Toda Sua
26 Capítulo 26- Scars.
Notas iniciais
POV Misto. (Klaus e Jesse.)
Sai do banho enrolada na toalha.- Está quente né?
– Concordo plenamente.- Disse.
– Você não sente calor.- Peguei uma roupa e mostrei a ele: http://www.polyvore.com/jesse/set?id=95083616.- Está boa pra onde vamos?
– Está ótimo, mas não vai se cansar com o salto? E sinto um pouco, foi estranho voltar a sentir alguma coisa assim.- Disse.
– Ah é, o lado lobo.- Sorri.- E estou acostumada a andar de salto já.- Peguei um lingerie preta e coloquei.
– Vou gostar de tirar tudo isso.- Falei.
Sorri.- Fecha aqui.- Fui até ele para ele fechar o sutiã.
Fechei.- Eu adoro as suas lingeries.
O olhei.- A vermelha de dois dia atrás, não achou isso.- Disse rindo e coloquei a calça jeans.
– Oh, desculpe. Eu as adoro, fica linda assim.- Disse.
Sorri.- Obrigada.- Coloquei a blusa e depois o salto.- Acho que não precisa desse casaco, né?
– Não.- Me levantei.- Não tome café, vamos tomar fora.
– Ok.- Arrumei meu cabelo, coloquei os acessórios e fiz a maquiagem.- Estou pronta.
Tomei um banho rapidamente e me vesti.- Pronto.
– Uau. Nesses momentos eu queria ser homem.- Disse.
– Prática. Vamos?- Perguntei.
– Vamos.- Disse.
Saímos e tomamos café numa cafeteria antiga, e muito boa. A feira foi incrível e até eu me rendi a tantas obras novas. Mas o que mais gostava era o sorriso a cada exemplar pego por Jesse e como a deixava feliz com coisas tão simples. Por um dia esqueci todas as preocupações e estresses, e quando voltamos para casa, me senti leve como a muito tempo não sentia.
Chegamos em casa e a feira tinha sido ótima. Tirava o salto e os acessórios.- Foi ótimo. Cada obra mais linda que a outra. Queria saber pintar tão bem.
– Quem sabe um dia? Se praticar.- Disse.
Sorri.- Quem sabe.
– Vou tomar banho. Me acompanha?- Perguntei.
– Com certeza. Como recusar esse pedido?- Questionei.
– Poderia estar cansada.- Disse.
– Eu tenho 18 anos, não 40.- Ri.
– Então senhorita, nosso banho nos espera.- Disse.
Sorri.- Vamos.
A levei para o banheiro e liguei o chuveiro, a trazendo junto.
Tiramos nossas roupas e entramos.- Essa água está ótima.- Disse enquanto a água corria pelo meu cabelo e pescoço.
– Pode ficar muito mais.- A beijei.
Retribui o beijo e acariciava os cabelos dele.
A segurei e a coloquei contra parede. Era o que faltava hoje; tê-la completamente.
Entrelacei minhas pernas na cintura dele. A agua caia sobre nossos corpos e molhava ainda mais nosso beijo. Minha mão passava suavemente pela sua nuca.
– Jesse, como consegue isso?- Questionei.
– O que?- Perguntei.
– Me deixar necessitado de você.- Disse.
Acariciei o rosto dele.- Bom, isso eu também não sei. Quem sabe um dia descobrimos.
– Sim, vamos.- A beijei e mesmo sendo já familiar, era delicioso o beijo. A ajeitei e entrei nela. Segurava suas mãos acima da cabeça com um braço e a outra sua cintura, a prendendo a mim.
Suspirei. Acho que nunca me enjoaria disso. Principalmente com ele. Na verdade sempre seria com ele, era o que queria.
Ia num movimento lento e aproveitando cada segundo, e deixando que ela aproveitasse também. Jesse, minha garota. Quando eu pensei que teria uma garota novamente?
A água rolava sobre meu corpo, caindo sobre o cabelo, pescoço, seios... Minha respiração estava entre cortada e suspirava.
– Oh, Jes...- Aumentava o ritmo e diminuía de novo, o prazer já era imenso e total.
Suspirava e gemia levemente. O beijei novamente. Gostava de sentir seus lábios sobre os meus e junto da água deixava-o ainda mais gostoso.
Beijava ela e minha língua buscava a todo movimento a dela, e ambas apenas completavam o prazer dos nossos corpos.
Minha perna fazia um movimento lento em sua cintura. E nosso beijo era intenso, assim como o nosso desejo e prazer.
Sentia o orgasmo a flor da pele. Como é perfeito sentir isso que só ela pode me proporcionar.
O orgasmo estava perto e todas as sensações eram ótimas. Meu corpo todo respondia a ele e a essa sensação.
– Jes...- Foi apenas o que saiu entre meus gemidos no nosso orgasmo e assim como os outros, foi avassalador.
Chegamos ao orgasmo e foi maravilhoso. Lhe dei um beijo de leve. Meu impulso era dizer "eu te amo", mas me controlei.- Foi ótimo.- Sorri.- Não sei como pode ser cada vez melhor.
– Isso é uma ótima pergunta.- Disse pegando o sabonete e ensaboando ela.
Sorri.- Um dia teremos essa reposta também.
– Saberemos.- Botava ela debaixo do chuveiro para tirar o sabão.
Sorri. A água caia lentamente sobre mim e me desensaboava. Coloquei meu rosto em baixo da água e passei minha mão sobre ele.
– Vem, melhor não ficar demais.- Disse.
– Para não me enrugar?- Perguntei divertida.
– E resfriar.- Ri e enrolei a toalha nela.
Saímos do banheiro.- Sorte a sua que não tem esses problemas.
– Não se esqueça que nem tudo é maravilhas.- Disse.
– Mas quanto as doenças não tem problemas.- Fui até o armário e coloquei uma camisola.
– Verdade. Mas nem me lembrava mais o que era fome.- Disse.
Sorri.- E é ótimo comer. Principalmente doces.
– Eu percebi no almoço.- Botei uma calça de pijama, estava mesmo quente.
Ri.- Devo ser magra de ruim.
– Imagino que não. Agora vem deitar mocinha, precisa do seu sono, foi um longo dia.- Disse.
Me deitei.- Não, você vai dormir primeiro. E não vou desistir agora, nem tente insistir.
– Não estou com sono, pode descansar tranquila.- Disse.
– Eu disse para você não insistir mocinho.- Coloquei ele deitado em meu colo.
– Ei, o que está fazendo?- Perguntei.
– Vou fazer você dormir. Agora feche os olhos e se concentre.- Acariciava o cabelo dele.
– Jesse, para com isso.- Oh droga, eu estava tão cansado.
– Não vou parar.- Continuei os carinhos no cabelo dele e com a outra mão acariciava seu rosto.
– Jes...- Estava com os olhos pesados e ela sabia o que fazia.
– Dorme meu amor.- Dei um beijo nos cabelos dele.- Eu vou cuidar de você.
Eu não queria, mas meu corpo venceu e acabei apagando.
Sorri. Fiquei cuidando o sono dele e ele era tão lindo. Dormia como um anjo sobre minhas pernas. Peguei um livro que tinha ali e comecei a ler. Quando parei de ler, tinha se passado duas horas e ainda estava sem sono. É que ando dormindo demais, eu acho. Olhei para as costas dele e percebi umas marcas. Pareciam cicatrizes fundas. Toquei sobre uma delas.
Senti algo nas minhas costas e de imediato pulei, segurando a mão que me tocava.
Levei um susto da reação dele.- O que aconteceu?- Me referia as marcas. Mas ainda estava ofegante pelo susto.
– Jesse?!- Exclamei.
– Sim, sou eu. Me diga o que aconteceu.- Disse.
Suspirei.- O que disse sobre tempo?
– Klaus, não mude de assunto! O que aconteceu?- Questionei.
– Isso é coisa do passado, esqueça.- Disse.
O olhei nos olhos.- Eu quero saber. Eu quero te conhecer, te ajudar, mas só posso fazer isso se você me contar e deixar eu te ajudar.
– Não. Deixa isso para lá.- Disse.
Suspirei.- Por favor. Eu quero mesmo te ajudar. Não me sinto bem não sabendo o que tanto te aflige.
Respirei fundo.- Mikael.
– Quem é Mikael?- Perguntei.
– O homem que eu conheci como pai.- Disse.
O olhei perplexa, ainda processando isso.- Seu pai fez isso com você? Que tipo de animal faz isso com o próprio filho?
– Ele não era meu pai!- Suspirei.- Desculpa. Eu sou meio irmão dos outros.
– Ah, me desculpe por isso. Mas isso não é desculpa para alguém fazer isso.- Disse.
– Diga isso para aquele...- Suspirei.- Você não precisa saber disso.
– Sim, eu preciso. Desabafar pode ser bom. E quero te ajudar com isso. Mas não posso senão não me deixar.- Disse.
– Isso.- Apontei para as duas mais em cima.- Aos doze. Por ter me recusado a matar um filhote de lobo. Essas — mostrei na lateral– Treze. Não ganhar de um garoto da outra aldeia. As mais ao meio, quinze. Por enfrenta-lo e não fazer o que ele queria. E essa, a que é mais funda, dezessete, quando tirei Kol de uma armadilha e supostamente deveria ter cuidado melhor do "seu filho".- Podia ouvir a voz dele dizendo.
– Ele era um desgraçado.- O puxei para um abraço.- Olha, eu sei que você não gosta de ser tocado, agora está melhorando isso, mas você vai superar isso. Começando, não precisa recuar ao meu toque. Eu nunca te machucaria.
A maneira que ela me abraçou fez meu corpo gritar para sair dali, era uma sensação horrível. Por isso gostava da dominação, elas sempre presas nunca me tocavam e quando não fazia assim, dava um jeito de segura-las. Tinha que me soltar.- Jesse, me solta.
Suspirei e o soltei. Não vou dizer que isso não magoava, porque magoa. Mas sei disfarçar, venho disfarçando a um tempo, então me acostumei.
Suspirei. Percebi que estava ofegante. Respirei fundo até voltar ao normal.- E depois que eles nos transformaram e fiz minha primeira vítima, o que ativou o lobo, ele obrigou minha mãe a fazer o feitiço que o aprisionou.- Aquilo tinha sido pior do que qualquer dor que tinha passado antes, se fechasse os olhos podia senti-la facilmente, ter uma parte sua presa dentro de você.
Suspirei.- Sinto muito. Não imagino como seja.
– Bem pior do que imagina. Ter o que você nasceu ser preso e viver séculos com esse vazio.- Disse.
– Sinto muito mesmo.- Não sabia como ele se sentia, era meio nebuloso decifra-lo agora. Acho que ele não confia muito em mim ainda. Esse negocio de toca-lo, ele só vai deixar quando confiar.- Desculpe por faze-lo tocar nesse assunto. Não sabia que lhe fazia tão mal.
– O que foi feito, foi feito. E depois de nos caçar por toda nossa vida, ele está queimando no inferno agora.- Disse.
– Ainda bem. Agora volte a dormir, não vou te acordar novamente. Você precisa descansar.- Disse.
– Estou sem sono.- Deitei e peguei as mãos dela, beijando-as.- De fora da família você é a unica que sabe disso.
– Fico honrada com isso. Obrigada por ter confiado isso á mim.- Disse.
– Se não confiar em você, em quem eu vou?- Questionei.
Sorri suavemente.- Você tem seus irmãos. Pode confiar neles, sabe disso.
– Isso é uma outra história.- Disse.
– Verdade.- Apoiei minha cabeça na cabeceira da cama.
– O que quer saber mais?- Perguntei.
– Mais nada. Não quero que fique desconfortável. Se tiver alguma coisa para me falar, você irá me falar quando você quiser.- Disse.
– Desconfortável? Isso seria otimismo, mas ótimo.- Falei.
– Não precisa dizer nada. No dia que quiser conversar, você me chama e conversamos sobre isso.- Disse.
– Poderia ter sido de um alguém menos complicado.- Disse.
– Você pode ser complicado. Mas amo você desse jeito. E não me importo, não posso mudar você e nem quero. Então irei esperar.- Disse.
– Acho que você deve ter sido planejada nos mínimos detalhes para mim.- Falei.
Sorri.- Vai saber.
– Isso me faz pensar, será que foi feitiço?- Questionei.
– Prefiro acreditar em destino. Soa melhor.- Disse.
– Destino não faz aparecer tatuagens.- Falei.
– E nenhum feitiço produz amor, paixão ou atração.- Disse.
– Verdade.- Disse.
– Então faz de conta que é um meio termo.- Ri.
– Pode ser. O que você fez?- Questionei.
– Como assim?- Perguntei.
– Eu estou morto de sono.- Disse.
Sorri.- Então durma. Estarei cuidando de você.
– Isso não é o normal.- Falei.
– E porque não?- Perguntei.
– Cuidarem de mim.- Disse.
– Mas eu irei cuidar de você. Se você me deixar e se você quiser.- Disse.
– Eu...- Comecei.
– Você...?- Questionei.
– Voltar a mexer nisso me fez lembrar como tudo o que queria naquela época era querer saber porque eu era tratado diferente dos outros. Bem, não é a melhor maneira de descobrir que é fruto de uma traição.- Disse.
– Não fica assim meu amor.- Queria acaricia-lo, mas não o fiz.- Você não tem culpa nessa história e não merecia ser tratado diferente.
Fiquei como tinha dormido, no colo dela.- Jesse, como era sua mãe?
Sorri.- Era a melhor pessoa do mundo. Uma mulher forte e guerreira. Não tinha medo de nada, era linda, generosa, doce, amável, amiga e muito compreensiva.
– Que bom. Fico feliz que tenha ótimas lembranças dela. Nossas vidas são bem opostas mesmo.- Disse.
– Não precisamos falar sobre minha vida. Elas são bens diferentes e também não quero falar sobre minha mãe. Prefiro não falar.- Disse.
– Mas que droga, me desculpa.- Falei.
– Está tudo bem.- Toquei suavemente no rosto dele, mas recolhi minha mão.- Não tem porque se desculpar.
– Claro que tem. Não devia ter perguntado isso.- Disse.
– Mas você não sabia que não gostava de falar sobre o assunto. Tem pessoas que não tem problema com isso. E você não é adivinha.- Disse.
– Desculpe. Agora eu que não vou falar mais nada.- Falei.
– Não tem que se desculpar. Já disse isso.- Dei um selinho nele.
– Ok.- Disse.
– Agora durma. Você está precisando.- Disse.
– Como sabe disso?- Perguntei.
– Pela sua cara.- Disse.
– Você anda me lendo demais.- Disse.
– E isso é ruim?- Perguntei.
– Não.- Disse.
Sorri.- Que bom.
– Mas é estranho.- Disse.
Ri.- Ok, vou tentar não lê-las muito.
– Jesse, não é por que comento que não é para fazer. Ainda está chateada de ontem?- Questionei.
– Não. Porém resolvi ter mais cuidado com certas coisas.- Disse.
– Eu e o meu dom de estragar as coisas.- Falei.
– Você não estraga nada. Na verdade fui eu. Como disse, você é adulto e sabe o que faz. Não devia trata-lo como uma criança e ficar pedindo que se acalme. Não farei mais isso. É melhor não fazer.- Disse.
– Mas isso faz parte de você, é como você prefere agir. Pela calma.- Disse.
– Mas eu sei abrir mão de algumas coisas. E abrirei mão disso. Não quero mais brigas.- Disse.
– Tá muito tarde para ficar falando disso.- Disse me levantando da onde estava.
– Onde você vai?- Perguntei.
Bebi água, na verdade, a jarra quase toda e voltei, invertendo a posição e deitando atrás dela, passando o braço por ela.- Só mudando.
Beijei de leve o braço dele.- Não precisa ficar abraçado se não quiser, sabe disso.
Passei a perna também.- Descanse e aproveite.
– Tudo bem. Você vai dormir também, não é?- Questionei.
– Se conseguir, sim.- Disse.
– Tudo bem. Boa noite.- Me ajeitei melhor. Fiquei pensando por um tempo, mas acho que não devo ter demorado muito para dormir.
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