Toda Sua
28 Capítulo 28 – Fear of Storms.
Notas iniciais
POV Misto (Kol e Jesse)
Sorri de canto.
— De nada.Tchau. — Desliguei a chamada e me joguei na cama, olhando para o teto. — Ah, meu Deus! Tinha que estar com esse tempo horrível logo quando Klaus está fora? Me diga, como vou chegar para dois homens e pedir isso? — Falei, porém não fui respondida, como sempre.
Esta era minha chance, então bati na porta, deixando meu ouvido próximo.
— Jesse! — A chamei.
— Kol! — Fui até a cômoda de Klaus e peguei uma camisa preta, colocando-a com rapidez. — Entre.
Abri a porta, adentrando o quarto e ela passou a mão por seus cabelos naquele momento, afastando-o do rosto enquanto sorria para mim.
— Tudo bem?
— Sim, apenas falando sozinha. É meio que uma mania. — Ri brevemente. — Não dê bola.
Sentei-me na cama, ficando de frente para ela.
— Mas o que foi? Posso ver que está meio agitada. — Jesse passava a mão pelo cabelo vez e outra, como também se movimentava mais vezes do que pude contar.
— É um pequeno problema que tenho com tempestades. — Fiz uma careta, logo suspirando. — Medo de garotas, nada demais. — E sorri para ele.
Franzi o cenho.
— Posso ajudar de alguma forma?
Comecei a entrelaçar meus dedos um tanto quanto nervosamente.
— Preciso de um lugar para dormir. — Confessei. — Meu medo de tempestades não irá me deixar dormir, ainda mais que Klaus não está aqui.
Fingi pensar por um momento.
— Bem... Se quiser, fico com você. — Dei de ombros.
Sorri de leve, porém deveria ter parecido mais uma careta.
— Não sei se seria uma boa ideia, é capaz de Klaus surtar!
Ergui a sobrancelha.
— Ele não precisa saber. — Apontei.
Encolhi os ombros.
— Não gosto de mentir para ele... — Pensei por alguns instantes até que me veio uma ideia. — Já sei! Eu, você e Elijah iremos montar uma cama grande na sala e dormiremos os três lá.
Firmei meus cotovelos nos joelhos.
— Jesse, tem que parar de agir em função do que ele quer ou não lida bem. — Disse a ela sério.
Comprimi as sobrancelhas.
— Não estou agindo como ele pensa ou gosta, apenas estou fazendo isso por que não gosto de me sentir mal no que faço. — Expliquei para Kol, deixando claro a maneira como penso. — Nunca dormi com dois homens que mal conheço. Dormia dom Dean, porém ele eu conhecia e, mesmo não conhecendo você e Elijah muito bem, me sinto segura, como também bem ao lado de vocês. — Sorri suavemente. — E acho que dessa maneira dará menos confusão, não quero nenhum dos dois em um caixão.
Assenti, entendendo o ponto dela.
— Só acho que está deixando-o mandar demais em você, mas se prefere assim...
Meneei a cabeça ao olhá-lo.
— Kol, simplesmente não tenho como dizer não a ele! Lembre-se, essa tatuagem apareceu por alguma razão e não me sinto só ligada a ele, me sinto ligada a todos você. — Falei a ele.
Acenei com a cabeça, não comentando nada a respeito.
— Se quiser, posso ficar aqui, naquela poltrona. — Apontei para o móvel na cor bege que ficava no canto do quarto. — Não irá ficar sozinha e não vou estar em sua cama.
Neguei com a cabeça.
— Não, acho que será mais divertido eu, você e Elijah na sala. — Disse a Kol, agarrando-me aquela ideia. — Vocês, Originais, estão precisando se divertir.
Ergui a sobrancelha, sorrindo maliciosamente.
— Quem disse que não nos divertimos? — E balancei as sobrancelhas sugestivamente.
— Se divertem, mas não à minha maneira e nunca juntos. — Comentei. — Iremos comer pipoca, doces, refrigerantes e pizza olhando um filme e rindo. — Sorri, aquilo acabou se tornando uma ótima ideia. — E depois vocês vão servir de agarradores para mim.— Soltei uma risada.
— Se você insiste...
— Você vai gostar. — Me ajoelhei na cama próxima a Kol e o abracei, logo dando um beijo em seu rosto. — Todos gostam. — E ri de modo breve.
Suspirei, cedendo ao que ela queria.
— Tudo bem... O que você não consegue, não é? — Disse a ela com um sorriso de canto.
— Muitas coisas... Nem tudo consigo. — Falei, afastando-me um pouco dele, afinal, estava usando apenas uma camisa de Klaus.
— O que, por exemplo? — Perguntei curioso.
Dei de ombros.
— Várias coisas. — Fiquei um pouco distante. — Bem que eu queria conseguir tudo que quero, porém é impossível.
— Mas tem a maior parte. — Observei e ela me encarou.
— Agora eu que pergunto... O que?
Abri um de meus melhores sorrisos.
— Estar aqui. — Passei a mão por meus cabelos. — Se me dissessem, eu nunca acreditaria.
— Seu irmão não é tão ruim quanto você pensa Kol. — Disse a ele e sorri.
— Claro que não... É pior.
Suspirei de leve.
— Klaus tem todo aquele jeito, mas ele também é doce e carinhoso. — Apontei.
Ri por um momento.
— Deixe o tempo passar e veremos se continua pensando assim.
Sacudi a cabeça.
— Você não conhece seu irmão, mas não se preocupe, sei do que estou falando. Ele não é mal como vocês pensam.
Resolvi mudar de assunto, pois ouvi-la falar de Klaus daquela maneira me incomodava de uma forma bem desagradável.
— Vamos? — Perguntei. — Vou pegar as coisas que pediu.
Assenti.
— Vamos. — Me levantei da cama. — Só irei colocar um pijama mais decente. — Avisei.
A olhei de cima a baixo, controlando a mim mesmo para não fazer algo precipitado.
— Está ótima. — Falei, mantendo meu tom apenas simpático.
Fui até minhas roupas que ainda estavam na mala.
— É melhor colocar um pijama meu, não uma camisa de Klaus.
— Eu vou descendo então. — Avisei, erguendo-me da cama e indo até a porta.
— Ok, já vou indo. — Falei por sobre meu ombro e o vi assentir, logo sumindo no corredor.
Desci as escadas e examinei a sala, em seguida começando a arrumá-la de acordo com o que ela queria. Seria realmente interessante, principalmente por que dormiria com ela.
Coloquei um pijama, que era um short e uma blusa na cor azul céu. A blusa era mais soltinha enquanto o short era mais justo ao corpo. Arrumei meus cabelos, em seguida indo procurar Elijah, que encontrei na biblioteca. Ele era maduro demais mentalmente, porém acabei o convencendo quando falei que precisava tanto dele quanto de Kol para dormir.
Já falei que os adoro?
Rebekah havia ligado dizendo que iria passar a noite fora novamente. Acho que ela está aprontando... E não digo no bom sentido.
Acabamos por fazer todas as coisas que queríamos: pipoca, pizza, pegamos os doces e o refrigerante. Arrumamos uma cama próximo ao sofá bem confortável e colocamos um filme de comédia. A única coisa que me constrangia um pouco era que os dois estavam sem camisa e não pude não notar como eram... Gostosos. Sim, era a única descrição que pude encontrar.
— Mesmo com esse tempo, está quente. — Comentei ao lado de Jesse sem tirar os olhos da TV.
— Isso é verdade. — O vento bateu forte na janela e, por reflexo, me agarrei ao braço de Elijah.
— Calma, é só o vento. — Elijah tentou tranquilizá-la.
— Eu sei, mas ainda assim dá medo. — Murmurei contra o seu braço, mirando para fora da janela e vendo alguns relâmpagos ao longe no céu completamente escuro.
— Tadinha! — Falei, me aproximando um pouco mais dela.
Me agarrei ao braço dele também após pegar um pedaço de pizza.
— Sabe... Não sei o que faria se vocês não estivessem aqui.
Elijah sorriu para ela.
— Sempre estaremos, não se preocupe. — E deu um beijo na desta da garota.
— Obrigada. — Pousei um beijo em sua bochecha. — O perfume de vocês dois são tão bons... E digo o perfume natural. Pode ser estranho, mas sinto a essência de vocês e tem aroma de livro novo e hortelã.
Franzi o cenho.
— Está até parecendo uma bruxa assim.
— Vai saber. — Dei de ombros. — Mas ainda não recebi minha carta de Hogwarts. — Comentei, em seguida rindo e mordi um pedaço de pizza.
— O hortelã talvez seja por que era a essência que nossa mãe colocava no nosso banho. — Explicou Elijah.
— Sua mãe gostava de coisas frescas. — Ri e aproximei meu nariz de Kol, absorvendo seu aroma. — Você tem cheiro de hortelã junto com aquele morango suculento.
— Bebia suco de morango demais. — Falei simplesmente.
Elijah se curvou um pouco para a frente, assim podendo encarar o irmão melhor.
— Você era viciado e arma um escândalo se não tomasse. — Observou, sorrindo de canto.
Comecei a rir.
— Meu Deus, já disseram que vocês são muito fofos? — Apertei as bochechas de ambos. — Até parecem dois bebês!
— Obrigado... Eu acho. — Disse Elijah, soltando uma risada.
Suspirei dramaticamente.
— Ah... Esse fofo me persegue.
— Fazer o que? Vocês dois tem aquela carinha de bebê que dá vontade de colocar no colo. — E soltei uma risada boa.
— Ah meu Deus... Falou a língua dele. — Disse Elijah, acompanhando-a.
— Então venham aqui, meus bebês. — Coloquei Kol deitado em minhas pernas e Elijah em meu peito. — É, eu tinha razão. Vocês são fofos.
Olhei para ela.
— Você também.
Com uma mão acariciava os cabelos de Kol e com a outra os de Elijah.
— Obrigada. — Me sentia muito bem com eles, tinha vontade de cuidá-los e não era somente Klaus que era carente, podia notar que eles também... E muito.
A única coisa que os diferencia é que eles sabem demonstrar mais isso.
— Acho que a melhor coisa que aconteceu nos últimos tempos foi você vir para cá. — Soltou Elijah de repente, fazendo-a sorrir.
— Obrigada Elijah. — Beijei os cabelos dele. — Também gosto de estar aqui com vocês.
— Poderia dizer que é a nossa segunda irmã.
Eu, que estava concentrado no cafuné que Jesse estava fazendo, despertei com as palavras de Elijah.
— Irmã?
— Irmã? — Repeti, testando a palavra e gostei. — Isso soa bom.
— Acho que está mais para nossa amiga. — Comentei.
Pensei por um momento.
— Amiga também é bom, fora que tem menos brigas que irmãos. — Falou rindo.
— Só não fale para Rebekah, ela vai ficar com ciúmes. — Comentou Elijah divertido.
— Pode deixar. — Pisquei para ele e sorri. — Mas gosto de cuidar de vocês. — Acariciava suavemente o rosto de Kol enquanto fazia o mesmo no cabelo de Elijah.
— Isso é muito bom. — Murmurou o mais velho.
— Você gosta? — Continuei fazendo carinho em seu cabelo. — Sempre gostei de cuidar... Acho que é um dom ou uma mania, sei lá. —
Fechei os olhos brevemente.
— É um dom muito bom.
— Obrigada. — Acabamos por terminar de comer e assistir ao filme.
Rimos, conversamos e nos divertimos mais do que pude imaginar. Cada vez que o vento batia forte na janela, me agarrava neles por reflexo.Quando falei a eles que estava com sono, Elijah desligou as luzes e nos ajeitamos para dormir, comigo ficando sobre o peito de Elijah e Kol abraçando-me por trás. Apaguei rapidamente.
Klaus ficara longas semanas longe de casa, contudo havia valido a pena. Ele tinha conseguido uma dúzia de lobos para transformar em híbridos e, por ora, aquilo era o bastante. Quando retornaram, eles já estavam mais acostumados com o que haviam se tornado e o Original iria mantê-los no anexo da casa.
Ele morria de saudades de sua Jesse e, quando chegou em sua casa, adentrando-a, já estava pronto para subir direto para o quarto, porém quando encarou a sala... Era como se estivesse queimando por dentro de quão grande era sua raiva.
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