Todos vão saber

5 O que significavam os crisântemos


Notas iniciais
OLÁ MEUS LEITORES LINDJOSS! Olaar Daph-chin :3 Desculpem a demora para atualizar a fanfic T.T eu estava cheia de coisas na faculdade e tava muito ruim de ter inspiração pra escrever. Mas agora trago com muito orgulho o desfecho dessa história foférrima e sofrida com nosso pivô bobão e leamdo da Seirin ♥ O capítulo ficou super grande (à pedido da dona do presente/fanfic u.u) então tenham paciência pra ler hihihi E PixelTyrell *-* Espero que você goste muito desse final. Estou meio nervosa para saber como vc vai reagir >< E queria dizer mt obrigada por ABSOLUTAMENTE TUDO! Eu te admiro muito do fundo do coração! Quero muito ser sua sis forever ♥ Você me ensinou e ainda está ensinando coisas preciosíssimas que já me ajudaram a evoluir muito. Mesmo que tenhamos mal entendidos, sei que a gente SEMPRE entende e respeita uma a outra e isso é o que há de mais importante numa amizade verdadeira ♥ Não é a toa q vc não só se tornou minha sis como tb uma das minhas escritoras favoritas! ♥ Te acompanharei onde quer q vc vá hihihi! Te amo siiiiiiiis ♥ Desfrutem do desfecho!

Quando Riko desligou o telefone, seus lábios estavam firmemente apertados numa linha de tensão.

O plano de Teppei era excepcional, principalmente por ter vindo de alguém lerdo como ele... Mas tinha seus riscos. E ela sabia muito bem que uma das hipóteses de tudo dar errado incluía ela mesma. Por ser garota, Riko sabia muito bem como [Nome] deveria ter se sentido com os boatos e fofocas sobre ela e Teppei. E o pior é que tudo parecia piorar com as tentativas do camisa sete de tentar consertar tudo.

[Nome] não havia esquecido tudo o que acontecera. Ela ainda se sentia humilhada. E Riko sabia que a culpa era em parte sua. Ela tinha quase certeza que se Teppei agisse da forma como as coisas estavam, o plano com certeza iria por água abaixo. E só havia uma forma de impedir que tudo desse errado.

Ela, Riko, teria que tomar uma atitude de uma vez por todas.

Estreitando os olhos para seu celular que continuava preso entre seus dedos, a garota permitiu que a decisão tomasse conta de si.

"Amanhã... Eu vou fazer isso amanhã. Não aguento mais carregar essa culpa que não deveria ser minha...", ela pensou fechando os olhos e apertando o aparelhinho em sua mão.

Decidida e conformada, a treinadora tornou a apagar a luz de seu quarto e se deitou.

Definitivamente, aquilo não passaria de amanhã.

*

Sabendo através de Kiyoshi que [Nome] sempre chegava em cima da hora para a aula, Riko esperou o intervalo para que pudesse conversar com ela. Assim que o sinal tocou, a colegial colocou-se de pé e se dirigiu prontamente para a sala do primeiro ano B. Chegando lá, encontrou [Nome] conversando com as amigas enquanto lanchava. Sem ligar para os olhares curiosos sobre ela, entrou na sala e serpenteou entre as carteiras até parar ao lado da primeiranista. As outras garotas pararam subitamente de conversar quando Riko se aproximou e a encararam com um olhar entre a curiosidade e o receio.

—Ohayo. – a treinadora do time de basquete cumprimento com um sorrisinho.

—Ohayo... – as outras responderam um pouco acanhadas.

Só [Nome] guardou silêncio. Vendo que ela não reagia, uma de suas amigas lançou-lhe um olhar significativo e pigarreou baixinho.

—Yo. – [Nome] respondeu sem ânimo e sem olhar para Riko.

—Posso falar com você um instante? – perguntou a veterana sem se deixar intimidar pela postura fria da outra.

A garota já tinha a resposta pronta na ponta da língua, mas no instante que virou o rosto para encarar a terceiranista, viu algo nos olhos dela que a fez hesitar soltar o não curto e seco que pretendia dizer. Sua intuição sabia que o assunto era Kiyoshi, e ela não queria nem sequer ver a sombra do garoto. Porém, sua intuição também lhe dizia que Riko tinha algo importante para dizer, algo que ela precisava ouvir. Além disso, ela e Riko costumavam ser amigas. Ela com certeza não diria nada com más intenções.

Sem dizer nada, [Nome] se levantou e assentiu de leve. A veterana girou nos calcanhares e saiu o mais discretamente possível com a caloura em seus calcanhares. Quando o corredor se tornou mais vazio, a mais velha interrompeu sua caminhada e girou para ficar de frente para [Nome]. Sentindo o corpo tremer com o nervosismo, a menina esperou que Riko começasse a falar sem conseguir olhar diretamente para ela.

—Eu devo isso ao Teppei, e principalmente a você. – ela começou com um tom firme. – Eu não estou insinuando que você reate com ele ou coisa do gênero, eu só quero te contar a verdade.

[Nome] ergueu a cabeça num sobressalto. Verdade?

—É verdade que eu e o Teppei namorávamos. Só que foi no começo do primeiro ano e nós fomos muito precipitados. Confundimos um sentimento fraterno muito forte com amor. Tanto que um tempo depois terminamos sem brigas ou desentendimentos, e até hoje ele é meu melhor amigo.

[Nome] analisou minuciosamente a postura da outra. Ela não estava nem um pouco nervosa e falava tudo com naturalidade, o que sustentava o argumento de que ela não alimentava mais nada por Kiyoshi. Além disso, seria completamente ilógico Riko desmentir seu sentimento por Teppei para [Nome] caso ainda sentisse algo por ele.

—Aqueles boatos idiotas que você escutou... Tudo não passou de especulações de quem não tem mais o que fazer a não ser cuidar da vida alheia. – ela viu claramente a raiva preenchendo cada som que saía da boca da treinadora do time de basquete. – Eu e Teppei não estamos juntos há séculos e...

Nesse instante, Riko interrompeu subitamente sua fala e corou olhando para seus sapatos. Ela bateu um pé no outro e colocou os braços para trás, torcendo os dedos uns nos outros. [Nome] esperou confusa e surpresa até que ela concluísse a frase, mas nada veio. A garota parecia estar lutando bravamente dentro de si para colocar para fora alguma coisa que parecia entalada.

—E? – incentivou [Nome] com as sobrancelhas levantadas denunciando sua curiosidade.

Riko balançou energeticamente a cabeça como se pudesse espantar seu embaraço com aquele gesto. Endireitando sua postura para uma mais descontraída, mas ainda mantendo o rubor em suas bochechas, ela finalmente falou:

—E eu, na verdade, gosto de outra pessoa.

[Nome] arregalou ainda mais os olhos e piscou atônita para a terceiranista. Jamais lhe passara pela cabeça a hipótese de Riko gostar de outra pessoa. Ficara tão envenenada por aqueles boatos ridículos que nunca parara para refletir sobre a real relação que existia entre ela e Kiyoshi. Era verdade que os dois eram muito atenciosos e cuidadosos um com o outro, mas agora [Nome] percebera que aquele cuidado parecia mais que existia entre dois irmãos muito próximos.

—Ah... – foi a única coisa que ela conseguiu dizer.

Era inegável que estava muito curiosa para saber quem era, mas reprimiu sua pergunta. Há pouco esnobara Riko, não caberia um comportamento de amiga super íntima naquele momento.

—E-eu não contei pra você antes porque... – Riko estava tropeçando nas palavras, tentando entender porque sentia uma vontade tão grande de dividir isso com [Nome]. – Porque nem eu estava certa desses sentimentos. Eu sempre tive medo de admitir que eu gostava dele, mas agora...

A colegial cobriu o rosto momentaneamente com as mãos e esfregou os olhos. Agora fazia sentido. Não dividira aquilo com ninguém, nem mesmo com Kiyoshi. Tinha muito medo do que poderia acontecer se dissesse aquelas palavras em voz alta. Entretanto, escondera aquele sentimento por tanto tempo que agora sentia uma necessidade gigantesca de compartilhar com alguém.

—Quem? – [Nome] fez a pergunta antes mesmo de perceber que queria tanto fazê-la. Assim que ouviu sua voz, tapou automaticamente a boca com a mão.

Riko sorriu diante do gesto.

—Está tudo bem, [Nome]-chan, eu queria contar pra você de qualquer forma. Você é a minha amiga mais próxima, então é justo.

A mais nova se sentiu muito culpada com aquilo. Odiara silenciosamente a garota quando a confusão com Teppei começara, e por mais que considerasse Riko sua amiga antes, ela ficara cega pela tristeza que tomara conta de seu coração.

Riko respirou fundo, reunindo coragem para dizer a verdade sobre seus sentimentos em voz alta para [Nome]:

—Eu... Eu gosto do... – Deus, porque estava tão difícil dizer o nome dele? – Hy-Hyuuga Jun-Junpei.

—Hah? – a outra deixou escapar, arrependendo-se logo em seguida. – D-digo... É que eu não imaginava. Você dois agiam como... como se vissem só como amigos...

A garota de cabelos castanhos assentiu.

—Era o meu jeito de disfarçar. Afinal, eu e Hyuuga nos conhecemos desde pequenos e sempre fomos grandes amigos... O sentimento surgiu sem que eu percebesse. Quando eu vi, já estava gostando dele.

[Nome] nem sabia o que dizer. Era tanta informação de uma vez só que ela só conseguia encarar a amiga com um ar perdido, as sobrancelhas exageradamente arqueadas. Por outro lado, Riko sentia um alívio indescritível, como se tivesse tirado uma tonelada de suas costas que arrastara por anos.

Nesse momento, arrancando ambas as adolescentes de seus próprios pensamentos, o sinal tocou sinalizando o final do intervalo. As duas se sobressaltaram, olhando assustadas para os lados. Uma multidão de alunos começou a encher os corredores.

—Bom – disse Riko ainda sem graça por ter dito sobre seus sentimentos por Hyuuga para [Nome]. – Era isso que eu queria te falar. Pode continuar com raiva do Teppei por outras coisas que ele tenha feito ou deixado de fazer, mas toda a parte relacionada a mim foi construção de gente fofoqueira que não tem o que fazer.

[Nome] só conseguiu confirmar com a cabeça. Um estranho sentimento de leveza começara a preencher seu peito aos poucos desde o começo da conversa.

—Até mais tarde, [Nome]-chan. – Riko acenou se distanciando no corredor. – Ah! É mesmo. Venha assistir a semifinal amanhã! Vai ser bom pro time reunir torcida!

—Ah! Uhum... – a garota ergueu a mão para acenar de volta e ficou parada próxima a parede enquanto os estudantes passavam por ela conversando alto e rindo.

Sua mente estava completamente em branco e ela se sentia como se ao invés de órgãos e músculos ela tivesse hélio preenchendo toda a extensão de seu corpo. Várias perguntas tentavam se organizar em sua cabeça ao mesmo tempo, mas todas as palavras esbarravam umas nas outras, tropeçavam e acabavam se perdendo de novo.

Por que... Por que mesmo a briga entre ela e Teppei começara?

Ah! Ele e a Riko no vestiário.

Mas isso já está fora de questão. Riko não tem nada com ele.

Quais eram os outros motivos?

Ah! As fofoqueiras na biblioteca, os boatos...

Também fora de questão.

Tinham mais alguns... Uh!

Enquanto andava de volta para sua sala de aula, uma fisgada acertou seu peito do lado esquerdo. Ela começara a se encher de esperança achando que com aquela conversa poderia concertar as coisas com Teppei, mas acabara de se lembrar dos outros motivos.

Kiyoshi a tratara como mais uma em sua vida. Não fizera questão que ninguém soubesse que os dois eram namorados. Fizera tudo sem cerimônia, sem planejamento e cuidado para ela. Até mesmo o pedido de namoro...

Ela apertou os lábios e reprimiu um soluço. Agora ela finalmente percebera.

Desde o começo, por mais que Kiyoshi tivesse sido um idiota com ela, [Nome] tentara encontrar alguma saída, algum argumento que justificasse o sentimento que ela tinha de reatar com ele. Apesar de tudo, ela ainda amava aquele gigante bobão e lerdo.

Lembrou-se então de todas as tentativas de Teppei de pedir desculpas para ela, e como ela havia rechaçado tudo com frieza. Deus! Será mesmo que ele merecia aquele tratamento tão seco e insensível? Por mais idiota que fosse, ele não deixava de ser um amor e muito carinhoso. As horas que passara passeando com ele, assistindo filmes, tomando chá e comendo os bolos deliciosos que a avó dele fazia... Tudo isso a fizera extremamente feliz.

Algo quente começou a incomodar o canto de seus olhos. Ela nem percebera que já se encontrava sentada em sua carteira com o rosto enterrado em seus braços cruzados. Erguendo a cabeça, ela percebeu que estava chorando.

Chorava de saudade de estar com Teppei.

Mordendo o lábio, ela começou a se lembrar de todos os motivos que a levaram tomar a decisão de terminar com ele. Depois, enfileirou tudo o que Riko dissera e tudo o que ele já fizera para ela. Pesando-os numa balança imaginária, ela viu a haste oscilar indecisa durante vários segundos. O que ela deveria fazer? O que valia a pena?

Enquanto a balança continuava a oscilar, subitamente uma lembrança lhe preencheu a mente. Era o rosto embaraçado de Kiyoshi, de pé diante da porta de sua casa segurando um buquê de crisântemos e uma caixa de chocolates. Lembrava-se de ele desviar os olhos constrangido, para depois tornar a encará-la com um amor e uma culpa indescritíveis.

"Eu sei que errei com você, tanto que nem sei como vou conseguir consertar isso, mas... Eu realmente... Eu amo você.".

—Teppei..., ela suspirou baixinho.

Apertando os olhos, a garota voltou a enterrar seu rosto entre os braços.

Ela ainda não decidira o que fazer, sua mente ainda se perdia com o oscilar da balança dos prós e contras. Porém, algo já começara a acontecer...

Ela jamais admitira para si mesma, nem naquele momento e nem depois.

Sua cabeça podia estar confusa com o que fazer... mas seu coração já sabia há tempos o que ela queria.

*

—Teppei, eu já ajeitei tudo. – informou Riko andando pelo vestiário assim que todos os membros saíram sobrando apenas ela e o pivô.

Ele balançou a cabeça e sorriu.

—Obrigado, Riko.

Com uma leve curva em seus lábios, a treinadora se aproximou do amigo e deu-lhe um tapa na testa.

—Só não faça burrada, está bem? Essa é a sua última chance.

Os olhos castanhos do gigante se tornaram apreensivos.

—Eu sei. Mas eu não vou perder... nem para a Kaijo e nem essa última chance.

Alargando o sorriso, a colegial caminhou para fora do vestiário e disse:

—Gostei. Agora, vamos lá!

—Hai! – bradou o central da Seirin fechando a porta atrás de si.

Riko seguiu direto para o ginásio, as luzes cegando-a momentaneamente quando a sombra das arquibancadas deixou de protege-la dos holofotes. Assim que conseguiu focalizar o banco de reservas da Seirin, gritou:

—Tsuchida-kun, pode vir aqui um minuto?

*

[Nome] não tinha percebido que prendera a respiração nos segundos finais do segundo período do jogo da Seirin contra a Kaijo. Ela sentiu o peito arder em protesto e inconscientemente relaxou o diafragma.

O jogo estava muito tenso e apertado. A Seirin estava tendo sérios problemas com o ás do outro colégio, Kise Ryota. [Nome] não se envolvia tanto com basquete, mas o fato de Teppei estar jogando com o joelho lesionado... E ainda por cima naquela disputa tão acirrada...

Quando a garota percebeu qual o rumo de seus pensamentos, balançou a cabeça para espantá-los. Bancar a preocupada com Teppei, mesmo mentalmente, era a última coisa a que ela tinha direito naquele momento.

Tentando não se deixar entristecer por perceber o quanto fora realmente doloroso se afastar do pivô da Seirin, [Nome] ergueu os olhos para a quadra e observou a movimentação. Durante o intervalo, eles costumavam exibir números artísticos ou fazer gincanas com os espectadores. Naquele momento, algumas pessoas organizavam caixas de som na lateral da quadra, enquanto os responsáveis pelas câmeras giravam-nas para focas um único ponto próximo à cesta mais próxima da arquibancada.

"O que será que vai ser dessa vez?", pensou a colegial apoiando os cotovelos nos joelhos.

Subitamente, o telão se acendeu e a tela brilhou com uma luz rosa e vários desenhos de coração. Era a "Love's Kiss Cam". O ginásio era gigantesco e comportava várias quadras, então as câmeras que antes filmavam os outros jogos que se desenrolavam agora se dedicavam a filmar casais na plateia. Eles apareciam no telão, riam, alguns se embaraçavam cobrindo o rosto com as mãos, mas no final acabavam cedendo e dando um leve selinho.

[Nome] riu com as várias visões dos casais, mas ao mesmo tempo sentiu uma dor comprimir seu peito. Ficou imaginando estar assistindo ao jogo ao lado de Teppei, e subitamente a câmera os focaria no telão. Ela tinha certeza que ele acharia tudo muito engraçado e divertido, e a beijaria sem hesitar, mas não sem antes dar aquele sorriso lerdo tão característico.

Essa visão trouxe lágrimas aos seus olhos. Se isso acontecesse... Daquela forma todos saberiam que eles estavam juntos. Será que...

Ela piscou, esfregando os olhos com muito mais força do que o necessário para secar as lágrimas. O pensamento que se formara em sua cabeça era muito perturbador. Era uma dúvida que se fosse confirmada, jogaria grande parte dos argumentos de [Nome] no chão para terminar com Kiyoshi.

E se ele não tivesse tido a oportunidade certa de demonstrar que ele a amava e que ambos eram namorados? Ele agia como um legítimo namorado quando saiam andando de mãos dadas pelas ruas no fim de semana. O problema tinha sido apenas na escola...

Nesse instante, o telão parou de pular de casal em casal e voltou para a tela inicial do "Love's Kiss Cam". Alguém fez um pronunciamento, mas [Nome] não conseguiu distinguir as palavras por causa dos ecos e do barulho ao seu redor. Ela esticou o pescoço tentando entender o que aconteceria naquele instante, mas muitas pessoas faziam o mesmo, e ela não conseguiu ver praticamente nada da quadra. Sentindo-se um pouco envergonhada para levantar, ela continuou com suas tentativas de ver algo esticando o pescoço e mudando a inclinação do tronco de um lado para o outro. Um novo pronunciamento se fez ouvir nos alto-falantes, e as duas únicas palavras que ela escutou a fizeram congelar onde estava.

Poderia ter sido apenas sua imaginação, mas eles haviam dito Kiyoshi Teppei!?

As pessoas haviam parado de se agitar tanto e agora ela finalmente podia ver a quadra. E o que ela viu... simplesmente não podia ser verdade.

Kiyoshi estava andando calmamente até o garrafão mais próximo das arquibancadas. Ele se aproximou do pessoal ali reunido, e todas as câmeras ao redor da quadra se ajustaram para focalizar o pivô. Alguém o entregou um microfone e ele segurou com uma expressão confusa. Ele ergueu o indicador e testou o aparelho, causando um estalo nas caixas de som que repercutiu em forma de protestos nos espectadores. Nesse instante, ele se virou para o lado da arquibancada na qual ela se encontrava e seu rosto bobão e levemente embaraçado apareceu em todos os telões.

—Ha, ha, ha. – ele riu sem jeito passando a mão pelos cabelos. – Me desculpem. Eu não tenho muito jeito com isso. Hoje eu só vim aqui para dizer algo muito importante.

Sua expressão se alterou bruscamente para uma mais séria, aquele típico olhar determinado que Teppei conservava durante os jogos. Não era hostil, e sim repleto de confiança e calma. Um leve sorriso fez seus lábios se curvarem e ele correu os olhos pela multidão.

—[Nome], você está aí?

Ouvir seu nome ser dito por ele nos alto-falantes, com centenas de pessoas escutando e ainda por cima sem sufixo nenhum fez a garota dar um pulo em sua cadeira e depois enrijecer todo o corpo. Ela não conseguia se mexer nem um milímetro. Parecia que tinha sido subitamente mergulhada em alguma alucinação maldosa. Não era possível que Kiyoshi estava fazendo aquilo em escala nacional.

Um burburinho correu os espectadores, e todos se perguntavam quem era a tal [Nome] que Kiyoshi chamara. Alguns esticavam os pescoços para procurar algum sinal da presença da garota, e os camera men perscrutavam a plateia buscando o rosto que eles queriam tanto exibir nos telões ao lado do camisa sete da Seirin.

—Não tem problema, [Nome]. – Teppei continuou subitamente fazendo todos se voltarem novamente para ele. – Eu entendo que é meio embaraçoso isso tudo.

Ele coçou a bochecha e tornou a rir daquele jeito tão característico e único.

—De qualquer forma, eu sei que você está aqui em algum lugar. – a forma como ele enfatizou o "sei" fez [Nome] sentir um calor subir por seu peito. – E o que importa é que você e todas as pessoas aqui me escutem.

Ele fez uma pausa, ainda procurando pela multidão o rosto da garota, mas ele não conseguia ver nenhum deles claramente. Se dando por vencido, ele retomou a palavra:

—A [Nome] é uma garota incrível que eu conheci na Seirin. Não demorou muito para que eu me apaixonasse completamente por ela e logo em seguida a pedisse em namoro.

Na arquibancada, a garota se contorcia internamente dando tudo de si para não demonstrar nenhuma reação. Seu rosto queimava de tanta vergonha, e ela simplesmente não podia acreditar que Teppei estava contando tudo aquilo com detalhes, franqueza e para todo o Japão!

—Só que... Eu acabei não sendo o cara que ela precisava. Acabei confundindo as coisas e não tratei ela como deveria. Não me dei ao trabalho de deixar bem claro para os outros, e principalmente para ela que eu a amava e que éramos um casal. – ele havia abaixado os olhos e uma leve frustração tomou conta de sua expressão. – Por isso, hoje eu quero que todos vocês saibam que a [Nome] é...

Ele varreu a arquibancada mais uma vez, os olhos meigos e brilhantes. Com um sorriso tenro, ele completou.

—A garota que amo.

Ela já não podia mais aguentar. Teppei estava sendo tão franco, falando tudo com emoção e naturalidade diante de tantas pessoas... Aquilo era...

Lágrimas grossas escaparam de seus olhos e rolaram por suas bochechas ferventes pela vergonha.

—Eu sei que parece idiota, mas eu queria muito que todos soubessem disso. Eu realmente a amo, e por isso queria muito te pedir desculpas, [Nome], por tudo. Me desculpe de verdade, [Nome]. Obrigado e boa noite a todos. – ao finalizar a fala, Kiyoshi foi ovacionado por uma salva calorosa de palmas.

A garota cobriu a boca com as mãos para reprimir os soluços. Teppei não estava ali para pedi-la em namoro diante de centenas de pessoas para que ela se sentisse pressionada a aceitar para não o humilhar em escala nacional. Ele não estava ali para pagar de romântico e fazer todos suspirarem "own" pelo gesto dele. Ela conhecia o camisa sete da Seirin. Ele odiava fama, odiava pessoas puxa-saco e era um cara extremamente simplório em suas ações e sentimentos. Se Teppei tinha dito que estava ali para que todos apenas soubessem que ele a amava, era exatamente isso que ele queria e nada mais.

Sem conseguir se conter, [Nome] levantou-se de súbito e berrou:

—Teppei!

Todos ao redor dela olharam-na assustados, mas depois de alguns segundos eles entenderam que ela era a garota da qual o pivô da Seirin falara. O burburinho começou novamente, mas ela não se importou. No telão, ela pôde ver o rosto assutado de Kiyoshi procurando desesperadamente por ela, esquecendo-se completamente que estava segurando o microfone e que podia chama-la outra vez. Sem pensar duas vezes, a garota começou a saltar e se desviar das pernas que barravam seu caminho até o corredor lateral da arquibancada.

Precisava descer lá.

Precisava dizer a ele que aceitava suas desculpas.

Precisava se desculpar também...

E precisava dizer que também o amava.

Ela correu cega e desesperada para os corredores do ginásio, mas antes que pudesse fazer sua primeira curva na tentativa de encontrar o caminho para a quadra, ela esbarrou em alguém. [Nome] ergueu os olhos e focalizou o rosto de Tsuchida, um dos jogadores da Seirin.

—Tsuchida-kun! – ela berrou em agonia. – Por favor, me leve até a quadra!

Ele sorriu e ergueu o polegar para ela.

—É para isso mesmo que fui designado!

Sorrido, [Nome] deixou que o jogador seguisse na frente e os dois correram pelos corredores o mais rápido que suas pernas permitiam. Quando a luz dos holofotes apareceu no final de um deles, o coração da garota dobrou o ritmo das batidas e ela quase desmaiou ali mesmo. Mas o desejo de se jogar nos braços de Teppei e concertar tudo a manteve de pé correndo em direção ao que ela mais queria.

Quando os dois entraram na quadra, Tsuchida fez um aceno e murmurou "boa sorte, vai lá", seguindo de volta para os bancos dos reservas. Os times já estavam retornando do vestiário. Eles precisavam ser rápidos.

Ela avançou para dentro da quadra, em direção ao garrafão. Suas pernas tremiam furiosamente, mas ela forçou-se a colocar um pé na frente do outro. Teppei olhava para ela com os olhos arregalados e a boca levemente aberta. Não acreditava que [Nome] estava ali diante dele. Ele realmente não imaginara que ela iria aparecer. Para ele, ela estava machucada demais para tanto, então a única coisa que ele queria era mostrar para ela o quanto ele realmente lamentava tudo que ele havia feito. E somado a isso, permitiu um desejo egoísta de dizer a todos que a amava, mesmo depois de tudo acabado entre os dois.

—[Nome]? – ele chamou incrédulo.

Ela parou de andar e ergueu as mãos na altura do peito, unindo-as como se assim pudesse sustentar seu corpo de ceder a tremedeira. Era tão bom ouvir seu nome sendo pronunciado por ele, ainda mais sem sufixo nenhum. Kiyoshi piscou olhando para ela algumas vezes e estendeu o braço para quem quer que estivesse atrás dele. Algum assistente ali correu e pegou o microfone da mão do pivô antes que ele o deixasse cair. Com as mãos livres, Teppei finalmente se aproximou um passo da garota e ficou observando-a com o olhar trêmulo.

Ela estava ali... Tão perto...

Tudo havia desaparecido. O ginásio, os espectadores, as câmeras, o telão...

Só haviam os dois ali.

—Teppei... – ela disse com a voz quase inaudível, as lágrimas formando um fluxo contínuo em suas bochechas.

Céus, como era bom ouvi-la chama-lo pelo primeiro nome!

E sem palavra nenhuma, sem explicação, sem pedir licença, a garota eliminou a distância que havia entre os dois com três passadas e se atirou nos braços dele, envolvendo seu pescoço com toda a força que seus braços tinham e enterrando o rosto lacrimoso em seu peito.

—Teppei. – ela arfou soluçando. – Me desculpe. Eu... Eu não devia ter sido tão fria com você.

Recuperando-se do choque de tê-la em seus braços, Kiyoshi finalmente devolveu o abraço trazendo-a para mais perto de si. Nossa, como desejara aquilo por dias!

Eles estavam tão absortos em si mesmos que haviam se esquecidos completamente que estavam no foco das câmeras da quadra. Eles não ouviam, mas havia uma comoção de "owns" enlouquecidos vinda da arquibancada, principalmente por parte das meninas. O telão estava tomado pela imagem dos dois abraçados, arrancando ainda mais suspiros e alguns protestos dos presentes.

—Está tudo bem, [Nome]. Eu entendi seus motivos, e achei muito justo. Eu que te devo desculpas. – e dizendo isso ele apertou-a ainda mais e beijou o topo da cabeça da menina.

—Teppei. – ela chamou erguendo a cabeça para olhá-lo nos olhos. – Obrigada. Eu amo você.

Os olhos do gigante brilharam de uma forma fofa e inebriante. Sutilmente, um sorriso curvou seus lábios para cima, que acabou evoluindo para aquela risada que [Nome] tanto amava.

—Caramba, [Nome]! Eu estou tão feliz! – o pivô disse com sua típica franqueza passando a mãos pelos cabelos castanhos.

A garota ressoou sua risada ainda aninhada em um de seus braços, o rosto fervendo novamente, mas agora com um misto de vergonha e felicidade.

Meio constrangido, um dos homens responsáveis pela montagem das caixas de som aproximou-se dos dois e pigarreou:

—Ahm... O jogo já vai recomeçar. Precisamos liberar a quadra.

[Nome] corou até a raiz dos cabelos e Kiyoshi riu outra vez, meio desconcertado.

—Ha, ha! Desculpe, desculpe! Nós já estamos indo!

Ele pousou a mão na cintura de [Nome] e levou-a para a lateral da quadra debaixo de uma salva de aplausos enlouquecida. Quando eles passaram pelo banco de reservas da Seirin, o casal viu Riko fazendo um sinal positivo com o polegar e piscando um olho. Os dois sorriram e acenaram de volta.

Teppei acompanhou-a até a entrada para o corredor dos vestiários e antes de voltar para a segunda metade do jogo, segurou [Nome] diante de si e olhou profundamente em seus olhos. Metade do rosto da menina estava imerso na sombra que a arquibancada projetava sobre o chão. As mãos do pivô rodeavam a cintura da menina com vontade, e ele tinha uma expressão concentrada.

A garota sustentou o olhar dele de forma apaixonada, mas logo se sentiu constrangida. O que ele tanto observava no rosto dela?

—[Nome]... – ele chamou novamente, a voz firme, mas carinhosa. Ao dizer o nome dela, ele a puxou para mais perto, tirando-a do alcance da sombra.

—Quero ver seu rosto com todos os detalhes possíveis antes de ir pro jogo. Vou tê-lo em mente o tempo todo, principalmente nos momentos que eu sentir vontade de desistir.

—T-Teppei! – ela exclamou sem saber como reagir àquilo.

—Obrigado, [Nome]. Muito obrigado de verdade. Depois disso, eu com certeza não irei perder contra a Kaijo, e eu quero você comemorando nossa vitória comigo, bem ao meu lado.

Ela piscou várias vezes, os olhos correndo por cada traço do rosto determinado de Kiyoshi. Foi aí que ela entendeu. Ele precisava do apoio dela. Ficara tanto tempo afastado que começara a se desesperar com o vazio que ela deixara em sua vida. Não era a toa que ouvira boatos que o desempenho de Teppei caíra durante os jogos depois que eles haviam terminado.

Ela era um pilar. Ela era uma das razões que fazia com que ele ainda fosse chamado de "Coração de Ferro".

Quando conseguiu absorver a verdade, [Nome] ergueu as mãos e segurou o rosto do jogador com carinho. Ele piscou arregalando os olhos.

—Gabatte, Kiyoshi Teppei! Eu vou estar bem aqui, torcendo por você!

E ao terminar a frase, a garota inclinou a cabeça e depositou um beijo doce nos lábios dele. Mal o contato foi cortado ela sentiu os braços fortes do central da Seirin envolvendo-a outra vez, seu rosto se enterrando na curva de seu pescoço.

—Eu te amo, [Nome].

Ela repetiu o gesto e murmurou:

—Eu também te amo, Teppei.

O jogador soltou-a lentamente. Abaixou-se para beijá-la mais uma vez. O toque dos lábios de [Nome] tinham um efeito melhor que endorfina na corrente sanguínea do adolescente. Satisfeito, o pivô voltou para a quadra, mas não antes de ouvir a voz da garota que ele amava mais uma vez:

—Você vai vencer, Kiyoshi "Coração de Ferro".

Ele interrompeu seus passos a meio caminho do banco de reservas e sorriu.

Céus, como ele odiava aquele título...

Mas, por algum motivo, ele soava completamente perfeito nos lábios de [Nome].

*

—Vencemos! Vencemos!

Os jogadores da Seirin se agitavam sem parar, abraçando uns aos outros e distribuindo tapinhas nas costas um dos outros. Quando teve certeza ter cumprimentado todos, Teppei correu os olhos para a entrada para os vestiários. [Nome] estava lá de pé, um pouco afastada do banco dos reservas, os olhos cheios de lágrimas de felicidade. Sem pensar e sem se importar com nada, Kiyoshi correu até ela e abraçou-a com força, erguendo-a do chão e girando-a no ar.

—Nós conseguimos, [Nome]! Nós vencemos! – ele berrou transbordando de alegria, pequenas lágrimas saltando do canto de seus olhos.

Ele a girou mais duas vezes e colocou-a novamente no chão. Ela o olhou cheia de orgulho e felicidade por ter podido estar ao lado de Kiyoshi naquela semifinal tão acirrada e tensa.

—Vocês merecem, Teppei. Vocês são um time de verdade. Estou tão feliz por vocês!

Ela sorriu, aquele sorriso aberto e brilhante que o camisa sete tanto amava. Sem conseguir se refrear, o pivô a puxou pela cintura e depositou um beijo apaixonado nos lábios da garota. Ela perdeu o fôlego por um instante, mas logo sentiu seus músculos relaxando e deixou-se levar pelos movimentos dos lábios dele.

Quando eles sentiram o calor subir entre seus corpos, [Nome] decidiu recuar para que eles não passassem dos limites bem ali, na frente de tantas pessoas. Eles se fitaram, as bochechas rosadas os solhos brilhando.

—Teppei! – berrou Riko um pouco mais afastada.

O central ergueu a cabeça e olhou para a treinadora, apontando para o próprio rosto.

—Eu?

Ela assentiu, o rosto tomado por um sorrisinho de quem estava aprontando alguma coisa. A colegial fez um sinal para que ele se aproximasse. Dando de ombros para [Nome], que imitou seu gesto, ele avançou até a outra garota um tanto receoso. Riko o puxou pelo braço para que ele se abaixasse e murmurou alguma coisa no ouvido dele. Sua expressão perdida foi se alterando aos poucos para uma de choque, e em seguida mudou bruscamente para uma de euforia intensa.

[Nome] ouviu Teppei agradecer Riko repetidas vezes e depois voltar a se juntar a ela.

—[Nome], você tem compromisso agora?

A garota piscou atônita e balançou a cabeça.

—Não, por quê?

Kiyoshi segurou a mão dela e puxou para mais perto.

—Ótimo. Vou te levar em casa para que você tome banho e se arrume. Vou para minha casa para me arrumar também. Tenho uma surpresa especial.

[Nome] arregalou os olhos para ele. Céus, o que diabos Teppei aprontaria?

*

[Nome] finalmente conseguira terminar de se arrumar. Estava retocando a sombra discreta que passara quando a campainha soou. Sem dar brecha para que os pais atendessem a porta, a garota saltou rapidamente os lances da escada e parou derrapando na frente da porta. Deu uma última ajeitada no visual, respirou fundo e girou a maçaneta.

Kiyoshi estava parado diante da porta trajando um conjunto simples, mas elegante. Usava uma calça bege de tecido, sapatênis pretos, uma camisa branca de botão e um blazer preto por cima. No braço ele trazia um buquê de crisântemos vermelhos, os mesmos que ele trouxera da última vez. Um pouco envergonhada pela lembrança, a garota se encolheu e olhou acanhada para o chão. Percebendo o embaraço da garota, Teppei sorriu e se abaixou até que seu rosto ficasse no mesmo nível do dela. Ela ergueu um pouco os olhos, pega de surpresa pela aproximação súbita e silenciosa do jogador. Antes que ela pudesse saltar para trás, ele selou seus lábios com um beijo muito doce que a confortou completamente, tirando toda a vergonha e o constrangimento de seu coração. Quando o beijo terminou, Kiyoshi se endireitou entregando o buquê para [Nome]. A menina o segurou com todo o cuidado e carinho do mundo, cheirando-os de leve.

—São lindos! E cheiram tão bem!

Ela sorriu e depositou um selinho na boca sorridente de Teppei. Ela pediu para que ele esperasse e correu para dentro para pegar um vaso com água para colocar as flores. Como estava com pressa, acabou deixando vaso ali mesmo, na mesa da sala de estar.

De mãos dadas, os dois saíram para a noite fria. Kiyoshi fez questão de mantê-la bem próxima. Era indescritível a sensação de andar pela rua ao lado dela como seu namorado outra vez.

Os dois seguiram a pé, conversando e rindo, Teppei sempre guiando a direção que deveriam tomar.

—Onde estamos indo? – perguntou [Nome] num determinado ponto da caminhada.

Kiyoshi sorriu e respondeu:

—É um lugar... ahm... particular. Queria que fosse algo bem descontraído e íntimo. – ao perceber o que dissera, coçou a bochecha e corou.

[Nome] vibrou por dentro. Aquilo tudo era tão maravilhoso que parecia parte de um sonho! Mal podia acreditar que Kiyoshi estava levando-a para um encontro num lugar exclusivamente para os dois.

Eles se aproximaram de um prédio relativamente chique. Kiyoshi apertou o botão do interfone e trocou algumas palavras com alguém do outro lado da linha. Sorrindo, Teppei olhou para [Nome] e puxou-a para dentro do prédio.

Extasiada e curiosa, a garota analisou o ambiente com atenção. Ela sabia que Teppei não morava ali, então de quem seria o apartamento no qual eles iriam subir?

Eles subiram em silêncio, [Nome] dando pulinhos de ansiedade o tempo todo. Quando a porta do elevador se abriu, a garota viu uma das portas já abertas. Parados no umbral da porta estavam Hyuuga e Riko vestidos de roupas pretas levemente formais.

—Bem-vindos! – saudou a treinadora da Seirin. – Podem vir por aqui.

Hyuuga manteve-se impassível, contentando-se apenas em abrir passagem para o casal. Sem cerimônia, Teppei a puxou pela mão, guiando-a para dentro do apartamento espaçoso.

—Uoh! – ela deixou escapar ao perscrutar os detalhes da sala bem organizada num estilo simples e moderno. No centro, uma mesa estava posta de uma forma caprichada, com dois pratos e uma vela ladeada de um arranjo de flores.

—Podem se sentar. – disse Riko sem tirar o sorriso do rosto e entregando uma espécie de pasta para [Nome].

Curiosa, a menina se sentou e abriu-a. Ela arfou quando percebeu que aquilo era um cardápio.

—Teppei... – ela disse olhando com os olhos arregalados da lista de pratos para ele. – O que significa tudo isso? Onde estamos?

Ele tornou a coçar a bochecha de forma constrangida.

—Foi ideia da Riko. Queria um lugar para que pudéssemos jantar só nós dois e ela sugeriu que Kagami emprestasse o apartamento por algumas horas.

Mal Teppei tinha terminado a explicação, alguma coisa rasgou o ar e acertou a nuca do jogador em cheio.

—Baka! – berrou Riko. – Não estrague o clima assim, de graça! Dava muito bem pra você ter falado que a ideia foi sua!

[Nome] piscou atônita pela agressão súbita, mas depois riu baixinho.

—Está tudo bem, Riko. – ela disse. – Eu gosto dessa franqueza do Teppei. Acho fofinho. – e ao perceber o que tinha falado, corou forte nas bochechas.

Riko bufou e resmungou:

—Franqueza até demais...

Ela esperou pacientemente um pouco afastada da mesa até que eles decidissem o que iriam comer. Enquanto escolhia o prato, [Nome] percebeu que o cardápio fora improvisado no modelo de um típico sumário de trabalho da escola. Isso significava que Teppei, Riko e os outros tinham pensado em todos os detalhes para que tudo parecesse um legítimo jantar romântico.

—Acho que eu vou querer uma porção de gyoza. – disse [Nome].

—É, vou pedir isso também. – ele sorriu e olhou para Riko.

Ela já estava anotando o pedido, e assim que terminou, ergueu o braço e saiu berrando na direção da cozinha.

—Kagami! Mitobe! Dois gyouza pra ontem!

[Nome] corou dos pés da cabeça. Deus! Teppei colocara seus amigos para cozinhar para eles?

—Não precisa se sentir mal, [Nome]. – ele disse arrancando a menina de suas especulações mentais. – Eles se prontificaram a me ajudar.

A garota olhou sorrindo para a mesa e passou os dedos pela toalha que a forrava.

—Você tem amigos muito bons, Teppei.

—Sim. – ele colocou o braço sobre a mesa para segurar a mão dela. – E agora também tenho você.

Ela sentiu seu rosto esquentando quando encontrou o olhar apaixonado do gigante de cabelos castanhos.

Durante os minutos de preparo do prato, ambos aproveitaram para sanar a saudade que tinham um do outro. Conversaram, contaram piadas, riram e trocaram carinhos. Hyuuga e Riko tinham saído discretamente do cômodo, escapando para a cozinha.

Finalmente o prato chegou, fresco e com um cheiro delicioso.

—Obrigada! – agradeceu [Nome] quando Hyuuga colocou o prato cheio de gyozas enfileirados com capricho.

O capitão da Seirin acenou com a cabeça e sorriu de leve. Riko serviu Teppei, que sorriu em um agradecimento sem tamanho. Uma vez servidos tanto de comida quanto bebida, os dois anunciaram que eles deixariam o casal a vontade no apartamento. Alguns instantes depois, Kagami e Mitobe apareceram na sala para se juntar aos outros dois. Antes que eles saíssem, [Nome] se levantou da mesa e se aproximou alguns passos do grupo de amigos de Kiyoshi.

—Eu nem sei como agradecer. Além de emprestar o apartamento, ainda fez uma comida maravilhosa, Kagami-kun. Muito obrigada. E é claro, vocês tornaram tudo muito agradável ajudando e montando o ambiente, Riko, Hyuuga-kun, Mitobe-kun. Obrigada mesmo, de verdade. – a garota fez uma reverência.

Mitobe assentiu com um sorriso sutil nos lábios. Kagami parecia meio constrangido com o elogio a sua comida, mas acenou para a garota depois de receber um olhar aterrorizante da treinadora.

—N-não tem nada. – ele gaguejou. – Podem ficar relaxados aí. Aproveitem.

Eles acenaram uma última vez e saíram.

Finalmente sozinha com Teppei, [Nome] voltou para seu lugar e voltou a saborear o prato preparado por Kagami.

—O Kagami-kun realmente é muito bom na cozinha. – ela comentou mordendo um outro gyoza.

Rindo, Teppei disse:

—Ele nos salvou inúmeras vezes da culinária terrível da Riko. Uma vez ela quase nos matou de tantas vitaminas e suplementos que enfiou num curry.

[Nome] não conseguiu segurar o riso. Riu com gosto, a mão na altura da boca cobrindo-a de leve.

—Ainda bem que não vou passar por esses apuros. – disse Teppei enfiando um gyoza quase inteiro na boca. – A [Nome] cozinha muito bem, não mesmo?

A garota parou de rir e olhou um pouco tímida para ele.

—U-uhum. Vou poder preparar todos os pratos que você quiser pra te manter bem alimentado. Assim vai poder se recuperar rapidinho quando fizer a cirurgia.

Sorrindo, Kiyoshi buscou a mão dela novamente e entrelaçou seus dedos enormes nos dela. A mão dela ficava tão pequena perto da sua, parecia a de uma boneca...

—Com certeza eu irei me recuperar maravilhosamente da cirurgia e voltarei a jogar. – ele falou com determinação, os dedos acariciando a pele macia da garota, que corou e desviou os olhos, fazendo-o alargar o sorriso.

Quando eles terminaram o jantar, [Nome] insistiu em lavar no mínimo a louça que eles haviam usado. Ela aproveitou e arrumou a mesa também com a ajuda de Teppei, dobrando a toalha e deixando tudo a um canto.

Quando ela voltou para onde Teppei estava, o gigante parecia um pouco desconcertado. Ela ergueu as sobrancelhas e perguntou:

—O que foi, Teppei?

—Huh? – sua testa se franziu numa expressão de quem fora arrancado de seus pensamentos subitamente.

Ele ergueu a mão e passou pelos fios castanhos de sua cabeça, e seu típico sorriso bobão desenhou-se em sua boca.

—Há, há, há! Não é nada importante, [Nome], é só que...

Ele coçou a bochecha e desviou os olhos para o chão. Depois de alguns instantes de hesitação, a expressão insegura do pivô foi substituída por uma de determinação, a mesma expressão que dominava seu rosto nos jogos. Ele levou a mão ao bolso da calça e tirou de lá uma caixinha de veludo de tamanho médio. [Nome] instintivamente cobriu a boca com a mão sem conseguir acreditar. Mas o mais incrível ainda estava por vir.

Com um gesto largo, Kiyoshi jogou a barra do blazer para trás e ajoelhou-se no chão de [Nome]. Erguendo a caixinha negra, o garoto abriu-a um pouco sem jeito revelando um colar lindo com um pingente de coração cheio de pedrinhas que marcavam todo o seu contorno.

—T-Teppei! – ela simplesmente não conseguia acreditar. Estava reprimindo ferozmente o impulso de se beliscar para verificar se tudo aquilo era alguma brincadeira de mal gosto de sua cabeça.

—[Nome]...

Ela arfou sem querer. O nome dela soava tão bem dito por Teppei, ainda mais daquela forma...

—Você... Você quer namorar comigo?

O pedido dele acertou [Nome] em cheio no peito. A lembrança acorreu automaticamente em sua cabeça. O pedido de namoro anterior... Sem cerimônia, sem nada de especial... Kiyoshi estava realmente tentando mudar tudo, reescrever o que ele tinha feito.

Lágrimas se acumularam no canto de seus olhos e ela soluçou. Cobrindo o rosto momentaneamente com as mãos, a menina respirou fundo para poder dizer sua resposta com clareza. Quando se sentiu pronta, abaixou as mãos lentamente e olhou profundamente nos olhos de Teppei, como se quisesse alcança-lo no ponto mais profundo de seu coração.

—Sim, Teppei. Eu quero. Muito.

Sorrindo, o pivô se colocou de pé bem próximo a ela. Pegou o colar, desvencilhando-o das alças que o prendiam na caixa e ergueu-o para colocar ao redor do pescoço da namorada. Ela se virou, expondo a nuca para ele. Com as mãos trêmulas, Teppei jogou o colar ao redor do pescoço de [Nome] e tentou encaixar a argola no fecho. Tentou uma, duas, três, cinco vezes. Ele estalou a língua e praguejou por estar tão trêmulo. Além disso, o tamanho de suas mãos não ajudava em nada.

—O que foi, Teppei? [Nome] perguntou virando um pouco o rosto.

—N-não consigo fechar! – ele respondeu com o rosto ardendo de vergonha.

A garota riu e pegou as extremidades do colar da mão dele. Trazendo-as para frente, a menina conseguiu acertar o fecho na primeira tentativa. Porém, antes que ela pudesse segurar o pingente para ajeitá-lo, Teppei o segurou e o fez por ela. [Nome] tornou a virar-se de frente para o gigante bobão que ela tanto amava e sorriu.

—Obrigada, Teppei. É lindo. – e dizendo isso ela tocou o pingente em forma de coração. – Vamos passar fazer as coisas assim, está bem?

—Assim como? – Kiyoshi piscou atônito.

—Você me ajuda, eu te ajudo. Vamos dividir as coisas assim como fizemos colocando o colar.

O jogador abriu um largo sorriso e puxou a namorada para mais perto, abraçando-a. Ficaram vários minutos naquela posição apenas sentindo a presença um do outro. Enquanto sentia o cheiro do perfume de Teppei misturado ao cheiro do tecido e ao seu próprio, [Nome refletiu sobre a simbologia do colar e de que tudo Teppei fizera até então.

Realmente, tudo valera a pena. E ela não queria nunca mais se afastar de seu gigante lerdo de olhos castanhos e gentis. Ele dera tudo de si para reconquistá-la, e com aquele último gesto, dissera a ela sem uma única palavra que entregara novamente seu coração para que ela cuidasse. [Nome] com certeza cuidaria com todo o carinho do mundo, e nada, absolutamente nada ficaria entre eles novamente.

Arrancando-a de seus pensamentos, Teppei deu-lhe um beijo do topo da cabeça e abaixou-se para enterrar seu rosto em seu pescoço.

Aquela sensação era indescritível. Finalmente Kiyoshi Teppei era dela novamente. Eles estavam juntos novamente.

—Obrigado. – ele murmurou com a voz embargada.

Era impossível descrever o alívio e a felicidade que tomara conta do coração de ferro de Kiyoshi naquele momento.

Sorrindo, a garota se aconchegou ainda mais no peito dele e murmurou:

—Eu te amo.

*

Kiyoshi levou-a até em casa, os dois andando abraçados e sem a mínima pressa. Quando finalmente chegaram, o garoto se despediu com um beijo profundo e doce, prometendo que viria busca-la no dia seguinte para que ambos fossem juntos à escola. Ele fazia questão de chegar de mãos dadas com ela. Depois de várias tentativas de despedida, Teppei finalmente foi embora, deixando uma [Nome] extasiada e entorpecida recostada na porta de sua casa.

Ela entrou sem fazer barulho, o rosto marcado por um sorriso bobo e sonhador.

Aquilo tinha realmente acontecido?

Ela fechou a porta e ficou alguns minutos parada ainda tentando absorver tudo o que acontecera naquele dia. Instintivamente ela levou a mão ao colar que Kiyoshi lhe dera, e ao mesmo tempo ergueu os olhos.

O vaso com os crisântemos ainda estava na mesa da sala, as flores vermelhas volumosas enchendo o ambiente com um perfume leve e inebriante. Ela se aproximou e tocou delicadamente as pétalas macias. Ao sentir o toque, uma lembrança antiga a acertou em cheio.

Sua vó costumava cultivar muitas flores no quintal de sua casa, e ela passara a infância aprendendo o nome e o significado de todas as flores imagináveis. E um dos que ela mais gostava era os crisântemos vermelhos por causa do significado. Eram flores simples, mas que continham uma beleza singular que combinava perfeitamente com seu significado.

Um sorriso curvou os lábios de [Nome] mais uma vez e uma lágrima escorreu de seu olho direito.

Os crisântemos que Kiyoshi trouxera para ela, tanto da primeira vez quanto dessa... Não tinham sido escolhidos por acaso.

Ela abraçou o vaso e levou-o para cima, direto para seu quarto. Depositando-o na cabeceira, a menina despiu-se rapidamente e vestiu o pijama. Ainda chorosa, ela pulou na cama e abraçou seu travesseiro com toda a força, imaginando que fosse Teppei. Ela se deixou cair na inconsciência lentamente, mas antes, ela pode ouvir claramente sua própria voz infantil interpelando sua vó quando o primeiro crisântemo vermelho floresceu na muda que ela havia plantado em seu jardim.

"Ba-chan, que flor é essa?"

"É um crisântemo vermelho, querida", a senhorinha sorriu aproximando-se da neta.

"E o que eles significam?", ela perguntou se aproximando da flor e sugando exageradamente o ar para sentir seu cheiro.

A velhinha sorriu e acariciou com delicadeza as pétalas pequenas e macias.

"Significam 'eu te amo'".

Notas finais
Bom, é isso gente ♥ Espero que tenham gostado da fanfic *-* Não deixem de me dizer como estão vendo o nosso pivô lindão preferido agora depois de tanta sofrência e tanto amor ♥ E espero que tenha gostado do presente Daph-chin! Beeeijos pessoal! E até a próxima fanfic!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!