Tpb - Three For One.
1 Cansada
Notas iniciais
Realmente espero que vocês gostem.
Ah, a aula de matemática! Doce aula de matemática! Tão doce que já estava me dando vermes... Quanto é a massa do sol? Qual o peso da Terra? Sim, se matemática fosse física, talvez eu me interessasse mais...
- Então... — Era a unica palavra que eu ouvia sair da boca da professora. além disso era a penas — bla bla, bla bla bla bla. Bla bla? Bla bla bla, bla bla bla... wiskas sache!
Aquilo era a maior perda da minha vida, 50 minutos perdidos. Quanta frustação! Afinal, haveria algo mais valioso que o tempo?
Deitei a cabeça na mochila, estava pronta para cochilar um pouco quando alto acertou minhas costas.
Será possível que uma nerd não pode ter um minuto de paz? se eu presto atenção, se eu não presto; esteja eu me divertindo ou me matando para aumentar a nota de um grupo... Eles não me deixam!
Ignorei a bolinha de papel suja de tinta. Eu já estava precavida com uma outra blusa na mochila.
Fechei os olhos e tentei me distanciar daquela rotina de merda que eu era obrigada a levar. Aquela era minha célula de escape: meu cérebro. Apesar disso, já havia tempo que eu não visitava aquele lugar...
Me concentrei em encontrar Kid. A única alma vivente naquele lugar... Estranhamente, uma alma vivente em minha mente. Ele dizia ser meu anjo, sabe, aqueles que ficam falando em seu ouvido a coisa certa a fazer... Mas eu não estava muito certa, afinal, onde estaria o demonio então?
A sala silenciou, a escola silenciou, o mundo virou vácuo. Nenhum som podia ser propagado até que chegasse aos meus ouvidos. E eu estava realmente feliz.
- Kid? — Minha voz ecoou em minha mente. Estaria ele ainda ali? — Hey Kid! apareça! Eu não vou te pagar se não me justificar por que não tem feito a limpeza desse lugar! Sabe como estou me sentindo exausta? — Resmunguei, minha voz soando mil vezes mais alto do que realmente deveria — Kid? — Um ultimo grito, quase como uma lamentação.
O lugar estava abandonado. Casas desabitadas em ruínas, prédios caíndo aos pedaços, poeira por todo canto, tempestades de areia, e aquela era apenas a cidade principal. Dei dois passos para chegar ao campo. Mais frustrante que o esperado. As árvores estavam mortas, a grama parecia palha. Saltei na velocidade da luz até a primeira montanha, o pico. Aquele era o único lugar de onde eu podria ver todo o mundo. Todo o meu mundo. E lá estava eu, porém além de mim, mais nada.
O salão à minha frente me fez hesitar, mas eu não queria continuar ali, com um passo, eu estava dentro do painel de memórias.
Aquilo estava precisando de uma atualização. Eu não podia carregar tantas memórias ruins ou seria uma catastrofe no meu mundo... Então ao olhar ao redor percebi, já era tarde demais.
Ao meu lado apareciam novas lembrnças.
- Como assim? — Eu estava mais curiosa que espantada. — Eu estou dormindo, como posso estar...
- Eu simplesmente não aguento mais esses ignorantes metidos a espertinhos! — Era minha voz. Era minha mão sobre a mesa. Meu corpo em pé. Meu rosto em uma careta. O que estava acontecendo?
- Mais que porra é essa? — Tentei voltar, mas o controle de meu corpo já não estava mais comigo. — Eu estou louca? É isso?
Meu corpo seguia em direção a um garoto com uma nova bolinha de papel na mão. Ele estava assustado.
- Eu ía jogar no lixo... — Ainda assim, seu sarcasmo era presente.
Eu já não tentava mais me impedir. Senti minha mão fechar-se e chocar-se contra algo duro.
Uma fina linha de sangue escorreu pelo nariz do garoto.
- Imbecil! — Minha mão pegou o papel amassado e enfiou na boca do garoto que agora estava gemendo de dor. — Que tal isso? Estou fazendo um favor pra você jogando o papel no lixo não estou? — O papel úmido e amassado já chegva na garganta no rapaz que se esforçava para respirar, então senti mãos me puxando para trás.
Então, eu voltei. Então, eu era eu outra vez.
- Calma aí Vicky! — Era a voz de Jessica. Uma antiga amiga que me trocara por seus esmaltes e maquiagens.
- Se você não sabe o que houve, eu sei muito menos.
Eu só sabia que estava cansada. Peguei minhas coisas e, ciente de ainda faltar 3 tempos de aula, voltei para casa.
- O que... O que eu estava fazendo?
Minha voz ecoava pelo meu quarto às duas da tarde.
E ainda mais alto, uma voz ecoou pela minha mente
"Nada! Por isso estou aqui, afinal, você está cansada demais para fazer qualquer coisa sozinha."
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