Todo Criminoso Tem Um Vizinho
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Vitor Forward.
Aquele que persistiu em meus pensamentos durante meses, naquele momento a apenas passos de mim. Um inevitável sentimento de alívio alastrava-se por todo meu corpo. Não sabia dizer por que razão, mas ali estava ele. O alívio. Talvez por que finalmente poderia encará-lo e dizer-lhe merecidas verdades, talvez por que finalmente poderia tirar dele respostas as tantas perguntas que tinha, ou então, simplesmente e inevitavelmente eu sentira saudades, não dele, sim dos sentimentos que me invadiam a sua presença. Mas isso pouco importava, ele estava ali, e eu não precisava de razões para nada.
Meus olhos estavam vidrados nos seus, não podia desviar, e durante milésimos de segundos, que pareceram uma eternidade, ficamos presos um ao outro, até esses milésimos de segundos voltarem a ser apenas o insignificante tempo que eram, e eu sentir um cutucão em meu braço, dado por Adam.
– Aquele que é o aniversariante, Milton Calmon Massini.
–... O que?
– Ali...
E apontou para a mesma direção onde nossos olhos estavam a poucos segundos. Estranhei, pois naquela direção era onde Forward se encontrava. Foi então que vi o homem em sua companhia. Vestido em um terno branco estava um senhor de aproximadamente sessenta e poucos anos, rechonchudo, cabelos brancos ralos, feições pesadas. Exatamente o que tinha imaginado? Sim. Agora, o que após o primeiro impacto não me passou despercebido foi, o que Vitor Forward fazia naquele lugar, e parecendo tão intimo do velho?
– Kim! Vou dar uma volta, daqui a pouco nos encontramos aqui novamente, certo?!
– Mas, onde...
Não pude nem mesmo terminar meu protesto, Adam já se encontrava distante. Era só eu ou ele se encontrava um tanto quanto estranho aquela noite?! Isso renderia assunto para mais tarde. Dirigi minha atenção para a mesma direção de poucos instantes atrás, mas Forward ali não mais se encontrava, ele e o anfitrião sumiram de minha vista. Fiquei tentado a procurá-lo pelo salão, logicamente não o fiz. Já bastava todo esse jogo de emoções e sentimentos, que era um porre, não sou idiota a ponto de correr atrás do problema. Encaminhei-me a um ponto mais isolado do local, ficando a observar o ambiente, ancorado a parede. A música que preenchia meus ouvidos junto com as diversas vozes dos convidados passava a me deixar sonolento, levei minha mão à boca, abafando um bocejo.
– Já não é hora de criança estar na cama?
Observei a figura que parara ao meu lado, e ainda por cima me chamara de criança. Uma mulher de aparência jovem, mas com toda certeza já havia passado a casa dos trinta. Cabelos negros ondulados, olhos acinzentados. Boca de um vermelho vivo, contrastando com o vestido longo de mesma cor. Corpo farto (leia-se gostosa). Um cigarro preso aos dedos. Se ainda não comentei, odeio cigarros. Como aquele negócio fede. Dirigi-me a ela com um olhar molesto.
– Desculpe, mas crianças não deveriam falar com estranhos.
– Você não faz o estilo de quem segue as regras.
– Boa observação.
– De acordo com as regras mulheres casadas não deveriam ir para cama com outros, o que você me diz sobre isso?
– Tem algo mais divertido do que quebrar as regras?!
A mulher que nem mesmo sabia o nome, me segurou firme pelo pulso, me conduzindo em direção aos outros cômodos da casa. Apesar da minha pose de garoto malvado, estava dando gargalhadas por dentro. Aquela situação era hilária de mais. Estava sendo arrastado por uma mulher que apareceu do nada, para um local distante de todos os convidados daquela festa, não me restava nenhuma dúvida de qual eram suas intenções, e como era isso que queria desde que pisei naquela “casa”, por que hesitar?!
Depois de tentar algumas portas, ela finalmente achou uma destrancada, abrindo-a rapidamente e me “jogando” para dentro. Dei uma olhada rápida pelo local, aparentava ser um escritório, com o diferencial de um gigantesco sofá, que no caso viria a calhar. Sem se importar em observar o ambiente ou trancar a porta, a mulher agarrou-se ao meu pescoço, atacando minha boca ferozmente. A conduzi rapidamente até o sofá, colocado-a em meu colo, sem descolar nossas bocas. Suas mãos agilmente tiravam meu paletó, enquanto eu acariciava suas coxas subindo o vestido. Ela parou por um momento e me encarou com olhos cheios de luxuria.
– Meu Deus garoto, como você é gostoso!
– Me diga algo que eu não saiba.
E a puxei novamente para um beijo ardente. Já abria o zíper lateral de seu vestido, quando congelei. A porta do escritório fora aberta e os três homens que por ela entraram, em meio a uma conversa, a cessaram, ficando a nos encarar.
O que vinha mais a frente, com a mão ainda a maçaneta, nos encarava estupefato, chamando a atenção por seu terno branco, o velho anfitrião. Logo atrás um homem negro, alto e com cara de poucos amigos. O terceiro... bem, o terceiro me encarava fixamente, um brilho estranho se apossando de seus olhos. Forward. O merda! Empurrei a mulher rapidamente para o lado, ajeitando minha roupa. Me preparava para dizer algo quando fui cortado por, ele, que colocou a mão gentilmente sobre o ombro do primeiro.
– Milton, deixe-me cuidar disso. Poderia ir com Bernake para aquele lugar? Logo me encontrarei com vocês para terminar nossa conversa.
– Essa seria minha obrigação Vitor, mas deixo com você desta vez. Não demore. Vamos Bernake?
O homem em seu terno branco desapareceu pela porta, em companhia do negro alto, de nome Bernake, pelo jeito. Forward adentrou a sala, fechando a porta atrás de si. Dirigiu-se a mulher ao meu lado, que se encontrava sentada, envergonhada pela situação. Ele segurou delicadamente sua mão esquerda, beijando-a sobre a aliança que se encontrava exposta em seu dedo.
– Creio que a senhora deveria voltar para o lado de seu marido, por ora. Sinto pelo seu constrangimento.
– C... Com licença.
E correu porta a fora, conseguindo estar mais vermelha que seu próprio vestido. Ele a seguiu com os olhos, até a porta ser fechada com violência, quando os dirigiu a mim. O brilho estranho ainda se encontrava lá.
– Em uma hora na minha casa. Não importa como, é bom que apareça.
– Quem você acha que...
– Você tem perguntas, eu tenho respostas. Uma hora.
Disse, sumindo então da minha vista. Me deixando para trás com uma veia pulsando em minha testa. Onde estava Flora com seu sorriso calmante em uma situação como esta?! Olhei para o relógio em meu pulso, começando a contar. Era lógico que de alguma maneira estaria na porta de sua casa em uma hora. Se ele tinha respostas, eu queria ouvi-las. Mas antes de qualquer coisa eu precisava pensar e, me acalmar. Sentei-me novamente no sofá, do qual havia levantado para encarar Forward. Passei a mão por meu rosto, seguindo pelo cabelo e descendo pelo pescoço. Que vontade eu tinha de esmurrar aquele homem. Deitei a cabeça no encosto, começando a divagar.
Dois meses completos. Exatamente como ele havia dito, foi o tempo que demorou para que nos víssemos novamente. Mesmo não sendo essas suas palavras (“te ouvir gemer”, não seria uma boa lembrança), elas foram corretas. Encontrei-o em um local completamente inesperado. Ele poderia muito bem ter negócios com o aniversariante, mas não conseguia imaginar aqueles três homens metidos em “simples” negócios.
Algo que ainda não comentei foi que não fiquei parado neste período de tempo. Continuei minha busca por informações sobre Forward, não apenas com Ricardo. Sua vida familiar era algo agora bem entendido por mim, o que me faltava eram seus negócios. Procurei em todos os cantos possíveis qualquer tipo de rastro deixado por sua empresa. Era realmente conhecida, — algo estranho já que era localizada em Várzea Grande, que passava longe de ser um centro econômico — se envolvendo em negócios lucrativos, dentro e fora do país. Mas, esses ditos negócios possuíam sempre familiaridades. Normalmente firmas de importação e exportação, fretes, galpões, bancos, impressas aéreas e assim por diante. Nunca um investimento específico, um produto especifico. Poderia ser a área de atuação da “Forward Investimentos”, como poderia muito bem não ser. Talvez estivesse ficando paranóico? Talvez...
Depois de alguns minutos a encarar o teto, resolvi chamar um táxi. Não poderia retirar Adam da festa pelo real motivo. E também não queria envolve-lo em meus problemas. Retirei o celular do bolso e procurei pela lista de contados. É sempre bom ter números do tipo para eventuais necessidades. Disquei, em pouco tempo estaria saindo daquele lugar. Dirigi-me para fora da sala, a procura de Adam. Pelo menos avisaria que estava de partida.
Por mais uma vez desfilava por entre os convidados, não avistando nenhuma cara conhecida, muito menos a de quem procurava. Observei em todos os lugares possíveis, liguei para seu celular – que estava desligado. Não possuindo mais tempo a perder e com o táxi a minha espera, desisti. Apesar de achar seu sumiço no mínimo estranho e no máximo preocupante, adentrei ao carro rapidamente, contando os minutos no relógio. Deveria estar mais preocupado com Adam e menos com as horas. Mas naquele momento nada me passava pela mente a não ser aquele nome e aquela face. Quanto mais nos aproximávamos do condomínio minha ansiedade se tornava crescente. Sentia que esperava por o que quer que fosse acontecer há muito tempo. Seriam as respostas que ele disse ter ou a experiência de estar em sua casa por mais uma vez? Ou então simplesmente a chance de ouvir sua voz próxima ao meu ouvido novamente? Não importava, eu já havia chegado. Paguei o motorista e me dirigi à casa de janelas redondas.
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Olhava o relógio constantemente. Dez minutos... Cinco minutos... Dois minutos... Ele apareceria a qualquer momento, e essa expectativa me deixa agitado. Não conseguia manter meus olhos fixos em nada, meus pés faziam movimentos quase imperceptíveis, mas notados por mim mesmo, que ficava impressionado com a própria impaciência. Foi apenas ao mirar os faróis que se destacavam no inicio da rua que meus pés pararam e meus olhos encontraram onde se fixar, uma BMW preta agora adentrando a garagem que se situava a metros de mim, parado em frente à porta. Esta que foi abruptamente aberta por Forward, que nada disse ou fez além de me encarar, dessa vez sem o brilho estranho que antes notara em seu olhar. Parado ao lado do imenso pedaço de metal, ainda com a mão a maçaneta, um convite para entrar. E foi o que fiz, a passos lentos e um pouco hesitantes.
Apesar de certa dificuldade, pelas luzes estarem apagadas, observei o espaço a minha volta. As cores que ali reinavam eram branco e prata. Poucos móveis na imensa sala de entrada, tudo muito simples e requintado. Algumas flores eram espalhadas pelo ambiente, descansando em grandes vasos de vidro. A porta de metal as minhas costas foi fechada.
– Gostou? Da ultima vez que esteve aqui acredito que não tenha prestado muita atenção.
– Humf! Você tem bom gosto, admito.
Não o encarava, por isso não pude notar sua aproximação, somente quando senti sua respiração em meu pescoço e seus braços fortes enlaçando minha cintura possessivamente, mas já era tarde para repeli-lo, minhas pernas perderam sua movimentação ao sentir seu corpo tão junto ao meu. O peito subindo e descendo, calmo, acompanhando a respiração que sentia em minha pele, a boca deslizando pela extensão do meu pescoço, usando os lábios para me acariciar. Estava imóvel, apenas sentindo seus toques.
Já havia desistido de dizer a mim mesmo que não o desejava, que não desejava suas caricias, sua boca, que não desejava terminar o que ficara inacabado aquele dia – graças a interrupções –, já havia desistido. Porque, mais que respostas, mais que qualquer capricho tolo de um garoto mimado, mais que qualquer outra coisa, eu queria tocá-lo. Queria recriar cada cena que vivi em meus sonhos, cada cena pervertida ou romântica. Só que dessa vez podendo sentir a textura da sua pele, o calor do seu corpo, descobrir cada ponto sensível.
Nós dois éramos homens? Sim
Eu o “odiava”? Sim
Mas a cima de qualquer barreira corpórea ou emocional, existia algo irrefutavelmente forte. Algo que jamais conseguirei nomear. A necessidade indescritível de tê-lo por perto – que com a distância apenas ficou mais e mais evidente–, era apenas um dos sintomas. Os sentimentos de familiaridade e obsessão, sempre presentes. Não sabia a razão para tanto, apenas sabia que estava instalado dentro de mim, e com certeza não me libertaria tão cedo. Lógico que não desistiria de minhas questões ou de minha própria “repulsa” com relação a Vitor Forward, fazia parte de quem eu era, de minha personalidade, mas aquela noite, apenas aquela noite, não havia problemas em me deixar levar, não é?
– Fico feliz que tenha vindo. Eu estava muito irritado.
Seu corpo ainda pressionado contra o meu, as mãos possessivas em meu peito, a boca úmida em meu ouvido. Sua voz ecoando em minha mente me tirou de meus devaneios, e mecanicamente dirigi os olhos aos seus. Olhos diferentes, e hipnotizantes. O que eu mais admirava em Forward eram seus orbes. Um verde e um azul, tão diferentes quanto sua personalidade.
– Irritado?! E por quê?
– Não gostei de vê-lo com aquela mulher. O jeito que as mãos dela estavam em você...
– Humf! Nós não temos nada Forward. O que quer que aconteça não me fará esquecer meus planos.
– Mas não quero que esqueça. Só quero...
Meu corpo foi virado bruscamente. Sua face muito próxima a minha, um meio sorriso malicioso nos lábios, que logo se desfez, graças ao encontro de nossas bocas. Um contato quente e sensual, que não tive nenhum empenho em quebrar. Sua língua resvalava em meu pircing, fazendo-me estremecer. Enquanto isso suas mãos deslizavam por meus ombros, empurrando o paletó, fazendo com que o mesmo fosse de encontro ao chão. Logo me encontrava abrindo os botões do seu, que em poucos segundos também foi deixado de lado.
Os lábios finos e suaves se descolaram dos meus. A respiração falha, decorrente dos longos minutos que ficamos naquele contato, ia de encontro ao meu rosto. Abri os olhos lentamente, ainda perdido nas sensações. Seus dígitos deslizaram com levesa por minha bochecha, pisquei demoradamente em um tipo de reflexo, depois, elevando meu olhar, encarei a face de sorriso... sereno?! Que Forward sustentava. Observar outras expressões além da maliciosa ou a falta de, era quase reconfortante. Dava-lhe talvez, um pouco mais de normalidade. Mas isso não importava, eu havia gostado daquela expressão, somente isso.
Essa troca de olhares durou poucos segundos, pois logo nossas bocas se encontraram novamente, furiosas, necessitadas de contado. Suas mãos deslizaram rápidas por meu corpo até chegarem em minhas coxas, que segurou bruscamente, me levantando em apenas um impulso. Apesar da surpresa momentânea, me deixei ser levado, ainda de olhos fechados, devorando seus lábios, puxando-os com certa agressividade em alguns momentos. Aquilo parecia excitá-lo, agarrando-me com mais força.
Estava preso ao seu corpo, minhas pernas contornavam sua cintura, enquanto era apoiado por seus braços e mãos, essas que se encontravam na minha bunda, apertando com mais força conforme ficávamos mais... quentes. Começou a se mover com passos nada hesitantes, abri meus olhos por um instante vendo para onde íamos. Ele subia as escadas, em direção aos quartos. Um arrepio passou por minha espinha, eriçando meus pêlos. Ia realmente acontecer. Era aquilo que eu queria, certo?
Cessei o beijo, encarando sua face por um instante. Seus orbes se abriram ao mesmo tempo em que seus passos pararam. Olhou-me fixamente, intensamente, como sempre fazia, me deixando perdido. Agora era eu quem passava com leveza, os dígitos por sua bochecha. Sim, era aquilo que eu queria. E já estava demorando de mais. Dirigi meus lábios ao seu ouvido, onde disse com voz rouca.
– Continue. Eu... já tenho minhas respostas.
Mordi o lóbulo de sua orelha, sugando-o logo depois. Fui em direção ao seu pescoço, onde depositava leves mordidas, seguidas de chupões violentos, que deixariam marcas, minhas marcas. E estranhamente, saber daquilo me deixava extasiado. Sua respiração ficava mais acelerada conforme meus toques se tornavam mais envolventes, minhas mãos acariciando sua nuca, depositando ali um carinho gostoso. Estava tão empenhado em tocá-lo que nem mesmo percebi quando chegamos ao quarto, somente quando senti meu corpo sendo posto sobre algo macio, e o peso de Forward sobre mim.
Meus braços caíram por sobre a cama, minhas pernas flexionadas com ele entre elas.Sua mão direita deslizou de minhas costas pelo lençol branco de linho, procurando pela minha, entrelaçando-as. A outra acariciava meu pescoço em um contato quente, confortável. Os lábios finos vieram de encontro aos meus. Dessa vez sem ferocidade, sem aquela ardência presente nos tantos outros beijos. Foi calmo, lento, carinhoso, nos preenchendo com sentimentos ao qual não posso nomear. Nossas línguas roçavam-se languidamente, adaptando-se a um único ritmo. Seria pouco dizer que aquele beijo tinha sido o melhor da minha vida até aquele momento. Foi com desgosto que o senti sendo cessado. E sua voz grossa e rouca, inundando o silêncio daquele cômodo.
– Finalmente... Finalmente, depois de tanto, tanto...
Rapidamente levei meus dedos aos seus lábios. Evitando que ele continuasse. Eu não precisava ouvir... mais uma vez. Por noites e noites, as mesmas palavras surgiam em meus sonhos, e com grande surpresa elas começavam a querer ecoar na realidade. Eu não precisava ouvir aquela merda de novo, por que eu...
– Eu não entendo. Mas, eu já sei. Não precisa dizer.
Seus olhos cintilaram por um breve segundo. Não sabia a razão, e nem tive capacidade de pensar em uma, quando senti meus dedos que se encontravam em seus lábios serem envolvidos por aquela boca quente. Encarava-me com um ar lascivo, enquanto os sugava, tornando minha excitação incomoda. Em um lapso me privei daquele contato. Observando nossos corpos cobertos com aquela roupa quente, louco para tirá-las.
Forward pareceu pensar o mesmo que eu, já que logo abria minha camisa de botões, enquanto deslizava sua língua pela pele que ficava aos poucos a mostra. Fechei meus olhos, afundando mais minha cabeça ao travesseiro, sentindo aquela língua deliciosa explorando meu abdômen, enquanto suas mãos encarregavam-se agora de arrancar meu cinto, permitindo passagem por minha calça. Quando o zíper foi aberto mordi o lábio inferior, tentando conter minha ansiedade. Mas então os toques de Vitor pararam, e senti seu peso contra meu corpo desaparecer. Abri meus olhos, inquisidores, querendo saber o porquê da interrupção. Foi então que o vi. Sentado sobre os joelhos, um de cada lado de meu corpo, os cabelos presos a testa molhada de suor, uma expressão boba no rosto. Estava me observando, cada pedaço de pele a mostra. Minha face deveria estar corada naquele momento.
– Você é lindo Kim.
Sorri.
– Diga algo que eu nunca tenha ouvido.
– Você fica lindo... quando morde os lábios. Ansioso para que eu te toque.
– Humf...! Então continue.
Me levantei, puxando-o pela gravata, sensualmente, colando nossos lábios por breves segundos, dizendo depois baixo em seu ouvido, enquanto deslizava a mão por seu peito, ainda vestido.
– Você está com roupa de mais, isso não é justo.
– Se não acha justo, tire.
Sorrimos maliciosos um para o outro. Aquela situação estava excitante. E nossas ereções, rosando uma na outra, era apenas a prova. Comecei a desfazê-lo daquele pedaço de pano sobre seu peito, com muito menos delicadeza que ele havia feito. Cheguei a arrebentar alguns botões, mas pouco importava, ele que comprasse uma camisa nova depois. Tiramos também nossas gravatas, que já estavam frouxas em nossos pescoços. Foi quando dirigi minhas mãos a sua ereção que Forward as deteve.
– Não! Eu primeiro.
E me empurrou com delicadeza, fazendo-me deitar novamente a cama, pronto para continuar o trabalho inacabado.
– Se bem me lembro, na última vez fomos interrompidos no meio de algo. Você se lembra Kim?
– O que? Que você estava preste a me abocanhar?
Um meio sorriso safado surgiu em sua face. Passou a tirar minha calça lentamente, deixando a boxer branca a mostra. Minha excitação era visível sob o pouco tecido daquela peça. Forward se debruçou sobre mim, arrancando aquela única barreira entre sua boca e meu membro com os dentes. Lentamente, sensualmente. E foi um alívio quando me vi livre dela. Alívio esse que foi substituído por uma onda de calor, que me fez fechar os olhos com força, soltando o tão esperado gemido. Alto, cheio de luxuria e pedido por mais. Ele havia me abocanhando de uma única vez, sem avisos, sem enrolações. E puta.que.o.pariu, como aquela boca era maravilhosa. Ao ouvir meus “sons” de aprovação o senti intensificar ainda mais o contato entre meu pênis e sua boca.
A língua deslizava por toda a extensão, fazendo movimentos circulares pela cabeça, para então envolvê-lo novamente com os lábios, resvalando os dentes de leve hora ou outra, me fazendo arquear na cama. Levei minhas mãos aos seus cabelos, incentivando-o a continuar. Se eu soubesse que seria tão bom, teria mandado minha mãe para o inferno aquele dia, e continuado com o que íamos fazer. Logo chegaria ao meu máximo, e Forward percebendo isso, após ouvir os gemidos se intensificarem, simplesmente quebrou o contato, que tinha sido o melhor boquete da minha vida. Olhei-o de maneira rabugenta, mas um sorriso ainda se estampava em sua face.
– Eu falei que te ouviria gemer.
–...!
Não tive capacidade de responder, estava à beira de um orgasmo, não me sobrava fôlego. Ao menos não para falar, quem sabe para agir.
Empurrei-o para a cama. Ficando sobre ele. Observando as gotas de suor deslizando por seu tórax. Caralho, ele era gostoso. E naquele momento, não estava nem ai em achar outro homem gostoso. Ele era mesmo, fazer o que. Comecei a provar de sua pele. Era macia, branca, quase imaculada, isso se eu não soubesse de quem se tratava. Livre de manchas, lisa, perfeita. Os músculos eram definidos, bem marcados, e eu desenhava cada um com a língua, sentindo o sobe e desce de seu abdômen sob mim, graças à respiração acelerada. Fui chegando com meus lábios próximos a sua calça, olhei para o volume que ali existia com certo interesse, depois encarei Forward que me observava atentamente, apoiado em um dos cotovelos.
Eu não colocaria minha boca em “nada” aquela noite, eu queria era me aliviar. E eu iria até o fim. Retirei aquele pedaço de pano com a mesma violência em que retirara sua camisa, revelando uma boxer parecida com a minha só que preta, contrastando com a brancura de sua pele. Fiz o mesmo que ele e a retirei com os dentes. Agora nós dois estávamos nus, nada servia de barreira entre nós. Estávamos livres para nos sentirmos. E foi isso que pedi a Vitor, próximo ao seu ouvido, segurando sua grande ereção com força entre minhas mãos, debruçado sobre ele, rosando meu corpo contra o seu, o sentindo suspirar. Algo que jamais pensei que diria saiu por minha garganta.
– Me fode.
Em um movimento rápido minhas costas iam novamente de encontro ao colchão. Forward se encaixou entre minhas pernas, de uma maneira sexy e sensual, me fazendo desejá-lo ainda mais. Segurou minhas pernas com certo cuidado, aos lados de seu corpo. E me encarou com o olhar mais carinhoso que jamais tinha visto. Naquele momento meu coração falhou uma batida, e depois outra e outra. Totalmente descompassado.
– Seu desejo é uma ordem, Kim.
E sem preparação alguma senti a cabeça do seu membro forçando-se para dentro de mim. Fechei os olhos com força, me recriminando por ser tão apressado. Doía. Eu sabia que iria doer. Mas não me preocupei. Pois sabia que quem estava ali era Forward. E por algum motivo, aquilo me trazia tranquilidade. Ele forçou um pouco mais, e eu soltei um gemido de dor, ansiando que aquela sensação se transformasse em prazer logo. O corpo do homem a quem me entregava debruçou-se sobre mim, beijando meus lábios, tão lentamente e carinhoso quanto os outros, mas era apenas uma distração para que pudesse enfim se enterrar por completo em meu interior. Soltei um palavrão, abafado pelo beijo. Nossos lábios se separaram, e ele me encarou, do mesmo modo carinhoso. Aquele que fez meus olhos brilharem.
– A dor já vai passar. Eu só vou te dar prazer Kim. Só prazer.
Seus movimentos começaram lentos, leves, quase imperceptíveis. E conforme ele observava minha expressão suavizar e meus olhos lhe pedindo mudamente que acelerasse, ele o fazia. Nossos corpos se chocavam, seu membro entrando e saindo de meio interior. O prazer logo se apossou d meu corpo, e comecei a gemer e pedir por mais sem pudor algum. Mas sempre com os olhos abertos, presos aos de Forward, nos comunicando com aquele simples olhar. E em meio aos meus próprios sons, pude ouvir aqueles que escapavam de sua garganta. Gemidos baixos, mas cheios de prazer, satisfação. Ele estava delirando dentro de mim, e ao constatar isso, não pude deixar de sorrir. Eu sabia que igual a mim ele nunca tinha tido. Isso por que naquela noite, durante aquele ato, conheci tantas expressões em sua face quanto qualquer outro. Eu sabia disso. E em meio aos sons delirantes, o vai e vem de nossos corpos, o suor escorrendo por nossas peles, eu conheci mais uma expressão... a do prazer máximo. Senti Vitor se desfazendo em meu interior, me preenchendo com um calor até aquele momento não conhecido por mim, e ao mesmo tempo também alcancei meu ápice, o mais prazeroso que já provara.
Seu corpo caiu cansado ao meu lado, naquela imensa cama. Estávamos exaustos, nossas respirações ainda aceleradas iam se acalmando pouco a pouco. Forward se ajeitou nos lençóis desalinhados, passando um dos braços por minha cintura, me acomodando em seu peito.
– Vai passar a noite aqui?
Fechei os olhos por breves segundos, como se pensasse, para depois o encarar com a face serena, que a muito tempo não esboçava.
– Vou.
Agarrei-me com mais força a ele, fechando os olhos e me entregando ao cansaço. Aquela noite dormi com um pequeno sorriso nos lábios, livre dos sonhos que se tornaram realidade.
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O sol ainda estava baixo, pouco calor se espalhava pelo ambiente, um pouco de orvalho ainda podia ser visto, pingando das folhas. Era cedo. Umas seis e pouco da manha. Não sabia ao certo o horário, pois já devia estar ali, com as chaves em mãos há vários minutos. Podia ser uma cena até meio patética. Ok. Muito patética. Um cara com seus dezessete anos nas costas, um e oitenta de altura, que normalmente possuía uma cara de poucos amigos, parado que nem um imbecil, com um sorriso pior ainda na cara, imóvel, apenas pensando nas últimas oito horas da sua vida. Realmente, era patético. Mas naquele momento, eu estava pouco me lixando para isso. Já havia acontecido. Só me restava transformar aquilo em uma “boa lembrança”, e não tinha como ser diferente.
Acordara muito cedo, ainda cansado. Sentindo a mão quente que deslizava por meus cabelos. Abri os olhos e encarei a face de nada, tão conhecida por mim. Mas que agora sabia não ser a única expressão possível para aqueles belos traços. Forward me desejou bom dia e perguntou se eu gostaria de um banho. Ainda meio dormindo aceitei a oferta, só percebendo que a proposta era de um banho em conjunto quando senti seu corpo rosando contra o meu, debaixo da água quente. Imagine o que quiser sobre o que ocorreu naquele banho (imagine o óbvio). Após um longo tempo dentro do banheiro, saímos. Vitor se vestiu apenas com seu roupão, eu desajeitadamente a roupa do dia anterior, que se encontrava espalhada pela casa. Não éramos um casal, não ficamos de amores pela manhã. Apenas nos dirigimos até a porta da casa, dando um último beijo, lento e cálido. Forward deslizou os dedos mais uma vez por minha face, carinhosos, e disse com sua voz envolvente, como sempre. “Espero que ainda tenha muitas perguntas”, sorri de lado, um sorrio zombeteiro, “ E eu que você tenha as respostas. Até logo Forward”. E depois disso me encontrava ali, parado, enfrente a porta de minha casa, com a chave em mãos, apenas relembrando.
Sacudi a cabeça de leve, e tirei o sorriso da face. Abrindo enfim a porta, com o mínimo barulho possível. Meus pais ainda deviam estar dormindo. Fechei a porta com a mesma minúcia, me dirigindo depois para a sala. O bilhete que deixara a meu pai ainda se encontrava ali, só que com algumas linhas a mais. “Espero que tenha se divertido. As estrelas estavam lindas essa noite, não?”. Sorri sinceramente. Minha vida estava a cada dia se tornando mais e mais próxima daquilo que eu sempre desejei. Como um bom relacionamento com meu pai. Sim, aquela noite as estrelas estavam belíssimas. Fiquei alguns minutos ainda com o bilhete em mãos, pensando, quando ouvi algumas vozes vindas da cozinha. Estranhei. Normalmente àquela hora ninguém havia acordado.
Dirigi-me até lá. Abri a porta, entrando rapidamente. Tão rápido quanto entrei, meus pés pararam de se mover. Um estrondo se fez, soando como um eco por diversas e diversas vezes em minha mente. Algo quente escorria por minha face. Passei meus dedos de leve, observando-os depois.
Sangue.
Notas finais
Eu queria fazer um comentário gigantesco, mas o Nyah não está me deixando faze-lo, então deixo pra próxima. Demorei mais do que esperava para postar esse capítulo, mas nem foi minha culpa, fiquei sem internet (de novo ¬¬) KKK.
Esse 12° foi o que me deu mais trabalho, principalmente pelo lemon, o primeiro que escrevi na minha vida (aaaaaaaaaaaaaaaaaah)! Espero que tenham gostado, ficaria feliz com comentários. O novo personagem BERNAKE, nem me perguntem de onde tirei esse nome, foi uma junção de coisas HAUHUA. Capítulo especial para mim, espero que tenham gostado e deixem reviews...
Até o próximo
Bjaoo**
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