Notas iniciais
Enjoy! ^-^

- Eu não estava sonhando! – Gritou Sakura, ao acordar às três da tarde do mesmo dia, deitada em sua cama com o celular em mãos.

Uma foto sua e de Sasuke – enquanto ele beijava seu pescoço! – estava em um site de fofocas bem importante.

A mãe entrou no quarto correndo, ofegante e de olhos arregalados.

— Sakura? O que aconteceu? Você caiu da cama ou descobriu que está grávida? – A mulher parecia séria fazendo esta pergunta.

Olhou pra mãe com uma gota na testa, sobrancelha arqueada.

— Grávida, mulher? – Questionou, jogando o lençol de lado e levantando da cama, usando apenas um conjunto de lingerie vermelho. – Cê tá louca? Ai, ai… como posso ter saído daí? Kami, isso é castigo!

Passou pela mulher que lhe dera a luz e entrou no banheiro, balançando a cabeça em negativo com uma expressão de descontentamento. E ainda tinha gente que questionava o por quê de ela ser louca… Com uma mãe daquela, como ser normal?

Tomou uma ducha rápida, sem a menor vontade. Se pudesse, nunca mais lavaria o pescoço. Queria que a saliva de Sasuke continuasse ali, intacta. Pena que não era possível.

Vestiu-se da forma mais básica possível: calça jeans, camiseta e tênis; prendeu os cabelos em um rabo-de-cavalo, deixando a franja solta; usou apenas o indispensável de maquiagem, pegou a mochila que adorava carregar e saiu do quarto, rumo à cozinha.

Procurou nos armários até encontrar uma caixa de cereais de chocolate. Pegou uma vasilha, a caixa de leite na geladeira, e um pote cheio de morangos picados que guardava pra momentos como esse. Misturou todos os ingredientes e devorou-os rapidamente, ansiosa por sair de casa.

— Já comeu, Sakura? – Perguntou a mãe, entrando na cozinha vestida apenas com um robe vermelho. Embaixo de seus olhos estavam duas manchas cinzentas, seus cabelos róseos, como os da filha, estava desgrenhados, e os seus olhos castanhos não tinham brilho nenhum. – Você vai virar um palito, comendo desta forma.

Yuri Haruno sentou-se à mesa, em frente a filha. Tinha algumas poucas semelhanças com Sakura na aparência, além dos cabelos e da pele clara. Mas a rosada parecia bem mais com o pai, falecido há pouco mais de dez anos.

— Os cientistas ainda não conseguiram transformar as pessoas em palitos, mãe. – Respondeu a Haruno, limpando os lábios com um guardanapo de papel. Largou o tigela sobre a pia e começou a caminhar em direção à porta, parando por apenas um instante pra dar alguma informação sobre seu paradeiro: — Vou pra casa do Naruto, okay? Não precisa me esperar acordada. Talvez não venha dormir em casa.

Yuri já não parecia ouvir depois da primeira frase, mais interessada em destampar a garrafa de sakê. Grunhiu em resposta e continuou seu árduo trabalho, com um abridor como companheiro.

Naruto morava a uns poucos quarteirões, e a Haruno resolveu caminhar um pouco. Tinha os fones no ouvido e a voz de Sasuke gritava algumas das músicas que cantara no show. As imagens de sua maravilhosa madrugada repetiam-se em sua mente, sempre que fechava os olhos. O cheiro dele era tão bom, e a boca macia era ainda mais bonita de perto. E o que dizer daqueles olhos? Deus!

Atropelou uma senhora que carregava uma criança e que passava em seu caminho. A resposta para os comentários grosseiros da mulher foi um dedo do meio erguido em suas fuças. Humpf!

Encontrara com Sasuke uma vez, naquela mesma boate, há quase dois anos. Lembrava-se com tanta clareza que parecia ter sido no dia anterior.

Conhecera um dos amigos de Naruto, um tal de Kiba, que marcara com ela ali. Era a primeira vez que ia àquele lugar, e tanto a multidão quanto a música alta e o cheiro de cigarro a estavam incomodando.

Naquela época, com apenas catorze anos, podia facilmente se passar por uma garotinha de doze. Os seios ainda não haviam dado o ar de sua graça, era reta como uma tábua e a única coisa que chamava atenção em sua aparência, — além dos cabelos cor de rosa, é claro – eram os magníficos olhos verdes, como esmeraldas. Vestia roupas largas e sem graça, e parecia estar sempre com medo de tudo e de todos. Olhando para o passado, sentia um pouco de vergonha por ter sido aquela pessoa estúpida.

Quando Kiba chegara, vestido como um metaleiro louco, sentiu vontade de sair correndo, mas obrigou-se a ficar. Não podia fugir para sempre. Era a única garota da sua idade que conhecia que nunca havia dado um beijo na boca. Não sabia como havia conseguido sobreviver!

Naquele dia, permitira que a mãe escolhesse suas roupas, apesar da tragédia que poderia acontecer. Vestia uma saia de couro curta demais para o seu gosto, um top justo que exibia sua barriga chapada e o cabelo estava solto, batendo no quadril. Usava um pouco de maquiagem e parecia quase apresentável. Que bom que fizera-se o favor de mudar!

— Oi, gata! – Cumprimentara Kiba, dando-lhe um beijo molhado na bochecha, ou melhor, no cantinho da boca. Sentiu o coração acelerar. Apesar de meio doido, o moreno era um gato, com seus cabelos e olhos castanhos e o corpo musculoso. Além do quê, tinha dezoito anos. Experiência é Sempre bom!

— Oi. – Respondeu, tentando ser ouvido por sobre o barulho da música. – E aí?

— Vamos dançar! – Chamou Kiba, sem parecer se importar com o que a rosada dizia.

Antes que ela pudesse protestar, levou-a ao centro da pista de dança, onde alguns corpos já se enroscavam.

Kiba era, apesar de ela estar usando uma bota de salto, uns dez centímetros mais alto que os seus 1,63 m na época, então precisava erguer a cabeça para olhar-lo nos olhos, enquanto o rapaz agarrava-a pela cintura, quase lhe sufocando.

Ele começou a sussurrar algumas coisas em seu ouvido e sem que ela esperasse apossou-se de seus lábios, de forma quase agressiva. Apertava-a contra si, impossibilitando-a de respirar. A rosada começou ficou assustada e tentou se soltar, mas ele não permitiu, enfiando a mão por dentro de sua roupa e apertando o que deveria ser os seus seios no futuro.

Sakura conseguia, agora, identificar o cheiro de maconha em seu hálito. Na época só sentira um gosto muito estranho.

Então, quando ela pensara que seria estuprada no meio da pista de dança, foi bruscamente afastada do moreno. E alguém deu um murro no rosto deste, fazendo-o ir de encontro ao chão.

Arregalou os olhos, abraçando o próprio corpo com as mãos. Foi então que viu o seu salvador. Ele tinha olhos negros magníficos e um sorriso maravilhosamente encantador.

— Você está bem? – Perguntou, parecendo realmente preocupado. O coração da rosada disparara, e parecia estar batucando.

— Es-estou. – Murmurou, sem conseguir encarar-lo por mais de três segundos. Ficava tonta e parecia que iria desmaiar. – Muito obrigado.

Ele deu um sorrisinho de canto e fez um cafuné em sua cabeça, bagunçando os cabelos róseos.

— De nada, moçinha. – Respondeu como se falasse com uma criança. Por que não tinha seios?! – Mas acho melhor você ir pra casa. Deve ter alguns outros caras como aquele, capazes de usar e abusar de uma garota como você sem a menor culpa na consciência.

— Okay! – Sorriu pra ele e agradeceu novamente, antes de sair da pista de dança, empurrada pelas pessoas que se agarravam e dançavam.

O coração ainda estava acelerado quando chegara em casa, de carona, quase uma hora depois. Ele era tão Lindo! Não conseguia esquecer aqueles olhos negros como ônix.

Alguns meses depois a DarkAngels começou a ficar famosa, e ela reconheceu o seu salvador como sendo o líder da banda. Foi amor a primeira e segunda vistas! Desde então, ele era o único que ocupava sua mente.

Com o passar do tempo foi mudando. O corpo adquiriu formas, começou a usar umas roupas mais… sexyse se transformou. O que beijar não faz com uma pessoa?

Desde então ficara com alguns caras, — inclusive Kiba novamente – mas a cabeça continuava no moreno gostoso de olhos negros. Ao menos adquirira experiência… No final das contas, ele foi o primeiro por quem se apaixonou, e provavelmente, mesmo que nada acontecesse entre eles, nunca o esqueceria.