Todo Bom Romance Começa Num Porão
7 Todo Bom Romance...
Notas iniciais
POV Bianca
Eu fiquei esperando no aeroporto por um bom tempo. Mas tudo bem, valeria a pena. Fazia tanto tempo que eu não via o meu Nico. Eu ainda me lembrava daquela musiquinha que eu cantava quando dele não conseguia dormir. A saudade e a ansiedade corroíam meu peito.
Tá bom, tudo estava ótimo, até que um cara estranho começou a me observar. Fui no banheiro, comprei uma revista, comi um lanche, e o cara não tirava os olhos de mim. Então eu fui até ele.
– Com licença, moço, tem algum problema comigo?
– Na verdade, acho que vou ter que chamar os seguranças.
Eu entrei em desepero. "Ai meu Deus, o que eu fiz? Por que esse cara vai chamar a segurança?" pensei.
– P-por que?
– Porque você tá roubando o brilho de todo mundo, gata. — Ele disse, com um sorriso cafajeste.
– Por Hades, essa foi a cantada mais horrível que já me passaram em toda a vida.
– Qual é, moça, eu surfo!
– Bom pra você. Agora vai embora.
– Ah, isso eu não faço, broto. — Que expressão era aquele, meu Zeus? Quem diz "broto"?
– Eu vou chamar os seguranças!
– Dane-se, florzinha, você nem era tudo isso mesmo. — Ele se afastou
Depois do episódio mais estranho da minha vida, chamaram meu voo. Apresentei as passagens e entrei no avião. Como eu não tinha dormido direito aquela noite, capotei dentro do avião.
[...]
“Atenção, senhores e senhoras, coloquem os cintos, por gentileza. O avião pousará daqui a doze minutos.”
Acordei um pouco exaltada, por conta da barulheira, e só então me lembrei que eu estava chegando em NY. Tão perto do Nico, mas ainda tão longe! Tudo bem, naquele momento faltava pouco para eu apertar as bochechas do meu irmão.
– Srta., você precisa colocar o cinto de segurança.
– Oh, desculpe. – eu disse enquanto arrumava o cinto. Tirei um espelhinho da minha bagagem de mão e dei uma ajeitada nos meus cabelos.
Então, o avião começou a descer. Segurei-me no assento, já tendo náuseas. Então, ele deslizou levemente até o final da pista e parou. Foi anunciada a chegada e, depois de alguns minutos, a escada já tinha sido colocada. Agarrei minha bagagem de mão e desci até o solo.
Enquanto o calor da Califórnia era absurdo, ali eu vi até pessoas de casaco, embora fosse um exagero.
Peguei minha mala na esteira e passei pelos detectores de metal. Nada. Fui até a rua e chamei um taxi. Dei o endereço do apartamento de Nico e Percy.
Quando o taxista acelerou, meu celular tocou.
Conferi o visor, era Nico.
– Bia… Eu esqueci de avisar. Nós estamos na casa da Annabeth.
– E qual é o endereço dessa guria, Nicolas? – perguntei
– Niquito… Quem é no telefone?
Estranhei a voz feminina no fundo, mas antes de eu tirar satisfação, Nico respondeu a voz.
– Lollie, é a minha irmã, a Bianca!
– Quem é Lollie, Nico? – broqueei.
– Depois eu te falo, Bianca. O importante agora é o endereço.
Ele me passou o endereço e eu o falei para o taxista, que mudou de rota. Então Nico desligou.
POV Nico
Eu terminei a chamada e então todos calaram a boca.
– E aí? A Bianca tá chegando? – O Percy perguntou.
– Ta vindo pra cá.
– É… Thalia, será que você pode buscar meus patins no porão? Eles são roxos com… Bolinhas verdes! – Annabeth disse para Thalia, que fez uma cara meio estranha, mas atendeu o pedido.
– Calma, Tha, eu vou com você! – Piper disse, e correu atrás dela.
– Pipes, eu sei o que são patins. Posso ir sozinha.
– Mas a porta do porão emperra as vezes…
– Como você sabe?
– Annie me falou. – Piper respondeu, meio desesperada com o interrogatório.
Então as duas se afastaram. Depois de alguns minutos, com todos comentando sobre Bianca, escutei um barulhão e Piper correu até a sala.
– Nico, eu soltei a porta sem querer e ela emperrou… Me ajuda!
– Tem que ser eu? – Respondi desanimado.
– Tem!
Piper foi na frente e, quando cheguei lá, apenas me agachei e abri a porta na maior facilidade.
– Pipes, a porta só estava encostada. – Eu disse enquanto olhava para dentro do porão.
– Nico, saí dai! A Piper… — Thalia foi enterrompida por mim, que caí em cima dela ao ser empurrado pela Piper, que fechou a porta.
Tentei abrir a porta de todas as formas. Esmurrei, tentei destrancar com um grampo que estava no chão, e Thalia só ficou sentada no canto, olhando meu esforço.
– Sério? Você vai ficar olhando, só? – Perguntei, já puto da vida.
– Caraca, Nico, será que você ainda não percebeu que não vai conseguir abrir? – Então ela começou a gritar por ajuda. Eu já estava meio desesperado, então me juntei a ela.
Depois de uns dez minutos que estávamos gritando, escutei uma voz diferente.
– Thalia, cala a boca. Acho que a Bianca chegou.
Paramos de gritar e prestamos atenção. Era Bianca, com certeza.
– Bianca, aqui, no porão! Socorro! Esses loucos trancaram a gente aqui! Me ajuda, pelo amor de Deus!
Escutei passos acima de nós, e então… “Clic”, a porta se abriu suavemente, o rosto da minha irmã numa expressão bem conhecida por mim, que significava “O que diabos está acontecendo?”.
– Bianca, graças a Deus, que bom que você chegou.
Mas ela bateu a porta na nossa cara e trancou de novo.
– Cara, qual o seu problema? Bianca, abre o raio de porta!
– Desculpe, irmãozinho, mas me contaram que duas pessoas andam brigando demais... Isso é para o seu bem! — Ela disse, com a voz abafada e afastou-se do porão.
Fale com o autor