Tormenta De Máquinas

10 Capítulo 10 O trono de máquina 2° parte


“Nenhuma decisão sensata pode ser tomada sem que se leve em conta o mundo não apenas como ele é, mas como ele virá a ser.” Isaac Asimov

2° Parte

Senhor deus-ex?

Um par de olhos cinza e frios se abriu.

- Hmmm...?

O radar Ghort foi destruído há três horas, quarenta e cinco minutos e treze segundos.

— E por que não fui informado?

Estava em repouso na câmara criogênica. De acordo com novos exames retirados de seu corpo há trezentos e trinta dias, demonstrou que precisa recuperar alguns nutrientes e deixar em perfeito funcionamento seu metabolismo.

— Está bem. Existe alguma imagem da destruição?

Não. Averigüei todas as possíveis fontes de vídeo e não foi possível captar imagens que satisfaçam a cobertura conveniente do radar.

— Isso significa que meus arautos da morte...?

Estão a esmo, desativados ou destruídos.

— Interessante. O único capaz de ter descoberto essa minha fraqueza seria o homem que dizia ser meu pai...

Pelos registros, o Doutor em física e engenharia mecânica e elétrica Eddard Stark foi morto aqui mesmo nesse aposento há dezoito anos, nove meses e vinte e um dias.

— Foi uma pena. Ele poderia ter me servido. Qual o protocolo, Ômega?

Ativar os Bioshock´s e me religar a eles para uma maior efetividade e conter a ameaça vinculada à destruição de Ghort. Bem como acionar os nânos-robôs de construção e construir uma nova base de radar.

— Providencie.... Quais as chances que esse ataque alcance a mim?

Dois por centos.

— Os humanos estão ficando fortes... Caso mude alguma coisa irei vestir meu traje.

Sim, deus-ex. Seu uniforme já está pronto para ser usado.

— Ótimo. Vou dormir um pouco. Me acorde quando a linha de defesa dos Biochock´s estiver pronta. Quero vê-los em ação.

Afirmativo deus-ex.

***

O fogo cobria dois quilômetros de extensão e línguas imensas de chamas se avolumavam em derredor de uma estação de radar. A carcaça de uma grande antena parabólica estava caída, sendo consumida pelo fogo.

Em derredor do deserto em que situava o radar de Ghort, vespas mecânicas caídas e em chamas tornava-se um cemitério de robôs.

O único ser vivo ali presente deu alguns passos e olhou para o horizonte do Novo México, vendo as cadeias de montanhas ao longe e arbustos típicos de uma região árida.

— Tudo destruído.

Certo Tony. – respondeu Jabez pelo rádio. – já posso ver as vespas mecânicas caindo como moscas a nossa frente. O caminho está livre. Junte-se a nós o mais breve possível.

- Estou a caminho.

O homem de ferro girou em torno de si. Nenhuma alma viva, apenas colunas de fumaça e fogo a subir para o céu azul. Parecia estar sem outras ameaças. A primeira parte do ataque tinha se concretizado, agora era ir para Washington.

Ligou seus propulsores e decolou numa velocidade assombrosa, encaminhando-se para o norte.

***

Um grupo de vinte Bioshock`s alçara voo. Eram grandes robôs, a mão direita retrátil e a outra era uma broca longa e afiada. Brilhavam com a luz do sol refletindo o metal negro e polido, enquanto das costas rastros de fumaça os impulsionavam para cima a atravessar os céus como albatrozes gigantes.

***

Melissandra e Jabez viram a primeira ameaça a cinqüenta quilômetros de distancia, a voar em direção a eles.

Acho que são os guarda costas. Estamos a menos de quinhentos quilômetros da possível base do Usurpador. – disse Jabez pelo rádio. – prepare-se para eles cabelo de alga.

- Pode deixar. – respondeu Melissandra, escondendo o medo. Agora que estava sem Tony ao seu lado, sentia-se completamente incapaz de suportar o peso da responsabilidade. Respirou fundo e tentou manter-se calma e concentrada. Viu dois monstros metálicos avançando.

Dois Bioshock`s se aproximavam de suas vitimas. Um som ensurdecedor causado pelos jatos nas suas costas chegou aos dois pilotos das Ghost Hunter`s. Os soldados do Usurpador dispararam dez mísseis das ombreiras e estes serpentearam pelo ar a expelir uma coluna de fumaça cinza escura.

Vamos nos separar, Caçadora.

Dito isto, Jabez deu uma guinada com sua nave, cortando os céus pela lateral esquerda. Melissandra levou sua nave para a direita. Os mísseis se dividiram com sons trovejantes, a perseguirem seus alvos. Os Bioshock`s analisaram por um momento a situação e se separaram um para cada alvo.

No encalço de Mel, seis mísseis a trovejar. De suas têmporas escorriam suor. Estava sentindo muito calor e em sua mente uma apreensão terrível. Estava disposta a morrer, mas diante da morte... Sua força e coragem se esvaíram. Ativou os rastros... Pequenas cápsulas explosivas saíram de um compartimento traseiro da Ghost Hunter. Bolas vermelhas com pequenos pára-quedas embutidos, a criar uma linha de defesa aparentemente frágil. A garota olhou sobre os ombros e viu os mísseis se aproximarem das capsulas... E assim ela apertou um botão vermelho.

Seqüências de explosões ribombaram os céus... As cápsulas haviam explodido sobre os mísseis, criando uma parede de fogo e fumaça. Logo, seis explosões mais fortes chegaram aos seus tímpanos, fazendo seu coração bater mais acelerado. Deu um sorriso e sussurrou para si...

— Minha primeira vitoria.

Puxou o controle para cima e seu caça ficou em posição vertical. Olhou para cima e viu a aproximação acelerada de um Bioshock. Diminuiu a aceleração da aeronave até quase parar, fazendo-a despencar no ar.

Mel fechou os olhos e religou a força propulsora. Agora, a máquina de guerra do Usurpador estava bem em cima dela. Destravou dois mísseis das asas e disparou.

Os mísseis cortaram o ar, expelindo uma densa fumaça e acertaram em cheio no peitoral do robô negro. Este cambaleou e seu vôo falhou por um momento.

A boca de Melissandra ficou seca de surpresa. O Bioshock pareceu ter suportado a maior quantidade do impacto. Ele disparou mais dois mísseis do compartimento dos ombros. Estava perto demais.

Mel disparou mais três mísseis e eles se encontraram com os outros dois, causando uma estrondosa explosão. Guinou sua aeronave para o lado e acelerou, ganhando facilmente trezentos quilômetros por hora.

Sua cabeça queimava. Entrou numa densa nuvem branca. Apavorada, virava o rosto para todas as direções, procurando o inimigo. Ela fechou os olhos... Pense, pense...

Sentiu um estrondo ao seu lado. Baixou a aeronave saindo das nuvens e viu o Bioschock a alguns metros a sua frente. Viu os propulsores expelirem fumaça negra das costas do monstro de metal. Ela fez os mísseis mirarem naquele ponto e disparou.

Acertaram em cheio as costas do robô, que rodopiou no ar e caiu pesadamente como uma pedra.

— Atinja as costas, Jabez. Atinja as costas dessa lata velha! – gritou Mel no radio.

Ela viu no solo uma imensa cidade destruída, dentre tantas que já vira na viagem até Washington. Prédios destruídos, estradas destruídas, carros e ônibus revirados, um viaduto desabado. Destruição sobre destruição. Ao longe, viu mais um Bioshock atravessando o ar em sua direção.

— Esses desgraçados. – ela murmurou.

Mas viu um objeto caindo em cima do robô do Usurpador e o jogando contra a cidade destruída. Um estrondo e uma coluna de poeira se levantou onde caíram. Escutou disparos. Pareciam ser de metralhadoras.

E eis que viu o homem de ferro emergir das ruínas e alçar vôo sobre a cidade e planar sobre ela.

— Amor! – Mel gritou entusiasmada. Porém, uma sombra sobre ela cobriu o sol. Ela olhou para cima e só deu tempo de gritar.

Um Bioshock negro como carvão arremessava um soco com a broca perfurante. Um som de destruição chegou aos seus ouvidos quando viu a asa direita da Ghost Hunter quebrada e entrando em combustão. Viu o fogo passar pelo vidro da cabine em que pilotava se espalhar feito água. O vidro começou a rachar, ressoando sons trincados das partes quebradas a se multiplicar como teias de aranha.

— Tonyyyy... – ela gritou.

Mel escutou como que dois ferros se chocarem em grande impacto. E sentiu sua aeronave perder altitude rapidamente. O coração parecia querer sair pela boca. Os pés leves, os cabelos subirem...

Escutou um barulho de vidro quebrando e um punho de ferro sobre a fumaça que expelia de onde deveria estar à asa da Ghost Hunter. Da fumaça cinza, um rosto de metal apareceu e estendeu a mão para ela.

— Tony... – ela segurou as lágrimas. Destrancou os cintos que a prendiam no assento da aeronave.

Um turbilhão de vento agitou furiosamente seus cabelos castanhos. O homem de ferro a colocou nos braços e voou dali.

A Ghost Hunter se chocou nos destroços da cidade provocando uma explosão, formando um pequeno cogumelo de fogo e fumaça. Mel viu a fumaça subir, enquanto sentia os braços quentes revestidos de metal do homem de ferro que a segurava.

— Está bem? – perguntou Tony, preocupado.

Mel fez que sim com a cabeça... Não queria desmaiar, mas seu corpo não lhe respondia.

O homem de ferro a levou para uma casa que estava afastada da destruição da cidade. Estava aparentemente intacta. Possuía um jardim e brinquedos velhos e estragados de criança espalhados pelo mato grande em derredor.

Ao pousar, a máscara se retraiu com sons metálicos e Mel pôde ver o rosto do seu amado.

— Pensei que fosse te perder... – ele sussurrou e depois experimentou os lábios quentes e trêmulos da amada.

— Ahh... Tony. Que loucura é essa?

— Isso é a guerra. E ainda está longe de terminar.

Ela fez que sim com a cabeça, contornando os lábios dele com seus dedos.

— Prometa que vai voltar.

— E prometa que vai ficar bem. – ele respondeu, retraindo novamente a máscara de ferro. – preciso ir. Jabez pode estar em perigo. Não saia daqui por nada nesse mundo.

— Está certo.

Ele decolou e ganhou o céu.