Episódio 1: Uma surpresa na floresta da magia

Tranquilamente. Esse era o modo que Marisa andava ao voltar para casa ao seguir uma trilha. Com um sorriso no rosto e um livro roubado de Patchouli debaixo dos braços, tudo parecia estar indo tão bem com ela mesma que nem notou que pisou em falso em uma pedra e caiu.

Após estatelar-se no chão, levantou rapidamente e juntou o livro que caiu. Aproveitou e foi averiguar melhor a pedra em que pisara.

Mas, vendo melhor, aquilo não se parecia nem um pouco com uma pedra. E sim com uma... Mão? Era acinzentada e havia algo parecido com unhas e dedos. Ou pelo menos, isso o que foi um dia. Marisa puxou e revelou um braço. Assustada, puxou mais um pouco. Soltou um grito forte e alto, que talvez fosse ouvido a vários metros de distância.

Alice Margatroid, que estava por perto, reconheceu o grito de Marisa e correu em direção ao berro.

- Marisa?! E-está tudo bem com você? Eu ouvi um...

Mas Alice não conseguiu completar sem soltar um grito.

-A-Aya?!

O corpo de Aya Shameimaru ainda não estava mostrando sinais de decomposição. Estava apenas acinzentado. Porém, sua camisa estava coberta sangue. E seu pescoço, cortado. Parecia sorrir. Sua câmera, quebrada, estava suja de sangue como a camisa.

-C-como você descobriu o corpo dela?

-Eu tropecei na mão dela e caí. Depois de me levantar eu puxei e descobri ela.

-Aya não estava desaparecida a dias? Pobre Momiji. Ela vai ficar inconsolável.

-Estranho você dizer isso.

-Isso não importa — disse Alice, se abaixando para estudar melhor o cadáver — Marisa, o sangue dela ainda está fresco. Alguem a deixou aqui a muito pouco tempo. Vá buscar ajuda, rápido!

Marisa saiu correndo em direção a floresta do Bambu, deixando Alice confusa.

-Você não vai para a Vila Humana? O que você pensa que vai fazer na Floresta do Bambu?

-Sei quem pode nos ajudar. Fique aí e vê se descobre alguma coisa!

Marisa continua seu trajeto, deixando Alice sozinha com o cadáver de Aya Shameimaru.

Meia hora depois, ainda caminhando na Floresta do Bambu, Marisa se pergunta se Alice ainda estaria esperando, e quanto tempo mais Aya demoraria para exalar mau cheiro, quando realmente chega ao seu destino: Eientei.

Marisa abre a porta com cuidado, querendo não causar alarme. Entra no corredor totalmente escuro e começa a caminhar silenciosamente quando nota dois pontos vermelhos no fim do corredor. Ouve uma voz:

-Há quanto tempo Marisa! Escolheu um dia ótimo... Para morrer.

-Reisen...

Ao dizer o nome da coelha lunariana, todas as luzes do corredor se acendem, mostrando seus longos cabelos prateados e o seus olhos vermelhos um pouco menos brilhantes do que com as luzes apagadas.

-Reisen Inaba, parece que você se recuperou da surra que eu lhe dei.

-Aquilo foi uma surra? No máximo, um arranhãozinho. — Disse Reisen, apontando a sua mão em forma de arma para Marisa.

-Deixe-me passar, meus propósitos são pacíficos. Eu quero ver Eirin Yagokoro.

-Receio que não, humana.

Reisen se prepara para atirar, quando a própria Eirin aparece no corredor

-Reisen, o que pensa que está fezendo?

-E-Eirin-sama? Essa intrusa...

-Essa intrusa deseja falar comigo, não vejo porque não dar atenção...

-Mas se ela tentar...

-Se ela tentar perturbar a paz em Eientei, tomarei as providências necessárias. Venha comigo Marisa.

Reisen deixa Marisa passar, hesitante. Eirin e a bruxa vão para um outro cômodo.

-Então, Marisa, sobre que assunto deseja tratar?