Traçados Pelo Destino

1 Prólogo – O Sonho


As chamas estão cada vez mais perto. Tento abrir a porta mais uma vez e não consigo. Minha garganta já está doendo de tanto gritar; nunca me senti tão sozinha. Olho para as chamas desesperada, sem saber o que fazer. Tento mais uma vez “mamãe, mamãe, socorro!”, mas ela novamente não escuta e o meu medo de não sair dali cresce ainda mais. Estou começando a ficar sem ar, minhas vistas estão embaraçadas por conta das lágrimas e da fumaça. Mais uma vez bato na porta com todas as forças que me restam e grito “mamãe, o quarto tá pegando fogo, por favor, me tira daqui!”, mas ela não vem. Já não tenho mais forças, preciso de ar. Escorrego pela parede, porta? , caio sentada, deixando minha cabeça repousar sobre meus braços, em cima dos joelhos, e tento me acalmar para ver se minha respiração volta ao normal, mas é em vão. Minhas lágrimas e meu medo não deixam eu me acalmar e minha visão começa a ficar cada vez mais turva, quando sinto a porta sendo aberta. Jogo meu corpo pequeno e frágil para frente e sinto minha mãe me pegar no colo e sair andando pelo andar de cima. Já consigo respirar e minha visão está normal de novo. Começo a olhar o andar de cima e vejo que só o meu quarto estava pegando fogo. Depois olho para minha mãe e noto que ela está chorando e que sua cabeça está sangrando. Ia começar a falar com ela, mas escuto um barulho vindo lá de baixo. Minha mãe me coloca no chão e olha bem no fundo dos meus olhos “a porta da cozinha está aberta, vou descer e, quando te chamar, quero que você saia correndo sem olhar para trás. Eu te amo, filha”, ela fala me abraçando, como se estivesse se despedindo de mim. “Te amo, mamãe”, digo e a abraço, sem querer soltá-la. Mas ela se desvencilha de mim e me deixa esperando no topo da escada enquanto desce, olhando pela sala com cuidado. Depois vai para a porta de seu escritório e vem até a escada fazendo sinal. Desço com cuidado e minha mãe vai até a cozinha comigo. Quando estávamos na porta, escutamos uma voz:

— Onde vocês pensam que vão? — Escuto passos cada vez mais próximos e sinto minha mãe me empurrar de leve.

— Corre, filha! — E nada de eu me mover. – Corre, Lana! — Dessa vez saio correndo e paro na entrada da floresta, onde ela sempre me dizia para não entrar. Olho para trás e vejo um homem a segurando com força e ela se debatendo em seus braços. Ela grita novamente:

— Corre, Lana, e não olhe para trás!

Entro no meio das árvores e saio correndo sem olhar para trás e sem saber para onde estou indo. A neve começa a cair e lembro que estou sem meu casaco. Não sinto frio, pois já estou correndo há algum tempo. Resolvo parar de correr e me encosto em uma árvore tentando descansar, mas escuto passos e recomeço minha corrida. Entretanto já estou sem força, não sei mais quanto

tempo vou aguentar correr. Minha vista começa a escurecer. Tento continuar, mas caio no chão e não vejo mais nada.