Notas iniciais
* Esta história é uma short-fic Luville de quatro capitulos inspirada na música 'Tis the damn season, de Taylor Swift, vou deixar o link nas notas finais caso queiram ouvir.

* O tema é natalino, eu a escrevi com a intenção de publicar no natal, mas na época aconteceram algumas coisas na minha vida pessoal que atrasaram o andamento dessa fanfic, de modo que me vi obrigada a mudar a data para o ano novo. (não que essa seja uma informação relevante agora, mas quis compartilhar essa curiosidade ksks)

Desejo a todos uma boa leitura. ♡ ♡

Tupelo, inverno de 2022

Luna Lovegood não era uma garota comum, todos viviam dizendo isso a ela na escola, mesmo agora, depois de adulta. E, apesar de nem sempre isso ser algo negativo, no fundo era algo desesperador.

Isso incluía voltar para a cidade natal durante o feriado de final de ano, algo maravilhoso para alguns, mas sem dúvida, desesperador para Luna. Principalmente por ser a primeira vez em que isso acontece desde que saiu da pequena cidade de Tupelo com o objetivo de estudar biologia em Los Angeles e se estabelecer por lá após a formação. Tudo o que ela queria era se tornar uma grande bióloga marinha e conhecer Newt Scamander, o maior biólogo do país!

E agora ela trabalhava com ele. Algo estranhamente maravilhoso!

Parou o carro bem entre a igreja metodista e a escola em que estudou durante o ensino médio quando percebeu que já estava em território familiar. Ficou alguns segundos encarando os lugares, mas, sobretudo a escola... um ambiente de boas e más recordações. Apesar de ter passado por maus bocados lá, preferia apenas se lembrar das coisas boas, como os amigos, que apesar de poucos eram maravilhosos. Os clubes que participara, os elogios dos professores, e... ele.

Neville Longbottom.

Seu primeiro e único amor.

O único que a conhecia bem o bastante para perceber quais sorrisos ela fingia, tanto durante o período escolar quanto nas mídias em que aparecia.

Suspirou. Não era hora de pensar no passado! E ligou novamente o carro, indo em direção ao lugar que mais amava no mundo inteiro; a casa de seus pais.

{...}

—Beleza turma! A aula de hoje foi muito importante para o bimestre e eu realmente espero que tenham mesmo gostado porque essa é a minha matéria favorita.

—GOSTAMOS SIM SR. LONGBOTTOM ! -a turma gritou.

—Você é o melhor professor da escola! -disse uma menina ruiva.

—Obrigado Victoire. -agradeceu.

—Tio, o senhor sabe que uma das pessoas que trabalham com o Newt Scamander está aqui na cidade? -perguntou um menino aleatório que, por ser novo na escola, Neville ainda não havia decorado o nome.

Ao ouvir a pergunta do aluno, o professor sentiu um bolo se formar em sua garganta, pensando que essa tal pessoa era a pessoa que ele pensava todos os dias.

—Serio? Que legal! E quem é? -perguntou, tentando disfarçar o nervosismo.

—É uma mulher... acho que o nome é Luna Malfoy, algo assim.

Bingo!

—É Luna Lovegood seu idiota! Malfoy é sobrenome do primo dela. E ela é super famosa, bem mais do que ele! -disse a irmã desse menino.

—É! Mas vocês só lembram do tal Malfoy porque ele é homem! -disse Victoire, mostrando a raiva que sua fofura escondia.

A pequena discussão das crianças conteve o nervosismo do mais velho e o fez dar boas risadas.

—Ok galera, mas agora é hora de ir. Desejo a todos umas boas festas, até dia 06!

—ATÉ! -os alunos se despediram em uníssono.

Após a saída dos alunos, Neville começou a arrumar a sala e a pensar no que eles disseram. Não era possível que Luna estivesse novamente em Tupelo depois de oito anos! Ela nunca havia retornado desde que partira. Então, por que se encontrava novamente em território mississipiano?

Seus pensamentos foram interrompidos por uma batidas na porta aberta; era Hermione, sua melhor amiga e professora de literatura.

—Atrapalho? -perguntou a mulher.

—Não -respondeu, virando para encara-la- As crianças já saíram.

Ela sorriu e entrou na sala.

—Desde cedo eu venho tentando falar com você. Como você está?

—Estou ótimo! Por que?

—Tem certeza?

Neville apenas assentiu.

—Que bom então. Porque eu fiquei preocupada quando soube das notícias...

De novo aquela sensação.

—Que notícias? Que a Luna está de volta depois de oito anos?

—Essa mesmo! Eu fiquei preocupada porque eu te conheço e sei que você ainda a ama e sente saudades dela.

—É, mas de que isso adianta? A forma como tudo acabou... -fez uma pausa e esfregou os olhos- não tem mais volta!

Os lábios de Hermione se ergueram em um sorriso tímido.

—Nunca diga nunca!

E saiu da sala, fazendo com que os mil pensamentos voltassem a mente do professor.

{...}

—Ficamos muito surpresos quando você disse que vinha.

A voz de Pandora fez com que Luna desviasse a atenção do vinho branco em suas mãos para ela e o pai, que a encaravam como se quisessem saber todos os segredos que escondia.

—Seu quarto está do mesmo jeito desde que você saiu. Não fizemos nenhuma alteração, só limpamos quando você disse que vinha. E ah, coloquei um exemplar novo do Conto dos Três Irmãos na sua cama, um presente de natal adiantado! -disse Xenophilius.

Luna riu.

—Eu vi, pai. Obrigada!

Luna amava os pais. Mas, as vezes se sentia entediada com as conversas deles. Sua mãe, era perfumista e só sabia falar disso e livros de Goethë. Já seu pai, era professor de história e sempre estava falando sobre a lenda dos três irmãos, que já havia sido inspiração para um filme anos atrás.

A conversa deles, quase a fez questionar se aquela estrada não percorrida seria boa no momento, ela a levaria para aquela casa aconchegante que havia sido cenário de muitos momentos bons em sua adolescência.

Essa estrada não percorrida a levaria para os braços dele.

Balançou a cabeça, em uma tentativa de desviar os pensamentos. Talvez o vinho estivesse começando a fazer efeito.

Ela precisava reencontrar seus amigos, estava com muitas saudades. Principalmente de Ginny, sua melhor amiga, que teve bebê a pouco mais de um ano e ela ainda não havia conhecido, só por foto.

E ela ainda era madrinha da neném!

Como se o destino adivinhasse seus pensamentos, a campainha tocou, e Ginny entrou com sua bebezinha no colo. Luna correu para abraçar a amiga.

—GINNNNNN!

—LUNAAAAAA! Por que não me telefonou para avisar que estava aqui? Eu fiquei sabendo por uns murmurinhos na praça.

—Me desculpa. Eu pensei em te ligar, mas estava tão cansada, que decidi ficar só por aqui hoje.

Ginny arqueou a sobrancelha. Ela conhecia a amiga muito bem, e sabia pelo tom de voz da loira, que no fundo, o que ela realmente queria era sair de casa e espairecer. Luna tinha o dom de disfarçar muito bem suas emoções e verdadeiros sentimentos.

—Ah, mas você já descansou bastante, não é? O que acha de ir comigo deixar a sua afilhadinha na casa da minha mãe? Eu preciso fazer algumas compras de natal e ninguém melhor do que você para me aconselhar nisso. Ou pensa que esqueci seu ótimo gosto para decoração?

Luna riu, mas a menção ao seu maior talento a deixou triste.

—Pode ser! -concordou- E depois eu te pago um café, o que acha? Estou louca para colocar a conversa em dia!

—Acho excelente! Abriu um novo aqui.

Luna então correu para pegar o casaco. Logo depois, a porta da casa Lovegood estava trancada e risadas ecoavam do lado de fora.

{...}

—Eu sei que o nome desse lugar é estranho, mas a dona fala que tem descendência bruxa então ok, né? -disse Ginny, levando a xícara aos lábios, degustando o sabor do cappuccino.

—Hum, deixa eu adivinhar, a dona é a professora Trelawney, não é? -perguntou Luna.

Ginny apenas assentiu.

—Sabia! Ela vivia pedindo para ler carta de tarô para a gente. -disse, voltando a tomar a bebida quente.

As duas amigas caíram na risada, até elas cessarem.

—Mas e você, me conta, como estão as coisas lá em Los Angeles?

Luna pensou um pouco para responder. O que ela diria? Que apesar de ganhar bem ela não se sentia realizada na profissão, que seus amigos de lá não eram verdadeiros, e que por conta da enorme saudade que sentia desenvolveu ansiedade?

—Estão ótimas! -sorriu de canto.

Ginny arqueou a sobrancelha.

—Luna... você não precisa me esconder nada, sabe disso, não é?

—É claro que eu sei, Gin, mas está tudo bem, sério! -fez uma pausa- Por que a preocupação?

—Nada... é que você nunca mais voltou desde que foi para a faculdade... e isso tem quase 10 anos! Não acho que, te conhecendo como eu conheço, você voltaria sem algum motivo sério.

Luna apenas desviou o olhar, preferindo não argumentar. Afinal, a amiga não estava, de toda, errada.

—E como estão as coisas aqui? Seus pais, seus irmãos, Harry e as crianças... -perguntou, desconversando.

—Estão todos bem! Meus pais continuam apaixonados como nunca, Will e Fleur decidiram se mudar para Paris no próximo ano, Charles está trabalhando na capital, Percy continua sendo o Percy só que agora mais legal, Fred e Angeline finalmente decidiram se casar, George decidiu expandir a Whimsy, Ron e Hermione continuam apaixonados mas estão frustrados porque até agora não conseguiram ter filhos. Enquanto lá em casa, Harry vai começar o mestrado, Albus e James seguem crescendo e Lily Luna está daquele jeito que você viu... só esbanjando fofura! E eu... -abaixou a cabeça e a ergueu de volta. -ainda não posso voltar para o trabalho por causa dela, mas já tenho muitos planos para quando eu voltar!

—Que legal! Gostei de saber das notícias... e olha, eu quero conviver mais com os meus sobrinhos, ok? Principalmente a minha afilhadinha. Uma hora vou convidar eles, você e Harry para passar férias comigo em Los Angeles. -fez uma pausa e arqueou as sobrancelhas- Não sei porque não fiz isso antes.

Novamente, as duas caíram na gargalhada.

Sem que percebessem, uma mulher apareceu ao lado da mesa.

—Bom dia, quando vocês forem embora poderiam deixar um feedback na saída, por favor? O caderno está bem ali na entrada. -apontou e as amigas olharam.

—Claro, Hannah. -Ginny respondeu, sorrindo.

—Obrigada!

Hannah também sorriu e então se retirou.

Confusa, Luna olhou atentamente para a amiga enquanto arqueava uma sobrancelha.

—Quem é ela?

—Ah, o nome dela é Hannah Abbot, ela se mudou para cá uns dois anos depois que você foi embora. A mãe dela é melhor amiga da Professora Trelawney, então as vezes ela vem ajudar, principalmente nas temporadas de final de ano. -tomou mais um gole do cappuccino.

—Ah sim... eu gostei do jeito dela, ela parece ser legal!

—Ela é sim. -Ginny sorriu- Mas não somos amigas... não teria como!

—Por que?

—Ela e Neville saíram algumas vezes logo quando ela se mudou para cá... e, como eu e Harry nos afastamos dele depois que vocês terminaram, não convivi com ela. -fez uma pausa e esfregou os olhos, cansada.- É claro que ela não tem culpa do que aconteceu, mas...

Luna engoliu em seco. Então ele havia tido alguém depois dela... e ela, não!

Apesar de Rolf, neto de Newt Scamander já ter se declarado muitas vezes, a jovem Lovegood sempre deixou claro que entre eles haveria apenas amizade, porque romances não era com ela.

Mas a verdade é que a única coisa que a impedia de se entregar a ele, era o sentimento por Neville Longbottom, que mesmo adormecido, ainda estava presente, anos após o rompimento daquele namoro de infância!

Bom, ela realmente preferia não saber com quem ele vinha saindo enquanto ela estava fora... se quisesse, ela mesma o teria perguntado. Então, apenas ignorou a fala da amiga e sorriu discretamente.

—Entendo... você parece cansada, quer ir para a casa?

Ginny olhou para a amiga e sorriu ternamente, como quem agradecesse a atenção.

—Estou sim... não tem sido fácil, a Lilu é uma bebê tranquila, mas ela está naquela fase de cólicas e por isso acorda muito durante a noite.

Luna segurou as mãos da amiga.

—Ginevra Molly Weasley Potter, você não precisa se preocupar tanto assim com os amigos, não quando se tem filhos... -suspirou e sorriu- vem, eu vou te levar para a casa. Cadê a chave?

Ginny pegou a bolsa que estava em seu colo, a abriu e colocou a chave na mão alva da amiga.

—Vamos colocar essa mamãe para dormir!

Se levantaram e saíram do estabelecimento.

Deixando, claro, um feedback no caderninho.

Notas finais
Música: https://youtu.be/eowaKhckI9Q