Tokyo Sounds
1 A Minha Chance!
Notas iniciais
Olá, eu me chamo Shirogi Yuki, estou aqui para contar a história do homem que mudou minha vida, foi no ano de 2020, eu tinha apenas dezessete anos quando o conheci, eu estudava na escola de Kabuki em Tokyo, Japão. Nós estávamos no último ano. Eu estive na mesma sala que ele desde o primeiro ano, ele era sempre quieto, nunca o vi com algum amigo ou coisa do tipo. Era sexta-feira, o dia estava nublado, era a sexta aula, todos estavam agitados aguardando o almoço e o professor estava a fazer a chamada.
–- Zero... Zero?... ZERO!!! – Gritou o professor impaciente.
–- Ah desculpe professor, eu não estava prestando atenção. – Respondeu o garoto se fazendo de desentendido. Eu dei uma risada de leve observando a situação.
–- É claro que não estava, afinal você nunca está! – O professor se aproximou de Zero. Ele era muito misterioso, e isso que me deixava ainda mais atraída por ele, tinha cabelos vermelhos espetados e que iam até a altura dos ombros. Seus olhos de uma tonalidade violeta muito bonita. Usava sempre uma jaqueta de couro, óculos de corrida na cabeça juntamente com seus fones de ouvido. – Nem copiando a matéria você estava, comece logo! – Ordenava o professor já furioso.
–- Desculpe, eu não vou mais me distrair professor. – Respondia Zero unindo as mãos e fazendo uma reverência ao professor já de idade avançada, com cabelos grisalhos, usando óculos presos por fios em seu pescoço que passavam por cima de suas orelhas. Ele usava um terno marrom com suspensórios e estava visivelmente acima do peso. Eu percebi o tom debochado de Zero e ri novamente. Quando o professor virou as costas, percebi que Zero voltou a desenhar como estava fazendo antes do professor interrompê-lo, ele nunca prestava muito atenção nas aulas, mas nunca tirava notas ruins, eu me impressionava com isso. Depois de tanto tempo hesitando eu finalmente havia me decidido, ia chamá-lo para sair, o ano já estava acabando, depois que o colegial terminasse quando novamente eu teria chance de sair com ele?
Finalmente chegou a hora do almoço, eu sabia onde ele ficava todos os dias, posso me considerar uma “Stalker”. Eu não era uma garota anti-social, nerd ou feia, pode parecer egocêntrico isso, mas eu com certeza não era feia. Também não era uma garota super bonita e atraente, alguns garotos me chamavam para encontros ás vezes, mas eu não aceitava, afinal só sabia pensar no Zero. Eu tinha longos cabelos castanhos que ficavam um pouco acima da cintura, geralmente eu o usava amarrado. Meus olhos eram esverdeados, em um tom suave, minha pele era clara, bem clara por sinal. Eu tinha 1,60 de altura, e meu peso era bem distribuído em meu corpo. Zero almoçava sempre no mesmo lugar, como já havia citado antes, era na escada que dava acesso ao telhado, mas como não estávamos em um mangá, ele não tinha a chave do telhado. Por isso ele ficava ali na escada mesmo, eu me aproximei, naquele momento já estava toda vermelha.
–- O-Olá... – Disse eu meio baixinho morrendo de vergonha.
–- Huh? – Ele estava olhando para baixo com seus fones no ouvido. Ao ver meus pés ele olhou para cima me observando.
–- Posso almoçar aqui com você hoje? – Eu não estava acreditando em mim mesma, como eu havia conseguido aquilo, talvez sejam aqueles poderes que surgem em você quando é necessário. Maior que o medo que eu senti ao fazer a pergunta foi somente o medo da resposta que estava por vir.
–- É claro... Você é da minha classe não é? Eu lembro de você, isso por que você não é como os outros de nossa sala, eu gosto disso. – Respondeu Zero olhando fixamente para mim. Mesmo ainda estando corada, eu estava mais aliviada e feliz com o que acabara de ouvir. Eu pude observar que enquanto ele comia, também lia um mangá.
–- Ora... É aquele mangá sobre piratas? – Perguntei apontando para o livro em suas mãos.
–- Sim, você conhece? É difícil achar garotas que gostem dessas coisas.
–- Conheço sim. – Eu só havia lido os capítulos iniciais, não me chamou muita atenção, mas respondi apenas que conhecia, pois não queria desapontá-lo. – Fiquei sabendo que vão lançar um filme sobre esta obra, a estréia é neste sábado... Nós poderíamos ir ver juntos se você quiser, tem uma sessão ás 17h30min.
–- É claro que sim... Sábado não é? Eu encontro você na entrada do cinema, aquele que fica aqui perto da escola. – Ele ergueu a cabeça olhando direto em meus olhos, eu fiquei muito envergonhada naquele momento, porém me mantive firme, estava transbordando de felicidade. Meu coração estava a mil, eu havia conseguido um encontro com o garoto que observei durante quase três anos.
–- Como é mesmo seu nome? Desculpe-me, eu não presto muito atenção nas aulas... – Ele perguntou um pouco sem jeito.
–- Yuki! Shirogi Yuki. – Respondi já me levantando.
–- Ah, o meu é... – Antes que ele terminasse, eu o interrompi.
–- Kurokyuu Zero! – Rapidamente pus a mão na boca corando o rosto.
–- Parece que você presta mais atenção nas aulas do que eu... Isso não é uma coisa muito difícil... – Comentou Zero com um sorriso no rosto. – Bom já está na hora de ir, o almoço acabou, então como a tarde não temos aulas juntos, até sábado! – Ele se despediu e eu fiquei parada observando ele se afastar por um tempo, não conseguia acreditar no que eu havia acabado de conseguir. Como eu suspeitava, ele era um cara muito bacana. Pelo menos essa foi à impressão que eu tive. O dia finalmente chegou. Sábado durante todo o dia eu não consegui me concentrar em nada, estava muito ansiosa. Finalmente decidi minha roupa, um vestido branco leve que ia até altura de meus joelhos, deixei meus cabelos soltos e pus um sapato delicado branco também, com detalhes dourados. Cheguei uma hora antes do horário do filme, e ás 17h15min eu olhei o relógio aflita, se ele demorasse mais para chegar não iríamos conseguir comprar os ingressos. Ao olhar para o relógio novamente senti uma brisa e quando ergui a cabeça vi Zero ofegante.
–- Desculpe me atrasei um pouco, estava resolvendo umas coisas... – Explicou ele, estava usando as mesmas roupas que usava na escola, ele me puxou pelo braço entrando no cinema. – Vamos logo, dois ingressos, por favor! – Disse ele na frente do balcão. Eu olhei para o lado e a fila para comprar pipoca estava enorme. – Você vai querer pipoca? Pode entrar que eu levo a pipoca em um minuto. – Assenti com a cabeça e então entrei no cinema entregando o ingresso ao fiscal. Procurei meu lugar indicado no ingresso e ao sentar em minha poltrona ouvi alguém falando ao meu lado.
–- Ta aqui a pipoca, eu comprei uma doce uma salgada como me esqueci de te perguntar qual queria... – Falava Zero. Eu surpresa tentei questioná-lo sobre o que havia acontecido.
–- C-Como? E a fila? – Ele me interrompeu quando as luzes se apagaram e o som alto começou.
–- Não é educado falar durante o filme. – Percebi o tom debochado que ele sempre usava nas aulas. Não falei mais nenhuma palavra durante todo o filme, estava em choque com o que havia acabado de presenciar. O filme terminou e nós saímos até o lado de fora do cinema, já estava escuro e eu coloquei as mãos nos braços com frio.
–- Ah está com frio, pode ficar com minha jaqueta, eu não sinto muito frio, na escola você me devolve. – Zero dizia enquanto tirava seu casaco. Ele colocou sobre meus ombros.
–- O-Obrigada... Você gostou do... – Quando ergui minha cabeça para terminar a pergunta ele não estava mais ali. Fiquei um pouco brava pelo vácuo, mas me virei e segui o caminho para casa, estranhei o fato de a rua estar tão vazia, e senti um pouco de medo também.
–- Ei gatinha! Porque não tira esse casaco e deixa eu te aquecer um pouco?! – De longe ouvi um homem falando, percebi que era um bêbado pelo som de garrafa que fez, mas não levantei a cabeça, continuei olhando para baixo e acelerei o passo. Esbarrei no homem que já estava a minha frente. – Se precisar posso te ajudar a tirar o casaco. – Disse o homem com uma faca nas mãos, eu já estava desesperada, pensei que iria morrer, o homem era alto e forte, usava uma regata branca, fedia a álcool e drogas também, além disso, ele estava sujo com um lama nas calças.
–- Por favor, me deixe em paz, só quero chegar em casa... – Supliquei ao homem, mas sem nenhum efeito como eu esperava. Atrás do homem eu podia ver sombras do que pareciam ser mais quatro homens se aproximando.
–- Decidam a ordem de quem vai brincar com ela primeiro rapazes, hoje é um dia de sorte. – Disse o homem em um tom horroroso. Eu fechei os olhos e me encolhi quando de repente ouvi um estrondo muito alto. – O que foi isso idiotas? Não vão me responder?
–- Acho que eles não poderão responder. – Falou Zero com a mão sobre o ombro do homem que estava a minha frente. Eu não consigo descrever o quanto me senti aliviada ao vê-lo. Porém ainda estava aflita, afinal o homem estava armado. – Eu gosto do conceito de justiça, você ainda tem uma chance de sair vivo daqui, assim como teve a chance de escolher se abordava essa garota ou ficava na sua, escolha cara ou coroa, a moeda vai decidir sua vida. – Discursava Zero, eu não entendi sobre o que estava falando apenas observei. O homem furioso se virou golpeando Zero com sua faca, mas em uma fração de segundos, Zero havia mudado sua posição. – Já que não vai decidir, eu escolho a minha, quero coroa. -- Zero lançou uma moeda para o alto e ela girava várias vezes no ar, caindo no chão com o número para cima. Zero fitou o homem com uma expressão de desprezo e então sua mão vibrou, eu fechei os olhos e quando abri o homem estava no chão com os olhos arregalados, provavelmente morto.
–- Obrigada Zero, eu pensei que fosse morrer... Como foi que... – Eu mal conseguia falar.
–- Calma, eu devia ter te levado para casa desde o início, me desculpe... Agora parece que vou ter muito que explicar. – Realmente, eu estava muito confusa depois de tudo que eu acabei de ver.
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