Together
1 Oneshot
Notas iniciais
Enfim, Me desculpem pelos erros, deve ter milhares... D:~
Não tem lemon, porque eu fui incapaz de fazer um. (?) q
Boa leitura.
O menor dos dois homens naquele pequeno apartamento, chorava. Não queria deixar o amigo ali, mesmo sabendo que o maior teria de voltar para Kanagawa. Achava até aceitável, já que sabia que ele voltaria logo. Mas a ligação de sua mãe, pedindo para voltar à Akihabara o destruira. Então, depois de anos a amizade acabaria ali?
- T-Tora... – Murai o chamou com a voz chorosa, soluçando. – Me... Me perdoe.. – E logo caiu no choro novamente.
- Tudo bem, pequeno. – O mais alto somente sorria, triste. Odiava chorar na frente de alguém. – Vamos nos reencontrar um dia. Não importa se demorar. – Falava enquanto puxava Nao para um abraço, afagando seus cabelos.
Fragilizado com a situação, Naoyuki caiu no choro mais uma vez, quando havia parado de chorar. Aquilo sobressaltou Tora. Não esperava que o outro chorasse. Pelo menos, um sorriso triste deveria ser mostrado por Nao.
Suspirou pesado, tendo um ódio de si mesmo por fazê-lo sofrer assim.
- Quando você parte? – A voz do pequeno ecoou no local.
- Hm... – Fitou o relógio no pulso. – Daqui a meia hora. Quer acompanhar-me até lá?
Nao assentiu, afundando o rosto no tórax do mais novo – mesmo que em míseros 2 meses. O tempo parecia correr, estando contra ambos. Quando Amano viu as horas novamente, faltavam meros 20 minutos para partir.
Foi até a mala, soltando o menor, falando baixinha que deveriam ir.
-x-
Murai se agarrava cada vez mais no braço de Shinji, atraindo olhares de nojo. Não eram namorados – apesar de Tora saber que o amava – mas agiam como se fossem às vezes.
Acordou de seus pensamentos ao sentir Shinji se mexer, o que lhe ‘obrigou’ a agarrá-lo mais forte.
- Nao, meu trem já vai partir... – Suspirou, se afastando do bochechudo. – Prometo voltar, ta?
- Hai... – Enxugou as novas lágrimas, dando um leve beijo na bochecha do maior. – Então, nos reencontramos no nosso apartamento.
- Pode deixar. Vai ser o primeiro lugar que eu vou pensar quando voltar. – Bagunçou os fios pretos do menor, se afastando.
Quando Nao viu Tora entrar no trem, a realidade veio como um tapa. O fato de ter que se separar do maior temporariamente, o deixava com vontade de morrer. Sabia que gostava do amigo, mesmo que nunca dissesse. E adora, vê-lo partir como água entre os dedos, machucava seu coração.
-x-
Amano acordou de seu sono quando uma mocinha esbarrou em seu corpo, já que estava sentado ao lado do corredor. Se levantou, pegando a bagagem e saindo dali. Seu olhar caiu, primeiramente, no irmão, que lhe esperava. Lembrara, também, que o odiava.
Seu irmão sabia que não gostava de mulheres e era praticamente vagabundo, por nunca arranjar um emprego fixo. E sabia que Hatsuo havia contado isso ao seu pai. Sentiu suas pernas tremerem ao ver o homem, já idoso, ao lado do irmão. O olhar do pai não era muito amigável.
Shinji se aproximou do dois, ignorando o sentimento de remorso por ter deixado Tokyo quando sabia que iria apanhar.
- Pai... Como vai a mamãe? – Resolveu perguntar assim que chegou bem perto dos dois.
- Muito doente. E a notícia de você ser gay a deixou muito triste. – O homem falou ríspido.
- Mas pai... Eu tenho direito de amar quem eu quiser. Não me trate como se eu ainda fosse um adolescente. – Suspirou pesado enquanto via o irmão mais novo se afastar. – Eu sei o que eu quero para a minha vida.
- Ora! Você é uma vergonha para nossa família, Shinji!
- E desde quando vocês me dão tanta atenção? Pelo que eu me lembre, quando eu era pequeno, vocês mal queriam saber de mim. Afinal, nunca ligaram para o idiota aqui! – Apontou para si mesmo. – Nunca nem lembravam de mim no meu aniversário. Então, por que tudo isso agora, droga?! – Fitava os olhos arregalados do pai.
De fato, tudo o que dissera era verdade. Depois do Hatsuo, o que ocorrera quando Shinji tinha apenas 3 anos, ele fora praticamente esquecido.
- Oras, seu filho mal-educado! Vou lhe ensinar a nunca mais falar assim com seu pai! – E, reunindo toda a força, o pai desferiu-lhe um tapa no rosto.
Tora se assustou um pouco, mas já esperava isso do pai. Deixou um suspiro cansado lhe escapar.
- Shinji... – Seu pai voltou a falar. – Nunca mais apareça na minha frente.
- Tudo bem. Então, adeus. – Deu de ombros, pegando a mala e saindo da estação.
Aquela cena deixou à quase todos que estavam ali, curiosos. Porém Amano ignorou-os.
Iria, por fim, para a casa de dois amigos seus, que moravam não muito longe dali.
O pai, ainda chocado, se surpreendeu ao ver o outro sair. Não conseguia, e nem ao menos tentava, entender o filho mais velho.
-x-
Naoyuki se encontrava no trem para Akihabara, já mais calmo. Tentaria, no mínimo, arranjar um namorado para esquecer de Tora até se reencontrarem.
Mesmo que essa idéia o machucasse.
Três anos depois...
O moreno se jogou no velho sofá rindo. Finalmente conseguira voltar para Tokyo. Agora, era só esperar o menor, e isso animava cada vez mais Tora. Não havia mudado muito, só tinha colocado um piercing no lábio inferior.
Depois de míseros minutos, ouviu a porta ser aberta e a doce voz de seu antigo amor se fazer presente. Levantou-se ao ouvir outra voz, esta desconhecida, junto da de Nao.
Assim que Murai entrou, virou-se para a sala. Olhou para o maior, quase chocado. E não pôde deixar de pensar em como o maior estava lindo...
- Tora! – Assim que finalmente acordou de seu ‘transe’, pulou em cima do outro, sorrindo.
Rindo, Amano segurou o outro. Seu olhar caiu no mais baixo de todos ali. Quem diabos era ele, afinal?
Afagou os fios negros de Nao, sentindo o perfume dele. Porém logo foram interrompidos por uma tosse forçada do terceiro jovem.
- Ah, Tora! – Se afastou deste. – Esse aqui é o Hiroto! – Passou um dos braços pelos ombros do pequeno. – Meu namorado.
A alegria de Shinji passara como um passe de mágica. Deveria ter ficado feliz pelo amigo, mas sentia seu coração sendo esmagado sem piedade.
Ignorando essa dor, se curvou levemente, numa referencia.
- Prazer. – Sorriu.
- O prazer é meu, Tora-kun. – Ogata sorriu docemente. – Nao-chan falou muito de você.
- Oh, mesmo? Espero que fossem coisas boas. – Se permitiu rir.
- Ora, Tora! – Nao emburrou.
- Calma, eu estava brincando, Nao-chan. – Disse entre mais risadas.
Shinji não sabia explicar, mas sentia-se feliz sabendo que o bochechudo falava de si para o namorado.
Mais tarde, naquele mesmo dia...
Hiroto se encontrava na cama de Murai, dormindo calmamente, enquanto os outros dois estavam conversando na sala. Falavam sobre os velhos tempos, e sobre tudo o que passaram.
Tora se controlava para não “atacar” o pequeno. Mas quando o viu se esticar, mostrando parte de seu abdômen, praticamente saiu de si.
Puxou o menor para perto de si, tomando-lhe os lábios com desejo. Nao ficou surpreso de início, porém correspondeu o beijo. Tentavam passar um para o outro todo o amor que sentiam, se esquecendo completamente do mundo. Murai não ligava se o namorado aparecesse naquele momento, na sala. Nunca tinha gostado tanto dele mesmo.
Só romperam o contato quando o ar se vez necessário. Murai fitava os olhos levemente esverdeados de Shinji, com o rosto corado.
- Tora... Por que fez isso...? – A voz saiu arrastada.
- Porque, céus, Nao! Você me enlouquece mesmo não querendo... – Suspirou. – Me desculpe dizer isso, mas eu sempre te amei.
Naoyuki arregalou os olhos. Tinha ouvido direito? Tora havia mesmo dito que lhe amava? Sua cabeça parecia girar, levemente tonto.
Queria poder falar que o amava também, mas como ficaria Hiroto?
Se levantou do sofá, engolindo seco.
- Eu... Preciso pensar, Shinji... – Suspirou. – Amanhã nós conversamos direito...
E dizendo isso, Nao se retirou da sala, indo para seu antigo quarto. Tora ficou mais um tempo na sala, se desgraçando por ter feito aquilo.
Por fim, resolveu ir para seu quarto, se trancando lá. Precisava dormir, para então, pensar em sua ação de hoje.
-x-
No dia seguinte, assim que acordou, Amano foi para a cozinha. Sempre acordava com fome.
Deparou-se com um bilhete na mesa, deduzindo ser de Naoyuki.
Ignorou o pedaço de papel. Não precisava saber que o outro havia saído com o namorado. Não precisava nem sequer lembrar-se de ambos.
Sentou-se à mesa, fitando o teto. Ficou pensando em tudo. Como pôde ser tão idiota, colocando em risco a amizade do bochechudo? E por que ele arranjara um namorado? Era para lhe causar ciúmes?
Tinha, realmente, colocado tudo a perder na noite passada. Mas não conseguiu se controlar...
Foi interrompido pelo barulho da porta. Olhou para a mesma e viu Murai entrando no apartamento, suspirando. Tora estranhou ao notar que o outro estava sozinho.
Levantou-se da mesa, indo para a frente do pequeno.
- Onde está seu namorado, Nao? – Cruzou os braços. Não se importava tanto com o Hiroto, mas não queria deixar Murai ‘triste’.
- Ele foi embora. – Abaixou a cabeça. – Eu terminei com ele...
- E por que terminou com o baixinho?
- Por que... Depois de anos, eu finalmente posso ficar com você.
E sem esperar uma resposta do maior, se aproximou dele, enlaçando seu pescoço com as mãos, para então, colar os lábios.
Amano realmente não esperava aquela ação vinda do outro moreno, porém, mesmo assim, abraçou a cintura deste, puxando-o para perto. E assim começava mais um beijo.
As línguas, como a noite anterior, se entrelaçaram, docemente. Só romperam o contato quando o ar se fez necessário.
Entreolharam-se brevemente, antes de voltarem a se beijar.
Tora não poderia sentir-se mais feliz. Depois de tanto tempo imaginando como seria o sabor daqueles lábios tão delicados do menor, finalmente provava do beijo deste.
Sabia, naquele momento, que teria o menor para si por muito tempo, se não ‘para sempre’.
Foi puxando Nao para o quarto, gentilmente. Precisava sentir aquele corpo pequeno.
E era isso que iria fazer.
Fim
Notas finais
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