Notas iniciais
Espero que gostem e entendam a ideia principal!

A pista de decolagem estava prestes a ser liberada.

─ Soldados da AFA, preparar aviões de ataque A-1B para a decolagem que ocorrerá dentro de cinco minutos. ─ a voz da tenente ecoa no fone comunicador.

Olho na foto de Clara mais uma vez antes de liberarem a pista, e lembro, que há exatos seis meses, antes de o regime começar, a data do nosso casamento foi marcada. 13 de Maio. Daqui a poucas semanas. Prometi a ela que permaneceria vivo. Prometi a Henrique, que seria o melhor pai do mundo.

─ Pista liberada! ─ já em formação, partimos ─ Vocês têm trinta minutos até ultrapassarem a fronteira e chegarem à área de combate. Boa sorte, e, que o bom Deus vos acompanhe.

Com o voo rasante de reconhecimento da área já em ação, o soldado cinco-quatro-dois me chama no comunicador:

─ Vamos filhos altivos dos ares, nosso voo ousado alçar. Sobre campos cidades e mares, vamos nuvens e céus enfrentar ─ o hino da Força Aérea.

Enquanto eu chamo o soldado que sobrevoa à minha direita, ele chama o que está à direita dele. Em questão de segundos, a fileira toda dos rasantes se transforma em um coral uníssono:

─ Contato! Companheiros! Ao vento sobranceiros, lancemos o roncar da hélice a girar. ─ todos juntos, voando para a incerta morte.

Passaram-se então vinte minutos quando as aeronaves de caça "JAS 39" começaram a ser abatidas.

Árvores e flores. Era apenas o que eu via. Aquela tarde ensolarada de 16 de outubro de 1996, quando Clara, deitada em meu colo, começou a ter contrações, vinha como flash em minha mente. Juntos, correndo para o hospital. Felizes e assustados. Pais de primeira viajem. Aquela coisinha pequena, embrulhada em meus braços, como se pudessem o proteger de todo o mal que viria a acontecer. Seus primeiros passos. Seu aniversário de um aninho, com um bolo em forma de medalha.

No compartimento abaixo do medidor de nível, uma carta, que todos os soldados iam enviar antes de ficarem sabendo da chamada de emergência.

"Amor, antes de tudo, quero que saiba que estou bem. Com saudades, mas, bem. Tudo está finalmente se estabilizando para a gente, não é mesmo? Em breve o nosso casamento, e a formatura do primário de Henrique. Nada poderia estar melhor. Queria utilizar as linhas que me restam, para falar de você. De como você é linda e insubstituível. De como o meu amor por você só cresce a cada dia, e imagino que o seu por mim seja recíproco. Muitos dizem que, ser soldado, é ser reconhecido. É ser respeitado. E muitos ainda até sonham com isso. Mas, eu não preciso. Eu sou reconhecido por você. Você me respeita, e, nada mais é necessário. Mal vejo a hora de chegar em casa e abraçar vocês a todo momento. Nunca mais vou largar. Minha família. Amo vocês"

Infelizmente, temo que terei que rever a promessa que fiz a ela de voltar vivo. Ao jurar a bandeira, dei minha vida pelo país, e agora ele está cobrando. Terei que cumprir o meu dever com sorriso no rosto.

─ Sinto muito por te decepcionar, meu amor. Cuide bem do Henrique! ─ jogo frases ao vazio, e abraço as chamas que me aguardam de braços abertos.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem qualquer dúvida ou erro que encontrarem (ou mande uma mensagem privada). Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.