Touch of Death
2 Capitulo 2 – Como Uma Família
Notas iniciais
Recobrava a consciência aos poucos, abria os olhos e eles teimavam em fechar, fechei algumas vezes até que minha vista se acostumou à claridade do ambiente. Olhei ao redor ainda deitada tentando reconhecer o local, as paredes eram revestidas de algum tipo de alumínio. Ergui devagar a parte superior do copo ainda na cama, olhei mais uma vez ao redor. Devagar tirei o lençol que cobria meu corpo, estava com uma roupa estranha, parecia um vestido hospitalar para pacientes. Em meu dedo, um sensor axiômetro, o arranquei e sentei na cama, tentado tocar o chão com os pés. Quando finalmente consegui, tremi. O chão era frio, firmei os pés no chão e me pus de pé. Estranhei, a dor que lembro ter sentido na cabeça e em minhas costas na noite anterior, havia sumido. Como se nada tivesse acontecido. Passei os dedos sobre minha nuca, à outra levei a minhas costas. Não sentia dor alguma. Caminhei observando o lugar, algumas prateleiras com remédios. Avistei minhas roupas em uma cadeira e minhas botas ao lado no chão. Caminhei até lá e me vesti rapidamente, receosa de que alguém aparecesse.
A recordação da noite anterior, vinha em forma de flashes, parecia um mix de cenas em minha mente, a única memoria clara era a ultima, o homem das garras de metal, me salvando.
O que me fazia pensar, que lugar era aquele e como eu fui parar ali? Teria sido ele? Se sim, por quê? Pensando nas respostas, percorro a sala. Girei o corpo, quando de repente, uma voz surge em minha mente. Olhei ao meu redor assustada.
– Confusa Vampira? Depois do que passou, imagino como você deve estar se sentindo. Meu nome é Charles Xavier, mais pode me chamar de professor Xavier, eu sou o fundador de um instituto criado para jovens superdotados, cujos dons quando não mantido sobre controle, são uma ameaça à humanidade... Popularmente somos conhecidos como mutantes pessoas. Como você, como eu, como alguns outros que você encontrou noite passada. Nós nos chamamos de X-Men. Aqui aprendemos algo muito importante, a controlar nossos poderes mutantes em beneficio da humanidade. A Mansão X nos serve como refugio, aqui você pode ser quem você é, sem ser julgada, atacada ou mal compreendida. Aqui Vampira, lhe oferecemos segurança, autocontrole, afeto, e tudo que alguém possa precisar para viver em paz. Trouxemos-te até aqui, mais não podemos obriga-la a ficar, a escolha é sua. Quando eu terminarmos esta conversa, a porta principal da sala irá se abrir. No fim do corredor á esquerda você encontrará a saída, e a direita a minha sala. Todos nós sinceramente esperamos que você fique, mas eu repito, a escolha é sua.
Mas que merda foi essa? Alguém falou comigo, dentro da minha cabeça! Agora era oficial eu estava enlouquecendo de vez...
Olhei a porta que se abri sozinha, assim como ele disse havia um grande corredor, eu conseguia ver apesar da distância as duas portas que ele mencionou, uma a frente da outra. Tentava pensar rápido, pensei em abrir a porta da saída, era tão fácil, estava ali a minha frente. Um sopro de medo me fez erguer a mão e segurar a maçaneta. Minha primeira reação ao medo era fugir, o medo sempre me guiou. Foi por isso que fugi do orfanato, medo do que aconteceria a mim. Eu me recusava a confiar em outros, há tanto tempo. Mas esse homem me pareceu tão sincero, me passou uma segurança que eu não sentia há muito tempo, e se ele pudesse me ajudar? A deixar de ser essa aberração que agora eu era?
Ainda encarava a enorme porta dupla de vidro, que levava a um jardim. Pensava em como seria se fugisse dali. Mas uma vez andando sem rumo pelas ruas, dormindo em bancos frios à noite, fugindo de alguns bêbados. Minha cabeça se volta para trás e encarava agora uma porta maior ainda, escura, deve ser de madeira envelhecida, assim como os barris do bar onde eu estava ontem. E se eu encontrasse o que ele disse, aqui? Uma família, um lugar onde eu não precisaria fugir, onde eu pudesse ser eu mesma? Eu era feliz, apesar do drama que é ser abandona ainda bebê e não saber o que levou meus pais a essa decisão, até mesmo achando algumas vezes que a culpa disso era minha, eu era feliz sim, tinha amigos, e de repente me vi sem nada.
Acabei machucando pessoas que amava, virando um monstro, sozinha agora. Ontem eu poderia ter sido morta ou pior, ter matado alguém... Pensar nisso me faz sentir um tremor forte. Com a ajuda de pessoas que mal conheço vim parar aqui, inteira e bem, e se essas pessoas são as mesmas que estão atrás daquela porta, aqui poderia ser finalmente meu lugar.
Fecho minhas mãos e aperto de tão nervosa, empurro a porta pesada e quando ela se abre... Lá está ele em pé olhando pra mim, com uma cara de mau, acompanhado de um leve sorriso, o homem das garras de metal, ao seu lado esquerdo sentado em uma cadeira de rodas, um senhor careca, de feição simpática e ao seu lado direito, o... Robocop de ontem, o homem dos óculos ridículos, sério como ontem, senti uma vontade incontrolável de rir. Todos olhando para mim, e eu parada feito uma idiota, os encarando, minhas pernas tremiam involuntariamente, talvez medo do meu futuro ali.
O homem careca demonstrou satisfação em me ver ali a sua frente.
– Sei do medo que sente agora, jovem. Mas lhe a seguro que não ha motivo aqui para isso... Esses são os professores Logan e Scott, pelo que vi em sua mente ainda lembra-se deles... – ele olha para o Robocop e lança um pequeno sorriso e sibila sem voz. – Robocop...
– Desculpe professor, não entendi... – O cara de óculos disse com a expressão confusa.
– Já eu entendi perfeitamente! – o homem de longas costeletas segurava o riso. Olhei pra ele e sorri, sua expressão ficou seria de repente. Voltei meus olhos, para o senhor careca. Charles, seu nome era Charles... Pensei e por um minuto me perguntei se havia dito isso alto, antes de lembrar que ele podia entrar em minha cabeça.
– Isso, me chamo Charles... – ele sorriu – Como disse antes, você esta no Instituto Xavier. Uma escola para jovens superdotados, e você é convidada a ficar conosco. Se desejar é claro...
– São todos como eu, aqui? – digo rápido e minha voz sai falhada.
– Sim e não... – ele sorria de leve – Somos todos especiais assim como você, mas não há ninguém com o poder parecido ao seu... Não aqui, pelo menos... Aqui você é especial e única.
– Não me sinto especial... – digo com uma voz fraca.
– Nem todos aceitam bem seus dons no inicio, é muito confuso dormir como uma pessoa normal, e acordar no dia seguinte com dons extraordinários, sem saber o que fazer com eles. É por isso que estamos aqui, para ajudar esses jovens, assim como ajudaremos você Vampira. E então, quem sabe um dia poderá se juntar a nós nessa tarefa. – sorriu em resposta. Me ver em um mesmo lugar por tanto tempo era surreal e maravilhoso ao mesmo tempo.
Meus pensamentos foram interrompidos pela voz do senhor chamado Xavier, ela estava mais grave do que antes, entendi o motivo rapidamente, ele não falava conosco e sim com alguém que estava atrás da porta pesada de madeira. Ela se movimenta e um garoto loiro de olhos claros surgiu atrás dela.
– Professor, eu estava preste a bater a porta... – ele sorria e coçava a nuca de leve, vestia roupas normais, nada de fantasias. Quando percebeu minha presença ali, pareceu engolir em seco, ficou mais pálido do que era, tentou sorrir, mas falhou genuinamente. Sorri disso.
– Bobby se lembra da Vampira, a jovem que o deixou desacordado na noite anterior? – disse o professor com voz calma.
– Claro... Como esquecer... – ele sorriu olhando pra mim e estendeu a mão, depois recolheu ela, acho que se lembrou de o que aconteceu ontem – Prazer meu nome é Robert, mas pode me chamar de Bobby, todos me chamam assim...
– Sou a Vampira, quer dizer... Pode me chamar de Vampira... – sorriu sem graça, devo ter soado ridícula.
– Bobby, poderia me fazer o favor de mostrar o Instituto a Vampira? – disse o professor Xavier calmamente.
– Claro professor... – ele ficou alguns segundos parado, em silencio, encarando o professor. Depois se virou pra mim e sorriu – vamos?
– Sim... – ele deu passagem e eu atravessei sua frente passando pela porta e acomodando minhas mãos, no casaco que eu usava.
– Então, seu nome de batismo não pode ser Vampira... – ele riu.
– E não é, mas eu prefiro ser chamada assim... Sou a Vampira desde o dia que sai do orfanato.
– Então é verdade? Você morava em um orfanato? – ele parecia se esforçar em ser cauteloso, realmente imagino que deva ser tenso pra alguém falar com um órfão sobre sua vida de abandonos, mas não comigo. Eu até que lidava bem com isso... É claro que eu preferia ter sido criada por meus pais biológicos, mas tive amigos onde morava que mais pareciam irmãos. Meu azar foi ter descoberto que era uma aberração quando toquei em uma delas... Percebi que havia ficado calada durante muito tempo.
– Desculpe, sim, sim eu morava em um orfanato... Mas fugi quando descobri meus poderes...
– E eu posso saber como? – ele parou me olhando curioso, fiquei sem graça por um momento.
– Toquei em minha melhor amiga, e ela praticamente entrou em choque em minha frente... – olho minhas mãos protegidas com luvas – Foi quando percebi que nunca mais poderia tocar em alguém...
– Mas você pode... – ele sorriu e estendeu a mão pra mim. – Venha... Segure minha mão... – estendi minha mão com receio, ele a segurou gentilmente sorrindo, sorri de volta. – ele olhou nossas mãos e a soltou delicadamente me olhando em seguida, sua pele clara, agora ela assumia um tom avermelhado que eu conhecia bem. Sorri e desviei o olhar.
Enquanto andávamos pelos corredores da mansão, Bobby olhava para mim sem graça e falava comigo, coisas como: “Ali é a cozinha... Ali o banheiro... Naquela ala ficam os quartos, etc.'' Mas a verdade, é que eu sequer prestava atenção no que ele estava dizendo, eu apenas o olhava e balança a cabeça como sinal positivo. Reclusa em minha mente, me lembrava da noite passada, seus braços em volta de mim, sua voz me transmitindo segurança ''calma, vai ficar tudo bem '', estou começando a me arrepender de tê-lo desmaiado ontem, ri com esse pensamento.
– Vampira? – ele estalou os dedos a minha frente. – Do que esta rindo?
– Hã? É... Nada... – Droga, será que ele achou que eu estava rindo dele, por Deus, não.
– Ok, e por fim, essa é a suíte majestosa do nosso Imperador, Charles Xavier, O Professor... – ele disse com uma voz esquisita, como daqueles homens de filmes medievais que anunciam a chegada de alguém ao rei. Ele riu depois disso, eu também, a voz dele foi hilário.
– Uau... Finalmente acabou? – ele riu e assentiu com a cabeça...
– O lado de dentro sim, ainda falta o jardim, garagem... – o interrompi antes que eu perdesse a coragem.
– É... Sabe, bobby, ontem quando você me ajudou e eu te toquei..
– Vampira, tudo bem... E pra falar a verdade o culpado fui eu, você estava assustada e se viu cercada por pessoas desconhecidas, e uma delas tentou te agarrar, se fosse o contrario, tenha certeza que eu faria o mesmo... Mas esta tudo bem, agora somos uma família. – ele sorria me olhando no fundo dos meus olhos, belos olhos azuis por sinal. Sorri sem jeito.
– Família, como irmãos?
– Sim, acho que sim... – disse com um sorriso não muito convincente no rosto. Não sei por que, mais não gostei nada de ouvir isso, desviei o olhar sem graça, mudei rapidamente o assunto. Escondi minhas mãos no casaco outra vez.
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