito profissional.
– Sou mesmo Lisa e tudo que eu lhe digo é para o seu bem. Mas deixa isso pra lá, estamos combinados... Double Seven dia 20, isso vai ser muito divertido.
– Obrigada.
– Até mais.
Ela voltou-se para Francis que encarava a tela do computador concentrado e pensativo.
– Franco levante dessa cadeira, agora! — disse ela séria.
– O quê? Porque, o que houve?
O sorriso estampado no rosto de Lisa delatava suas intenções.
– Porque vou abraçá-lo bem apertado, para demonstrar minha gratidão e o meu reconhecimento.
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V. estava acabando literalmente com a esteira, na sala de treino, correndo sem parar à quase duas horas. Sem camisa estava completamente coberto pelo suor. Pensou que cansando o corpo e ouvindo rap bem alto, seu cérebro desligasse do peso de ser filho da Virgem Escriba. Tempo perdido.
– E aí V? Está querendo se matar? Há quanto tempo está correndo?
– Muito, por quê?
– Vejo que seu humor está cada dia melhor.
– Não enche Raghe. — Vishous praticamente rosnou as palavras — Não estou afim de papo!
– Como se isso fosse novidade — o loiro que mais parecia um ator de cinema fez uma carranca respondendo — Ultimamente pouco fala com os Irmãos.
– E?
Raghe aproximou-se e bateu a mão com tudo no botão liga/desliga da esteira. V, quase caiu.
– Porra! Quer arrumar briga? Fique sabendo que estou fácil pra isso. Não...
– Se isso fizer você se sentir melhor... venha! Pode vir. Quer me socar?
– Cala a boca e saia da minha frente.
Mas Raghe, vez o contrário da oredem recebida. Ele se aproximou mais de V., seus rostos praticamente se tocaram. Enquanto suas presas cresciam, Vishous fechou os olhos fortemente tentando buscar um pouco de racionalidade dentro dele, afinal estava a ponto de pular em Hollywood e se isso acontecesse os dois sairiam muito machucados. Além, é claro, que depois teria que lidar com Mary. A shellan do seu irmão era muito calma, mas capaz de passar um belo sermão a quem quer que fosse, doa a quem doer inclusive o Rei, então... imagine o que não aconteceria com ele.
– Veja só... que surpresa, está ponderando se vai se atracar comigo ou não amigo? — o sarcasmo não podia ser contido.
– Merda, o que você quer comigo? Diga logo.
Raghe retrocedeu dois passos, encarou V. nos olhos profundamente e pousou sua mão sobre a marca da Irmandade no peito do Guerreiro.
– Não precisa carregar esse peso sozinho, sabe que pode dividi-lo. Fale comigo, fale com os outros. Seja lá o que estiver te incomodando não vai melhorar com o seu silêncio, talvez até cause sua morte.
V. desceu da esteira e andou até um banco onde uma toalha branca estava jogada bem convidativa. Ele a pegou, secou seu rosto e deslizou por seu pescoço e também pelos ombros. Depois deixou seu peso cair sobre o banco. Sentado com os ombros apoiados em seus joelhos e olhando para o chão falou.
– Tenho que ser o Primaz. Minha querida mãe, aquela que me abandonou, me convocou para essa nobre função.
– Mas que merda... — Raghe sentou ao lado de V., essa era uma porra de uma novidade nada boa — Que grande merda. Quando ela lhe disse isso?
– Ontem à noite, no meu quarto.
– Wrath já sabe?
– Não. Tínhamos acabado de chegar da ronda, ele estava ansioso para estar Beth e não seria eu a lhe atrapalhar.
– Cara... eu, eu não esperava por isso.
– Eu não aceitei nada, ainda. Ela quis me dar o medalhão, mas eu o recusei.
– E recusar é possível?
– Provavelmente não. — V. sentia que estava quase demoronando por dentro, em sua alma — Raghe, estou ferrado! Sei que estou totalmente fudido, mas mesmo assim vou tentar um acordo, não será fácil me dobrar. Não vou morar naquele lugar e abandonar a Irmandade, nosso número já está bem pequeno para mais uma perda.
– Wrath talvez consiga argumentar com a Virgem Escriba?
– Está me dizendo isso porque acredita realmente ou está tirando uma com a minha cara? Acredita que Ela vai ceder?
– Puta que pariu, de todas as tradições da nossa raça essa é a mais estúpida que existe.
– Você acha? — ele sorriu tristemente — Agora me sinto bem melhor.
– V., você entendeu muito bem o que eu quis dizer. Ter que viver do Outro Lado, para ser um reprodutor, não está certo. Você é um Guerreiro.
– Eu sei, Raghe e essa é a principal qualidade do Primaz, ser a porra de um reprodutor... Wrath será ouvido..
A porta da academia foi aberta e lá estava ele, o Rei. Qualquer desconhecido teria percebido o ódio estampado em seu rosto. Encontrava-se irado e seus passos ecoavam pelo ar como se fossem marteladas em grossos pregos.
– Quando é que você ia me contar?– Gritou ele, com os pulsos fechado.
O restante da Irmandade estava bem atrás dele. Z., Phury, Butch e Thor, com seu fiel anjo salvador ao calcanhar.
– Como você soube?
A academia tinha virado o escritório do Rei naquele momento. Se bem que o lugar era até oportuno. Grande e largo. Se fossem brigar, era o lugar correto para estarem.
– A Virgem acabou de me procurar para falar sobre as boas novas.
– Claro... — V. balançou a cabeça em negação — Mamãe deve estar orgulhosa do filhinho.
– V., não estou pra brincadeiras. Quando recebeu a maldita notícia deveria ter me procurado. Que diabos! Porque quer carregar toda essa porcaria sozinho? A cada dia que passa tenho mais medo que morra lá fora, está descontrolado e não pense que falo isso por causa da raça. Falo por todos nós, seus Irmãos.
– O Primaz não é seu problema, então pra quê torturá-lo antes da hora?
– Seu filho da puta! Se não estivesse tão ferrado, como já está eu partiria para cima de você agora mesmo e lhe ensinaria como se deve respeitar quem se preocupa com você. Mas acredito que fazendo isso, você até se sentiria melhor. Portanto não vou quebrar sua cara hoje. Vai ficar pra outro dia.
– Wrath, eu... — de repente o cansaço de toda a vida lhe caiu sobre os ombros — Eu sei que todos estão preocupados comigo. Sei como ando me comportando ultimamente e sei que... Droga, não pedi nada disso pra mim, não tenho idéia do que vou fazer. Mas vou fazer alguma coisa, não vai ser tão fácil me levar para servir “As Escolhidas”.
– Então vamos pensar todos juntos e procurar um caminho. Todos juntos, entendeu? E já que você está recebendo ordens, vou lhe lembrar de mais uma, você continua em toque de recolher, continua não saindo sozinho.
Wrath se virou batendo a porta com violência e deixando todos os seus Irmãos pra trás. A última coisa que ele ouviu enquanto se afastava foi a voz do anjo Lassiter.
– Odeio vampiros. Tudo pra vocês é tão dramático e sentimental.
Um rosnar geral ecoou pela sala. Todos os vampiros estavam olhando fixamente para o autor da proeminente frase.
– Talvez seja melhor acabar com ele V., um pouco de sangue e alguns ossos espalhados pelo chão fazem milagres, digo isso por experiência própria — falou Z.
– Qual é? Só estava brincando, ninguém aqui tem senso de humor? — retrucou o anjo — E além do mais, se alguém optar por me ver estendido no chão vai perder a maratona Godzilla na TV.
– É hoje? Caramba tinha me esquecido! — Raghe disse sorrindo.
– Só pelo Godzilla, essa eu vou deixar passar.
– Eu também.
– Idem.
O último a falar foi Thormente e Lassiter mais uma vez não deixou a piada passar.
– Eu não estava me referindo a você Thor, sei que ainda precisa de muito treino para ganhar de mim... até em caminhadas.
Todos riram e V. por alguns segundos pensou em como era bom ter aqueles machos honrados a seu redor, apesar de todos os seus problemas.
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Anne andava pela casa procurando por Lisa. Encontrou a criada passando o aspirador no corredor.
– Sabe onde ela esta, Maria?
– No escritório, Anne. Entrou em casa e foi direto pra lá.
– Obrigado.
Chegando próximo, já pôde escutar o teclar rápido das mãos. A porta estava aberta, então deu três batidinhas de leve e foi entrando.
– Atrapalho?
– Claro que não. Só estava procurando por um estúdio de tatuagem.
– Vai fazer outra? — perguntou, Anne. Sorrindo com malícia – Acabo de me lembrar de como sua tattoo foi comentada por causa daquele ensaio sexy para a Vogue, aquilo foi divertido, às vezes me esqueço que estou diante de um sexy simbol.
– Para com isso, me deixa sem graça.
– Vai negar que não é? Os homens se matam por você. Eu poderia citar centenas de exemplos e dezenas de nomes de personalidades masculinas que sonham ter você em suas camas.
– Anne! Não seja exagerada.
– Eu não sou exagerada, Lisa. Você é que muitas vezes se faz de cega, surda e muda — ela gesticulou com as mãos — Mas voltando ao assunto o que vai fazer dessa vez?
– A letra V.
– Como? Não entendi?
– O nome dele é com a letra V.
– Tem certeza disso? — indagou assustada — Quero dizer essa letra para sempre em seu corpo... sabe, parece que você vai ficar marcada como se pertencesse a ele.
– Eu não vejo dessa forma. Pode simbolizar tantas coisas, como por exemplo: V de vida, virtude, verdade.
– Ta, mas como eu sei o que se passa dentro dessa sua cabeça e te conheço bem, acho que está mais pra V de: volúpia, viril, voraz, vício, vínculo. Que tal?
– Nossa, hoje você está afiada, heim? Está tão explícito assim?
– Você precisa é se olhar no espelho quando fala desse desconhecido.
– Deus, não sabia que era tão ruim. — Lisa baixou os olhos para olhar seus pulsos.
– Tem que se distrair um pouco. Quero dizer sair com alguém...
– Eu transei com o modelo do vídeo — a frase parecia uma confissão
A voz saiu baixa como um murmúrio. Os olhos continuaram olhando para baixo, como se sentisse vergonha.
– Uau, é exatamente sobre isso que eu estou falando.
Anne disse a frase pausadamente e parecia se sentir feliz por ela. Aquilo era uma coisa boa, sexo casual tem suas vantagens, nada de cumplicidade ou compromisso só a vantagem de se soltar e esquecer o mundo por um momento. Ninguém tinha a obrigação de tomar café da manhã juntos.
– Foi no segundo dia das filmagens, me envolvi demais com o personagem. Ele estava tão parecido, tão ao meu alcance, tão disponível. Eu perdi o controle e nem sei porque fiz isso.
– Essa é fácil, vou responder... você vive com isso, suporta dia após dia sonhos e imagens que não sabe de onde vêem. Tem um homem em sua vida, mas não pode interagir com ele. As vezes tenho a impressão que vai entrar em combustão a qualquer minuto. Qual é... também sou mulher, percebo esses lances de desejo de longe e ultimamente seu tesão está em alta ou tem outra explicação pra tantas horas de natação e banhos demorados? Você está queimando por dentro Lisa. Será que ainda não percebeu, porque lutar contra isso?
– Ele é um dominante sexual, eu o vi com uma mulher nos meus sonhos. Não sou o tipo dele... não gosto disso... não curto dor. Está tudo errado. Estou fantasiando uma coisa impossível, ele... ele não existe. Será que não percebe, Anne? Eu sou igual a minha mãe!
Lisa estava gritando descontrolada. Colocando para fora aquele sonho que a deixou desesperançosa, aquela verdade obscura sobre ele e também o seu medo de acabar louca e internada para sempre em um sanatório.
– Chega! Não vou permitir que faça isso consigo mesma. — Anne falou duramente, mas não alterou a voz em momento algum. — Sabe onde está Nick nesse exato momento?
Lisa não teve coragem de olhar para a amiga, então apenas balançou a cabeça negativamente enquanto fazia força para não chorar.
– Ele foi visitar todas as "Ruas Trade" que existem em Nova York, procurar por alguma coisa, então, não venha me dizer que isso não é real. Agora quanto a sua insegurança sobre ele ser um dom e não gostar de você, isso sim pra mim é impossível. Sabe quantas mulheres gostariam de possuir 20% da sua beleza? Tem idéia do que é ser apenas uma mulher comum na multidão.
– Sim, eu já fui uma garota assim quando vivia em Chicago.
– Não, você nunca foi. É esse seu mal, não se dá o valor que merece. Você sempre foi mais. Mais bonita, mais charmosa, mais sensual, mais atraente.
– Anne eu dançava e cantava numa boate de stripper, quer coisa mais normal? Uma garota cheia de caras e bocas que tirava a roupa para impressionar os homens e ganhar boas gorjetas. Você não entende...
– Eu entendo! — afirmou desafiante — Você era a garota das boas gorjetas, era a que eles queriam ver dançar naquela barra. A sensual, a quente, a gostosa. Uma palavra e você poderia transar com qualquer um deles, era só escolher. Naquele exato momento você era a dominadora de vários homens, não de um só... Pense nisso quando se sentir um lixo!
– Eu nunca enxerguei por esse lado. Nunca dessa forma.
– Claro que não. Com a infância e a mãe que teve não era de se esperar outra coisa. Sendo tratada sempre como um nada. Lisa, me escute. Quando se encontrar com o seu Guerreiro surpreenda-o. Apodere-se do momento. A desconhecida aqui é você, porque a cada dia que passa você o conhece melhor.
– Anne... obrigado, mais um vez... você é...
– Eu sei disso faz tempo. Agora vamos agendar a tatuagem da letra "V" de vida? — Anne brincou descontraindo o ambiente.
– Que tal ir agora sem avisar? Alguma coisa me diz que não me negariam um pedido.
– Sem o Nick? Em público? Sabe que irá causar um alvoroço no local, provavelmente no bairro todo.
– Vou e isso é ótimo. Sinal que estou viva. Você vem comigo? Por favor?
– Não perderia isso por nada.
Nick apareceu atrás delas naquele exato momento. Trazia um largo sorriso, com dentes brancos e perfeitos estampado em um rosto forte.
– Achei a Rua Trade dos seus sonhos Lisa, fica em Caldwell a 30 km. É a que chega mais próximo a sua descrição. Subúrbio de Nova York, prédio abandonados, becos e saídas laterais de clubes e inferninhos.
– Minha nossa é tão perto? — disse Lisa.
– Não é? Voltarei lá esta noite. Quem sabe não encontro o que estou procurando, ou melhor, o que você está procurando.
– Ótimo e eu vou com você, estou precisando mesmo de uma saidinha pela noite e...
– Não vai não... quer estragar tudo? — o segurança tinha o semblante mortificado — Lisa Hendrix nas ruas de Caldwell, não dá.
– Vou fantasiada, dou um jeito.
– Não vai e ponto final. Não temos tempo e quero fazer isso hoje porque depois vamos passar por um período corrido com o lançamento do videoclipe.
– Então a Annezinha aqui vai — Ane apontou os dedos para si mesma — Irei no lugar dela.
– Mas eu não sei se é o lugar é seguro, é melhor...
– Por favor, Nick, o que pode acontecer? Encontrarmos o homem misterioso? E? Ele não sabe nem que existimos. Seremos como dois amigos só curtindo a noite.
– Acho que nesse ponto Anne tem razão e ela é uma boa companhia. Tão boa que vai comigo fazer uma tattoo nesse exato momento e já que você chegou gostaríamos que nos acompanhasse... vamos eu explico tudo no caminho.
– Você fala como se tudo fosse fácil. O lugar é...
– Nick — Lisa estava sorrindo — Já está decidido. Não adianta argumentar mais.
– Mulheres! — blasfemou Nick, enquanto se virava para a saída.
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No buraco, sentado num dos sofás de couro V. assistia a ESPN, esperando o tempo passar. Estava de folga naquela noite, as portas se abriram e lá estava Lassiter e Tohr, em frente a ele. O irmão foi logo explicando
– Ele veio por conta própria. Eu não convidei.
– V. já começou? — perguntou Lassiter — Coloca na FOX, senão vamos perder a primeira aparição do Godzilla. Esse monstrengo é irado.
– Essa vai ser uma longa noite, não é Tohr? — perguntou Vishous despachando um olhar de poucos amigos.
– Pela companhia desse anjo, sim. — respondeu Tohr — Mas tenho que confessar que eu adoro esse “lagartão verde”.
Sem perder a deixa, Lassiter falou no mesmo tempo que Wrath entrava na sala.
– Ele se parece com Raghe, não acham? Quer dizer, quando ele está no modelo besta ou réptil, não acham?
– Eu juro que qualquer dia desses vou torcer todos os seus ossos angelicais e depois ordenar a Vishous que os queime, até que virem cinzas. Só que quando isso acontecer, a parte do fogo, você não vai estar vivo para conferir.
– Isso é uma idéia genial, meu Senhor e eu terei muito prazer em terminar o serviço — Vishous balançou sua mão com a luva no ar.
– Credo, não se pode nem brincar nessa mansão. Fiquem sabendo que só vou fazer pipoca pra mim e pro magricelo do Tohr. Olhem para ele — lassiter apontou o dedo na direção do vampito — Dá até para contar os ossos. Ele está transparente.
Wrath olhou direto para V. com um meio sorriso enquanto se acomodava no sofá e V. sabia que o Rei estava ali como seu verdadeiro amigo, para apoiá-lo. Isso estendia-se a Tohr e por incrível que pareça, também, ao anjo caído com quem ele teve sérios problemas de convivência.
Isso era para Vishous era uma definição de família. Eles se apoiavam, eles o apoiavam, independente de seus traumas e de seus gostos.
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Phury e Z. patrulhavam a zona oeste de Cadwell. Raghe e Butch andavam pelo centro. Nada, nenhum redutor, tudo estava estranhamente quieto. Isso só podia ser mau sinal.
– Raghe, acho que vamos passar em branco esta noite.
– Tudo anda calmo demais., não é tira?
– Será que estamos finalmente acabando com os desgraçados?
– Não! Você é o Dhestroyer, é a realização da profecia que fala sobre o destruidor da Sociedade Redutora. Agora que chegou, acha que acabaria tudo facilmente? Por isso não, não está acabando.
– É você tem razão. Não mesmo. Então, vamos até o ZeroSum esperar por Phury e Z, assim voltamos todos juntos de carro — pegou o celular do bolso e ligou para Z.
O ZeroSum estava especialmente complicado naquela noite. A fila do lado de fora era grande e vagarosa para quem não era reconhecido como "VIP" e Nick e Anne se encontravam nela.
Depois de várias voltas de carro pela Rua Trade, resolveram estacionar e andar por alguns clubes, explorando os lugares. Os dois primeiros foram praticamente um tiro no pé, somente perda de tempo. O ambiente daquelas boates era tão pesado que Nick tratou de tirar Anne de lá rapidinho. Depois caminharam mais um pouco e chegaram ao Bar Screamer´s, nele descobriram que o “point” do momento era o ZeroSum.
– Se não encontrarmos nada iremos embora já passam das 3.00h da manhã e você deve estar cansada.
– Até que foi muito bom sair com você Nick. — respondeu Anne animada.
– Eu não chamo isso de sair, mas mesmo assim, está sendo ótimo. Estar ao seu lado é muito bom.
O olhar de ambos tornou-se profundo e penetrante. Naquele momento Anne pensou como ele estava bonito com aquela calça jeans justa e a camisa branca que contrastava com sua pele negra e seus dentes perfeitos.
– Ei, você dois... vão entrar ou ficar aí parados a noite toda? — a voz era do segurança da boate.
– É a nossa vez. Vamos entrar — e Nick puxou Anne para dentro.
O local agradou aos dois. O ambiente era de muito bom gosto. A pista de dança encontra-se cheia de corpos suados e garotas seminuas. Havia um bar onde era possível saborear bebidas de todas as partes do mundo, para pessoas mais exigentes. Era agradável para curtir e estava lotado.
– Vamos procurar uma mesa.
– Que tal a área "VIP", Nick? — sugeriu a loira.
– Bem, a Lisa não está aqui, então acredito que ter acesso a área "VIP" será difícil. Quem somos nós para nos deixarem passar pelas correntes?
– Somos as pessoas interessadas em descobrir tudo sobre aqueles dois sujeitos cobertos de couro que estão sentados lá. Olhe discretamente, estão a sua direita.
– Virgem Maria... não tinha visto Anne.
– Vamos até lá — ela o puxou, mas Nick era mais forte e mais alto. Era como empurrar uma parede de tijolos.
– Não... — ele a puxou para a pista de dança e a envolveu em seus braços — Estão chegando mais dois. Por enquanto, vamos ficar onde estamos.
Zsadist e Phury soltaram seus corpos em cima dos sofás de couro da área "VIP" de qualquer jeito. Butch acenou para a garçonete.
– O que vão beber?
– Pra mim só água — disse Z.
Em um minuto a garota estava em frente a mesa.
– Traga uma dose de uísque Lagavulin.
– Bom pedido, Phury e traga mais uma para mim também.
– Não encontramos nada. Está tudo muito estranho.
Z., gostava e precisava lutar e o fato de que há alguns dias nada acontecia estava mexendo com seus nervos e a última coisa que se quer ver é aquele macho emocionalmente abalado.
– Empatamos, nossa sorte foi a mesma. Nenhum redutor, nenhuma movimentação estranha, nenhuma mudança. Não acontece nada.
– Engano seu, tira. Tem coisas acontecendo aqui, debaixo dos nossos narizes. Tem um casal, agora mesmo, olhando fixamente pra nós e parecem bem interessados no que estão vendo.
–Onde, Raghe?
– Ali, na pista de dança.
Quando Anne sentiu os olhares daqueles homens enormes em cima deles, pensou que tinha que fazer algo rápido para quebrar a tal ligação. E fez.
– Nick, vou beijar você, agora.
Não tendo tempo nem de assimilar a frase, ele sentiu os lábios dela. Eram macios e quentes. Sem pensar Nick subiu suas mãos pelas costas dela, trazendo-a para mais perto do seu corpo. Aceitando o que ela estava lhe oferecendo. Ele lhe invadiu a boca com sua língua e a envolveu profundamente em um beijo demorado e possessivo. Era o paraíso, mesmo que ele não estivesse entendendo nada.
– Hollywood, você está imaginando coisas.
– Não estou, Phury.
– Pelo amor de Deus! — o vampiro tomou um gole do seu whisky, bebericando — A garota deve ter ficado fascinada por você, bonitão e, agora que o cara se ligou nisso, esta mostrando para ela que manda. Ele só ficou com ciúmes. Relaxa. São só humanos.
Quando terminou de falar, notou o olhar de Butch sobre o casal.
– Vê alguma coisa, tira?
– Não. Acho que não é nada — ele tomou sua segunda dose de uísque em um único golo — Então, a noite terminou. Vamos pra mansão?
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Anne ainda estava assustada observando os homens se levantarem e saírem do bar.
– Essa foi por pouco. — ela disse afastando-se de Nick.
– O quê?
– Não percebeu os olhares daqueles homens em cima de nós?
– Sim, mas...
– Vamos pegar o carro e dar o fora daqui, rápido. Estou toda arrepiada. Eles dão calafrios.
Merda! Grande e fudida merda! Pensou Nick.
O beijo só foi dissimulação, uma mentira. Não tinha nada haver com o que ele sentia por ela. Andaram lado a lado até o carro que estava estacionado a umas duas quadras e não disseram uma palavra até que Nick deu a partida e pegou a rua principal em direção à Nova York.
– Nick?
– Sim — ele não queria falar.
– O beijo...
– O que tem ele?
– Foi algo...
– Já sei o que vai dizer, Anne. Você me beijou porque queria disfarçar a situação criada. Eu já entendi — ele não queria ouvir tal coisa da boca dela.
– Sim, isso também.
– E tem mais? — a pergunta saiu mais raivosa do que ele gostaria — Se vai me pedir desculpas, não precisa. O melhor a fazer é parar por aqui.
– Eu não vou lhe pedir desculpas.
Enquanto ele olhava fixo para a estrada e acelerava, Anne se aproximou dele, esticou a mão e passou-a pelo rosto de Nick, depois desceu pelo seu pescoço e chegou até o primeiro botão da camisa branca. Como ele não esboçou nenhuma reação, mas também nenhuma negação, ela se remexeu no banco de couro e ousou abri-lo. Abriu o primeiro e continuou... desceu para o segundo, ele apertou o volante. Escorregou para o terceiro, ele gemeu. Foi aí que ela encostou sua boca no ouvido dele e disse.
– Foi molhado.. e sua língua dentro da minha boca foi erótico. E eu quero mais de você, Nick.
Aquelas palavras o fizeram ter uma ereção instantânea, foi obrigado a puxar o ar para poder respirar. Ele mexeu o pescoço de um lado para outro até estalar e tentou inutilmente achar uma posição mais confortável para sua excitação, mas lembrou que tinha vestido a calça mais justa do seu guarda-roupa. Merda, novamente!
– Não tire os olhos da estrada, apenas dirija.
A mão dela continuou a descida pelos botões e quando conseguiu abrir o último, a camisa se separou em duas partes, expondo o abdômen definido. Ela o acariciou sentindo os músculos dele se contraindo pela urgência dos seus toques.
– Eu quero você Nick.
– Anne... droga, gata... não tenho onde parar. Não há... — ele estava completamente atônito. Qual foi a parte do enredo que ele havia perdido?
– Só continue dirigindo e vá direto para minha casa. Enquanto isso, deixe-me brincar com seu corpo.
A voz dela não era nada além de um murmúrio extremamente sexy. Ele soltou uma das mãos do volante e colocou a mão dela em cima da sua ereção. Sentindo-o completamente duro, imaginou que deveria estar sendo sacrificante manter tudo aquilo dentro de uma calça tão justa e então, começou a descer o zíper. Ele gemeu alto e ajustou o banco para trás dois pontos. Ficou mais confortável, com um pouco mais de espaço, mas em nenhum momento se esqueceu de que estava dirigindo.
– Não vou agüentar por muito tempo desse jeito... sabe que está me torturando, sabe que não posso perder o foco da estrada.
– Shhhhh, só dirija, Nick. Deixe todo o resto comigo.
Ela agarrou o membro duro e grosso e começou a mexer a mão para cima e para baixo, num movimento compassado e ritmado. Realmente aquilo era uma tortura. Era um prenúncio demorado de um orgasmo que começava a se formar.
– Oh, Deus!... Assim Anne, não pare.
– Se você estivesse na minha cama...
Ela beijou seu tórax, mordiscando-o. Depois lambeu demoradamente o pescoço, depositando pequenos e fulmiantes beijos molhados. Tudo isso sem para o movimento das mãos. Ela o estava matando de tesão
– Se você estivesse na minha cama, eu estaria cavalgando, estaria sentindo tudo isso dentro de mim, querido.
O orgasmo se deu como uma explosão, ele esmurrou o volante e depois segurou-o com as duas mãos, jogando seu corpo para trás, tirou o pé do acelerador com medo de uma derrapagem, o ponteiro caiu para 40km por hora. Com a boca aberta, ele sentia as ondas de prazer passeando pelo seu corpo, o sêmen expelido estava por todo o abdômen e Anne o observava com olhos de desejo. Ela estava rindo de uma forma sensual e serpenteava seu corpo contra o banco do carro como se aquele couro negro, fosse a pele do homem que estava ao volante.
– Quanto tempo ainda falta para chegarmos?
– Acho... que mais uns... 10 minutos. Deus... Anne, não consigo pensar direito. Me dê um minuto.
A respiração de Nick ainda não tinha voltado ao normal, estava ofegante, pesada.
– Então a tortura agora é minha.
– Porque diz isso, gata?
– Porque esperar dez minutos para sentir você pulsando dentro de mim será uma eternidade.
Ele a olhou por um breve segundo e acelerou o Chrysler 300C preto para chegar rápido a Manhattan. Afinal a mulher que estava sentada ao seu lado e clamava por seu corpo era a mesma que ele desejava desesperadamente há muito tempo.
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Notas:
Double Seven – boate nova-iorquina frequentada por modelos, empresários, rappers e atores famosos de Holywood.
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