Todo Criminoso Tem Um Vizinho
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Ao abrir, a porta fez um pequeno barulho irritante. Que desviou minha atenção o suficiente para que ele passasse a minha frente e adentrasse o local, começando a observar todo o espaço que o rodeava.
Seus olhos corriam vagarosamente por cada centímetro. Averiguando o que quer que fosse. Não sei ao certo o que procurava, mas com toda certeza não havia encontrado. Senti que aquilo era um bom sinal. Ainda de costas para mim, deixou-se dar um baixo suspiro.
- Acho que você fez um bom trabalho. Amador, mas um bom trabalho.
Fez uma pequena pausa, antes de virar-se e mostrar-me seus dentes bem cuidados. O maldito estava sorrindo.
- Mas da próxima vez, não exagere. Fica um cheiro péssimo.
- Você acha mesmo que eu estava preocupado com o cheiro?! E não fale como se fosse haver uma... próxima vez.
O sorriso alargando-se, seus pés vindo em minha direção, a mão posta em minha face. Com leveza ficou a acariciar toda a extensão do meu rosto por alguns segundos. Enquanto eu, de olhos fechados, fazia todo e maior esforço possível para ser impassível frente a seus carinhos. Algo extremamente difícil, com seu corpo próximo e aquela pele cálida. Mas sua voz sempre tão... macia, entrou por meus ouvidos, fazendo-me abrir os olhos novamente e me afastar de suas caricias.
- Mas vai Kim. As coisas estão apenas começando pra você.
Que história era aquela de “As coisas estão apenas começando pra você”? Era uma brincadeira ou algo do tipo, só podia. Encarando-me com aqueles olhos e, jogando comigo. Era somente isso que aquele homem queria. E definitivamente, isso não era bom.
- Faça-me o favor Forward, cala essa boca!
E com uma força desnecessária, Vitor enlaçou minha cintura, colando nossos corpos. Roçando-se em mim. Uma das mãos dirigiu-se a minha nuca, agarrando meus cabelos com violência, para então juntar nossos lábios. Sua língua percorria toda minha boca, experimentando, degustando. A carne sendo sugada vez ou outra, fazendo com que um arrepio percorresse minha espinha. Passando os braços por seu pescoço pressionei mais meus lábios contra os seus, aprofundando aquele beijo. Nossos baixos ventres, já despertos, friccionavam-se, tornando tudo mais quente e voraz.
Eu poderia ter resistido aquele contato. Mas eu não era idiota ao ponto de negar prazer, mesmo vindo dele. Principalmente vindo dele. Vitor Forward me causava sensações que nenhuma mulher jamais havia conseguido. E mesmo com apenas dezessete anos, posso afirmar que estavam longe de serem poucas as que provei. E como sempre fui muito liberal, não via porque resistir a sensações tão deleitantes, mesmo vindas de um homem. Mas, há muito que isso já não me importava, por isso esse fato não era mais levado em consideração. Já havia dado pra ele mesmo.
Quando nos separamos, depois de alguns muitos minutos, ficou a afagar com carinho meus pescoço, e a outra mão a deslizar por minhas costas. O hálito quente contra minha face, a boca vermelha e levemente inchada. Puta.que.o.pariu! Como ele ficava sexy daquele jeito.
- Não faça isso... Assim... De novo.
- Sinto muito...
E inclinou-se sobre mim, a procura de meus lábios novamente, mas antes que pudesse tocá-los um barulho irritante se espalhou pelo cômodo. O celular que havia voltado a pouco para mim, vibrava em meu bolso. Com certa impaciência peguei o objeto ao mesmo tempo em que Vitor me soltava. Olhei o visor e o nome que se encontrava ali já era esperado. Adam.
- Alô?!
- Kim! Nossa que bom escutar a sua voz.
-...
- Mas, onde você está? Ta tudo bem? Você ‘ta machucado ou qualquer coisa assim? To indo pra...
Começou a falar em desespero. As palavras saiam com uma velocidade incompreensível, tentando dizer muito mais do que sua boca conseguia formular. E eu pouco entendendo todo aquele desespero. Tinha perdido alguma coisa?
- Adam, Adam! Calma, ‘ta tudo bem. Por que isso tudo? Relaxa que eu ‘to inteiro.
Um suspiro do outro lado da linha e depois o silencio. Ele parecia aliviado. Minha cara de desentendimento deveria estar interessante já que Forward me encarava com muita atenção e uma incógnita em seus olhos. Quando Adam voltou a falar, um pouco mais calmo, me afastei abaixando a voz.
- E ele? Onde está? ‘Ta com você?
- Ele?
- Forward, Vitor Forward.
Uma luz vermelha se acendeu sobre minha cabeça. Aquela afobação toda se devia aquele homem?! Com toda a certeza eu havia perdido alguma coisa. E eu não gostava de ficar para trás.
- Sim. Mas, o que isso tem a ver Adam?
- Me fala onde você está, que eu ‘to indo pra aí agora mesmo.
- Se você me disser do que se trata toda essa merda eu ficaria muito satisfeito. O que você sabe que eu não sei?
Sons diversos eram escutados pelo celular. Adam deveria estar correndo por todos os cantos, onde quer que estivesse, totalmente impaciente. E eu nunca o havia visto daquela maneira. Tanta preocupação. E tudo devido à presença de Foward. Algo estava muito errado e eu Kim, queria saber o que, naquele maldito instante. Um muxoxo exasperado, e a resposta que eu não desejava.
- Isso não importa agora. Você só tem que sair de perto desse homem, entendeu?!Ele não é uma... boa companhia.
- Onde você está?
- ...
- Onde?
- Na faculdade.
- Ótimo, daqui a pouco eu estou aí.
- Não, Kim! Você não ‘ta me entendendo, você...
O celular foi desligado e posto no silencioso. Ele tentaria ligar novamente com toda certeza. E naquela hora não poderia lhe dar a atenção que eu queria. Antes precisava resolver dois problemas, e um deles literalmente se chamava Forward.
Quando virei em sua direção, ele me encarava. Com uma expressão um tanto quanto estranha. Como se algo estivesse sendo digerido e então decifrado. Talvez minha conversa. Fala sério, lógico que era minha conversa.
- Esse tal de Adam... Se preocupa muito com você, não é?
O nome pronunciado praticamente com asco. Deixando subentendido seu desagrado com aquele homem. Só não sabia se era por eu falar com ele ou simplesmente, Forward também tinha algo contra o professor.
- Ele é uma ótima pessoa! Somos bons amigos.
- Hum... Que seja. Vai se encontrar com ele, agora?
- Não antes de resolver esses probleminhas.
Indiquei os sacos pretos encostados em um canto. Ele estava ali para me ajudar com aquilo, e eu esperava que realmente o fizesse. Por mais que não demonstrasse ou ficasse desesperado, eu estava totalmente perdido. Não possuía a mínima idéia do que fazer, e depois que parei para pensar, não era todo dia que duas pessoas desapareciam de seu fluxo social. Alguém iria notar quando Alfred não voltasse para o trabalho ou Anna deixasse de comparecer a algum compromisso idiota com suas colegas de clube. E restaria a mim, o filho deixado para trás, dar suposta explicação.
- Claro! Mas espero que você me compense bem, depois.
- Tomara que fique satisfeito com um “obrigado”.
- Não ficaria.
- Mas vai ser a única coisa que vai ter. Porra! Vai ou não me ajudar?
O silêncio por alguns segundos. Então moveu seus dedos até o bolso da calça, puxando de lá um Samsung E350¹. Para quem tem uma BMW na garagem, um aparelho simples como aquele era no mínimo incomum. Apertou um único botão, como em “discagem rápida”, dirigindo-o logo em seguida a orelha. O celular não deveria ter chamado sequer duas vezes antes que Forward começasse a falar.
A face séria, a voz soando ainda mais grave que o usual. Mas dessa vez não foi macia e muito menos gostosa de ouvir. Foi gélida e severa, impondo-se de uma maneira que ainda não havia presenciado. Minto! Uma vez eu a escutara daquela mesma maneira, e fora um pouco antes de “desmaiar” e acordar mais tarde em sua casa, no seu quarto. Parecia-me uma lembrança um tanto quanto distante. Muita coisa havia mudado desde aquele dia a dois meses atrás. Muita coisa.
- Tenho um trabalho para você esta noite. Se tiver algo, não me importa, apenas desmarque... Hum... Sabia que estaria livre, ótimo! Tudo deverá ser feito na maior descrição possível, mandarei o endereço mais tarde... E uma ultima coisa. Sem falhas dessa vez Bernake. Você me deve muito mais que sua vida.
A última frase foi dita com seus olhos presos aos meus, invadindo-me sem permissão. Tanta convicção em suas palavras.
Um arrepio desenfreado correu por todo o meu corpo. Trinquei os dentes numa tentativa débil de contê-lo. Meu cérebro trabalhou em um estalo. Fazendo-me finalmente perceber o que eu já sabia há muito. Vitor Forward era perigoso. E para meu desastre, estava completamente envolvido por ele. Exposto. Sem meios de retorno.
Meus desejos. Meu maior segredo até ali. Todos foram compartilhados com ele. Sem nem mesmo dar-me conta de que o fazia. Aquele homem era sobre-humano. Havia me induzido a tudo. Trilhei o caminho onde estava sob sua vista, minha mente sendo desvendada.
E então eu me senti inferior. Quase que... impotente. Eu sabia que Forward era capaz de tudo, mas ainda não sabia o “porque”. Muito menos quem ele realmente era. Entrei naquele jogo com o objetivo de desvendá-lo de, quem sabe talvez, destruí-lo. Mas em pouco tempo aquela já não era minha meta. Deixei-me levar e cair sobre seus encantos. Sua persuasão. Minha real meta fora para segundo plano. E eu sabia que por lá iria permanecer.
Não queria mais destruí-lo, fazê-lo engolir sua superioridade. Naquele instante, míseros segundos de epifania, meu objetivo passou a ser: apenas desvendá-lo. Finalmente descobrindo com quem eu lidava. Para então anular qualquer poder que aquele homem exercia ou viesse a exercer sobre mim. E para isso meu cérebro deveria passar a trabalhar com mais velocidade que o usual.
Sua primeira mensagem a mim foi: saia dessa casa e corra até Adam. Ele tem coisas a dizer.Coisas necessárias a se ouvir.
Pisquei e retornei a realidade.
Meu cérebro repassando as falas de Forward. Buscando ali, algo útil. Encontrando. Bernake. Aquele nome me parecia muito familiar. E era. Noite anterior. Escritório. Três homens à porta. Negro. Alto. Cara de poucos amigos. Bernake! Aquele que cuidaria dos meus “problemas” seria o mesmo homem da noite anterior, que estava na mansão do velho. Uma vozinha simplesmente irritante gritava em minha cabeça que algo muito errado havia ocorrido.
Vitor desviou seus olhos únicos dos meus. E minha linha de raciocínio foi quebrada.
- Essa noite será tudo arranjado Kim. Os corpos vão ter um fim e a casa será avaliada de cima a baixo, cobrindo qualquer prova que ainda possa ter. Só resta uma única coisa, onde está a arma?
Pisquei mais uma vez, demoradamente. A arma. E de novo a vozinha irritante.
- Eu a guardei. Não vou me desfazer dela.
Sua voz já retornara ao “normal”. O mesmo tom que na maioria das vezes usava comigo. Mais brando e suave. Uma ponta de malicia no fim de cada palavra. O seu ponto final.
Um meio sorriso dançou por seus lábios. A sobrancelha direita arqueada. O que jamais mudaria em minha mente era o quão sexy era aquele homem. Fato. Isso era uma bosta, mas ainda sim um fato incontestável!
- Gostou da experiência ou está se prevenindo de algo?
- Só acho que ela deve ficar ao meu alcance por enquanto.
- Huuum!
O sorriso alargou-se em seu rosto. Ele gostou do que ouviu.
Encostou-se despreocupadamente na bancada de granito. As mãos usadas como apoio. Olhou-me dos pés a cabeça. Demorando-se vez ou outra em um ponto que achava mais interessante (se é que me entende...). Depois soltou, casualmente.
- Que história você prefere?
- Como?!
- É, que história você prefere? Um acidente de carro. Um assalto. Um sequestro. Um prédio que desabou... Eu aconselho algo que deixe os corpos meio deformados, ou então que tenha sido feito uso de uma arma. Ficaria mais verossímil, sabe.
Ok!
Agora aquele desgraçado estava querendo uma encenação para a morte? Eu deveria estar em um filme de Hollywood ou alguma pegadinha de um programa de qualidade misera. A cada segundo as coisas ficavam ainda mais surreais. Que tipo de influência aquele homem poderia ter para propor o desabamento de um prédio como fim plausível para os corpos?! Era assim tão fácil? Dito em um tom tão casual.
Enquanto eu ainda divagava por suas propostas, algo ainda mais surreal ocorreu. Uma gargalhada extremamente deleitante preencheu o ambiente. Forward gargalhava com toda a força de seus pulmões. E eu o encarava de olhos arregalados. Eu estava no fundo do poço, realmente. Não sabia se meu cérebro seria capaz de suportar a gama de informações. Precisava sair dali naquele instante.
- Kim! Nossa... Você realmente precisava ver sua cara agora...
Eu precisava mesmo sair dali.
- Pode se acalmar. Não vou pedir que escolha a história. O melhor é um acidente de carro e os corpos carbonizados. Fácil e rápido. Até amanha tudo estará resolvido e eu te direi o que fazer. Ah! Eu realmente vou querer uma recompensa.
Como em resposta as minhas preces a campainha tocou. Não que fosse bom ter alguém em casa naquela hora. Havia ocorrido um crime no fim da contas. Mas ao menos eu teria uma desculpa para dar o fora.
Virei às costas a Forward, indo em direção a porta em uma velocidade considerável. Girei a maçaneta e um sorriso sincero se formou em minha face.
- Flora!
- Oi, Kim! Posso entrar?
Seu corpo tencionou-se para frente, mas tão logo o fez voltou-se para o lugar, ao mesmo tempo em que algo quente se posicionava as minhas costas, e as mãos pretensiosas apoiavam-se a porta e ao batente, impossibilitando afastar-me.
- Flora, meu anjo. Há quanto tempo! Está ainda mais linda que à última vez que nos vimos.
Meus olhos rodaram nas órbitas e, junto um gosto azedo se instalou em minha boca. Não sabia responder se foi pela fala mansa e doce de Forward — dizendo meu anjo?! — ou o sorriso simplesmente deslumbrante que se formou nos lábios de Flora.
- Vi-Vitor!
- Ham... Flora, só um minutinho.
Com um dos cotovelos dei um baque certeiro no abdômen de Forward, que cambaleou em silêncio para trás, me permitindo fechar a porta em um movimento rápido, fazendo um som considerável. Que grosseria da minha parte bater a porta na cara de alguém.
Culpa daquele maldito gosto azedo.
- É o seguinte... Vou sair e levar a Flora daqui. Pode ficar se quiser.
Levei a mão à maçaneta, começando a girá-la. Mas assim que meu outro braço foi agarrado, parei. Seus dedos estavam firmes em minha pele. Talvez até deixassem marcas. Meus olhos correram para sua face, que se aproximava rapidamente. Sua boca resvalou em minha orelha.
- Não demore muito... garotinho agressivo.
A língua deslizou por minha orelha, e uma leve mordida deu o toque final. Pronto! O que eu ia fazer mesmo?
Os dedos afrouxaram e o sorriso sacana dançou por seus lábios. Não pude fazer nada mais do que encará-lo com meus olhos queimando, para então dar-lhe as costas, abrir a porta, e encontrar Flora sentada próxima a mesma.
- Kim?
- Desculpe a grosseria Flora.
- Não, tudo bem! Mas... O que o Vitor ‘ta fazendo na sua casa?
- Er... Bem... Ele veio falar com... A minha mãe. Não sei bem o assunto.
- Ah! Não sabia que ele tinha chegado de viagem.
- Pois é, nem eu.
Depois da “pequena” mentira – já que Forward precisaria ser tipo um médium pra falar com Anna -, estiquei meu braço para a jovem ao meu lado, que o segurou, levantando-se desajeitadamente. Os olhos vagando por nenhum lugar especifico. Usava o mesmo vestido branco de quando à vira pela primeira vez, o cabelo castanho descendo em cascata pelos ombros magros. Ela estava uma graça. Como sempre.
- Que tal agente dar uma volta? Antes de você chegar eu estava de saída mesmo.
- Tudo bem! Mas, se você tem algum compromisso Kim, não precisa ficar comigo, só vim te visitar e... saber o que você vai fazer sábado?!
Seu rosto foi direcionado para baixo. Como se ela ficasse a encarar os pés — algo impossível. Um leve rubor se apossando das maçãs. Meu peito deu um solavanco. Meu Deus, como ela era fofa!
- Acho que nada. Só a faculdade. Por quê?
- É seu aniversário, certo? Então eu pensei que a gente pudesse fazer alguma coisa... juntos, não sei...
Aniversário. Caramba, havia me esquecido completamente. Meus não tão esperados dezoito anos. Nunca fui de dar importância a datas comemorativas e frequentemente esquecia-me delas. Até mesmo as direcionadas a mim. Com tantas coisas na mente durante aqueles últimos tempos era até aceitável que eu não recordasse. Mas Flora não havia esquecido. Um pequeno sorriso se formou sem eu nem mesmo perceber.
- Claro, eu ia adorar Flora! Obrigado por lembrar.
- Então, e-eu vou indo.
Acompanhei-a até a rua. Onde cada um foi para um lado. A pequena, possivelmente para sua casa e eu... Bem, eu tinha assuntos a serem passados a limpo.
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Encarei o céu sobre mim. Nuvens espessas e cinzas se agrupavam, indicando que logo iria chover. Enquanto movia meus olhos de nuvem em nuvem, algo que vinha em uma velocidade considerável chocou-se contra meu corpo, fazendo-me dar alguns passos atrapalhados para trás.
Antes que pudesse me refazer, ouvi um “Olha por onde anda caralho” expresso por uma voz conhecida. Automaticamente dirigi meus olhos à pessoa já distante. Os fios negros presos em um rabo-de-cavalo alto balançavam pelo ar, e as pernas esguias davam passadas longas.
Ricardo corria com toda sua gana, até virar em uma esquina e sumir de minha vista. Desde quando ele agia feito um doido? E um dos bem sem-educações, convenhamos.
Soltei um longo suspiro. Aquilo que ficasse para outra hora, precisava encontrar Adam logo. Já fazia um bom tempo que havia conversado com ele, temia que tivesse feito alguma besteira. Meu sangue estava fervendo.
Assim que dei meu primeiro passo em direção à entrada da faculdade, algo deslizou sob meus pés, chamando minha atenção. Segurei a pequena corrente em minha mão. Deveria ter caído de Ricardo quando esbarrou em mim. Sem observá-la direito, simplesmente guardei-a de maneira desajeitada no bolso do moletom e tomei meu caminho.
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