Todo Seu
2 Parte 2
Notas iniciais
Apesar de saber que eu não gosto de dançar (só quando necessário), quando me pede isso eu nunca recuso. Eu não posso beijá-la do jeito que eu quero na frente dessas pessoas, por isso agarro toda e qualquer oportunidade que se apresenta para que eu possa abraça-la. Então quando você põe os braços entorno do meu pescoço, eu abraço sua cintura e colamos nossos corpos em uma dança na qual não mexemos nossos pés, só balançamos o corpo de um lado para o outro no ritmo da música.
Toco suas costas, que estão parcialmente nuas por conta do corte de seu vestido, e sinto a maciez e suavidade da pele. Não sou uma criatura muito sexual, porém com você é praticamente natural. É algo primitivo. Gosto de tocar sua pele e ver como ela reage ao meu estímulo. Mesmo que precise me conter por decoro e respeito aos demais, essas pequenas coisas são minha satisfação pessoal.
Te abraço com força moderada e ouço você suspirar. Olho em volta por um minuto e vejo amigos e conhecidos nos olhando como quem diz “que bonitinho”. Steven gesticula sem emitir som um “apaixonado” para mim e eu sorrio culpado, por que é verdade. Não tem por que esconder que eu caí no amor por você.
Voltando minha atenção para você, lhe faço algumas perguntas normais sobre o trabalho e a festa. Você conta com empolgação sobre seu emprego e tudo mais, mas seu rosto está tão perto do meu que aquela antiga vontade de lhe beijar volta com tudo e eu só consigo olhar para sua linda boca.
É um desejo tão intenso que em um segundo já imaginei diversos cenários e desculpas para satisfazer essa vontade louca. Quanto mais observo sua boca, sinto seu hálito no meu rosto, mais a necessidade vai crescendo e me consumindo até que percebo que estou com as duas mãos segurando sua cabeça, pronto para levar meus lábios aos seus, enquanto você continua sua narração.
– Johnny? Johnny? – você me sacode levemente e me desperta por um breve momento da maior parte do desejo de beijá-la.
– Desculpe, amor. – um pouco sem graça, coço o cabelo e dou um pequeno sorriso. Suas bochechas ficam um pouco rosadas quando olha para minha boca, mas rapidamente se recupera.
– Tudo bem, é que faltam 15 minutos para a meia-noite e eu preciso usar o banheiro rapidinho. – você diz.
É perfeito! Eu a levo até o banheiro, deixo que faça tudo que precisa e quando sair lhe dou o beijo que tanto anseio. É perfeito.
Vamos até nossa anfitriã e você pergunta onde fica o banheiro. Ela logo se oferece para acompanha-la me deixando momentaneamente em desespero, mas, para minha sorte, você recusa educadamente e Meg lhe diz onde é o banheiro mais reservado da casa.
– Tudo bem, Meg. Obrigada. – agradecendo você se vira para mim e sorri. – Volto já. – antes que eu diga alguma coisa você já se foi.
A frustração cresce e se instala no fundo do meu estômago. E realmente preciso desse beijo, quase como alguém precisa de comida para viver.
Eu volto sem esperança para o grupo de antes.
Alguns dos meus amigos mais próximos estão aqui também. Fomos convidados por Meg uns dois meses antes da noite de ano novo e nem tínhamos planejado nada, então foi fácil prometer vir. Não sou muito chegado a comemorações, porém quando estou com meus amigos é sempre uma festa.
Steven me olha de soslaio e seu semblante é de quem está planejando alguma coisa.
Eu o observo de perto.
Ele vai até Meg e os dois conversam baixo por um momento. De repente me olham ao mesmo tempo e sei que estão falando de mim. Não fico incomodado, só acho estranho todo esse segredo sobre mim.
“O quê eles estão falando?”
Então Meg se levanta e vem até mim tentando aparentar casualidade.
– Johnny, você me faria um favor? – ela pede quase meiga demais. Acho engraçado ela não ser uma grande mentirosa. Nunca foi. Eu dou um pequeno sorriso.
– Claro, Meg. O que é? – pergunto já desconfiando do que Steven pode ter dito a ela.
Ela pede que eu vá até a adega no porão e pegue um vinho especial que ela comprou em sua última viagem a Itália. Ela me diz muito vagamente onde está a tal garrafa especial e pede que eu vá rápido por que o ponteiro está perigosamente perto da meia-noite.
Neste ponto eu já entendi tudo, portanto faço o que ela pede e me dirijo para a cozinha onde fica a porta que leva ao porão da casa de Meg.
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