Ahri levanta Kiko no ar e pronuncia:

— Guardiãs, transformação!

Todos pegam uma gema diferente, as arremessam para cima e seguram, fazendo seu corpo brilhar mais forte ainda, parecendo as estrelas cintilando no céu. Cada um de uma cor diferente, da cor da gema de cada um. A de Ahri é rosa, a de Sarah é vermelha, a de Neeko é amarela e a de Xayah e Rakan é verde e azul. Em menos de um segundo, a roupa de todos trocam magicamente e eles ficam mais arrumados, todos da cor branca.

Todas as garotas usam vestidos decotados e meia-calça, diferentes um dos outros com alguns detalhes da cor de sua gema respectiva, exceto por Neeko, que tem detalhes verdes e dourados, e a roupa de Xayah predomina o rosa, a mesma dor de seus cabelos e suas asas longas e afiadas, e alguns pequenos detalhes verdes.

Por outro lado, as roupas de Rakan ficam mais leves e brilhantes, como seu cabelo sedoso. Sua camisa é substituída por um colete decotado com detalhes verdes e uma capa branca e plumada seguida por longas caudas esverdeadas e pontudas, prendida no seu peito com uma versão maior de sua gema azul. Sua calça verde azulada prende na canela por uma meia longa e colada, que deixa sua perna selvagem mais apresentável.

Os olhos de Sett brilham. Estupefato, ele dá um urro de felicidade e animação. Ele avança.

— O que está acontecendo? Como vocês fizeram isso?

Baki e Boki misteriosamente se transformam em duas pistolas mágicas brancas e Sarah as seguram com firmeza.

— Depois o Rakan te explica, agora cai fora se não quiser virar comida de monstrinho espacial.

Rakan abre a boca, envergonhado.

— Eu? Por que eu?

O coração de Sett solta chamas ardentes.

— De jeito nenhum! Eu vou ficar e ajudar, eu quero.

Rakan se aproxima do mestiço, tira a sua capa cintilante e a prende ao redor de Sett.

— Certo, você pode nos ajudar. Use isso para se proteger, sua ajuda será bem-vinda.

Rakan se afasta e Sett coça a cabeça. O que farei com isso?

De longe, o adolescente observa seus colegas lutando contra essas criaturas pequenas e fortes que caíram do céu. É como um espetáculo para ele, Xayah lança penas finas e afiadas com uma velocidade tão rápida e as puxa de volta com uma linha presa a elas quase invisível. Rakan está sempre ao lado dela, ele salta incrivelmente longe, bate sua asa pesada no chão e arremessa os inimigos para cima, voltando para Xayah e a deixando terminar o trabalho.

Sett jura que viu a Sarah em dobro, mas sabe que uma é a Neeko disfarçada por causa de sua cauda enorme visível. As duas trabalham juntas, jogando vários e vários disparos por toda o parque, fazendo os invasores sucumbirem um por um.

Ahri consegue fazer muita coisa sozinha, mas também está sempre ajudando seus companheiros e dando ordens para que nada saia do controle. Ela desliza pelo vento e lança diversas esferas mágicas nas criaturas, mas sua esfera mais forte é seu companheiro Kiko, preso dentro de uma orbe mágica, furioso e pronto para acabar com a cara de todos, Ahri o lança diversas vezes, derrotando mais e mais inimigos.

Três pequenas criaturas encurralam Sett, andando devagar e maliciosos em sua direção. Ele se assusta e mostra os punhos, mas se lembra da última vez que tentou socar um e acaba hesitando, dando um passo para trás. Todas pulam de uma vez para cima de Sett e ele vira para trás, se cobrindo com a capa que Rakan o deu. Incrivelmente, a capa reflete a maior parte do dano e joga eles para trás.

Sett olha de fininho, assustado e animado. É verdade, a capa o protegeu como um escudo guardião. Só que os inimigos não foram derrotados, agora estão com raiva, mas Sett está bem mais agitado e excitado para derrotá-los.

Ele enrola as pontas da capa nos punhos e os ergue pronto para lutar. Na cabeça dele, a capa pode ser usada a favor dele como uma arma corporal, por mais que ela repila o dano.

O primeiro soco é com a mão esquerda, não derrota o inimigo mas o empurra para longe. O segundo soco é com a mão direita no seu próximo rival, este foi tão forte que fez com que a criatura explodisse em gosma. Sett olha para seus próprios punhos e pensa: é assim que tenho que fazer.

O primeiro e o terceiro voltam a atacar. Ele soca o primeiro com a mão esquerda com bem mais força e o derrota facilmente. O terceiro, assim como o segundo, ele soca com a mão direita. Mas dessa vez foi tão mais forte que uma poeira subiu com o impacto da criatura no chão.

Ele respira fundo, ofegante, suor escorrendo. Ele olha para os seus inimigos derrotados — ou o que sobrou deles — e fecha os olhos. Não consegue acreditar que realmente lutou contra essas coisas estranhas que caíram do céu. E os derrotou.

Todos os outros brilham forte e voltam a usar suas roupas que estavam antes de lutarem, misteriosamente a capa de Rakan some das costas de Sett. Neeko volta a ser ela mesmo sem Sett perceber e corre para a sua bolsinha encostada na árvore, suja de gosma roxa.

— Que nojo! Melecou toda a minha bolsa...

Sett dá um passo para trás, depois dá dois passos para frente, entusiasmado. Ele não se sente animado por causa de uma luta há bastante tempo, Darius na verdade apenas o irrita.

— Isso foi demais! O que foi isso? O que é isso?! O que são vocês??

Sarah revira os olhos e se vira, cruzando os braços.

— Esse bobão não deveria estar aqui. Tudo culpa do Rakan que não consegue parar de seduzir todos ao seu redor.

Rakan levanta o dedo.

— Pode ir parando por aí, sua ruiva desoxigenada. Eu não tenho culpa se eu sou bonito e as pessoas se encantam por mim. E eu fui atrás dele para ajudar na matéria, não para dar uns amassos.

— Calem a boca! — grita Xayah, coçando a cabeça. — Para de ser chata, Sarah. Você só está com inveja porque o gostosão escolheu o Rakan em vez de você. Alguém se quer olha para você? Ninguém suporta você o tempo todo falando que deve ser feito o certo.

Sett enrubesce, envergonhado. Ele não se sente bem-vindo e desejaria nunca ter saído de sua casa, mas Ahri muda seus pensamentos quando coloca a mão no seu ombro estranhamente grande.

— Somos as Guardiãs Estelares... e o Rakan também. Não é nenhum segredo, as pessoas sabem sobre a gente. Mas não somos tão populares. Sabe os assistentes? Eles sempre estão lá, mas nunca notam eles. Nós defendemos a terra de invasões alienígenas. É raro, mas recentemente uma grande magia vem ascendendo na cidade de Valoran e viemos investigar. O professor Ryze nos ajudou, ele conhece a nossa história, mas é bem rígido em relação a educação. Quero dizer, a gente já sabe de tudo. Eu devo ter o quê, quatrocentos anos?

A boca de Sett abre. Ela tem isso tudo? Na verdade, ele lembra que sua mãe uma vez já contou uma história sobre as Guardiãs, mas faz tanto tempo que ele jamais lembraria. E não pensou que fosse verdade. Agora, a vida imita a arte.

— Não me olhe assim, eu não sou uma velha. Quando nos tornamos guardiãs, nos tornamos imortais e paramos de envelhecer.

— Então quer dizer que vocês são tipo super-heróis?

— Sim — responde Rakan, vindo por trás da Ahri, que sai de fininho deixando os garotos a sós. — Tenho que admitir, você mandou bem. Obrigado por nos ajudar.

Os dois olham para baixo. Sett é grande, mas tem seus sentimentos sensíveis como vidro. Também se envergonha fácil. Ele quer continuar perto de Rakan, mas tem receio de falar.

Ele pigarreia.

— Então, você ainda está bravo por eu ter te beijado?

Rakan revira a cabeça para os lados e fecha os olhos.

— Eu não estou bravo, só fiquei surpreso. Eu não estava esperando, ninguém nunca me roubou um beijo. Até com a Xayah a gente agenda sessões de amassos durante a semana, sou fiel aos meus cronogramas.

Sett levanta as sobrancelhas.

— Agendam?

— Isso não importa — responde Rakan. — Esquece isso. Eu não estou bravo, na verdade eu gostei. Você é gato.

Sett enrubesce. Ele nunca sabe como responder a elogios, ainda mais vindo da pessoa que ele está a fim. Ele torce o nariz e sorri, se aproximando.

— Eu posso te dar outro beijo?

Rakan força uma risada baixa e é a vez dele de roubar um beijo. Sett treme quando sente as mãos de Rakan tocarem seu pescoço rígido e o puxando para baixo para beijar sua boca suavemente. Sett fecha os olhos e segura na cintura de Rakan, o puxando para mais perto e mexendo os lábios com mais intensidade. Seu coração bate forte, ele está tão feliz que poderia sair gritando pelas ruas, mas tem vergonha demais para fazer isso.

Ahri e Neeko gritam em aprovação e Xayah apenas aplaude, revirando os olhos. Sarah continua de braços cruzados, irritada. Elas tinham que estar procurando quem está por trás de tudo isso, mas ela também não quer estragar o momento.

Ambos dão um pequeno passo para trás e sorriem.

— Então... estamos bem? — Pergunta Sett, balançando a perna e olhando para o chão.

— Acho que sim.


Chegando em casa, entusiasmado e feliz, Sett dá de cara com a sua mãe, que tinha acabado de pegar as correspondências na porta de casa. Ela levanta a cabeça e sorri.

— Oi filho, por onde andou? Fiz macarrão para o jantar, só falta o molho.

Sett engole e ergue firme seus pulsos. Ele lembra das palavras que seus amigos disseram, o deixando confiante e inspirado. Não quer esconder mais nada. Conduzindo sua mãe até a poltrona na sala e se sentando na frente dela, ele segura as mãos dela e as beija.

— Eu não tenho vergonha de te falar isso, Mamis. — Ele suspira por um momento. — Eu beijei um garoto.

A mãe dele arregala os olhos, surpresa, e olha no fundo dos olhos dele.

— E você gostou?

Sett torce o nariz e olha para os pés.

— Sim, Mamis, eu gostei. Muito. Eu gosto dele.

Ela expira, aliviada, e beija as mãos de seu filho.

— Ora, Sett, você sabe que eu não me importaria com isso, contanto que seja feliz. — Ela abraça seu filho antes de ir para a cozinha e sorri. — Obrigada por confiar em mim, filho. Eu quero conhecer este rapaz qualquer dia. Agora, vá tomar banho que eu vou pôr o jantar.

Ele se levanta e fica parado, olhando para o nada, sorrindo. Feliz. Caloroso e contente, aliviado por ter contado para sua mãe e ela não ter se importado. A emoção foi tanta que ele acabou esquecendo de falar sobre as Guardiãs Estelares. Mas ela não precisa saber sobre isso agora.


Pronto para dormir, Sett fecha a porta e tira toda a roupa pesada. Ele caminha até a janela aberta e se apoia, sentindo a brisa forte e refrescante no seu corpo, sendo banhado pela lua brilhante. Olhando fixamente para uma estrela brilhante, Sett se lembra do momento no parque onde deu seu primeiro beijo recíproco em Rakan. Ele ainda consegue sentir o gosto de maçã-verde dos lábios dele. Seu perfume doce e fraco misturado com o suor da batalha antecedente. Sua língua.

Ah, a batalha. Sett realmente tinha se esquecido dos invasores e das Guardiãs Estelares. Ele está apaixonado, mas não sabe como lidar com isso. O mais importante é que Rakan explique para Sett bastante sobre este assunto confuso — e que queira continuar com os beijos calorosos.

Antes de ir se deitar, a estrela que Sett observava começa a pulsar, assim como a que ele viu na noite anterior. Mas dessa vez, o brilho é bem maior. Azul, forte. Sett, admirado, abre a boca e espreme os olhos. Tão de repente, a estrela se transforma em uma pequena bola de fogo azul com uma cauda brilhante e estelar. E está indo na direção de dele.

O adolescente dá dois passos para trás, mas é surpreendido quando a bola brilhante atinge em cheio o seu peitoral, o empurrando com bastante força, fazendo um barulho bem alto e com que suba fumaça, acompanhado de um cheiro de queimado.

Jogado no canto do quarto, Sett abre os olhos, abatido. Ele está segurando uma pequena criatura azul. É algum tipo de animal? A criatura desperta e pula dos braços de Sett, aterrissa na escrivaninha e ergue a boca, mostrando uma pequena gema azul presa entre os dentes. O animalzinho parece um pequeno elefante de porcelana azulado e gordinho, um focinho amarelo no lugar de uma tromba e uma pequena e pomposa cauda peluda. Ele tem uma estrela dourada no meio da testa e parece estar sempre com um olhar triste.

O bichinho grunhe. Sett se assusta, se levanta e se aproxima, confuso e curioso.

— Para mim? — Pergunta Sett. Por incrível que pareça, seu colega confirma com a cabeça, como se tivesse o respondendo.

A gema azul, diferente da de Rakan que tem quatro pontas, tem cinco pontas, igual à que Janna mostrou. Janna também seria uma Guardiã Estelar?

No momento em que Sett toca na gema, os dois começam a brilhar forte em tom azulado. O jovem sente seu peito arder e sua cabeça doer. O brilho é tão intenso, que apenas a forma do seu corpo é visível. Ele sente que toda a sua roupa de dormir sumiu, mas também sente uma nova substituindo.

Como se estivesse flutuando, Sett sente seus pés tocarem o chão e fecha os olhos. Que loucura foi essa? Ele olha para as suas mãos e vê um par de luvas novinhas em folha, finas e confortáveis, ela é toda azul, tem buracos nos dedos com alguns detalhes dourados na base dos dedos. Presa em um anel dourado no dedo do meio, a luva direita tem uma estrela azul bem no punho, igual a gema que o pequeno elefante trouxe, mas maior e pontuda.

— De onde saiu isso?

Ele corre para o espelho e vê uma roupa totalmente diferente do seu pijama de moletom. Ele está com uma calça solta e botas brancas longas e pesadas, parando embaixo do joelho. Um colete azul cobre apenas as suas costas, fazendo com que seus piercings em ambos os mamilos, que colocou aos quinze anos por achar descolado e nunca mostrar por ter vergonha de tirar a blusa em público, brilhem. O colete se estende em uma longa capa branca que toca suas coxas. Os ombros estão todos cobertos com uma plumagem roxa grande e macia, dando a ele um aspecto mais vastayês que nunca teve a chance de ter. Da cor dos pelos da sua mãe e da orelha de Sett.

Depois de associar tudo, Sett abre a boca sem tirar os olhos do espelho. O pequeno elefante aparece ao lado dele e espirra baixinho.

— Eu, Sett, me tornei um Guardião Estelar?