Notas iniciais
Olá! Boa leitura :)

Corro freneticamente sem esperar a reação de nenhum dos meus irmãos. Eu continuo a ouvir os gritos desesperados da garota e uma nevoa de raiva surge na minha cabeça. Eu nem sequer sei quem está gritando ou porque, mas o instinto dentro de mim assume meus movimentos, tudo que eu posso fazer é correr e correr em direção aos gritos que vão me assombrar em meus sonhos durante o tempo em que eu viver. Nunca ouvi nada tão cheio de horror na vida, e eu já passei por boas merdas.

E se só o som é de um horror sem medida, não consigo nem imaginar o que o está causando.

Eu tento duas portas diferentes antes de encontrar a que guardava dentro de si o pesadelo de alguém, e é claro, ela estava trancada. Não que tenha me impedido, antes de poder pensar sobre o que eu poderia encontrar do outro lado, levanto meu pé e chuto a porta.

A raiva alimentada em mim pelos gemidos de dor da mulher, apenas serve para aumentar a força com que o meu pé se conecta com a superfície da porta, e ao terceiro chute eu ouço a madeira estilhaçar e ceder.

Empurro a coisa pesada até que ela pende para dentro ficando pendurada apenas por um gancho ao caixão da porta. Estou completamente despreparado para a cena em minha frente.

Há uma menina curvada sobre uma mesa de jogos. A parte inferior do seu corpo está a mostra, com suas calças em volta dos joelhos. E, se o seu cabelo desgrenhado; o rosto marcado pelo medo e pelas lágrimas de puro terror; a posição submissa; o fato de que ela luta com um cara de duas vezes o seu tamanhos que a está segurando seus pulsos de forma tão brutal que contusões arroxeadas já se fazem visíveis; ou seus lamentos angustiados não fossem o suficiente para dizer que ela está ali a força, completamente a mercê destes dois animais que nem tem o direito de serem chamados pessoas, a calcinha rasgada violentamente e caída ao seu lado é a gota d’agua para minhas analises.

Meu cérebro leva cerca de meio segundo para registrar a cena babara que eu estou testemunhando, e para juntar essas observações as imagens que para sempre estarão marcadas em minha mente. Depois disso eu vejo vermelho. Eu não ouço os dois filhos da puta reclamarem ou o choro da menina.

Tudo o que eu posso ouvir é o pulsar do meu coração em meus ouvidos e sentir a adrenalina percorrer todo o caminho por minhas veias. Eu me lanço sobre o cara que tinha suas mãos sobre a bunda nua e exposta da garota.

Eu o puxo para cima no meio de sua tentativa de subir suas próprias calças de volta para o lugar e soco seu nariz com toda a força que consigo reunir, pois se ele não teve a consideração de manter as calças de uma garota no lugar onde ela gostaria que estivesse, eu não teria a consideração de esperar ele se vestir antes de desfigura-lo usando meu punho com três vezes a força que ele aplicou sobre ela.

Eu seguro seu colarinho com uma mão, usando a outra para atingir seu rosto de novo, e de novo, e de novo. Seu sangue escorre por sua camisa branca e pela minha, mas eu não me importo em parar.

Eu estou indo para mata-lo.

Eu vejo os olhos do cara se revirarem e sinto seu corpo mole em meus braços, mas ainda assim eu não consigo parar a colisão do meu punho com o seu rosto. Eu não consigo parar de reviver a cena que eu vi na minha mente, ou de ouvir os gritos desolados da garota. O som de carne batendo contra carne, de ossos quebrando quando os nós dos meus dedos encontram a pele ensanguentada de seu rosto são como uma doentia sinfonia. E eu continuo, e continuo.

Até que eu sinto um braço em volta da minha garganta, me puxando para trás. E pouco a pouco a voz do meu irmão vai se arrastando para dentro da nevoa espessa de raiva que me aprisionara.

— PARE! LOGAN, PARE! VOCÊ VAI MATAR O FILHO DA PUTA! — Chris grita. Mas eu não posso parar, porque é exatamente o que eu quero nesse momento. Quero sentir sua vidar se exaurir em minhas mãos, porque pessoas como ele não merecem viver seus dias sobre a superfície da terra.

Mas infelizmente sou impedido desta realização quando outro par de braços me arrasta para longe do corpo, agora caído, do cara. Matt, que agora está repentinamente sóbrio empurra meus braços, e Chris os segura atrás de mim.

Matt caminha até que esteja bem próximo de mim. Eu luto para me liberar, meus olhos ainda plantados no corpo caído no chão atrás dele, mas Matt levanta suas mãos e segura ambos os lados do meu rosto me forçando a olha-lo nos olhos.

— Chega, cara. Acabou. Eles não podem mais machuca-la. — Ele continua a repetir isso, como um mantra. Até que eu paro de lutar.

Minha respiração está ofegante.

Chris me solta e eu levo as mãos aos joelhos, respirando profunda e rapidamente para limpar o restante da névoa de ódio, da sede de matar que se instalou sobre mim. Eu tento recuperar o fôlego, mas é uma tarefa difícil quando eu ainda posso ouvir as lamúrias quase silenciosas da garota que foi vítima destes bárbaros.

Notas finais
E ai minha gente, continua? O que estão achando?