Toda Sua
29 Capítulo 29 – Anger.
Notas iniciais
POV Misto (Klaus e Jesse)
Minha mente estava semiconsciente e ajeitei-me no peito de Elijah, sentindo sua respiração serena. Nem ao menos percebi quando voltei a adormecer.
Não gritei, nem ao menos fiz algum barulho, apenas fiquei encarando aquela cena onde a minha mulher estava agarrada aos meus irmãos.
Ficando estranhamente consciente, Elijah abriu os olhos vagarosamente, vendo Klaus de pé no hall.
— Klaus? — Questionou, um pouco desorientado por ter dormido por tanto tempo.
Elijah movimentou-se, me acordando parcialmente.
— Elijah, preciso dormir... Aquele vento me infernizou a noite toda!
Ele tocou o braço da garota, tentando fazê-la abrir os olhos.
— Jesse, querida, é melhor você acordar. — Murmurou.
Kol gemeu atrás de Jesse, agarrando-se mais a ela.
— Fiquem quietos! Eu estou dormindo caramba! — Reclamou.
Estreitei meus olhos e minhas mãos se fecharam em punhos.
— Kol... Tire a mão da minha mulher. — Avisei, com minha voz demonstrando a raiva que estava sentindo dentro de mim.
Quando a voz de Klaus chegou até mim, abri meus olhos, acordando-me completamente.
— Klaus? — Sorri, mesmo estando um pouco sonolenta.
Elijah olhou para ela.
— E Jesse, não tenho culpa pelo vento, ok? — Falou e riu em seguida.
Estava me controlando muito para não pegar os dois e arrancá-los dali.
— Pelo visto, não se lembrou do que lhe falei. — Disse a ela com certa acusação.
Suspirei levemente, passando a mão por meus olhos para ficar completamente alerta.
— Rebekah não estava em casa e não teria coragem de dormir sozinha. — Expliquei, tornando-me cada vez mais consciente da tensão em que ele estava.
— Ninguém a agarrou Klaus, apenas cuidamos dela. — Elijah deu de ombros e encarou Jesse novamente com um sorriso. — Que pelo visto morre de medo de tempestades mesmo.
— E como morre. — Kol apertou-a de leve e sorriu para o irmão mais velho.
Encolhi os ombros, olhando para os orbes repletos de raiva de Klaus.
— É uma coisa que tenho desde criança, não conseguiria mesmo dormir sozinha... Nem que tentasse.
— Não se preocupe querida, não fez nada de errado, assim como nós. — Falou para tranquilizá-la e moveu seu olhar para Klaus sem nem ao menos se abalar. — Simplesmente comemos, conversamos e dormimos.
Sacudi a cabeça, não conseguindo ouvir mais nada do que eles queriam falar para que pudessem explicar aquela cena.
— Tudo bem, não irei atrapalhar a diversão de vocês. — Fiz um sinal em direção a eles e sorri o mais falsamente possível. — Fiquem a vontade. — Me virei, afastando-me dali e subindo as escadas.
— Ah, que bom, estou com sono ainda. — Disse Kol e se ajeitou contra os travesseiros.
Elijah suspirou.
— Como meu irmão é problemático.
— E eu terei de ir novamente conversar com ele. — Falei a eles, me levantando da cama.
— Vou com você. — Falou o mais velho e percebeu que ela estava pronta para argumentar, mas fez um sinal para que parasse, adivinhando o que Jesse iria dizer. — Vi o que ocorreu na última vez, então hoje irei falar com ele também.
Pov Klaus
Ao adentrar o quarto, retirei minas roupas e fui tomar um banho decente, assim como respirar fundo para não matar os dois. Depois que saí do chuveiro, me vesti, tinha muita coisa para fazer e, quando me virei, vi Elijah escorado na soleira da porta com um olhar de repreensão.
— Você é um perfeito imbecil, sabia? — Falou, sacudindo a cabeça.
Suspirei, indo pegar alguns papéis que havia conseguido sobre Marcel no bolso de minha jaqueta.
— O que quer Elijah?
— Cada vez que alguém lhe desobedece, você coloca esse bico na cara e somente o tira quando decide tirar... Desse jeito irá perdê-la. — Aquilo atraiu minha atenção, mesmo que não o encarasse de frente. — Não digo pelo ciúmes, mas sim por toda hora brigar com ela e afastá-la de você.
— Não briguei com ninguém. — Observei, lendo mais concentradamente do que necessário cada folha que tinha em mãos.
— Mas se fosse ela no meu lugar, brigaria. — Ele suspirou. — Ela é um doce, carinhosa, amorosa, gentil e muito bondosa, você deveria ter mais cuidado com a mulher que tem em mãos.
Olhei para Elijah com a sobrancelha erguida.
— Mais cuidado do que com Kol fora de um caixão ou o pai e aquele Dean vivos?
Ele cruzou os braços.
— Isso é o mínimo que pode fazer por que, do jeito que age com ela... Você não a merece.
Ri sem humor algum.
— Nunca mereço, não é?
Elijah sacudiu a cabeça.
— Eu não disse isso, é que nem ao menos aceita para você mesmo que a ama, ou você acha que esse ciúmes todo e essa posse que sente com relação a ela é o que? Atração. — Ele riu curtamente. — Só você ainda não percebeu.
— E por que se interessa tanto por isso? — Questionei curioso.
— Por que sou seu irmão. — Falou ele e me pareceu sincero. — Você já se privou de muitas coisas por causa de Mikael e isso já está virando coisa de criança birrenta. — Elijah suspirou. — Já pedi desculpas sobre o ritual do lobo, mas mesmo que não o ajudasse, você sabe que não adiantaria nada.
— Ou seja, está pedindo para confiar e ouvir alguém que me traiu duas vezes? — Salientei, fazendo-o virar o rosto, ficando levemente desconfortável.
Ele negou.
— Não, estou pedindo para confiar em Jesse, no amor que ela sente por você. Se permitir sentir novas coisas, se permitir amar e ser amado. — Seus olhos pousaram nos meus. — Não era isso que você queria todos esses séculos? Ter alguém inteiramente seu? E, agora que tem, não se entrega para ela?
Sacudi a cabeça, aproximando-me da poltrona e sentando ali.
— É tudo diferente de uma situação normal. — Tentei argumentar.
— Diferente? Onde? Na tatuagem? Na ligação? — Podia sentir que ele estava começando a se exaltar naquela conversa. — Isso apenas mostra que essa é a oportunidade de você ser feliz e simplesmente não a agarra. Está cada vez mais próximo de deixá-la transpassar por entre seus dedos.
Olhei para cima enquanto passava as palavras dele por minha cabeça.
— O que você sabe?
— O que eu sei é que, qualquer que seja este feitiço ou o que for, está afetando a Kol também, assim como a mim, mas de outra maneira. — Explicou. — Kol não irá desistir e essa ligação também a afeta, então junte os pontos.
Encarei o chão enquanto aquilo penetrava meu cérebro. Não... Ele não estava dizendo que ela estava tentada por Kol... Não Jesse. Não poderia perdê-la, muito menos para meu próprio irmão.
— Repare na frieza que você a tratou e a diferença de como Kol vem a tratando. Acha que, mesmo com toda ligação do mundo, ela vai aguentar essa pose fria que você tem? Que não deixa ninguém entrar?
Fechei os olhos, sacudindo a cabeça.
— Você não tem ideia de como as coisas estão.
— Não, não sei, porém você não a tem tratado como merece, então pense bem e veja se tinha um motivo racional para reagir daquela forma com ela. — Ouvi-o soltar um longo suspiro. — Ela apenas tem medo e foi só uma adolescente. Uma adolescente com manias de adolescente, mas que cresceu antes do tempo e rápido demais.
Encarei-o novamente.
— Então me diga Elijah, como deveria ser? — Questionei. — Já que é todo sábio sobre isso.
Ele encarou-me sério.
— Você ir lá, pedir desculpas por tê-la tratado mal e falar com ela sobre todos seus medos e frustrações por que sim, você os tem. Nem preciso dizer do que, pois sabe muito bem.
— Desculpas? — Suspirei. — Acho que já pedi mais desculpas esse mês do que em minha vida toda. — Confessei.
— E o resto, já fez? — Perguntou a mim.
Franzi o cenho.
— Que resto?
Ele estreitou levemente os olhos.
— O resto que acabei de lhe dizer. — Elijah passou uma das mãos pelo cabelo, aparentando estar profundamente estressado. — Você se apega a uma única coisa que falo e se desprende do resto, o que significa que tem medo! É um homem adulto Klaus! — Exclamou. — Já matou Mikael! Já matou Esther! Já se tornou híbrido! Será que nada para você é o suficiente? Que não ver isso apenas te destrói?
Firmei meus cotovelos nos joelhos e passei ambas as mãos em meu rosto.
— Eu e ela estamos resolvendo isso. — Falei um pouco mais na defensiva do que pretendia.
Elijah acabou suspirando derrotado.
— Tudo bem, faça como quiser. — Ele se virou e foi até a porta, porém parou ali. — E bem vindo de volta. — Falou, sem seguida saindo de minha linha de visão.
Se ele queria me assustar, havia tido completo sucesso. Somente ao cogitar a possibilidade de perder Jesse me doía e seria a pior coisa que poderia me acontecer, contudo não permitiria isso... Definitivamente não.
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