Todas as nossas memórias

1 Capítulo 1 - Prólogo


Notas iniciais
Essa fic é um projeto antigo que estou retomando aos poucos. Alguns pontos do que escrevi antes não bate mais com meu estilo ou não faz mais sentido pra mim, então a narrativa vai ter algumas alterações para se adequar a esse novo arco. Pretendo, finalmente, concluir o conto. Então, esse é um recado aos meu antigos e novos leitores: Espero que gostem de cada letra!

Ela mal conseguia manter os olhos abertos enquanto dirigia um velho Ford, que já estava a um passo de cair aos pedaços.

Aquele já devia ser o terceiro dia na estrada. Acontece que, entre as poucas paradas para descanso e todas aquelas em que precisou pedir informações, a viagem demorou muito mais do que previu. Naquela altura, a comida havia acabado no dia anterior e o resto do dinheiro foi gasto na ultima parada, tudo em gasolina.

Sentia-se esgotada, física e mentalmente, então ela mesma se surpreendeu com acelerar do seu coração quando percebeu que, enfim, estavam chegando.

Londres.

Enquanto percorria os últimos quilômetros em meio ao trafego trouxa, um sentimento de familiaridade a consumia. Diferente de qualquer outra emoção que sua mente confusa podia recordar, principalmente nos últimos anos.

Ainda tinha essa sensação de déjà-vu quando estacionou o carro, momentos depois, e dirigiu-se ao banco traseiro. La, dormindo calmamente, estava uma pequena garotinha. Seu rosto estava sujo, assim como suas roupas, mas não era o suficiente para esconder a beleza de sua pele morena e a delicadeza de seus traços infantis. Olhando para a criança à sua frente, ela se permitiu derramar umas poucas lagrimas de alivio.

Suspirando, ela enxugou as lagrimas e solto o cabelo ruivo, que caiu em longas madeixas onduladas, escondendo parte de seu rosto.

Ansiedade era seu nome enquanto pegava a menina, que não devia ter mais que seis anos, e se dirigia ao telefone publico que chamava atenção em seu chamativo tom vermelho, tão comum naquela parte de Londres.

Então, ao entrar e digitar uns poucos números no teclado da cabine telefônica, sabia que sussurrava mais para si do que para a jovem morena, que continuava adormecida em seus braços:

— Você está segura. Está em casa.

A ruiva se identificou e recebeu seu crachá, pensando como aquele pequeno ato parecia parte de uma outra vida. Esse sentimento ainda a rondava quanto o piso da cabine estremeceu e elas começaram a afundar lentamente, exatamente como em um elevador.

Não era como se a entrada para o Ministério fosse uma surpresa. Ela era uma bruxa, afinal de contas! Mas alguns anos haviam se passado e, em sua mente, as lembranças eram caóticas.

— O Ministério da Magia deseja ao senhor um dia muito agradável – disse a voz feminina. A porta da cabine telefônica se escancarou e ela se apressou em sair.

Logo, estava atravessando a passos largos o longo e suntuoso saguão, sua bota estalando contra o soalho de madeira escuro e extremamente polido. Olhando o teto azul-pavão, entalhado com símbolos dourados que se moviam e se alternavam como um enorme quadro celeste de avisos, a mente da mulher fervilhava com memórias confusas.

As paredes de cada lado eram forradas de painéis de madeira escura e lustrosa, e nelas havia, engastadas, muitas lareiras douradas. A intervalos de segundos, bruxos e bruxas emergiam de um das lareiras à esquerda com um suave ruído de deslocamento de ar. Na parede da direita, iam se formando diante de cada lareira pequenas fileiras de gente que aguardava o momento da partida.

Sentia o sangue gelar de preocupação a medida em que passava, atraindo mais e mais olhares. Ressentia-se consigo mesma por tudo o que aconteceu, mas naquele momento só consegua pensar que deveria ter arrumado roupas que chamassem menos atenção, ou que, pelo menos, não estivesse rasgado ou chamuscado.

A ruiva sentia o perigo a sua volta, não haveria segurança para as duas até encontrar o chefe dos aurores. Então, ela engoliu em seco e continuou, andando o mais rápido que pode, até que ela viu algo que não podia ignorar.

Um pouco antes da porta, que era seu real destino, havia uma grande placa iluminada por tochas, com os dizeres "Monumento aos Aurores mortos em combate". Leu nome após nome, atraída por uma curiosidade sem explicação, mas nada lhe chamou atenção. Exceto, quando seus olhos alcançaram o ultimo nome gravado no metal e ela sentiu uma vontade quase insana de rir, algo que não fazia a um bom tempo.

— Mas que...? — Ela segurou a imprecação e, ajeitado a sonolenta garotinha em seu colo, seguiu para a porta ao lado, onde uma pequena placa dourada dizia "Auror Chefe" e logo mudava magicamente para "Em reunião".

Sua confusão era tamanha que nem mesmo a surpresa de encontrar a sala repleta de pessoas a parou. Estava desorientada, com o coração tão acelerado que podia senti-lo bater nas pontas dos dedos. Mal ouviu o baque surdo que a porta fez ao abrir, também não enxergava rostos ou se dirigia a alguém em especifico, só queria respostas ao seu caos e não se importava com quem quer que fosse da-las.

— Tem uma placa com o meu nome. — A ruiva começou assim que abriu a porta, não dando oportunidade para que alguém questionasse sua entrada dramática. — Grande, brilhante e lotada com os nomes de gente morta e o meu nome esta lá. — Aproveitando o silencio absoluto que se fez na sala, ela divagava para ninguém em especial. — Lá! No monumento aos mortos! E, com todo respeito, alguém precisa me dizer o que...

Por incrível que fosse, dada a exaustão e desalinho em que se encontrava, a mulher parecia ter folego para manter o monologo por muito tempo. E, talvez o continuasse mesmo, se não fosse pelo toque em seu rosto.

Ruivo, era todo que ela percebera. Cabelo ruivo, barba ruiva e até suas orelhas estavam avermelhando.

Estava tão nervosa que não o viu se aproximar, tão confusa que abaixou a guarda por alguns instantes, até que o ouviu perguntar quase num sussurro:

— Rose?

Notas finais
Me conta o que você achou. É um leitor antigo? Diz ai se gostou das mudanças da narrativa. Beijão!