T.r.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
-Está registrado no nome de Keith Jackson –diz Frost andando apressadamente ao meu lado.
Assinto.
-Com licença, Sra. Jackson?
-Sim? –ela responde intrigada, de perto percebo que ela é ainda mais bonita do que parecia, tem longos cachos loiros e olhos azuis cintilantes. O garoto tem os olhos azuis como os dela, porém o cabelo mais escuro. É uma bela criança.
-Eu sou a Detetive Rizzoli esse é o Detetive Frost, podemos conversar?
-Claro –então ela se vira para a criança e diz –Rob, por que não entra e vai brincar no seu quarto? Subirei em instantes e podemos brincar com o seus novos carrinho e até com aquele seu dinossauro grande, que tal?
A criança concordou feliz, pulou de seu triciclo e correu para dentro da casa, observo o olhar da Sra. Jackson olhando seu filho correndo com um lindo sorriso no rosto e percebo que toda aquela raiva que me motivou até ali tinha se extinguido, desejei que ela não fosse assassina e mesmo se fosse, tínhamos provas de que nossa vítima era um pedófilo e essa mulher tinha um filho, e se a história for maior do que pensamos? E se aquele bastardo fez algo para essa linda criança? Desejei com todas as forças que tenho no meu corpo que eu estivesse errada, que ela não fosse uma assassina, que a cor de cabelo fosse uma mera coincidência e que o computador tivesse errado o endereço, desejei tudo isso como se fosse mudar alguma coisa, porém sabia que tinha vindo aqui fazer um interrogatório e era isso que eu devia fazer, sendo ela mãe ou não, ela era uma possível assassina.
-Entrem, por favor. –Percebo que a voz dela é macia e ela possui um ar simpático. Se a Maura estivesse aqui discordaria que uma voz seja macia e diria que não podemos deduzir se uma pessoa é simpática pelo ar que ela respira, ou algo do gênero, ri internamente. Mas espera, por que raios estou pensando na Maura antes de entrevistar uma possível assassina com um possível motivo? Entramos na casa, é pequena, porém muito aconchegante, alguns brinquedos estão espalhados que ela começa a recolher rapidamente, eu a ajudo.
-Sra. Jackson... –começo.
-Pode me chamar de Beth, por favor.
-Certo, Beth, esta propriedade está no nome do seu marido, correto?
-Sim, isso mesmo, ele está no trabalho agora, mas se vocês precisarem falar com ele posso ligar e chama-lo –ela diz aquilo de forma tão pronta a ajudar que mais uma vez desejo que ela seja inocente, desejo perder todo o meu caso desde que essa mulher seja inocente.
-Não há necessidade –Frost responde antes de mim.
-Certo –eu digo -Precisamos fazer algumas perguntas à senhora, se não se importar.
-Oh, de modo algum, por favor, sente.
Sentamos-nos e esperamos pacientemente ela voltar com um bule e algumas xícaras, nos servimos de um chá delicioso que identifico ser de Laranja, preferia café, mas segundo ela, o café era evitado por conta da criança.
-Sra. Jackson... Beth, você conhecia um homem chamado Richard Briks?
-Não que eu me lembre.
-Certeza? –Pergunto mostrando a foto.
-Absoluta, me desculpem, mas eu nunca vi esse homem antes.
Fico sem reação, não sei como pressionar essa mulher, decido ser sincera, decido ir pelo lado mãe dela.
-Beth, nós entendemos que esse homem é um pedófilo. –Posso ver seu rosto se transformar de dúvida para terror. –Você é uma mãe, qualquer juiz no mundo entenderia os atos de uma mãe protegendo seu filho.
Espero uma resposta, mas por alguns segundos ela apenas me olha boquiaberta, então num rompente seu rosto se transforma em raiva e ela diz:
-Detetives, eu lhes acolhi na minha casa, onde eu moro com meu filho e meu marido, para ser acusada de assassina?! Eu me recuso a receber esse tipo de tratamento, vocês foram muito gentis, mas se retirem, por favor!
-Sra. Jackson, um endereço IP foi rastreado vindo dessa residência, nós temos um fio de cabelo loiro retirado da vitima, eu estou te oferecendo uma saída fácil, me ajude a te ajudar. -Digo me levantando.
-Se é cabelo que vocês querem aqui está. –Ela arranca alguns fios de seu próprio couro cabeludo. –E em relação a esse outro endereço que você mencionou, por favor, se informem melhor, eu não entendo de computação o suficiente para ligar meu computador sozinha, pergunte aos vizinhos, ele confirmaram quantos vezes já pedi ajuda para ligar minha própria TV as vezes, agora se retirem da minha casa.
Posso perceber o quão transtornada a deixamos, mas parecia apenas defesa pela acusação, ela realmente soava inocente, viro para Frost e digo:
-Vamos levar esse cabelo de volta ao laboratório o mais rápido possível, não acredito que tenha sido ela, mas não podemos descartar nada.
No caminho de volta para a delegacia permanecemos mudos, não precisamos de palavras para saber o que está passando na cabeça um do outro, nós dois desejamos que ela seja inocente.
Assim que chegamos vou direto ao laboratório encontro Maura arrumando uns papéis, bato na porta e entro.
-Korsak me disse que vocês tinham uma pista, conseguiram alguma coisa? –Ela pergunta curiosa, não queria ter que dizer o que aconteceu, não queria dizer como suspeitamos de uma mãe atenciosa como assassina, não queria dizer isso em voz alta.
-Veja se esses fios combinam com os encontrados, por favor.
-A cor é bem parecida, mas precisarei levar para uma analise mais precisa.
-Ok, faça isso e me encontre no Dirty, te conto tudo lá. –E saio da sala dela, sim, meu comportamento foi tão estranho quanto podia ser, lembrei-me das palavras de Maura noite passada “Poderia ser o filho de uma nós”. Apesar, de o cabelo ser mais claro a Sra. Jackson lembrava muito a Maura, bonita, gentil, sensível de vez em quando, receptiva. A Maura seria uma boa mãe, será que ela seria capaz de matar alguém para proteger um filho? E é exatamente isso que eu pergunto assim que ela chega ao bar. Depois de me lançar um olhar e avaliar minha expressão ela percebe que a pergunta é séria e responde:
-Estudos apontam que não só no mundo animal, como na civilização, mães são superprotetoras com suas proles, no reino animal animais pequenos enfrentam animas grandes para defender seus filhos, se eu me tornasse mãe, ganharia esse extinto, assim como todo ser vivo, então sim, se eu me sentisse sem opção meu extinto poderia me levar a matar alguém, porque a pergunta Jane?
Contei tudo que havia acontecido desde a chegada à casa da moça loira, da proteção com o filho, de como ela ficou irritada com a minha insinuação até meus pensamentos de como eu queria que ela fosse inocente, não me sentia culpada compartilhando isso com a Maura, ela me lembrava de que eu sou uma humana.
Depois de uma pausa ela me pergunta:
-O que você vai fazer agora?
-Esperar o resultado daquele cabelo voltar, torcendo para dar negativo.
-E se der positivo?
-Então eu volto para a casa da Sra. Jackson com um mandato de prisão. –Digo afundando-me na minha cerveja. Meus pensamentos estão enevoados, só quero beber e esquecer que amanhã posso estar prendendo uma mãe atenciosa.
E é exatamente isso que acabo fazendo, bebendo até não conseguir andar em linha reta, procuro as chaves do meu carro e descubro que Maura as pegou, tudo bem, desde que ela me deixe em casa. Então saímos de lá, eu cambaleante e a Maura com a mão em volta da minha cintura para me amparar, aquela sensação é gostosa, sua pele apesar de ter aparência e muitas vezes ser fria por culpa do necrotério, é quente, me foco naquilo e em nada mais, não ligo para meus pés tropeçando, para minha mão arranhando na parede, só para o aperto forte e seguro que a Maura me dá. Percebo que sua respiração está ofegante e começo a tentar andar, mas isso acaba dificultando mais as coisas e voltamos para como estava antes.
Após algum tempo assim chegamos ao carro dela, me sento no banco e ela passa o cinto por mim, sinto seu colo encostando-se ao meu, sinto o cheiro forte de seu cabelo sempre tão delicioso, sinto minha boca secar, antes que faça qualquer besteira, usando o pouco de lucidez que eu tenho recosto minha cabeça no encosto e adormeço.
Acordo com a Maura me chamando com um voz doce, saio do carro cambaleante, ela desce para me ajudar a chegar a porta, mas peço para que ela continue no lugar, meu ego já foi ferido demais por uma noite, solto um leve “Boa noite” que não sei se ela escutou e entro.
Uma vez dentro de casa sinto raiva, raiva por ter perdido o controle, acabo descontando em um prato ali perto, ganhando novos arranhões para se juntar aos feitos antes pelo copo. Decido ir tomar um banho e dormir. É o melhor que posso fazer agora.
Notas finais
Vou tentar animar as coisas no próximo capítulo e colocar mais cena Rizzles.
Por enquanto é isso e obrigada por estarem lendo :D
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