'Tis The Damn Season
3 3. I'II be yours for the weekend

—Está se sentindo melhor? -perguntou Neville.
Eles estavam na sala do chalé com a lareira ligada. Luna sentada no sofá pressionando um saquinho de gelo na torção, ao passo que Neville saiu da cozinha com um pano de prato em mãos.
—Estou sim... -respondeu, sem olhar para ele.
—Que bom... o almoço está pronto, você consegue caminhar? Quer ajuda?
Luna não respondeu, apenas pressionou os pés no chão, se desequilibrando logo em seguida e sendo prontamente socorrida por Neville.
—Acho que isso responde sua pergunta. -disse.
Ambos riram e Neville a ajudou a ir até o outro cômodo. Luna se sentou em uma cadeira e Neville foi servir os pratos, fazendo companhia a loira logo em seguida.
—Não acredito! Você fez o meu favorito! -disse Luna, surpresa.
—E você esperava menos?
Durante a refeição, conversas surgiram. A maioria delas, sobre o passado que compartilhavam e suas atuais vidas. No entanto, havia um assunto do qual Luna sentia ser necessário debater, um assunto que faria com que ela e Neville ficassem juntos para sempre, ou se separassem de vez.
E quando terminaram de comer, e a taça de vinho se fez presente em suas mãos, Luna decidiu que a hora dessa conversa havia chegado.
—Nev?
—Sim?
Encheu os pulmões de ar antes de continuar a falar.
—Eu estou amando estar aqui com você, criando novas memórias... por Deus! Eu sonhei com aquele beijo desde que eu fui embora. Você continua a mesma pessoa maravilhosa e carinhosa que sempre foi! -sorriu de canto- Mas, precisamos ser um pouco mais racionais também.
Neville arqueou as sobrancelhas.
—Como assim?
—Precisamos definir como será daqui pra frente... -deu um gole no vinho- Olha, eu não vou mentir para você... a minha vida em Los Angeles não está essa perfeição que as pessoas pensam e que eu sustento. Na verdade, ultimamente está uma merda! Os meus amigos de lá não são verdadeiros, todos querem algo em troca quando se aproximam de mim, ninguém me conhece de verdade e nem está interessado nisso, faz alguns anos que eu descobri que tenho ansiedade, uma ansiedade desenvolvida por conta das saudades que sentia daqui e as frustrações de lá. -fez uma pausa- Eu amo trabalhar com o Newt e batalhar pelas causas que eu acredito... mas, não está dando mais para sustentar essa farsa! Foi por isso que eu voltei, para tentar me reconectar comigo mesma e ponderar se realmente vale a pena abandonar tudo por lá e recomeçar aqui. Eu tenho essas duas opções.
—E qual delas vai seguir?
—Depende de você!
—De mim?
—Sim! De você. Porque, se você me pedir para ficar, eu fico. Mas, se para você o sentimento mudou, e se você ainda pensa na Hannah, então eu volto. Será menos doloroso! Porque, os meus pais querem que eu vá, só que você conhece uma parte minha que ninguém, nem eles, conhece.
Quando Luna terminou de falar, Neville se sentiu sem fala. Afinal, o que dizer? Seria maravilhoso se ela voltasse de vez á Tupelo e ficasse com ele. Entretanto, seria egoísmo de sua parte pedir para que ela desistisse de tudo por sua causa. Por um segundo se perguntou se aquela situação realmente estava acontecendo, se Luna realmente estava jogando uma responsabilidade enorme em seu colo.
Ele precisava pensar.
—Luna... uau... você me pegou de surpresa agora! -deu um gole no vinho, se servindo mais logo depois. -Olha... eu não sei se posso me sentir no direito de escolher o rumo de seu destino, sabe? A vida é sua! Mas, uma coisa eu posso sim te assegurar; o que eu sinto por você, nunca mudou! Ele está aqui, sempre esteve! -pegou a mão dela- Luna, eu te amo! Sempre amei e sempre vou amar! Não sei como você ficou sabendo da Hannah, mas, o que eu tive com ela não foi nada demais. Saímos só duas vezes e por livre e espontânea pressão, foi o Ron que arranjou tudo isso... até ela sabe que não temos nada em comum e que eu sou apaixonado por você! Então, eu te peço para não pensar no que fazer quando o feriado acabar, e viver esses dias como se sua vida dependesse disso. Sem futuro, apenas presente e passado. E aí quando o feriado acabar, aí sim, você volta a pensar sobre isso. O que acha?
Os olhos de Luna marejaram ao ouvir as palavras do amado. Pela primeira vez na vida ela sentiu segurança em ser guiada pela emoção, pela primeira vez na vida ela soube que poderia sim ser imprudente e emotiva, nem que fosse por um curto período de tempo.
E estava disposta a fazê-lo!
—Se é tudo igual para você, é tudo igual para mim!
E então, encostaram as testas e fecharam os olhos, apenas absorvendo aquele momento.
{...}
Algumas horas se passaram, e agora, o casal se encontrava assistindo filme no quarto de Neville, um dos passatempos favoritos de ambos na adolescência. Ou melhor, tentando assistir o filme, pois o sono sempre se fazia presente antes mesmo de terem a chance de terminar.
E dessa vez não fora diferente, agarrados, eles dormiam o sono dos justos, tão tranquilos que quem os visse juraria que eram anjos.
Quando o relógio deu seis horas da tarde, Luna despertou, lentamente. Pegou o celular na mesa de cabeceira e arregalou os olhos ao se deparar com a hora. Desesperada, cutucou Neville, na tentativa de acorda-lo.
—Nev, Nev, acorda! Nós dormimos metade do dia!
—Como nos velhos tempos... -ele respondeu, com a voz sonolenta enquanto despertava.
Luna riu, se lembrando de quantas vezes isso aconteceu quando eram adolescentes.
E do quão Augusta Longbottom odiava esse costume.
Já despertado, Neville puxou Luna para mais perto, dando um beijo no topo da cabeça da loira, que por sua vez deitou em suas pernas. As íris loiras indo de encontro as íris castanhas.
—Eu te amo, sabia? -disse ele.
—Sério? Eu pensei que não fosse correspondida... -respondeu, sarcasticamente, arrancando risadas do companheiro.
Houve alguns segundos de silêncio no quarto.
—Não é louco pensar que biologia era nossa matéria favorita desde sempre e agora nós trabalhamos com biologia? -disse Neville.
—Eu já pensei nisso... -disse Luna, se levantando e sentando ao seu lado na cama.
—Você na parte marinha e eu professor... nós sempre estávamos estudando juntos e pesquisando coisas novas... éramos os maiores fãs de Newt Scamander!
—E agora eu trabalho com ele... na empresa dele...
—Que louco! -disseram em uníssono e voltaram a rir.
{...}
Alguns dias se passaram e Luna e Neville continuavam próximos como nunca antes. A maior parte do tempo que compartilhavam era resumido em vinho e conversas. Mas, o cinema, a casa de amigos e passeios pela cidade também se encaixam no dia a dia.
Não podiam dizer que haviam voltado a ter um relacionamento, e nem precisavam. Sabiam que se entendiam muito bem e durante esse feriado, os rótulos não seriam necessários. Afinal, tudo se classificaria ao final dele.
—A Ginny chamou a gente para jantar lá amanhã. O que acha? -disse Luna, enquanto andava de braços dados com Neville pelo centro da cidade.
—Acho ótimo! Que horas?
—Ela disse umas seis.
—O que acha de comprar alguns presentes para eles? A gente divide, eu compro para o Harry e os gêmeos, e você compra para a Ginny e a Lily, que são respectivamente sua melhor amiga e afilhada.
—Nossa! Que ideia genial! Até porque, falta apenas três dias para o natal. -fez uma pausa- Pensei em um lugar que podemos ir, vem!
E o puxou, indo em direção a uma galeria com várias lojas, uma espécie de shopping só que próprio para habitar em uma cidade do interior.
Levaram cerca de três horas para planejar e comprar os presentes, mais duas horas para embrulhar todos quando chegaram ao chalé. Estavam exaustos! E quando finalmente terminaram, se sentaram a lareira, dessa vez, com duas xícaras de chá ao invés de duas taças de vinho.
—Você ainda não me contou porque comprou esse chalé... -disse Luna.
—Ah é, é que não é um assunto um pouco fácil... começou com a morte da minha avó, cinco anos atrás, eu continuei morando lá mas com o tempo eu percebi que eu precisava de um lugar só meu, entende? Sem memórias dos meus pais ou da minha avó... um lugar para escapar da realidade, a vida de professor não é fácil! -deu uma risadinha.- Mas eu continuo morando lá, só venho para cá aos finais de semana e férias.
—Entendi... história interessante! -tomou um gole do chá e verificou a hora no celular- Acho que preciso ir...
Um silêncio se instaurou no local por alguns segundos, até que Neville tomou a mão de Luna.
—Por que não fica? Já está muito tarde e essa tempestade de neve não vai acabar hoje, então...
—Tudo bem, então eu fico! -deu um selinho nele- Só vou avisar meus pais.
—Ok, eu vou separar algumas roupas para você poder tomar um banho... -fez uma pausa- não que eu ache que você precisa, só acho que talvez você fosse gostar porque está frio e tarde e...
Ele ia terminar de falar, realmente iria. Mas, Luna o calou com um beijo, algo que o tranquilizou.
—Relaxa amorzinho! Eu entendi... e realmente, um banho cairia muito bem agora! Desde que depois dele, a gente assista Top Gun!
—Combinado!
E assim foi. Luna tomou banho em seguida vestiu um conjunto de moletom azul, os cabelos molhados. Se sentou no carpete do quarto enquanto mexia no celular, entrou no Facebook e se deparou com uma recordação de 10 anos atrás, era uma foto da parede de seu quarto na casa dos pais. Nela, havia uma pintura feita por si mesma, de seus amigos e de Neville. Ela o fez na época de sua adolescência, aos 16 anos. E, rapidamente lágrimas silenciosas começaram a sair de seus olhos.
Ela daria tudo para voltar a ser aquela garota!
Quando deu por si, estava sendo consolada por Neville, que tinha os braços em volta de seu corpo, como se quisesse protegê-la.
—Ei o que houve? Eu estou aqui, calma.
Mais lágrimas saíram de seus olhos ao ouvir essas palavras.
—Eu... -ergueu o celular- eu sinto falta disso... tem tanto tempo que eu não faço pinturas que já nem sei mais distinguir uma tinta de uma aquarela...
—Não fala assim, vai ficar tudo bem, é só uma questão de tempo...
—E eu sinto falta de quem eu era... eu costumava ser tão espontânea e alegre...
—E você ainda é! Você nunca deixou de ser aquela Luna Lovegood falante, autêntica, sincera, alegre e espontânea... ela só amadureceu, mas ainda está aí! -saiu do abraço e olhou para ela, no fundo dos olhos. -E por incrível que pareça ela ainda tem o mesmo olhar para esse cara que é obcecado por plantas!
Luna sorriu. E levou as mãos ao rosto do homem em sua frente, que por sua vez enxugou as lágrimas em seu rosto. E se abraçaram, apenas sentindo o momento.
Maverick que esperasse, eles não iriam sair daquele abraço tão cedo!
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