To live

2 Capítulo 2


Aquele garoto me encarava como se

estivesse algo de errado comigo, e eu acho que não

tinha. Meu quase câncer ainda não fez com que

meus cabelos castanhos escuros caíssem ou com que

eu ficasse seca e os ossos do meu corpo à mostra.

Depois ele tentou disfarçar porque viu que eu já

estava ficando sem graça e sem cor.

O garoto dos olhos azuis era alto, bonito,

pele clara e um olhar super misterioso que me

deixou com vontade de explorar sua mente.

Amie não parava de me cutucar e sussurrar

no meu ouvido, dizendo coisas que era visível de

notar, o fato de que ele olhou diretamente para

mim. Desviei o foco dos meus olhos para ela, que

estava encantada com o aluno novo.

– Este é Kian Andrews. — John o

apresentou. — Espero que se dêem bem. Sente-se

Andrews.

Kian caminhou com o passo firme e se

mostrava sério. Ele continuou andando até achar o

seu lugar que era na mesa ao lado direito da

minha. A olhei rapidamente e ele olhava para a

lousa, mas deve ter percebido porque deu um

pequeno sorriso satisfador.

O professor John continuou, e nos disse

para irmos até a quadra interna do colégio, onde

iríamos fazer exercícios e jogar vôlei.

Vôlei, um esporte na qual eu

definitivamente não sei jogar. Ano passado a idiota

da Benitta teve o prazer de arremessar a bola

propositalmente na minha cabeça. Cai dura no chão

e fiquei com um galo na cabeça, e ela continuou

rindo da minha cara a semana inteira. Esse ano ela

está de novo na minha classe, mas espero que me

deixe em paz ou dessa vez não deixarei barato.

Eu e Amie andamos juntas até a quadra,

quando todos chegaram lá o professor apitou e

disse:

– Quatro voltas pela quadra.

– Ah não! — um coral se formou.

– Sem reclamações, vamos galera isso é

moleza! — John falou. — Maya quer que eu te

dispense dessa corrida?

Todos olharam para mim, inclusive Kian que

parecia não estar entendendo.

– Não, eu consigo.

Ele deu sinal com a cabeça.

– Tem certeza May? Você não está em

condições. — Amie disse.

– Eu vou, não quero ficar parada por uma

maldita doença. — falei com raiva e entrei na fila.

O professor apitou e começamos a correr.

A primeira volta foi tranquila e meus

pulmões pareciam aguentar. A segunda também, a

terceira senti uma pequena pressão.

Na quarta volta minha respiração estava

ofegante e meus pulmões pediam por socorro, eu

deveria ter parado, mas sou teimosa e continuei. A

quinta volta simplesmente não enxergava mais

nada, meu coração acelerou de forma

desesperadora e a partir daí não lembro mais nada.

Acordei na ala de primeiros socorros do

térreo no colégio. Duas enfermeiras viam minha

pressão enquanto John estava na porta e Amie ao

meu lado. Eu ainda tentava entender o que tinha

acontecido, vi que Amie percebeu que eu acordei e

me olhou com uma cara de "eu te avisei, garota".

– O que aconteceu? — perguntei sonolenta.

– Você desmaiou mocinha. — uma enfermeira

novata respondeu. — Não deveria ter feito a aula.

– Ela é teimosa, deixe dona Helen saber

disso. — Amie falou cruzando os braços.

– Argh! Não conte nada a ela.

– Tarde demais, já ligamos para a senhora

Helen e ela está vindo te buscar. — John falou.

Bufei.

Minha mãe entrou na sala desesperada e a

acalmei dizendo que estava tudo bem. Antes de eu

cruzar aquela porta, Amie disse que se Kian não

tivesse me pegado a tempo, ficaria com sequelas -

ela exagerou. Me avisou também que ele agiu de

um jeito estranho e rápido como um flash para

segurar a minha cabeça. Fiquei perplexa e

desconfiada do que Amie tinha acabado de dizer.

Cruzei a porta da ala com minha mãe e

fomos em direção ao estacionamento do colégio,

não tive nem tempo de tentar agradecer Kian

mesmo sabendo do que realmente aconteceu.

Aquilo ficou na minha cabeça por horas, e

não parava de imaginar a cena.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.