T.r.

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Esse é só um capítulo teste que vai falar bem pouco sobre a história principal, espero que gostem! Boa leitura ^^

Nunca vou saber identificar se a pior parte da cena do crime é os curiosos sedentos por um vislumbre do corpo ou o corpo em si.

-Bom dia, Det. Rizzoli.

Não consigo identificar quem disse então apenas respondendo um “Bom dia” educado.

Assim que passo pela fita amarela vejo Maura examinando o corpo, deslumbrante como sempre.

-Bom dia, Maura, o que temos? –Pergunto de imediato.

-Bom dia, Jane, homem, cerca de 45 anos, perfuração no estomago com sinais de queimadura em volta.

-A carteira está cheia, podemos descartar roubo, carteira de motorista com o nome de Richard Briks. –me informa Frost que havia acabado de chegar.

-Podemos assumir que foi um tiro, Maura? –Pergunto já imaginando a resposta.

-Teria que leva-lo ao laboratório para ver o que há dentro do ferimento e ver se as bordas conferem. –lanço um olhar que ela já conhece muito bem, ela revira os olhos então diz: -As queimaduras envolta de uma entrada aparentemente circular indicam que PODE ter sido resultado de um tiro. –Admite ela.

-Ok, vasculhem todas as lixeiras envolta desse quarteirão, para uma arma calibre 45 aparentemente. –digo para os peritos, então me viro para Frost e digo para chamar Korsak, buscar a família da vítima e descobrir onde ele mora.

De volta à delegacia interrogo a mãe e a irmã da vítima, descubro que ele não se abria muito com a família e segundo o estado de sua casa ele não saia muito também, trabalhava pelo computador e não tinha namorada. O dia aqui em cima tinha sido uma tanto quanto frustrante, achei melhor descer e ver se a Maura tinha dado sorte.

Assim que chego ao necrotério a vejo debruçada no corpo.

-Alguma sorte por aqui? –digo com voz cansada

-Oh Jane, você me assustou? O que faz aqui? –ela diz um pouco sobressaltada, aparentemente a assustei, tudo bem, precisava um pouco de diversão no dia de hoje.

-Não tive sorte com a família dele –aponto para mesa- pensei em passar aqui para ver se você tinha achado algo, e então?

-Eu ia te mandar uma mensagem, mas achei que você já tinha ido embora, acabou de chegar o resultado da balística, você estava certa, foi um tiro de uma calibre 45 a queima roupa, atingiu o miocárdio, ele morreu rápido. Há outra coisa me incomodando nesse corpo, há uma espécie de mancha, ainda estou esperando o resultado do laboratório, o mais estranho é que, apesar da mancha estar um pouco apagada, consegui identificar as letras T e R -ela me mostra a foto da mancha e consigo identificar as mesmas letras.

-Ok, estamos cansadas e esse resultado vai demorar para chegar, vamos no Dirty tomar uma cerveja e amanhã tentamos descobrir o que essas letras significam.

Minha cabeça está realmente doendo, hoje serei inútil tentando descobrir o significado dessas letras, fico feliz quando a Maura aceita meu convit

Assim que chegamos peço minha habitual cerveja e o vinho de Maura, sentamos em uma mesa afastada e a conversa flui como sempre, estar perto da Maura é reconfortante, apesar de não entender 2/4 do que ela fala, sua voz me acalma e minha dor de cabeça some quase instantaneamente.

Na manhã seguinte, de volta a delegacia volto a me focar na vida da vítima, tento descobrir mais sobre sua personalidade e afazeres diário, pergunto a vizinhos, poucos amigos, alguns parentes distantes que costumavam ser próximos, nada, todos dizem a mesma coisa “Desde que ele saiu de casa ele mudou, começou a viver no computador, perder comemorações em famílias.” “Não falamos com ele há mais de dois anos.” “A ultima vez que o vi foi no Natal de 2010 ou será 2009, não sei, foi há muito tempo.” Todos pareciam programados para falar a mesma coisa, um CD riscado repetindo frases, lá estava a dor de cabeça de volta e mal tínhamos chegado a metade do dia, seria um dia muito longo.

Sem novas evidências decido ir almoçar mais cedo, na lanchonete encontro minha mãe e Maura conversando, ver aquela imagem era animadora, reconfortante, familiar, ver duas das pessoas que eu mais amava ali, não tinha coisa melhor do que aquilo.

-Bom dia, Ma! –digo animada.

-Bom dia, Jane, já vai querer seu almoço? –minha mãe estava animada, isso era bom, ou não, deveria me assustar, mas estava muito cansada para isso.

-Sim, por favor!

-Jane, você não costuma almoçar tão cedo, finalmente percebeu que ter hábitos alimentares mais regulares pode prover... –Maura começou com sua boca de Google, mas como costumava fazer só apreciei sua beleza, seus lábios e parei de escutar as palavras só prestando atenção na sua linda voz.

-Yeah, yeah, Maura, alguma coisa assim, como vai lá embaixo?

-Muito bem na verdade, ia subir com o seu almoço para te contar o que achei, mas você desceu antes. –Disse ela com aquele sorriso maravilhoso.

-E você pretende me contar o que você achou, ou vai continuar me falando de almoço enquanto eu estou faminta? –Digo com minha habitual voz cínica.

Minha mãe chega com meu almoço então nos movemos para uma mesa, assim que sentamos ataco meu almoço, estava realmente faminta, por algum motivo que não entendo a Maura fica apenas me olhando comer, sem falar ou tocar na comida, quando começo a achar preocupantes resolvo quebrar o silêncio.

-Terra para Dr. Isles, desculpa atrapalhar seus contatos com seus amigos alienígenas, mas eu queria muito saber o que você tinha para me falar.

-Não entendo Jane, eu não tenho amigos alienígenas, apesar de muitos estudiosos acreditarem na existência deles e ser extremamente possível que exista, eu não conheço nenhum. –Então ela olha para mim com aquela expressão de sinceridade de quem não entendeu mesmo a brincadeira, aquilo é adorável, rio internamente.

-Maura,... Só esquece. O que você tinha para me falar mesmo?

-O resultado daquela mancha que achei na vítima chegou.

-Você preferiu falar sobre comida e aliens ao invés de me dar essa informação logo de cara?

-Não, eu apenas achei interessante te informar do assunto que você havia comentado.

-Maura... Só me fala o que era a mancha, por favor!

-Grafite

-Oi?

-Grafite, o mais interessante é que a composição química é idêntica à usada em grafites utilizados em lapiseiras, o que me leva a crer que o assassino triturou grafites para manchar nossa vítima.

-Hm, escolha interessante. –Digo confusa. –Mas infelizmente até um cachorro deve ter acesso a esse tipo de grafite. –Me sinto derrotada novamente, ao menos estou almoçando com a Maura, isso já faz meu dia ser extremamente reconfortante. Interrompo meus pensamentos quando meu celular vibra com uma mensagem de Frost dizendo que tem uma nova pista. Agradeço mentalmente a todos os deuses que conheço me despeço da Maura e corro para o elevador.

Chegando lá em cima encontro Frost olhando para um notebook que eu não conheço.

-É da vítima? –Pergunto

-Sim. –Confirma ele. –A pericia achou hoje de manhã no apartamento dele, aparentemente não tinha mais nenhuma prova lá, só digitais dele, cartas a serem abertas e nenhum vizinho o conhecia sem ser de vista.

-Ok, pelos depoimentos que conseguimos antes já sabia que ela não socializva com vizinhos, já achou alguma coisa aí?

-Algumas pastas com senha, mas fácil de decodificar e vários sites de conversa com estranhos.

-Certo, entre nessas pastas e avalie todas as conversas para ver se há alguma importante.

Virei-me para o quadro de suspeitos para incluir “Grafite” como nova pista quando escuto um som de desaprovação vindo da mesa de Frost, me viro e pergunto:

-Alguma coisa errada?

-Acho melhor você ver isso. –Havia alguma coisa errada, Frost estava paralisado, branco e horrorizado. Preocupei-me.

-O que foi Frost? –Disse enquanto corria para a mesa dele, quando cheguei lá só consegui dizer um fraco: -Oh...

Na tela havia vários vídeos abertos, vídeos pornôs seriam normais de se encontrar em um computador de um homem solteiro, mas não eram vídeos pornôs normais, era com crianças, ele tinha vídeos de pedofilia em seu computador, vídeos em que crianças com menos de seis anos eram torturadas e estupradas enquanto choravam e perguntavam pela mãe deles, até que finalmente elas perdiam a consciência, mas nem isso parava o estuprador. Olhava tudo aquilo horrorizada, Frost tinha lágrimas nos olhos. Fechei o vídeo e disse com a voz baixa:

-Ache da onde veio esses vídeos e veja se ele tinha algum contato direto, se tinha me passe os nomes para que eu continue a investigação se não, passe para qualquer outro departamento a fonte desses vídeos, nosso departamento vai descobrir quem matou esse homem independente do que ele apoie. Faça um rápido intervalo antes, não deixe mais ninguém ver esses vídeos. E depois me chame para olhar essas conversas.

Fui para minha mesa, toda energia que eu havia recuperado com o almoço com a Maura tinha ido ao ver aquelas imagens, aquelas pobre crianças, levantei e fui para o elevador, precisa desesperadamente ficar um tempo com a Maura, ela me faria esquecer essas imagens.

Assim que cheguei lá ela examinava alguma coisa em nossa vítima com muito afinco.

-Maura. –Chamei com a voz fraca.

-Jane, o que houve? –Não consegui manter uma postura vendo o corpo daquele bastardo, muito menos vendo Maura tão perto dele, deixei as lágrimas rolarem. As enxuguei rapidamente, mas Maura viu o suficiente para vir perto de mim.

-Cubra esse corpo, por favor. –Foi a única coisa que consegui dizer, ela o cobriu rapidamente e me conduziu até seu escritório, chegando lá ganhei um copo de água, mas estava tão irritada pelo o que tinha visto que despedacei o copo nas minhas mãos, consegui alguns cortes, mas nada muito profundo.

-Ok Jane, esse seria o momento perfeito para você me contar o que diabos está acontecendo. –Ela disse vindo rapidamente para perto de mim e cuidando da minha mão.

-Recebemos o notebook da vítima hoje e Frost achou algumas pastas pessoais... –Ela olhava para mim com ar de duvida, não podia parar agora. –Ele tinha vídeos de pedofilia, com crianças que não deviam ter seis anos, crianças chorando e pedindo pela mãe. Estamos tentando descobrir o assassino de um pedófilo.

Notas finais
Esse capítulo acabou saindo maior do que eu esperava, prometo que nos próximos farei algo mais curto. Por favor comentem, critiquem e sejam MUITO sinceros! E se tiver algum erro ortográfico me avisem também, revisei umas cinco vezes, mas sei lá né.