Too Loud!

1 Cap. Único - Too Loud!


Too Loud!

- Escrita por Mary Chan -

Shizuo massageava a palma de sua mão, olhando-a com uma careta de dor e desconforto. Sua pele, morena como o verão, começava a ficar vermelha tanto pela dor quanto pela força que usava para realizar a massagem. Estava bravo com o machucado? Sim, estava. Estava irritado com o indivíduo que havia feito aquilo? E como estava.

Enquanto estava ali, sentado no sofá do escritório de um certo alguém, massageando o bendito machucado, o dono do escritório estava ali, andando de um lado para o outro, bem em frente à Shizuo. Izaya caminhava de um lado para o outro, irritado, com as duas mãos nas costas. Não só estava irritado consigo mesmo, mas também com Shizuo.

Izaya não era vidente, poderia ser o informante mais poderoso de Shinjuku, e até mesmo de Ikebukuro, mas ele não era vidente. Monitorava os passos de Shizuo sim, mas mesmo assim, ainda se tinha trabalho para fazer, e mesmo que seu amado monstro fosse mais interessante, Izaya não poderia largar o trabalho só para cuidar o que o loiro faria a cada cinco minutos.

Mesmo que soubesse de todos os passos de Shizuo, o informante não teria calculado que o loiro fosse fazer aquele passo. Izaya estava trabalhando, concentrado em sua preciosa pesquisa sobre os humanos, quando a campainha tocou, e quando fora atender e viu Shizuo do outro lado da porta, nem sequer pensou duas vezes antes de fecha-la com toda a força que tinha, mas o loiro havia colocado sua mão para impedir que a porta se fechasse, e acabou por esfola-la.

A verdade era que Izaya não havia ficado com medo do guarda-costas, e nunca teria medo, mas ele e o loiro estavam mantendo uma espécie de relacionamento escondido. E bem naquele dia, Izaya não estava com nenhuma vontade de se encontrar com o loiro. Por causa do mesmo, havia deixado seu trabalho se acumular um pouco e preciosíssimas informações sobre seus amados humanos foram perdidas.

E perder uma sequer informação sobre as pessoas deixava Izaya uma fera!

– Era só você ter me ligado ou ter me mandado uma mensagem que não queria me encontrar por causa do trabalho. – Shizuo falou sério, parando de esfregar seu machucado para encarar o moreno à sua frente. – Eu até entenderia!

– Mas eu iria me desconcentrar! – Izaya retrucou, nada feliz, parando de andar e virando o rosto para encarar Shizuo. Sua careta de raiva não agradava o loiro. – Se eu me distraísse, mesmo que por míseros cinco segundos, meu trabalho já estaria se atrasando novamente! E por culpa de quem?

– Por sua culpa, claro! – Shizuo respondeu, dando de ombros para as queixas do moreno. – O mais culpado disso é você! Mandar uma mensagem dizendo Não posso te ver hoje, tenho trabalho a fazer não levaria mais do que um minuto!

– E esse um minuto é extremamente essencial para a minha vida! – Izaya bateu o pé no chão, emburrado e autoritário. Shizuo revirou os olhos. Izaya continuaria com aquele teatrinho até quando? – Você sabe o que uma informação perdida significa? Significa um fracasso na vida de um informante! Um grande e imperdoável fracasso!

E Izaya continuou e continuou a reclamar e a resmungar, ora ou outra batendo o pé no chão ou xingando tudo e todos. Era sempre assim quando Izaya estava irritado: resmungava e resmungava, reclamava e reclamava até não querer mais, e quando Shizuo achava que o moreno se dava por satisfeito, uma nova onda de xingamentos surgia.

– Ugh, se Namie-san descobrir que eu, justamente eu, Orihara Izaya, deixei uma informação passar, vai tirar uma com a minha cara pelos próximos trinta anos! – e lá ia Izaya, novamente começando sua onda de xingamentos.

Shizuo revirou os olhos e os fechou, começando a massagear suas pálpebras calmamente, tentando manter a calma. Toda vez que alguma coisa acontecia, Izaya tinha a estranhíssima vontade de xingar qualquer um que visse pela frente. Nem mesmo as pobres gêmeas se safavam. E aqueles chiliques aconteciam quando o loiro decidia fazer uma visita surpresa ao informante.

– Izaya... – Shizuo chamou o nome do amante, esperando que ele parasse e olha-se para si, mas sua paciente espera – e a pequena esperança – fora destruída ao ver que Izaya não pararia tão cedo assim. – Será que dá para parar com isso? Você está parecendo uma mulher na TPM!

– Parar? Ah, mas eu não vou parar! – Izaya parou de andar de um lado para o outro, colocando-se em frente a Shizuo, que parou sua massagem para encarar o moreno a sua frente. Bom, pelo menos ele havia parado de andar. – Eu só estou começando! Você sabe muito bem que o meu trabalho é muito importante, e se ele ficar atrasado, será um dos motivos de eu acabar com a minha vida!

– Menos Izaya, menos...

– Menos nada! Eu não posso deixar nenhuma informação sobre os meus humanos passar! – e Izaya começava a fazer seu teatrinho de drama. – Se não fosse por mim, quem deixaria a vida deles mais emocionante?

Shizuo revirou os olhos, vendo Izaya parado na sua frente, fazendo seu típico drama. Shizuo poderia não entender quais tipos de informações o moreno havia perdido, mas sabia que elas não eram importantes para si. Mesmo que fosse uma fofoca como a mulher do ex-presidente de uma grande empresa estava o traindo com um advogado dele, Shizuo não encontrava de nada interessante naquilo, mas para Izaya, aquilo era quase como uma mina de ouro.

Informantes, como Izaya, eram muito problemáticos, e Shizuo não discordava disso. Izaya era uma pessoa problemática, sempre foi, e ele não iria mudar, não tão cedo. O guarda-costas tinha a total certeza de que de todas as pessoas do mundo, Izaya era o único que não tinha salvação.

Até agora, não haviam descoberto a cura para os problemas de Izaya.

– Izaya... – Shizuo se levantou do sofá, cruzando os braços e encarando o informante seriamente. O moreno nem se importava com o olhar sério e fulminante que o loiro lhe lançava. Seu chilique não acabaria tão cedo assim! – Izaya, por favor, me escuta... – e novamente, o informante de cabelos negros nem sequer se importou em olha-lo. – PORRA, IZAYA! SERÁ QUE DA PARA ME ESCUTAR?!

Izaya parou de surtar por um momento, e encarou os olhos fulminantes e sérios e Shizuo. Se o moreno não fosse profissional em estudar pessoas – e essas pessoas envolvendo Shizuo – diria que nunca perceberia como o olhar do outro se tornava incrivelmente assustador quando o mesmo estava bravo ou irritado. Mas Izaya não tinha medo de Heiwajima Shizuo, não mesmo! Poderia até medo de qualquer coisa banal, mas do loiro, ele nunca sentia medo. A tal palavra nem ao menos existia quando o grande guarda-costas estava por perto.

Orihara cerrou os punhos.

– O que foi, Shizu-chan? – e pela primeiríssima vez, o apelido de Shizuo havia soado junto com um ódio desumano. É, Izaya não estava em um bom dia. – Primeiro, você chega e quase invade a minha casa só para me ver, e agora, acha que tem o direito de gritar aqui? Está achando que o meu apartamento é o que, hein?!

É, Izaya não estava em um bom dia.

Shizuo suspirou.

– Izaya, por favor, tente se manter calmo...

– É fácil você falar isso! Não é você que está atolado de trabalho!

– Izaya, eu só estou tentado evitar de que você jogue alguma coisa, ou você mesmo, da janela...

– Ah, é ótimo ouvir isso da pessoa que sempre está tentando me acertar com um poste ou com uma máquina estupida de vendas!

– Mas quem começa a provocar isso é você!

– Não vamos mudar de assunto, Shizu-chan!

– Desgraçado, é você que começou a fugir do assunto!

– E do que estávamos falando antes?

– Eu nem sei! Você me distraiu com esse seu papinho inútil!

– Ah, agora você está falando que tudo o que eu falo é inútil?

– Izaya, eu não quis dizer isso!

– Então o que você tentou dizer, Shizu-chan?

– Porra Izaya, eu odeio quando você faz isso!

– Faço isso o que?

– Quando você fala uma coisa e depois muda de assunto, de uma hora para outra!

– Eu não faço isso!

– Faz sim!

– Claro que não! Deve ser coisa da sua cabeça, protozoário inútil!

– Não me chame assim! E viu, você está fazendo justamente isso: está fingindo que não quer dar continuidade ao assunto e simplesmente foge dele!

– Quem disse que eu finjo?

– Eu disse. Eu estou dizendo!

– É coisa da sua cabeça, loiro estúpido!

Shizuo cerrou os punhos. Apertou-os com sua força desumana. Izaya continuava a encara-lo de maneira agressiva. Se o moreno tivesse poderes, a cabeça de Shizuo já teria rolado para longe. Os dois ficaram naquela troca de olhares acusadores, esperando que a cabeça um do outro rolasse pelo chão limpíssimo do escritório de Izaya.

Sem mais paciência, Izaya foi o primeiro a quebrar o contato visual.

– Esquece, esquece, esquece! – Izaya gritou. – Eu não tenho mais tempo para perder com você, Shizu-chan! Tenho trabalho para fazer!

– Ah, é mesmo?! – Shizuo o retrucou, bastante irônico, o que fez Izaya cerrar os olhos. – Então, porque você simplesmente não me deixou sozinho aqui e foi trabalhar?

Izaya ficou mudo no mesmo instante. Shizuo estava certo, ele poderia ter mandado o loiro a merda e ter ido trabalhar, assim não ficaria estressado, mas como sempre, o Orihara se questionava o porquê de não ter ignorado o guarda-costas e ido trabalhar.

O rosto pálido e estressado de Izaya adquiriu uma coloração vermelha. Não estava corado. Estava possuído de raiva. Cerrou os punhos mais uma vez. Shizuo arqueou uma das sobrancelhas. Sabia que tinha ganhado a discussão, mas não toda. Aquela era só a primeira parte, o primeiro round. O mais difícil vinha a seguir.

E não precisava de muito esforço para se saber quando iria vir. Sempre que Izaya ficava vermelho de raiva e cerrava os punhos, Shizuo já sabia que a besta iria ser solta.

– Porque eu estava ocupado, xingando um loiro estúpido! – Izaya gritou. Shizuo revirou os olhos, o moreno estava de TPM. – Ugh, se você não estragasse tudo... É muito difícil de mandar uma mensagem, né?!

E a gritaria começava novamente. De um lado, Orihara Izaya reclamava e gritava, as vezes até falando coisas sem nexo; e do outro, Heiwajima Shizuo suspirava e massageava a testa, os olhos, todas as partes de seu corpo. Começar uma briga, naquele momento e naquele lugar, não parecia ser uma boa opção. Pela primeira vez, não queria arremessar nada em cima do moreno, isso poderia simplesmente piorar ainda mais a situação. E pior aquela situação não parecia ser a melhor das opções.

Suspirando, Shizuo tentou manter o que restava de sua calma – isso se esse restinho existia. Mas era quase impossível manter a concentração quando se tinha um informante fazendo um grande escândalo por causa de quase nada.

Era apenas trabalho! O que de tão importante havia em um monte de pilhas de papel?

Para Shizuo, aquelas pilhas, gigantescas pilhas de papel, não passavam apenas de folhas com palavrinhas impressas. Não havia nada de interessante em uma folha impressa.

Mas para Izaya, era algo completamente diferente. Havia sim uma importância nas folhas. Nas folhas, com palavrinhas e mais palavrinhas impressas, estavam tudo o que um informante precisava saber sobre a vida de tal pessoa. Para Orihara, as folhas eram quase que seu bem mais precioso.

Chegava, até certo ponto, a ser um pouco doentio.

Mas aquele não era o caso.

O guarda-costas estava começando a se irritar com todos aqueles gritos e reclamações banais que o informante fazia questão de soltar. Estava perdendo seu tempo quando decidiu escutar toda aquela conversa. Poderia ter simplesmente agarrado o moreno e tê-lo jogado no chão, e faria outras coisas que pudessem ocupar a boca de Izaya.

Em um determinado segundo, aquela ideia parecia ser ótima. Não só ocuparia a boca de Izaya, mas também, faria que saíssem sons mais prazerosos para Shizuo. Seria muito melhor do que escutar gritos e reclamações.

Aproveitando que, em uma fração de segundos, quando o moreno estava distraído com suas próprias falas, Shizuo caminhou até o informante, agarrando seus braços de forma brusca e obrigando Izaya a olhar para ele. Izaya encarou com raiva os olhos de seu amante. Afundou-se naquele mar castanho que eram os olhos de Shizuo, mas pela primeira vez, encarava aqueles olhos que tanto amava com um ódio desumano.

Shizuo aproximou seus lábios dos de Izaya, de uma forma lenta e torturante. O informante arregalou levemente os olhos, e suas bochechas adquiriram um fortíssimo tom de vermelho, quando os lábios do loiro colaram-se aos seus, movendo-se de forma lenta e delicada. Um gesto romântico, para alguns, mas algo extremamente tortuoso para Shizuo.

O desejo gritava dentro de si. Seu subconsciente gritava para que o guarda-costas jogasse o informante no chão, e o tomasse de todas as formas e posições possíveis. Mas Shizuo não faria aquilo, não naquele momento. Sua intenção era apenas assustar Izaya, fazer com que ele ficasse quieto.

Guiou suas mãos para a cintura fina e delicada de Izaya. Sentiu que quando fez tal ato, o moreno passou a corresponder o beijo, laçando o pescoço do amante com os braços, enquanto uma de suas mãos viajava até os fios loiros. Aos poucos, o beijo e as caricias começaram a se tornarem mais ardentes, mais necessitadas.

A língua de Shizuo invadia a boca de Izaya, acariciando toda a extensão macia da boca do informante. Izaya estava começando a se perder nas caricias do loiro. Interrompendo o clima do momento, Shizuo afastou minimamente seus lábios dos de Izaya, e encarando o rosto delicado do amante, percebeu que começava a se formar uma expressão de pura confusão. O guarda-costas sentiu-se eufórico ao ver que seu plano de confundir o moreno estava funcionando.

Um pouco ofegante, Shizuo olhou para os olhos castanhos avermelhados de Izaya, sorrindo vitoriosamente ao ver a confusão reinando ali.

– Sabe, Izaya-kun – Shizuo sussurrou no pé do ouvido de Izaya, que sentiu espasmos de prazer e calafrios subirem por seu corpo. Involuntariamente, o informante soltou um baixo gemido, provocando ainda mais o loiro. Ainda com o sorriso vitorioso nos lábios, Shizuo mordeu o pescoço de Izaya, ganhando mais um baixo gemido. – Eu sei muito bem que os meus beijos são capazes de calar essa sua maldita boca.

Toda a excitação e euforia desapareceram do corpo do informante, e o mesmo sentiu seu rosto esquentar, pegar fogo. Estava vermelho como um tomate. Izaya tentou inutilmente fugir dos braços do loiro, mas isso só fez com que o mesmo o puxasse mais para si. Agora, com as mãos espalmadas pelo peitoral bem definido do amante, Orihara tentava empurrar o Heiwajima para longe de si, mas suas tentativas eram falhas. Shizuo riu com isso.

– M-me solta, Shizu-chan... – Izaya gaguejou, seu rosto ficando cada vez mais vermelho – isso se era possível. – M-me larga!

– Ugh. – Shizuo resmungou, com uma voz nada amigável. – Você é muito barulhento.

E novamente, tentando "reativar" a excitação no corpo de ambos os homens, Shizuo voltou a colar seus lábios aos de Izaya, sempre recebendo resmungos e gemidos de protestos.

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