Touched By Angels - Interativa
6 Ana, June & Luna
Notas iniciais
Desceu de seu cavalo à uma distância longa do esconderijo. Andou por entre árvores ao lado da mulher por um tempo, quando chegaram ao alçapão escondido por baixo de folhas e neve.
Quatro cães de guarda se amarravam à pedras no chão, servindo para alertar os homens caso algum intruso chegasse perto. Tudo que Hugo ganhou foi um bocejo entediado de uma cadela magrela.
Puxou o alçapão de madeira, jogando a neve e sujeira para o lado. Um longo túnel vertical e escuro mostrou-se na frente de ambos, com uma escadaria improvisada levando para o centro do breu fundo.
– Segure – Ana falou, entregando à ele a lamparina que vinha carregando. Jogou para trás as enormes madeixas lisas e negras, o fitando com os olhos cinza. Começou a descer na frente, sendo seguida logo.
Hugo fechou o alçapão sobre suas cabeças, apenas se guiando pela luz erma que a lanterninha de fogo dava.
Foi uma descida demorada, parte pela distância, parte pelo medo de cair. Ao pisarem no solo novamente, uma caverna iluminada por velas e tochas se abria, e um número enorme de pessoas se concentrava ali.
As idades variavam desde crianças puras até idosos experientes. Ana tomou a dianteira, andando até um senhor com características de índios norte-americanos, contentava-se com seu charuto ao longe, escorado na parede íngreme da caverna úmida.
Sentou-se à sua frente, cruzando as pernas.
– Porque interromperam o Dia do Silêncio? – sua voz saiu da mesma forte autossuficiente de sempre. Tinha que soar assim, para que não suspeitassem de nada.
– Boatos que a Guerra voltará. Ninguém aqui está pronto para isso. – a voz do senhor saiu de forma rouca pela foto de uso.
Ana suspirou. Cruzou os braços e olhou para baixo.
– Ainda tenho que agir no campo deles, não tenho?
– Tem.
– Porque? – ela tentou se controlar para não erguer a voz, mas estava cansada de ser uma duas-caras. – Porque sempre tenho que falar para eles o que ouço dos homens, tudo o que eu sei?
– Para mantê-los seguros. – o homem voltou-se para uma criança que brincava com a adaga da mãe, como se soubesse o que estava fazendo. – Precisamos de mais tempo. Se dermos à eles o que querem, poderemos ter a preparação necessária.
– E os sacrifícios?! Não é justo com as crianças que levo todos os anos! – ela bateu a mão sobre na parede, mas controlou-se ao ver que começava a atrair atenção dos mais próximos. – Inkgran, não é justo!
– Fale baixo, criança! Pare de questionar seu trabalho e faça como mando. Adiante-se! Estão quase aqui.
***
Segurava a mão da mesma criança que estava brincando com a adaga, algumas horas atrás. No meio das árvores poderosas e estáveis, esperava pelos representantes de sempre.
O menino mal imaginava o que estava por vir.
Um barulho entre arbustos fez com que Ana apertasse a mão do garoto com força. Saíram de trás de uma árvore June e Luna, e não haviam mudado nada. A primeira a sorrir foi June. Os olhos orientais estreitaram-se ainda mais ao ver o menino, não ia mentir, era uma mulher encantadora.
Já Luna manteve a mesma expressão austera de sempre. Parecia nunca ter sorrido na vida.
June correu para a criança de forma amigável, a tomando no colo.
– Olá, rapazinho! – o sorriso continuou, quando ela o abraçou.
– Que informações tem para nós? – Luna cruzou os braços, impaciente. A franja mal-cortada caía sobre os olhos, e ela permanecia com o mesmo corpo escultural de dez anos atrás.
– Eles já estão cientes da guerra. Os caçadores vão se espalhar atrás dos anjos – uma pausa, quando ela levantou o olhar para fitar as duas. – e dos demônios.
– Uh, maravilha! – June sorriu. – Vamos logo, Luna. Talvez consigamos voltar a tempo de ver o resto da reunião.
Começavam a voltar de onde vieram, quando Ana interrompeu.
– Esperem!
Nenhum delas falou nada. Pararam de andar, e viraram os rostos, para ouvir o que a morena tinha a dizer.
– O que vão fazer com a criança?
– Nossos cães precisam comer.
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