Notas iniciais
Bem, aqui está. Queria que saísse melhor,embora =n=
Sobre as idades, diria que o Artie tem 12 e o Francis 14. Não seguem os padrões canônicos, pelo que me lembro.
Não sei se escreverei mais Hetalia... Digo, individualmente (Eu e a Bonnefoy estamos para planejar uma). Bem, a não ser que vocês queiram =u=
Enfim, boa leitura ♥

Ton Dernier Premier Baiser

Era uma calma tarde de domingo. Uma brisa fresca e leve pairava sobre o campo amplo e relativamente deserto, não fosse pelas sussurrantes árvores espalhadas pelo local, verdes e cheias, trajando sua fase primaveril de um dia dourado. Ao norte, por detrás de uma colina verdejante ao longe, o sol iniciava seu trajeto seguinte, começando a se despedir solenemente, seus raios se enfraquecendo de forma graciosa como de praxe. O céu começava lentamente a escurecer, linhas que partiam do amarelo até o mais forte tom de roxo, complementado por pinceladas de branco e um leve tom de rosa com bordas arroxeadas, tornando a pintura celeste magnífica aos olhos de qualquer um, principalmente aos esverdeados e brilhantes de um jovem garoto encostado a uma árvore alta que produzia uma sombra agradável. Seus orbes se fixavam no alto, notando cada mudança que as poucas nuvens realizavam, e ele suspirava calmamente, vez ou outra selando as pálpebras ao que o leve sopro do vento acariciava-lhe o rosto alvo, bagunçando seus cabelos loiro e curtos, ternamente. Ao seu lado descansava sobre o chão uma pequena e simples cesta, repleta de maçãs que tentara alcançar das mais altas árvores, como denunciavam seus joelhos machucados e os arranhões em seus braços; Tudo indicava que, de acordo com sua personalidade, encarou aquilo como uma aventura, deixando-se levar pela fértil imaginação. Naquele momento, embora, ele tinha sua expressão mais pacifica, a respiração calma; Necessitava de momentos como aquele, onde cada pequeno detalhe lhe passava a sensação que só os braços de sua falecida mãe puderam, uma única vez e por poucos segundos, passar. Era o caçula de cinco irmãos, e, apontavam alguns deles nos momentos de fúria, a culpa para a falência da mãe, que morrera segundos após o parto; Apesar de tudo, ela fez questão de segurar o último filho nos braços, lhe sorrindo pelo menos uma vez – Nutria um carinho extremo por ele desde que soubera que estava grávida, e, certamente, isso influenciara ainda mais na posição dos mais velhos, mais especificamente os três primeiros, mesmo que a mãe lhes tratasse com o mesmo amor. Apesar disso, sendo um assunto em que mesmo o mais jovem se questionava em relação às verdades e mentiras, simplesmente se calava diante às acusações.

Seu nome era Arthur Kirkland. Nascera e vivia em Cirencester, ao leste do condado de Gloucestershire, no sudoeste da Inglaterra. Morava junto dos irmãos em um pequeno vilarejo situado na região de Cotswolds, em Bibury, embora permanecesse boa parte de seu tempo a alguns poucos quilômetros dali, no extenso, belo e despovoado campo; Não trazia ninguém consigo, uma vez que não tinha amigos, dizia ele. O único que trouxera algumas vezes foi Charles Kirkland, o mais novo de seus irmãos e o que mais lhe entendia, independente de suas personalidades distintas: Charles era dono de uma calma inquestionável, enquanto Arthur não tinha uma personalidade muito fácil de lidar; Diziam que o gênio facilmente inflamável era algo de família, mas Charles apenas ria, dizendo que, se considerasse a questão de tal forma, só puxara dos Kirkland’s as espessas sobrancelhas e os belos olhos verdes. Ao final de tudo, depois de um pequeno tempo de convivência e observação, a diferença entre os irmãos, seja em personalidade ou aparência, eram fácil e extremamente notórias.

Arthur mantinha os olhos fechados, murmurando baixo algo como se conversasse com alguém, algo que sempre fizera desde seus mais tenros anos. Muitos se afastavam e riam do garoto por tal fato, mas ele simplesmente os ignorava, vivendo em sua própria realidade transformada em fantasia. Vez ou outra, o alguém com quem conversava tornava-se uma pessoa diferente, e de seus lábios a palavra “mãe” escapava.

– Você não deveria estar em casa a essa hora? A cidade é um pouco afastada daqui e não é muito bom andar sozinho quando já escureceu... – Arthur despertou de seus devaneios, abrindo os olhos e procurando pela voz doce; Ao virar-se, à sua direita, seus orbes foram de encontro com um tom belo e envernizado de azul, não muito distantes do seu, uma vez que, entre seu rosto e o da pessoa frente a ele, sequer jazia um palmo. Não levou muito tempo para reconhecer o dono da voz, mesmo que antes de poder vê-lo pode fazer uma suposição correta, a partir do forte sotaque francês. Um rubor subiu por sua face rosando suas bochechas quando se dera conta da proximidade entre seu rosto e o do garoto que sorria simpaticamente. Seus cabelos eram loiros, ligeiramente cacheados, mais escuros e longos que o de Arthur, indo até os ombros; Era mais alto – uma vez que a estatura de Arthur fosse consideravelmente baixa – e tinha a pele alva como a do inglês, porém seus traços eram mais fortes, denotando o fato de que ele era mais velho – embora fossem apenas 2 anos. Francis Bonnefoy era um garoto francês que, por questões relacionadas à sua família, tivera de deixar sua terra nata e rumar para a pequenina Bibury; Era também o único com quem Arthur, além dos irmãos, conseguisse conversar por mais de poucos minutos, embora tivessem opiniões e personalidades distintas, originando discussões na maior parte do tempo; Francis nunca perdia a oportunidade de provocar o inglês, assim como Arthur sempre se vingava do francês.

– O que está fazendo aqui? – O mais novo questionou, se afastando do outro e desviando os olhos dos azuis. Puxou a cesta de maçãs para o lado esquerdo, dando espaço para o mais velho se sentar, sequer notando que o fazia. Francis riu baixo ao observar o ato, logo se ajeitando ao lado de Arthur.

– Que gentileza a sua, mon cher! Não pensou duas vezes para me dar um lugar ao seu lado! – Ele apertou as bochechas do outro de leve, sentindo as mesmas quentes e rindo mais por tal fato. Arthur pode sentir o rosto afogueado e um arrepio correr por sua espinha, ao mesmo tempo em que seu coração acelerou-se, como sempre acontecia em momentos como aquele; Arthur tentava dizer para si mesmo que não havia motivos para ele agir daquela forma, mas sabia que não podia mentir, ao mesmo tempo. Levantou a mão, batendo na do francês de forma emburrada, sua expressão num misto de vergonha e irritação.

– Oras, seu- Só estou sendo educado e cavalheiro, m-mesmo que seja com você! Nada de mais! -Mas porque está aqui? — Perguntou novamente, suas mãos levemente tremulas. O francês deu de ombros, observando o belo campo de forma despreocupada.

– Tive vontade de vir, e também queria confirmar se você estava aqui, já que você costuma voltar um pouco mais cedo para não preocupar seus irmãos.

– Eles estão me procurando? – A expressão no rosto de Arthur mudou: Não gostava de causar o mínimo problema aos irmãos.

– Não, não se preocupe, só o Charlie que estava um pouco preocupado, mas disse a ele que viria aqui. – Ele sorriu ao notar a expressão do inglês se tranquilizar. – Ah, sim, e que gracinha você estar sendo todo bonzinho comigo... – Ele riu, querendo provocar ainda mais. – Posso até te ajudar com essa sua rebeldia, já que vim do país do amour, mesmo que você já saiba um pouquinho sobre ele, oui?

Arthur se silenciou. Estava ainda mais corado que antes, suas sobrancelhas cheias franzidas em sinal de irritação, mas ele desviou o olhar para suas próprias mãos que descansavam sobre seu colo, abaixando a cabeça enquanto mordia o lábio. Ele não tinha a mínima experiência no assunto, se não por um fato em específico: Não tinha muita certeza a principio, julgava ser apenas curiosidade, mas a cada conversa, pequena ou grande, que tinha com Francis, ele se sentia cada vez mais diferente, e ansiava para tê-las quando tal fato não acontecia. Certamente, até este ponto ele considerava que Francis não era nada mais que seu melhor “amigo-inimigo” – afinal, era de certa forma impossível eles não discutirem quando se encontravam -, mas as sensações que tinha passavam a ficar um pouco mais intensas, e ele não entendia o porquê do rubor ao que via o mais velho, o coração acelerado, e seu desviar do olhar ao que encontrava as joias azuis dos orbes do francês.

Francis não demorou a notar a mudança no garoto ao lado: O conhecia tão bem quanto os irmãos do próprio, uma vez que era amigo de Scott, o mais velho, e vira Arthur pela primeira vez poucas horas depois do nascimento do mesmo – Embora ele fosse novo demais para se lembrar exatamente como fora o momento, se recorda de ter ficado o resto do dia na casa do Kirkland’s – que tinham como responsável a tia -, confuso e ao mesmo tempo maravilhado. Desde então, eles passaram a ficar cada vez mais próximos, e a menor mudança era facilmente visível. Francis arqueou uma das sobrancelhas em dúvida, o cenho franzido.

– O que houve? Você ficou quieto de repente... – Sua voz era baixa, e ele procurava a resposta ao que vira ligeiramente a vermelhidão nas bochechas do outro. Arregalou os olhos, se dando conta. – Espere, quer dizer que... Mas você já teve seu primeiro beijo, não?

– Francis! – O outro exclamou, ainda mais corado; Não entendia como o francês conseguia falar tão normalmente sobre aqueles assuntos.

– Não estou perguntando para te irritar. Você já teve? – Ele se aproximou mais, impedindo o mais novo de recuar, uma vez que este já estava de com as costas apoiadas ao máximo contra a árvore.

– Não, Francis! N-Não sou como você, que está acostumado com essas coisas! – Ele tentava ao máximo desviar o olhar, mas parecia que seus olhos não faziam questão de obedecê-lo, agindo com os azuis como se tivessem um imã. Francis se afastou, voltando a se sentar normalmente, as sobrancelhas arqueadas.

– O que quer dizer com “como você”?

– O-Oras... Você já deve ter feito isso muitas vezes, com diferentes pessoas... – O outro disse em um murmuro, abaixando a cabeça. – Tanto que você achou extremamente estranho eu nunca ter... beijado alguém.

Mon dieu, de onde tirou isso? – Francis riu. – Quero dizer, eu posso ter milhares de admiradores, o cabelo e ser extremamente lindo, — Ele mexeu nas madeixas loiras, recebendo um olhar reprovador vindo dos orbes verdes. – mas não confio em todos que vejo pela frente... Não vou dizer que nunca beijei alguém, mas não fiz isso muitas vezes. E sobre eu ter achado estranho o seu caso... – Arthur não conseguira ver muito bem, mas as bochechas do maior se avermelharam de leve. – Bem, não é como se você tivesse um motivo para isso, mesmo que não tenha muitos contatos por aqui... Você pode viver irritadinho, emburrado, briguento, ter amigos imaginários e mais várias coisas, mas- Francis não continuou a frase. Seu motivo foi por algo rápido, que ele só se deu conta alguns segundos depois, e ainda assim não acreditava. As mãos de Arthur seguravam o colarinho do casaco que vestia, e contra seus lábios ele sentia os do inglês, que fechava os olhos fortemente, tão enrubescido quanto podia. Soltara-o poucos segundos depois, se afastando e virando o rosto para o lado oposto ao do francês estático. Arthur não sabia o porquê de ter feito aquilo, se amaldiçoando mentalmente por ter agido de tal forma, mas logo ouviu um riso baixo vindo do outro, que tinha as bochechas coradas.

– Então... esse era o motivo? – Ele perguntou calmamente, e Arthur arregalou os olhos: Era exatamente a razão do inglês. Decidiu se silenciar, mordendo o lábio de forma apreensiva, até sentir uma mão envolver a sua, que continuava sobre seu colo. Virou-se, encontrando à sua frente os orbes azuis. Viu nos lábios que a pouco tocara um sorriso envergonhado, e ele abaixou a cabeça, acenando um “sim”. O mais velho suspirou, aproximando seus rostos e levando sua mão delicadamente até o queixo do outro, levantando seu rosto para encontrar as esmeraldas temerosas. – Fico feliz por isso... – Ele sorriu, seus narizes se roçando e o rubor de ambos quase na mesma intensidade.

– ...Por quê? – O outro questionou, sua voz baixa.

– Bem, é raro ser o primeiro a beijar a pessoa que você gosta... – Ele riu, dando de ombros. Arthur entreabriu os lábios, impressionado. Sentia como se estivesse em um sonho, ou em um de seus devaneios: Era simplesmente inacreditável.

Um sino alto interrompera o momento, vindo da igreja que se encontrava não muito longe de onde estavam. O sol se punha, prestes a finalizar sua formosa despedida, e a lua os sorria gentilmente, trazendo o início da noite. Um vento agradável vindo do leste fez com que Arthur sacudisse a cabeça, acordando-o de seus pensamentos sem fim. Levantou-se sem jeito, pegando a capa que repousava sobre a grama curta e verde, colocando-a sobre si, em seguida pegando a cesta simples de palha. Francis também se levantara, observando os movimentos do mais novo.

– Já está tarde... Não quero ouvir os sermões do Scott... – O inglês olhou para os pés, parado frente ao francês, em seguida suspirando. – Bem... E-Eu... Tenha uma boa noite. – Disse rápido, tentando apressar o passo, mas sendo impedido pela mão do outro que envolvera a sua. Olhou para trás, encontrando um olhar inocente, mas um sorriso travesso pintado nos lábios do outro. Franziu o cenho, e então revirou os olhos, sentindo as bochechas novamente afogueadas, embora tivesse dado os passos suficientes para chegar ao mais velho. O encarou por um tempo, uma leve dificuldade na respiração, mas ainda assim ficara na ponta dos pés, segurando as mãos de Francis ao que tocara seus lábios delicadamente, fechando seus olhos com calma e vendo que era retribuído. Era como se tudo a volta dos dois não tivesse a menor importância, e eles acreditavam que nunca sentiram ou sentiriam sensação como aquela. Não abrangia apenas um, mas diversos sentimentos, e todos eles resultavam em milhares de borboletas, o coração palpitante e uma memória que era de longe uma das que menos gostariam de perder. O gosto, a textura, o toque, tudo era perfeito para ambos, e continha a magia mais impressionante de todas.

Arthur se afastou, abrindo os olhos lentamente, ao mesmo tempo que Francis. Estreitou os olhos, ainda sem soltar sua mão.

– Não pense que ganhara desses sempre. – Agora preciso de fato ir... – Francis riu, assentindo de forma tristonha, fazendo o mais novo rir de leve. – E... mantenha isso entre nós, sim? Pode contar ao Anthonio e ao Gilbert, mas nada além, por favor...

– Entendido! – O mais velho sorriu, e rapidamente sentiu a textura leve dos lábios de Arthur em sua bochecha. Quando o procurara, ele já estava mais ao longe, olhando para trás vez ou outra, até desaparecer ao fim do relevo verdejante. Francis sorriu, levando os dedos até os lábios, os tocando e sorrindo.

– E ainda mais raro foi você ter sido, com toda certeza, o meu último primeiro beijo...


Notas finais
*Minhas desculpas pelos possíveis erros, e obrigada pelos reviews ♥ Also, é um prazer conhecê-las(-os) ♥*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!