T.r.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Reconheci o olhar da Maura, era o mesmo que o meu e o de Frost, as lágrimas também vieram aos olhos dela, não sabia se queria conforta-la ou se queria conforto, só sei que a abracei, senti o cheiro dos cabelos dela, as lágrimas molhando minha blusa, me permito aproveitar o momento. Uma batida na porta nos fez separar era sua assistente, ela trazia o exame toxicológico da vítima, estava limpo.
Mais um dia frustrante no trabalho, não queria voltar a olhar aquele notebook, então convenci Frost a ir para casa e amanhã olharíamos o resto das conversas. Não estava no clima para ir beber, então apenas encontrei com a Maura e a convidei para jantar em casa, fizemos macarrão e fomos dormir sem trocar muitas palavras, aparentemente nenhuma das duas queria dormir sozinha, estávamos no escuro quando a escuto dizendo com a voz fraca:
-Poderia ser o filho de uma de nós, poderia ser algum conhecido nosso naqueles vídeos, como você consegue Jane, como você sobrevive a esse trabalho?
-Eu não sei.
E dormimos assim, com o pensamento horrível daqueles vídeos.
Na manhã seguinte a deixei em sua casa e fui para a delegacia chegando lá peguei um café com a minha mãe e subi para encontrar Frost e aquele notebook novamente, nos sentamos e começamos a analisar as conversas, horas se passaram e nada muito comprometedor aparecia, depois de mais algumas horas senti meus estomago roncar e achei que seria a hora do almoço, mandei uma mensagem para a Maura e nos encontramos na cafeteria.
-Hey, Maura, mais alguma novidade sobre nosso pequeno pedaço de alegria lá embaixo?
-Jane, o que você quer dizer com isso? –Pude ver que ela ainda estava abalada pelo o que contei ontem.
-Foi ironia, desculpa não foi apropriada, alguma nova evidência sobre o corpo?
-Tudo bem, eu reconheço que ironia é sua forma de fugir de assuntos sérios.
-Não é não! –Eu digo, mesmo sabendo que ela provavelmente está certa, ela é a Maura, ela está certa sobre tudo.
-Uhum, é sim.
-Só me diz se achou alguma outra pista.
-Não, me desculpe, nada de novo, exceto que o tiro foi a queima roupa.
-Nossa vítima viu seu assassino, interessante.
Voltamos a comer, de vez em quando parava para olhar Maura, prestava atenção em cada movimento dela, cada respiração, como ela conseguia ser elegante comendo em uma cafeteria de uma delegacia? Ela levantou a cabeça e nossos olhares se cruzaram, desviei rapidamente.
-Jane, alguma coisa errada? –ela me perguntou com seu tom de genuína dúvida
-Hm, nada, por que pergunta?
-Você estava me encarando, de um jeito estranho, está tudo bem com você Jane?
-Comigo tudo ótimo, com você que deve ter algo errado, estamos em uma cafeteria para que comer toda elegante e arrumada? –Falei com um tom de voz mais alto do que pretendia, todos estavam olhando para mim, abaixei rapidamente a cabeça e disse: -Só esquece.
-Saiba que não há nada errado em se vestir como estou vestida para um almoço, afinal estamos no ambiente de trabalho e no trabalho devemos usar... -Mais uma vez a deixei falando, só escutando o tom de sua voz enquanto comia. –Jane? –Aparentemente ela estava falando comigo, me desliguei mais do que gostaria. –Tem alguma coisa errada e eu realmente gostaria que você me contasse.
-Olha, não tem nada de errado, é só que esse caso está se prolongando mais do que deveria. Vou subir e terminar de investigar aquela conversa e você deveria olhar as roupas da vítima, se o assassino chegou tão perto poda haver vestígios. Tchau, Maur.
-Já estão fazendo isso. Tchau Jane.
E assim voltei para aquele maldito notebook, depois de mais algumas horas de leitura infrutífera Frost acha um acervo de conversas escondido, entramos lá nos preparando para todo tipo de coisa, e estávamos certo, ele conversava com uma pessoa chamada Crarah, obviamente não era seu nome real, mas podíamos rastrear um IP, deixei Frost fazendo isso enquanto olhava as conversas dos dois, e claro, não podia ser pior. Ela é uma garota de 10 anos segundo a descrição e ele se passa por um garoto de 13 anos, a conversa é repugnante, é quase um filme pornô escrito, isso me levou a crer que ela tenha mais de 10 anos, assim como ele.
-Alguma sorte no IP, Frost? –Pergunto com certa urgência.
-Não, está mascarado.
-Uma garota de 10 anos poderia fazer isso?
-Se ela tivesse um QI alto, fosse autoditada e conseguisse encontrar um bom guia online, poderia ser considerado possível, por quê?
-Estou formando uma teoria, que não bate com o fato dessa menina ter 10 anos.
Antes que Frost pudesse perguntar qualquer coisa meu celular tocou, era uma mensagem da Maura:
Você estava certa.
Achamos evidências nas roupas da vítima.
Maura.
Levantei da minha cadeira e praticamente corri até o elevador, ri internamente pensando na cara que Frost ficou a me ver saindo sem explicar nada da minha teoria a ele.
-Por favor, faça meu dia! –Digo apressada ao chegar ao laboratório.
-Desculpe-me? –Ela diz genuinamente intrigada como sempre.
-O que você achou na roupa da vítima? –Poderia prolongar a conversa e me divertir vendo a confusão dela, mas preferi pular essas etapas e ir direto para o assunto.
-Um fio de cabelo.
-Conseguiu DNA?
-Infelizmente não, não temos a raiz, tentei extrair DNA mitocondrial, mas há pouca amostra, corro o risco de destruir a evidência, posso apenas dizer que é um fio loiro, comprido e analisando melhor achei várias coisas que pode nos ajudar, pela composição química do cabelo pude identificar alguns remédios que o assassino toma, fui capaz de identificar várias formulas, como analgésicos, traços de benzoilmetilecgonina e anticoncepcional.
-Benzo o que mesmo? –Que palavra complicada.
- Benzoilmetilecgonina –diz ela novamente e depois de um tempo olhando para minha cara confusa ela finalmente cede –Conhecido popularmente como cocaína.
-Ah, por que você não disse isso antes?
-Eu disse. –E ela me olha novamente com aquele ar de dúvida, sempre me divirto com isso.
-Você quer dizer que nosso assassino é uma mulher? Provavelmente viciada em cocaína? –Isso comprovaria minha teoria.
-Não, eu quero dizer o assassino tomava anticoncepcional. E faz uso de cocaína.
-Maura, porque diabos um homem tomaria anticoncepcional? –Digo com voz de quem está irritada, porém estou extremamente feliz por estarmos cada vez mais próximos dessa mulher.
-Ele poderia estar em um processo de mudança de sexo e há vários mitos populares em relação anticoncepcional, há boatos de que cura a calvície, mas...
-Ok, vou sair lentamente e resolver um crime, finge que eu continuo aqui e me conte mais sobre transexuais carecas.
Eu estava animada, tinha provas de que não era uma garota de 10 anos na conversa e motivos para acreditar que ela possa ser a assassina, assim que chego lá em cima vejo Frost na minha mesa.
-Frost! O que você está fazendo ai?
-Jane, me desculpe. –Ele diz enquanto levanta rapidamente. –O computador estava procurando o IP e achei que deveria terminar de ver as conversas enquanto você estava lá embaixo, achei algo que você vai gostar, olhe a ultima mensagem que ela mandou, foi no dia do assassinato, ela mandou quando ela já havia saído para o suposto “encontro para tomar sorvete” dos dois. Leia o que diz.
Assim que sentei na minha mesa, rolei a conversa até o final e lá estava em claras letras apenas uma frase, uma única frase que fez todas as peças do nosso magnífico quebra cabeça se encaixar: PAYBACK IS A BITCH.
-Ela é nossa assassina Frost.
-Como você pode ter tanta certeza?
-Um cabelo loiro foi achado nas roupas da vítima, é ela, eu sei que é.
Enquanto Frost me olhava abobado e eu olhava para a tela do meu computador com raiva, o computador do Frost apitou.
-O que foi isso? –Perguntei alarmada
-Temos um endereço para o IP. Eu dirijo.
Não questionei, apenas peguei meu casaco e descemos correndo, entramos no carro do Frost e seguimos em silêncio, passamos por várias ruas conhecidas e desconhecidas, quando estávamos em algum lugar no subúrbio Frost diminui a velocidade e parou.
-Ali. –Disse ele apontando para uma casa com uma linda loira na frente cuidando do jardim e uma criança em um triciclo.
-Vamos!
Notas finais
Ah, um p.s. básico, Reviews são muito legais *-*
Fale com o autor