To End The Rapture

2 Just a Beginning


Acho que começou com um coelho. É, um coelho. E aí eu estava atrás dele. Sim, vocês podem me chamar de retardada, mas eu perseguia o coelho afim de saber onde ele ia. Até que ele parou bruscamente e virou-se a mim, me dando uma sacodidela. É, foi isso, uma sacodidela.

Hannah?– O coelho tinha a voz de meu irmão.

Eu o fitava incrédula. Não por ele falar, isso pra mim era até normal, os animais tinham de se revelar um dia, não é? mas por sua voz ser idêntica a de Adam

Hannah? - Ele me chamava mais uma vez, mas eu não conseguia responder. Morria de rir por que o coelho além da voz começava a ter a face idêntica a de meu irmão.

HANNAH!– Eu abri os olhos, me lamentando por ter perdido o coelho de meus sonhos justamente quando consegui alcança-lo, teria batido em Adam por ele ter gritado se não estivesse com sono demais para isso. Arr, um sonho. Eu tinha que parar de assistir filmes idiotas.

Eu estava bem dormindo, sabe?

Ele cruzou os braços pronto para me dar um sermão por eu ter feito alguma coisa, eu conhecia aquela expressão que fora várias vezes repetida, mas eu continuei antes que ele falasse algo.

Tinha um coelho e ele tinha a voz igual a sua, eu gostava do coelho.

Parei ao perceber que meus sonhos não interessavam a ele, eles eram só meu. Adam me fitava esperando que eu parasse com meus delírios, devia saber que isso era impossível. Tudo bem, agora sou eu quem estou admitindo meus problemas psicológicos, mas esses eram divertidos. Eu me sentei na cama e bati para que ele sentasse a meu lado, ele ignorou o convite.

Lembra que hoje tem aula?

Eu revirei os olhos, havia esquecido daquele colégio idiota. Eu odiava a escola, a matéria e qualquer coisa que tivesse relação a isso. Sim, eu queria vender cachorro-quente na pracinha. Algum problema com isso.?

Anda, levanta!– Adam saiu do quarto. Eu já disse que odeio essa pose autoritária? Pois bem, se disse não me custa repetir.

Quarenta minutos e eu estava pronta. Sei que reclamei de ter ficado em casa sem fazer nada, mas é muito melhor que ter que ir ao colégio. Escola é um saco, e isso é um fato, não tem o que discutir. Bem, a não ser que você seja uma espécie de nerd, daquele tipo que lembra a professora quando todos estão animados por ela ter esquecido o trabalho que passou. Esses são uns babacas, e não me importa se você se ofende com isso. Se a carapuça serve, saci...

HANNAH! — Uma Danna escandalosa correu até mim assim que cheguei no pátio da escola.

Só estávamos sem nos ver a 2 semanas, e ela agia como se fosse uma eternidade. Faltava agora a típica frase de “como você cresceu” e eu a compararia as “amiguinhas”de minha mãe, as que iam tomar chá lá em casa. Clube da luluzinha, pois é. Não se tocavam que estavam velhas demais para isso, faltava construir uma casinha na arvore, ia ser lindo.

Danna!– Eu, é claro, não seria a estraga prazeres, não hoje.

Tenho boas novas. — Disse ela animada, após todo aquele cumprimento nada-formal que ela sempre fazia. O que inclui abraços e pulos. Eu a estranhava as vezes.

E foi aí que o vi. Brian Haner, o garoto que todas desejavam ter, mas nenhuma realmente conseguia. E pra não querer mostrar toda a perfeição, direi apenas que seu corte de cabelo chamava muita atenção. Sim, estou de sacanagem com você.

O meu primo começa a estudar aqui hoje, o nome dele é...– Danna interrompeu a sí mesma ao perceber que já nos conhecíamos.

Você não disse que tinha BOAS novas, Danna?– Comentei em um visível tom de desprezo

Qual é, sentiu tanto assim minha falta, Hannah?– O sarcasmo dele me irritava. A unica pessoa sarcastica que eu era capaz de aturar era eu, e olhe lá...

Revirei os olhos a seu comentário, e uma Danna que nada entendia nos olhava boquiaberta, em um pedido silencioso de explicação.

Falo contigo depois, sem a presença de energúmenos.– Olhei para Brian, com um bom ênfase em “energúmenos”, este piscou de volta, me deixando ainda mais irritada.

Girei os calcanhares e caminhei para a sala, aproveitando o sinal que já soara.

Matematica era o pior jeito de recomçar as aulas. Eu odiava ter de lidar com numeros, odiava os tais de "x" e "y" e odiava Olga, a professora. Ela era a típica baixinha que usava sempre óculos e uma vareta na mão e adorava perseguição a alunos. Duas aulas seguidas de pura tortura.

Hannah – Ouvi uma voz distante chamar na aula de matematica enquanto tentava lembrar-me de que festa teria pra ir a noite. Eu lembrava que havia sido convidada, mas não me lembrava para qual. — HANNAH – A voz agora Gritava, decidi atender.

Aqui! — Disse, levantando o braço direito.

É a quinta vez que chamo seu nome.

Quem sabe se chamar mais alto na próxima consiga na primeira. - Sorri, e a professora olhou-me com uma expressão que poderia ser de tudo, menos agrado.

Agradeci quando o sinal tocou, e continuei na sala durante o intervalo e todas as outras aulas. Preferi ficar e evitar comentários idiotas, aquela altura todos já deveriam saber do que eu fizera. Acredite, essas pessoas eram as mais falsas, eram bem pior que cobras. Se tudo tivesse dado certo, eles estariam me levando em um trono, mas como eu fora pega eu passaria uma semana como a garota estranha do colégio, e só então eles voltariam a falar comigo.

Fiquei sabendo que gosta de brincar com fogo.– Tive o desgosto de topar com o garoto perfeito, opa, o energumeno do Brian na saída.

Continuei andando, tentando não dar atenção a suas palavras. Eu devia saber que ele me seguiria.

Gosto disso, é bem quente! – Ele riu com seu próprio trocadilho, eu tive vontade de bater nele.

Olha só, garoto. – Comecei, tentando manter o tom de voz normal, não queria que ele soubesse que me deixa irritada, isso é ridiculo. — Eu sei que tenho uma grande força atrativa. – Era minha vez de subir o ego, não? — Mas a sua de repulsão é muito mais forte, então da licença?

Virei e continuei com meu caminho. Achei que Brian estivesse se tocado, mas ao olhar pra trás percebi que uma garota havia o parado. Ashley Lions. Líder de torcida, fresca, puta. Dei de ombros e continuei meu caminho, com quem ele conversava não me dizia respeito. Tudo o que eu queria era distancia, eu ficava bem no quadro de 300 metros dele, obrigada.

Mas o que ele tinha de errado? Ah, não me faça perguntas difíceis.





Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.