Todos por um
1 Um por todos
Notas iniciais
Tiago Potter, o talentoso apanhador de quadribol da Grifinória, estava completando sua redação sobre a 1ª revolta dos duendes, quando alguém entrou na sala de aula.
— Desculpe-me professor, vim buscar este aluno. — Madame Pomfrey, a velha enfermeira da ala hospitalar do castelo de Hogwarts, entregou um pergaminho para o fantasma do Professor Binns.
Ele leu o pergaminho e olhou na direção de Remo, o lourinho gente boa, mas triste, que sempre participava das excursões que Tiago fazia com Sirius, seu melhor amigo. "O que será que Remo aprontou? Será que algo aconteceu a sua família?" Tiago pensou.
Sem querer ficar de fora do que quer que fosse acontecer a seu amigo, Tiago se levantou e falou alto.
— Professor, já terminei minha redação. Está aqui, posso sair agora?
— Eu também já acabei professor. — Uma voz de barítono se fez ouvir. Tiago sabia que Sirius chegara a mesma conclusão que ele e estava pulando fora da aula mais chata de toda a História de Hogwarts. Trocadilho intencional.
— Sim, sim. Podem sair. Não atrapalhem os outros que ainda estão escrevendo. — Binns respondeu enfadado. Ele sabia que era inútil separar aqueles meninos. Que se fossem, pelamordedeus.
Ao chegarem juntos à porta, Tiago e Sirius olharam para um menino gordinho e dentuço que ainda estava fazendo a tarefa escolar. O pequeno como se escutando um chamado inaudível, ergueu os olhos e encarou os amigos. Ele hesitou um pouco, mas como Tiago e Sirius continuavam esperando, resolveu entregar a tarefa de qualquer jeito.
— Terminei a minha também, professor. Se-será que … — Pedro, o baixinho dentuço gaguejou um pouco.
— Ainda está aí? Saia de uma vez. Não perturbe minha aula. Deixe a redação sobre minha mesa e fora. — O fantasma alterou a voz só um pouquinho.
Uma vez fora da classe, Tiago, Sirius e Pedro foram até a ala hospitalar. Não havia ninguém lá.
— Onde ela o levou? — Tiago pensou em voz alta.
— Pode ter ido ao Diretor. Se foi uma emergência na família … — Sirius falou seguindo o raciocínio do amigo.
— Emergência na família? Quem disse isso? — Pedro interrompeu.
— Por que outra razão Madame Pomfrey o retiraria da sala de aula? — Tiago explicou, ainda surpreso que Pedro não entendesse o óbvio.
— Vai ver que ele está doente e ela o levou para tomar o remédio. — Pedro insistiu.
— Oi? Caso não tenha percebido não há ninguém na enfermaria. — Sirius apartou.
— Talvez … talvez não seja um caso pra Madame Pomfrey. Talvez … Hagrid. — Tiago correu na mesma hora para a saída do castelo, seguido pelos amigos.
Ao chegarem nas cercanias da cabana do guardador de caça de Hogwarts, eles avistaram Madame Pomfrey e Remo. Eles estavam indo em outra direção, precisamente na direção do Salgueiro Lutador, uma velha árvore encantada que agia como uma criatura infernal, atacando e golpeando quem se aproximasse de si.
A velha enfermeira ergueu a varinha e falou um feitiço. A árvore portentosa ficou imóvel. Então, ela e o garoto se aproximaram até serem tragados pelo chão.
— Uma passagem secreta! Quem diria? — Tiago exclamou.
— Quem é a favor de os seguirmos adiante pela passagem secreta? — Sirius perguntou. Pedro ainda o encarou indeciso, enquanto Tiago começou a correr sem se importar com votações. — Boa resposta, Tiago!
Os três correram para o Salgueiro Lutador que continuava petrificado. Bem no âmago da sua raiz havia uma espécie de alçapão, e os garotos foram por lá. O caminho a seguir era sujo e escuro, até que se viram no interior de uma rústica casa de madeira. Havia uma escada e no alto ouviram vozes abafadas. Por fim uma porta se abriu, e os meninos correram pra se esconder.
— Lembre-se de nunca andar por aí sem sua capa de invisibilidade, Tiago.
— Eu sei, Sirius, mas o diretor me fez prometer só usá-la em situações especiais.
— Se você não percebeu, esta é uma situação especial.
— Ele fez isso por causa daquele menino Snape, não foi?
— Não, Pedro, na verdade ele me flagrou usando a capa para impressionar as meninas no salão comunal. Tive que ouvir um sermão que nem meus pais me deram, sobre responsabilidade e comportamento. Uma chatisse, mas eu dei minha palavra e devo cumpri-la.
— Meninas? Pelo que sei era só uma, a ruivinha Li …
— Silêncio, Pomfrey está vindo.
Madame Pomfrey seguiu pelo caminho por onde vieram sem perceber a presença deles. Esperaram alguns minutos então começaram a cochichar.
— Cadê o Remo?
— Será que está lá encima?
Subiram silenciosamente a escada e foram abrindo as portas para os quartos falando "Remo" baixinho. Chegaram a uma porta trancada.
— Remo, você está aí?
— Tiago? Você está aí? Você veio com Madame Pomfrey? — Remo respondeu do outro lado da porta. Aparentemente estivera chorando.
— Não, nós a seguimos quando ela o tirou da sala de aula. Espera aí que eu vou arrebentar essa fechadura …
— Não, não, não façam isso. É pro meu próprio bem.
— Como pode ser para seu próprio bem? Aquela velha te prendeu numa casa estranha longe dos seus amigos. Como isso pode ser bom?
— Vocês não vão desistir até saberem de tudo não é?
— Isso mesmo! Convença-nos a não derrubarmos essa porta pra te libertar.
— Tá bem! Essa porta fechada evita que eu saia em noites de lua cheia. E que eu machuque as pessoas. Eu fico aqui por uma semana, e Madame Pomfrey me traz alimentos.
— Ela o trata como um prisioneiro. Como isso pode ser bom? Uma semana? Eu não aguentaria um dia.
— Pedro? Você está aí também? Sirius? Quem mais?
— Somente nós três. Não poderíamos ficar longe do nosso 4º pirata.
— Espere aí … Isso que você falou. Lua cheia, uma semana separado dos outros … Isso é o que estou pensando?
— Sim, Sirius. É o que você brilhantemente deduziu.
—Não é possível … Tem certeza disso, Remo?
— Tenho, Tiago … — Remo recomeçou a chorar.
— Gente, ainda não entendi o que está acontecendo. — Pedro falou apreensivo.
Sirius moveu os lábios sem emitir som.
— Lobisomem? O que um lobisomem tem a ver com isso? — Pedro perguntou.
— Quando eu tinha 5 anos de idade, um lobisomem invadiu minha casa e me mordeu. Ele fez de propósito pra se vingar de meu pai que é um auror do ministério da magia. Meus pais fizeram de tudo mas não há cura.
— Não chore, Sirius. Nós vamos te ajudar. Não é mesmo, gente?
— Sim!
— Sim!
— Vocês … vocês ainda gostam de mim? Ainda querem ser meus amigos? Mesmo sabendo que eu sou … um monstro?
— Você não é um monstro!
— Você é uma boa pessoa pra quem uma coisa ruim aconteceu.
— E você é um explorador, assim como nós, o 4º pirata rapineiro da nossa trupe.
— Obrigado, gente. Muito obrigado mesmo. Podem me deixar sozinho agora. Não quero que me escutem quando eu virar um lobo.
— É isso! — Tiago exclamou.
— O que você pensou Tiago? Não me deixe fora dessa seja lá o que for.
— Rapazes, já ouviram falar em animago? — Tiago perguntou.
— Já. Professora MacGonagall é uma animaga, mas ela é uma professora e isso exige maestria em poções. — Sirius ponderou.
— Você acha que isso é possível, Tiago? Vocês se transformariam em animais também? — Remo perguntou com esperança.
— Sim, amigo, nunca te abandonaremos. Como é mesmo o lema? Um por todos e todos por um?
Em uníssono eles repetiram o lema dos mosqueteiros. E naquela noite, quatro amigos ligaram suas vidas para sempre.
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