O telefonema pegou-a de surpresa.Atendeu com impaciência, os olhos presos a um livro que tinha nas mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania.O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa àquelas páginas.O som do telefone era uma intromissão, um estorvo. Atendeu a contragosto. Ea do escritório. ela teria, no meio da noite, de sair de casa (e abandonar seu livro) para fazer uma matéria para a revista que sairia na quinta-feira . \"Quem mandou aceitar esse emprego de estagiaria?\" foi o que pensou .Porém, era uma chance de crescer no emprego

Se vestiu logo e saiu.Tinha que chegar logo lá, antes que a cena fosse \"tocada\" e não tivesse todos os detalhes.Atravessou ruelas quase escuras e vazías.Logo via o local. Tinha sido chamada porque era a mais proxima dalí, e observava o aglomerado de gente que chegava. Curiosos, fotógrafos, jornalisras como ela , familiates.Muitos estavam ali, afinal era um politico importante.Oportunistas. Depois de algumas cotoveladas e empurroes, ela conseguia ver a cena com plenitude.

Suicídio. O corpo estava ali, estirado na frente do prédio.Estava lá.NAda mudava isso. No mastro, havia uma bandeira hasteada.Tinha marcas de mãos.MArcas cor escarlate.Marcas de desespero.

A moçoila percebeu que a mancha de sangue que escorria do corpo morto começava a manchar seus sapatos bicolores. Ela chegou mais perto do corpo.Pulsos cortados. Varios ossos quebrados na queda.Procurava por mais detalhes.Qualquer coisa que pudesse dar mais sentido àquilo.Quando achou que já tinha os detalhes, se deu conta que nuna entenderia aquilo. Voltava a seu apartamento. Chegandotirou is sapatos, e numa tentativa de cartase, voltou para seu livro

\" — Ela está morta, Charles.Não adianta.Acabou.Ela preferiu tirar a própria vida do que ser presa.Não duvido que ela o amava, porém, só há uma a se fazer agora

— Provar que ela era inocente -- Respondeu Char...\"

Ela tinha fechado o livro.Morrer era tão simples? Lembrava-se do que vivênciara há tão pouco tempo.Afinal, o que era morrer para um suicida?

Continuou o livro.Ele tinha um final feliz. Diferente da vida.

Escreveu seu artigo. O redator do juornal preferiu colocar em outra coluna, dizendo que o texto etava bom demais para uma coluna pequena

Mas ela tinha outra obrigação, consigo mesma.Buscava outra coisa.Algo maior.Talvez a paixão dos que se matam sem explicação. Talvez as coisas mais simples e menos intencionais