Tocou o sinal, indicando o início da primeira aula.

Jimmy sentou na ultima cadeira, onde Leana costuma sentar. Suspirou e pegou seu celular.

“Jimmy diz: Onde você está? Não me deu notícias desde ontem. Eu não sei dizer se nós brigamos ou não, mas esquece isso. Não fica com raiva de mim.”

- Senhor Sullivan? — Perguntou uma mulher velha com cabelos grisalhos e um sorriso irônico misturado com raiva no rosto. — Pode me responder a primeira pergunta na página 450 de história, por favor? Aquela apostila que você nem abriu.

- Não. — Jimmy respondeu seco e frio. A professora se virou e foi atormentar outro aluno.

Então passou a aula seguinte. E a outra. Intervalo. Jimmy ligou para Leana depressa, mas estava caindo na caixa postal. Passou a manhã inteira mandando mensagens para a mesma, sem resultado algum.

- O que te preocupa tanto? — Uma garota com cabelos castanhos e enrolados com olhos da mesma cor quis saber.

- É… Nada. — Jimmy respondeu sem jeito.

- Está preocupado com Leana? — Jimmy arregalou os olhos com sua pergunta. Ela deu uma gargalhada. — Relaxa. Ela é famosa por faltar muito, mesmo quando não está doente.

- Ah tá. — Ele respondeu sem jeito olhando novamente para a tela de seu celular.

- Meu nome é Katherine. — Se apresentou.

- Jimmy Sullivan.

Até que a conversa animada da garota fez com que Jimmy deixasse sua ansiedade de ver como Leana estava por alguns minutos, mas, logo que bateu o sinal da ultima aula, saiu voando pela porta da escola em direção à casa dela, sem olhar para trás.

- Jimmy? — Antes que pudesse tocar a campainha ouviu uma voz familiar. Olhou para trás e viu Katherine. — Sim, eu te segui até aqui… — Ela começou a corar. — Quer sair para comer alguma coisa comigo?

- É… — Jimmy ficou sem jeito, colocou uma das mãos no cabelo e mordeu o lábio. — Eu estava indo visitar Leana, na verdade. Aqui é a casa dela. — Isso fez com que a garota se decepcionasse.

- Tudo bem.

- Mas eu te vejo amanhã na escola. — Jimmy tentou confortá-la, porém ela só deu um sorriso fraco e saiu andando.

Jimmy tocou a campainha duas vezes. Após alguns longos segundos, a avó de Leana atendeu.

- Olá, bom dia senhora.

- Bom dia, Jimmy. Leana está no quarto.

- Está tudo bem com ela?

- Na verdade não. — Jimmy sentiu seu coração quase saltar pela boca. — Está com febre. — As ultimas palavras fez com que ele voltasse a respirar normalmente. — Mas pode entrar, ela vai ficar feliz com a sua visita. — A senhora deu um sorriso bondoso e o indicou o quarto.

Jimmy bateu na porta duas vezes antes de entrar e se deparou com Leana pálida.

- Está tudo bem? — Ele perguntou se direcionando à cama e colocando a mão em sua testa. — Você está fervendo.

- É psicológico. — Ela respondeu em um gemido de cansaço. — Eu tive um sonho… Um sonho horrível Jimmy.

- Estou escutando.

- Não é somente um serial killer, Jimmy. — Ele colocou a mão no rosto. — O que foi?

- Lea… De novo isso? — Ela ficou com uma expressão de raiva.

- Porra! Você pediu para eu contar o que houve, estou contando.

- Tem certeza que não foi apenas um sonho?

- Sim eu tenho. — Ela disse serrando os olhos.

- Então continue. — Leana bufou e o obedeceu.

- São dois serial killer. Eu fui perseguida e quando acordei vi dois pés. Precisamos ir na polícia.

Leana levantou meio cambaleando e Jimmy a segurou.

- Você está louca.

- Por que?

- O que vai dizer à polícia? — Leana pensou por alguns segundos. — Vou dizer o que aconteceu comigo.

- Mas isso não aconteceu.

- Ainda não. Eu vou falar, quem dirá que é mentira?

- Leana…

- Cale a boca. — Ela o interrompeu.

- Não se deve mentir para a polícia, porra! Você perdeu a cabeça? — Quando viu estava segurando seu pulso e gritando.

- Eu preciso do seu apoio, Jimmy! Que merda! Me ajude, ao menos em alguma coisa. — Jimmy suspirou e a olhou sério. Ela chegou perto de seu rosto e selou seus lábios demorosamente mostrando carinho. — Vai dar tudo certo.

- Eu espero. Eu só não quero que aconteça algo com você, Lea. — Eles se abraçaram forte e depois seguiram de mãos dadas até a delegacia.

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Depois de falarem com a polícia, eles sentaram em um dos bancos do Central Park, sem trocar alguma palavra. Mas Jimmy resolveu quebrar o silencio.

- Você acha que eles acreditaram?

- Sim. Eu acho. — Leana respondeu, com o olhar fixo no chão. Jimmy a puxou pelo queixo.

- Vamos para a minha casa. Quero te mostrar umas composições na bateria. — Leana deu um sorriso.

- Só se eu poder pegar minha guitarra em casa primeiro.

Então o casal foi até a casa dela e pegou sua ibanez preta e foram para casa de Jimmy.

- Eu fiz essa letra. — Leana passou os olhos no papel e começou a rir. — O que foi?

- Isso é loucura! E genial. — Jimmy a pegou no colo e selou seus lábios aos dela. — “Devo tê-la apunhalado umas cinquenta vezes, não posso acreditar, arrancou seu coração bem na frente de seus olhos!" — Leana leu e os dois sorriram.

- Gostou, então?

- Por que você compõe? Nunca pensou em ter nenhuma banda? — Jimmy deu de ombros.

- Apenas por que eu gosto.

Então os dois ficaram se divertindo a tarde inteira tocando bateria, guitarra, teclando, bebendo cerveja e é claro que deram uma parada para “descansar” no quarto de Jimmy.

- Onde Zacky está? — Leana quis saber, enquanto estava deitada no peito nu de Jimmy. Ele deu de ombros.

- Não o vi o dia inteiro. Ele me deixou um bilhete ontem a noite dizendo que ia visitar seus tios.

Leana apenas o escutou e fechou seus olhos e adormeceu.

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- Aonde vai, com tanta pressa?

- Eles anunciaram que existe mais de um serial killer. Com certeza aquela vidente de merda está por trás disso.

- Como pode ter certeza? — O homem perguntou cético.

- Quem mais estaria?

- E o que pretende fazer?

- Vou dar um pequeno recado para a minha ruivinha favorita. — O homem vestiu a jaqueta de couro e o chapéu e saiu pela porta, trombando com a mulher que já veio beijando-o.

- Onde está indo, meu bem?

- Sem tempo para explicações. — Então o homem saiu pela escuridão da noite, sem dar explicação do que estava prestes a fazer. A mulher deu de ombros e se jogou no sofá velho de couro.

- Pegue uma cerveja para mim, por favor?

- E o que eu ganho em troca? — A mulher o olhou maliciosamente, arrumando seu decote.

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- Que horas são? — Leana perguntou em um sussurro para Jimmy, enquanto abria devagar seus olhos.

- Onze horas.

- Preciso ir para casa. Dormir na minha cama. — Ela disse se espreguiçando.

- Não! — Jimmy a abraçou fazendo cara de choro. — Fica comigo.

- Bem que eu gostaria, mas… Vou ficar com a minha avó hoje, amor.

Então ele a obedeceu, levando-a para casa de mãos dadas.

Quando chegaram, Leana pegou a chave em seu bolso e abriu a porta.

- Ela deve estar dormindo. — Leana chegou a essa conclusão pois todas as luzes estavam apagadas. — Quer ficar aqui um pouco, vendo TV? Perdi o sono.

- Você sai da minha casa pra vir para sua ver TV? Eu também tenho esse aparelho, ok? — Jimmy disse debochando e os dois riram. Enquanto os dois ainda estavam de mãos dadas, iam em direção ao interruptor.

Quando a luz da sala se acendeu, os dois tiveram uma surpresa. Uma terrível surpresa, na verdade. Nenhum dos dois acreditavam naquela cena que estavam vendo. Estavam tendo um pesadelo, e dos piores. Tinham que estar.

Notas finais
Me falem o que acharam. Seus comentários me incentivam a escrever mais.