Tokyo

3 Hitomi no jyuunin


Hitomi no jyuunin

(Morador nos olhos)

Não sei o quanto
Mas eu te entendo
Não é tão fácil como seguir o mapa
Com a ponta do dedo
Sei que você esconde a ansiedade
Debaixo da sua cara

— Slade??!- Ravena exclamou amedrontada ao ver a figura do vilão, embrenhada nas sombras.

Ele nada pronunciou. Apenas a encarou por alguns segundos, como se avaliasse e analisasse as suas ações. Ela recuou dois passos desejando saber se deveria atacar sozinha ou chamar por ajuda... Mas antes que pudesse tomar tal decisão Slade desaparecera e ela logo imaginou se aquilo não passaria de algo de sua cabeça...

—Será que eu o materializei com meus poderes? Mas se assim fosse... Eu deveria ter materializado. o Trigon–Ah! Deixe isso para lá...

Balançou a cabeça cansada e confusa. Eram muitos pensamentos correndo soltos por sua mente-e muitos os estragos que ela estava causando.

— Gostaria que houvesse uma forma... de materializar outra pessoa...

Interrompeu-se assustada ao sentir um toque sobre seu ombro. De imediato formou duas bolas de energia negra com as mãos, virando-se rapidamente.

— AH... Desculpe-me... — pediu sem entusiasmo e visivelmente abatida fazendo com que a energia negra sumisse. – Pensei que fosse outra pessoa...

O garoto loiro sorriu, fazendo um gesto com simples com o polegar para que ela pudesse entender que estava tudo bem.

Ficou um pouco nervosa imaginando até que parte da conversa particular com sua consciência ele havia escutado e mordeu o lábio inferior de leve.

— Jericho certo?

Ele assentiu.

— Você está aí á muito tempo?

Ele negou com a cabeça.

— Me desculpe novamente por ter te assustado... Bom tenho que ir...

Ela virou de costas para ele e começou a caminhar vagarosamente... Afinal tinha de ir para onde? Sabia que não conseguiria meditar no Hotel... Sabia que não conseguiria meditar em lugar nenhum de Tokyo... Ou do Japão!

Sentiu alguém segurar sua seu braço tímida e levemente. Parou e voltou-se para encarar Jericho sem qualquer animo franzindo a sobrancelha como se quisesse saber o porquê daquilo.

Ele gesticulou com as mãos alguns sinais e então ela compreendeu — sentindo-se mal por tê-lo criticado- mesmo que mentalmente.

Jericho era mudo.

—Sei-onde-você-pode-meditar. — foi o que ele disse.

A fumaça branca expelida num suspiro
Faz-me lembrar que voltou a estação fria
E me pergunto por que estou aqui?

— Azarath, Metrion, Zinthus.

A voz ecoava, tão leve e pacifica que parecia até fazer parte próprio do ar.

Tão diferente de algumas horas atrás.

Ela nunca imaginou o quanto uma viajem poderia mudar tanto a sua vida. Já deveria estar acostumada com mudanças bruscas e repentinas- como quando se transformara em um portal de um dia para o outro... E como ela se libertara de uma hora para outra (com esforços.. muitos esforços... mas em um período de tempo tão curto)

No entanto... um aviso prévio lhe fora dado.

"Os avisos sempre estiveram lá ... eu que não quis aceita-los"- Ela pensou... e de certo estava cometendo o erro de deixar-se distrair por sentimentos confusos... e a junção dos mesmos era fatal.

Ouviu um som suave de um violão ao seu lado e abriu os olhos aos poucos para fitar o garoto que estava sentado ao seu lado. Ao perceber que Ravena tinha aberto os olhos ele guardou o violão, fazendo um gesto de desculpas e explicando-se:

—Achei-que-você-estava-triste-então-comecei-a-tocar-para-que-pudesse-se-distrair-desculpe-se-a-incomodei.

—Não foi nada... na verdade.. acredito que você tenha me salvado.

Ele fitou-a curioso, mas nada perguntou enquanto Ravena apenas passou a observar e apreciar o lugar onde se encontrava.

O templo budista, talvez fosse a construção mais antiga e preservada de Tokyo. Era uma casa simples e rústica, com algumas estátuas aqui e ali e a varanda onde eles se encontravam também rústica -diga-se de passagem- permitia ver o que mais chamava atenção naquele lugar: o jardim.

Havia uma considerável quantidade de flores plantadas no solo. Todos é claro estavam fechadas devido a escuridão. Também havia uma pequena fonte com peixes ornamentais nadando de um lado para o outro enquanto as folhas das árvores de cerejeira voavam conforme o vendo que acariciava friamente o rosto dos dois jovens.

E estava realmente ficando frio.

— Desistiu de tocar?- Ravena perguntou, ao ver que Jericho colocara o violão deitado em seu colo e logo percebeu que saia fumaça de sua boca- não que isso fosse relevante.

Jericho não respondeu, apenas a fitou como se perguntasse se não estaria mesmo incomodando.

—Vá em frente.- Ela respondeu.

Ele segurou o violão firme e calmamente começando a tocar, sua melodia era pacifica e parecia seguir o som das folhas balançando com o vento.

Ravena apenas ficou escutando, imaginando que aquilo era o equivalente a meditar.

Agora que tinha parado de pensar só um segundo em todos os problemas, agora que começa a prestar atenção no lugar, começava a perceber futilidades, como o frio que estava fazendo. Deveria ser por causa da chegada do inverno.

Não sabia realmente o por quê de ter aceitado a ajuda dele, já que mesmo com seus amigos, gostava de mostrar que sabia se virar sozinha. Talvez tivesse sido realmente a necessidade da meditação, e de um lugar calmo.

E como estava calmo.

"Ravena? Ravena, você está ai?"- A voz chamou pelo comunicador.

Pelo menos até aquele momento.

—Sim Robin, algum problema?

"Não é só que... bem você saiu já faz um tempo... e o Cyborg falou que você não estava no Hotel.. então eu achei melhor verificar se você estava bem."

— Preocupado? -Ela perguntou em um tom sarcástico, embora a intenção dela fosse outra.

"Você sabe que eu sempre me preocupo com a minha equipe."

—É. Eu sei.- Ela respondeu um pouco decepcionada.

"Você está bem Ravena?"

"Robin!!!"- a Estelar chamou ao fundo.

— Estou.- Respondeu por fim e desligou o comunicador.

Queria estar morando nos seus olhos
Nos momentos passageiros

— Robin!!! –Estelar chamou-o novamente, exigindo um pouco de sua atenção.

—Sim Star?- Ele perguntou sem virar seu olhar para ela, encarando o comunicador confuso.

—O que você acha dessa roupa?- Ela perguntou saindo da loja em uma alegria invejável, enquanto dava uma pequena volta, exibindo uma saia estilo colegial roxa e uma blusinha de marinheira branca com detalhes igualmente roxos.

— É.. legal- Ele disse sem muita emoção.

Estelar então pôs sua mão sobre a de Robin, companheira como sempre.

—O que foi? Qual o problema Robin?

— Ravena...- Ele disse franzindo as sobrancelhas, como se estivesse zangado com ela.

— Ravena?- Estelar perguntou com um olhar confuso, mas ainda com sua voz compreensiva- O que ela tem?

—Eu não sei... Ela tem evitado todos os titans ultimamente e seu comportamento está fora do usual...

—Acha que tem alguma ligação com o Trigon?

—Acho que tem alguma ligação comigo...

Estelar encolheu os ombros tristemente, imaginando o motivo do comportamento de sua amiga, mas o que mais à preocupava... era essa inquietação de Robin.

— Robin... posso.. posso te perguntar uma coisa?

Notas finais
Essa Música é do Larc in ciel, nada nessa música me pertence.