Tinta À Óleo
5 Sensações...
Notas iniciais
Habib = querido
nahan = doce como mel.
A música que imaginei como toque do celular Shun quando o Hyoga liga foi essa, composta pelo tecladista da minha banda:
http://www.youtube.com/watch?v=dhZ8lt2eS7s
E a do Shaka, quando Ikki liga, seria essa:
http://www.youtube.com/watch?v=7U4ug2LWnqM
Eu sempre imagino o Ikki como alguém que gosta de Mintjam. Né... Enfim, aproveitem.
PS.: Meu PRIMEIRO yaoi de verdade. Não esperem grande coisa.
Sensações...
Shaka acordou no outro dia feliz. Aquela tinha sido, de longe, uma de suas melhores noites. Olhou para o lado. Ikki ainda dormia tranquilo, os cabelos negros que caiam por cima da testa, dando-lhe um ar jovial, pareciam azulados com a luz do sol que batia neles. O tronco moreno trabalhado emitia uma leve luz bronzeada, e o loiro pensou que ele poderia facilmente ser comparado a um deus grego. Saiu da cama, devagar, para não acordar o moreno. Fez sua higiene matinal e seguiu para a cozinha. Quando Ikki acordasse, estaria com uma horrível enxaqueca, e seria ótimo que tivesse um bom café da manhã para recepcioná-lo.
Assim que Shaka saiu do quarto, o moreno abriu os olhos, totalmente desperto. Acordara cedo, como de costume, e ficara observando o mais velho dormir. Os cabelos trigueiros sobre os travesseiros, os lábios rosados entreabertos, e a expressão serena em seu rosto. Ele o havia negado na noite passada, com a justificativa de que o moreno estava bêbado, mesmo que este tivesse afirmado que sabia o que fazia. Deveria ser assim, então... Parece que Shaka ainda não o havia perdoado, e o mais novo decidiu que seria melhor deixar aquilo para trás. Se Shaka não o queria como amante, ele o faria querer, mesmo que isso demorasse.
Levantou-se, decidido a esquecer tudo e recomeçar, quando uma dor aguda transpassou-lhe o cérebro. Jurou a si mesmo que não iria mais exagerar no álcool.
Seguiu para as escadas. Sentia um cheiro bom vindo lá debaixo, que clareava sua mente, e foi até ele, encontrando Shaka colocando algo num prato.
- Oi, Shaka... – O moreno chamou-lhe a atenção. – Essa é a sua casa?
- Não lembra de ontem? – O pintor pareceu decepcionado quando Ikki negou com a cabeça. – Sim, essa é a minha casa. Deveria lembrar-se dela de quando arrastou Estrela para fora daqui. Sente-se. Deve estar com baita dor de cabeça.
- Na verdade, estou. – Ikki sorriu largamente, mesmo tendo sentido o sarcasmo na voz dele, o que fez com que o outro ficasse bestificado, olhando seus dentes perfeitos. Ikki mal sorria para qualquer um, mas para ele... Já se tornara algo frequente.
- Ótimo, beba esse café, e mastigue algo. Você vai melhorar. – O loiro falou, sentando-se à frente dele, colocando um suco de uma jarra num copo.
- Isso é tão saudável que acho que vou ficar doente. – O mais novo falou, mexendo num sanduíche natural no centro da mesa, e fazendo o outro rir.
- Deixe de resmungar! Será que é só isso que você sabe fazer? – Shaka falou, pegando um sanduíche e colocando no prato do rapaz à sua frente.
- Faz parte do meu charme. – Ikki sorriu de canto, dando uma piscadinha, e o loiro achou que iria se entalar. Não sabia o que aquele moreno tinha usado para seduzi-lo, mas estava conseguindo.
Conversaram toda a manhã, sem nem ao menos tocar no assunto da noite anterior. No momento, nenhum dos dois realmente lembrava-se dos acontecimentos, e tudo estava como era antes. Quando deu onze e poucas, quase meio dia, Ikki decidiu que era hora de ir para casa. Iria trabalhar dentro de algumas horas e ainda tinha que arrumar alguns detalhes finais na monografia, sugeridos pela banca avaliadora.
- Obrigado por cuidar de mim, pequeno príncipe. – Ikki sorriu, olhando para ele com uma expressão terna. O sol refletia atrás de si pela porta aberta, dando à Shaka a mesma visão de um deus grego que vira ao acordar.
- Não me chame de “pequeno príncipe”. Sou mais alto que você. – O loiro rebateu, fingindo raiva. O sorriso de Ikki apenas se abriu mais.
- Cinco centímetros, Shaka. Além do mais, não te chamo de “pequeno príncipe” pelo seu tamanho. É que você é lindo como um. – O moreno acariciou o rosto de um surpreso Shaka, que só abriu mais a boca quando foi abraçado pelo mais novo, mas não da forma que normalmente se abraçavam: O leonino o segurava pela cintura, forçando-o a abraçá-lo pelo pescoço.
- Não esqueça que você é extremamente importante pra mim. – Então, o indiano sentiu aquelas mãos grandes segurarem seu rosto pelos lados. – Eu-te-amo.
E, antes que o loiro pudesse ao menos reagir, Ikki saiu, fechando a porta atrás de si.
Olhando para a porta branca, o indiano respirou fundo, encostando-se à ela. Seus olhos lacrimejavam, suas mãos estavam vermelhas, seu coração não parava de sambar e ele não conseguia tirar aquele sorriso bobo dos lábios.
“Ele me ama!”
“Ele me ama!”
“Ele me ama!”
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- Professor? – A voz pré-adolescente chamou, fazendo Ikki virar-se para a menina.
- Sim, Helena? – Estavam sentados numa mesa, apenas os dois. O lugar onde estava naquele dia era uma escola de reforço, e ele estava ensinando apenas àquela aluna no momento.
- O senhor parece feliz. – A menina de cabelos castanhos falou, com um sorriso. – Você conseguiu sair com aquela pessoa de quem gosta?
- Mais ou menos. – Ikki sorriu. – Fomos para uma festa, mas não consegui que namorasse comigo. – O homem suspirou. Olhou para a menina, com um sorriso comparsa. – O que acha que devo fazer?
- Não sei bem. – Helena mexeu num lápis, pensativa. – Meninas gostam de presentes, de flores, chocolate...
- Ahm... Ela não é bem assim. – O professor sorriu amarelo. O que ele estava fazendo? Pedindo conselhos amorosos para uma menina de 13 anos?
- Então ela gosta de coisas de meninos? – Helena pareceu ainda mais interessada. – Então vocês podem jogar algo juntos, ou... Você já disse que gostava dela? – O homem assentiu com a cabeça. – O que ela disse?
- Não esperei uma resposta. – Ele sorriu. Era incrível o quanto um adolescente ficava interessado no romance. – E nós já jogamos juntos, mas... Ela ainda não deu nenhuma reação de que realmente gostava de mim.
- Qual o nome dela? – A menina perguntou, e Ikki ficou sem saber o que dizer. Deve ter ficado meio pálido, enquanto puxava o ar para pensar no primeiro nome de mulher que viesse; nome que infelizmente não veio. A menina então deu um risinho que ele achou no mínimo estranho e, baixando a voz, ela perguntou:
- Professor... O senhor sabe o que é yaoi?
Ikki piscou, seu rosto mudando de pálido para corado, e ele assentiu.
- Então... Devo supor que ela saiba também, né? – O sorriso da menina se intensificou. – Não precisa se preocupar. Nas histórias que eu li, basta você ser você mesmo e demonstrar o que sente.
Ikki arregalou os olhos. Que geração de crianças era aquela? Que falava sobre yaoi assim, tão abertamente?
- Obrigado, Helena. Que tal voltarmos à Segunda Guerra? – Ikki perguntou, querendo sair daquela situação constrangedora.
- Claro, claro... – A menina sorriu, ainda com aquele olhar felino. – Posso perguntar uma coisa?
Ele suspirou, anuindo e se preparando psicologicamente para a pergunta.
- Vocês... – A adolescente colocou a mão na boca, e a voz não passava de um sussurro. – Vocês já fizeram sexo?
- Helena! – Ikki quase gritou, horrorizado, enquanto ela só sorria. – Nem namorando estamos e... Argh, concentre-se em Hitler, certo? Hitler!
- Certo! – Helena riu, e o homem não pôde fazer nada além de suspirar, rolando os olhos.
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Estrela estava em seu apartamento, que era cerca de um ou dois minutos da casa dos Amamiya, estudando, quando a campainha tocou. Levantou-se da cadeira onde estava, de frente a uma escrivaninha, e foi até a porta.
- Quem? – Perguntou perto da porta, para que a outra pessoa escutasse.
- Eu! – Aquela voz conhecida falou, e ela abriu a porta, deixando que Shun entrasse.
- Oi, habib. – A loira o abraçou, afagando-lhe os cabelos.
- Oi, nahan. – Ele sorriu, apertando a amiga de leve nos braços.
- O que está fazendo aqui? – A moça perguntou, separando-se dele.
- Não preciso de motivos para visitar minha melhor amiga. – Shun fez uma carinha zangada. – Eu estava indo para casa e resolvi passar aqui pra olhar pra você e fazer qualquer coisa...
- Que coisas? – Estrela perguntou, sentando-se no sofá com o amigo ao seu lado.
- O que viemos fazendo nos últimos dois meses: fofocar! – O rapaz sorriu, fazendo Estrela soltar uma risadinha. A moça levantou e correu para a cozinha, voltando alguns minutos depois com umas bolachas e dois copos com refrigerante.
- Vamos comer enquanto fofocamos. – A loira deu um nó nos cabelos fartos com o próprio cabelo, sentando-se ao lado do amigo.
- Então, como andam seus esforços? – Shun perguntou, pegando um copo e sorvendo um pouco do líquido.
- Bem... Eu meio que fiz eles “ficarem” juntos ontem... Não foi minha intenção, mas aconteceu...! – A moça sorriu. – Ikki dormiu na casa dele depois que tomou um porre daqueles...
- Então foi lá que ele dormiu! – Shun bateu com uma mão na perna. – Não passei em casa ainda hoje, então não o vi... Você acha que eles...?
- Talvez. O mestre Ali está interessado no achi... Ele fica todo vermelhinho quando a gente toca no assunto... – Ela falou, com os olhos brilhando de excitação.
- O niisan também não tá muito diferente... – O rapaz de cabelos castanhos falou, com o mesmo olhar de Estrela. – Fica suspirando pelos cantos, fala do Shaka quase o tempo inteiro... Eu peguei a pasta de desenhos dele escondido semana passada... Tem mais desenhos do Shaka do que de mim!
- Deve ter sido uma facada e tanto no seu ego! – Estrela brincou, fingindo indignação e fazendo o amigo rir.
- De qualquer forma, nahan, estamos indo no caminho certo. – Ele sorriu, passando a mão nos cabelos compridos. – Daqui pro fim do mês eles vão estar namorando. Tenho quase certeza.
Os dois ainda conversaram besteiras por uns vinte minutos, comendo bolachas e rindo um da cara do outro. A amizade entre os dois era antiga, desde a época em que Ikki namorara a irmã de Estrela, e os dois sempre tiveram um nível de sinceridade altíssimo entre si. Não se envergonhavam de falar sobre nada um para o outro, trocavam seus maiores segredos e medos íntimos, além de sempre poder contar um com o outro. Não se incomodavam nem em ficar nus na frente um do outro, o que gerava alguns comentários maliciosos por parte de Hyoga – mas ele não se importava realmente com o fato.
- Tenho que ir embora agora, Estrelinha. Hyoga vai lá pra casa daqui à uma hora e tá tudo bagunçado... – Shun falou, ajudando a moça a lavar os pratos que sujaram.
- Isso, me troca por outro macho! – Ela virou a cara, fazendo-o rir.
- Desculpe se minha opção sexual te incomoda. – Ele deu de ombros. – Mas você tem que admitir que namorar um homem é uma coisa deliciosa... – Shun fez o comentário com o tom de voz mais pervertido possível, fazendo-a bater em seu braço.
- Seu veadinho! – Ela riu. – O pior é que você está certo... Mas será possível que todos os carinhas que conheço são gays!?
- Tem que mudar esse círculo social, né? – Shun brincou, indo com ela até a porta. – Tchauzinho, nahan.
- Tchauzinho, habib. – Estrela depositou um selinho na boca do amigo, fechando a porta e voltando para a escrivaninha. – Voltei, amores. Sentiram minha falta? – Ela brincou, recomeçando o cálculo que fazia.
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Ikki chegou em casa, cansado e bocejando. Dar aula era gratificante, mas ao mesmo tempo, muito cansativo. Abriu a porta devagar, vendo o irmão na mesa estudando, como sempre, e rezou mentalmente para não ser história. Não queria pensar em nada além de comida ou banho.
- Oi, mano. – Cumprimentou, com um bocejo.
- Nem pra avisar que não vai dormir em casa. – Shun falou, sem nem ao menos virar os olhos para o mais velho.
- Desculpe... – O moreno aproximou-se do irmão, apertando-lhe os músculos do ombro. Olhou para o que o irmão estudava: Física. “Ótimo”, pensou. Não precisaria ensinar nada a ele. – Como vão os estudos?
- Mais torturantes que nunca. – O Amamiya mais novo falou, dando uma pausa no que fazia e suspirando, enquanto o outro sentava na cadeira ao seu lado. – Estou tão cansado...
- Por que não dá uma pausa? Já jantou? – Ikki perguntou, realmente preocupado. Shun coçava os olhos e passava a mão nos braços, como que para acordar.
- A prova de seleção é mês que vem. Não posso simplesmente parar. Ainda tenho muito que estudar... – O rapaz apoiou o topo da cabeça no ombro do irmão, com uma expressão entristecida. – Espero que dessa vez eu consiga...
- Mas é claro que você vai conseguir! – O mais velho apertou o outro contra o peito, fazendo-o rir. – Você está se dedicando mais do que o normal. Tenho certeza de que você é mais do que competente pra isso.
Shun abraçou o irmão de volta, com um sorriso meigo nos lábios.
- Já te chamei de “pai” hoje? – O rapaz de cabelos castanhos perguntou, e o outro riu, acariciando os fios compridos dele.
- Você faz isso todos os dias. Um dia não vai fazer falta. – Ikki sempre ficava tocado com as demonstrações de afeto de seu irmão. Shun era do tipo de pessoa que sempre dizia o que achava, fosse isso referente a sentimentos ou não, e Ikki admirava isso. Nunca conseguia demonstrar seus sentimentos adequadamente, mas o irmão sempre fora mestre nisso.
- Claro que faz falta. – O menor levantou a cabeça, sorrindo. – Alguém tem que te agradecer todos os dias por ter cuidado de duas crianças sozinho.
O moreno sorriu, tocando o rosto do irmão.
- Não foi nenhum trabalho. – Ikki levantou-se, tirando a camisa preta que usava. – O que quer comer?
- Um sanduíche já está de bom tamanho. – Shun falou, voltando para os cálculos.
- Certo. – Ikki entrou na cozinha e depois colocou só a cabeça para fora, com um olhar indagador.
- Shun... Eu sei que você já me falou isso, mas eu não lembro... Como foi que você e o Hyoga começaram a sair? – O mais velho perguntou, e o outro levantou a cabeça, levemente surpreso com a pergunta, mas feliz por dentro.
- Eu estava sentado no pátio da escola e ele me chamou pra jogar futebol. Eu sou péssimo e acabei perdendo. Pra compensar, ele me comprou um sorvete e me chamou pra sair. – O rapaz respondeu, enquanto escrevia algo no caderno.
- Ele te ganhou com um sorvete? – Ikki levantou uma sobrancelha, desdenhoso.
- Era um sorvete de menta. – O mais novo falou no mesmo tom. – Além do mais, não foi o Shaka que te ganhou com “eu não como carne vermelha”?
O moreno fechou a cara, enquanto Shun soltava uma risadinha.
- Vou parar de falar certas coisas pra você. – Ikki grunhiu, voltando para a cozinha.
- Tudo bem, mano. Não conto pro loirinho que você tá de quatro por ele. – O virginiano riu ainda mais, e Ikki mordeu os lábios, controlando-se. O que poderia dizer, afinal? O que o irmão dissera era a mais pura verdade.
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Shun tinha acabado de tomar banho. Se jogou na cama, com a cabeça pesada, sem querer nem ao menos pensar. Seu cérebro pareceu explodir quando o celular praticamente gritou aquele toque tão conhecido, que lhe lembrava neve e frio.
- Oi, menino. – Atendeu, com um meio sorriso e uma vontade de desligar.
- Tô aqui fora. Abre a porta pra mim? – O mais novo estranhou. Já passava das dez da noite, e Hyoga não era de chegar à sua casa de surpresa.
- Tô indo. – Desligou o celular, indo até o portão e deixando o namorado entrar. Levou-o até a sala, observando o quanto ele parecia arrasado.
- O que houve, menino meu? O que aconteceu em menos de cinco horas? – Shun perguntou, realmente preocupado. Hyoga apenas o abraçou, colocando a cabeça na linha entre seu ombro e seu pescoço.
- Eu... – O mais velho tentou falar, mas a voz parecia ter travado. O virginiano separou-se dele, delicado, levando-o para o quarto e sentando-o na cama, sentando-se ao seu lado.
- Você quer falar? – Perguntou, acariciando as costas do namorado, que olhava para o chão, perdido em pensamentos.
- Minha mãe está doente. – O loiro falou, apertando uma mão na outra. Shun arregalou os olhos. Sabia que Hyoga era extremamente ligado à mãe, e aquela notícia devia estar matando o amado por dentro. – Disseram que ela teve uma parada respiratória e que estava com problemas nos pulmões... – O aquariano crispou os lábios, fechando os olhos com força. – Eu... Eu estou com medo, anjo...
Shun deixou-se ser abraçado, ainda acariciando as costas do outro. Hyoga sempre se mostrava forte e resistente, mas quando o assunto era sua mãe, ele se tornava uma criança. Com calma, o mais novo deitou o namorado na cama e tirou-lhe os sapatos e as meias, guardando-os embaixo da cama.
- Onde ela está? – Shun perguntou, mesmo já sabendo da resposta.
- Na UTI. – Hyoga apenas olhava para o teto. – O Mime está cuidando dela.
- Seu irmão o expulsou do hospital, então...? – O rapaz de cabelos castanhos perguntou, mais como uma afirmação. Os dois filhos de Natássia tiveram uma briga por causa dele no passado. Mime não o suportava, mas depois de um tempo, começaram a se entender. Os dois irmãos tinham brigas frequentes, mas se preocupavam realmente um com o outro. O loiro apenas assentiu, na mesma posição de antes. Shun suspirou, olhando para o amado. – Vá tomar um banho. Você está exausto.
Hyoga não lutou quando o namorado o puxou pelo braço e o empurrou até o banheiro social – apenas o quarto de Ikki era uma suíte -, deixando-o lá e voltando para o quarto.
Vinte minutos depois, Hyoga entrou novamente no quarto, vestido apenas com a calça e passando a mão nos cabelos louros parcialmente molhados. Parecia menos abalado, mas ainda havia uma melancolia em sua face. Shun ergueu-se nos cotovelos, olhando para o homem que deitava na cama ao lado dele. Pensou que, mesmo triste, Hyoga era um dos homens mais bonitos que já tinha visto. Os olhos azuis, quase cinzas, lhe encararam por um tempo, com aquela frieza melancólica à qual Shun nunca resistia. Os lábios bem desenhados, o nariz retinho, as sobrancelhas que mal se arqueavam e os cabelos loiros caindo pela testa faziam com que o mais novo sempre o comparasse com um rei de um lugar muito frio. Fechou os olhos quando o aquariano lhe acariciou o rosto, e deu-lhe um beijo de boas vindas, que o outro correspondeu prontamente, segurando-o pela nuca.
O beijo foi se aprofundando, a mão do loiro descendo pela cintura do amante, apertando-o levemente. Deitou-o novamente na cama, beijando-o e acariciando. Shun tinha um corpo esguio, uma pele macia e um rosto extremamente bonito, e o outro rapaz não cansava de verificar isso com as mãos, boca, olhos. Hyoga desceu os lábios para o pescoço branco do namorado, roçando-os em sua pele, causando arrepios.
- Obrigado por tudo, meu anjo... – O loiro sussurrou, depositando beijos no outro, até o ombro e voltando. Shun apenas arfava, sentindo seu corpo reagir aos toques do namorado, adorando aquela sensação gostosa de frio no baixo ventre... Sensação que só ele causava.
Hyoga separou-se dele, olhando fundo nas íris verdes do amado. Fazia cinco anos que o namorava, e não estava nem um pouco cansado de olhá-lo. A cada dia ele ficava mais bonito, mais perfeito, e o amor que sentia por ele só fazia crescer. Recomeçou com os beijos, dessa vez, descendo pelo peito. Lambeu e mordiscou um dos mamilos expostos, enquanto acariciava o outro com uma das mãos. Shun gemia, com as bochechas vermelhas, os olhos semicerrados e os lábios entreabertos. Hyoga foi descendo ainda mais, delineando os músculos da barriga quase que totalmente lisa, chegando até a linha da bermuda de algodão que mal cobria a excitação do menor.
- Não precisa de tanto, Shunny... Foram só uns beijinhos... – O loiro brincou, fazendo o outro soltar um muxoxo.
- Apenas faça seu trabalho, sim? – O mais novo falou, arrancando um sorriso pervertido do namorado.
- Meu trabalho, un? – Hyoga puxou a bermuda do outro para baixo, deixando-o apenas com a cueca branca, que também foi tirada fora, mostrando a excitação do rapaz. O mais velho sorriu, lambendo-o da base até a cabeça, apenas com a ponta da língua, fazendo o outro arfar mais forte. Lambeu a ponta, sentindo o gosto daquele líquido transparente que provava o quanto ele estava excitado. Começou a sugá-lo, subindo e descendo num ritmo constante, fazendo o mais novo soltar gemidos engasgados, abrindo as pernas involuntariamente. Sugou até que sentiu que ele estava num nível muito alto de excitação, e então voltou a beijar-lhe os lábios. Rapidamente, tirou a própria roupa, sendo deitado pelas mãos delicadas de Shun, que sentou-se em seu colo, beijando-o profundamente, aproximando seu corpo completamente ao outro.
Agora era a vez do virginiano. Segurando o membro do namorado com uma das mãos, ele começou a sugar e a lamber, fazendo o loiro tremer em cima da cama. Apesar do jeito calmo e tímido, na cama Shun se soltava completamente. Subia e descia, molhando todo o membro do outro, o enfiando até o fundo, sem parecer se esforçar muito. Mordendo os lábios, Hyoga segurou-lhe os cabelos compridos, tirando-os do rosto do menor, e começou ele mesmo a movimentar os quadris, mais rápido, mais forte, soltando gemidos que pareciam vir de dentro de sua alma. O namorado levantou a cabeça, respirando fundo, com os lábios vermelhos e inchados.
- Senta, vai... – Hyoga pediu, com a voz mal saindo da garganta. O Amamiya mais novo escalou o namorado, deixando as pernas ao lado dele. Devagar, ele mesmo colocou o pênis do outro dentro de si, descendo de pouco em pouco, até que sentiu-o completamente dentro de si. Se remexeu, tentando achar uma posição melhor, fazendo o outro gemer, segurando-o pela cintura. Shun começou a se mexer, para cima e para baixo, sentindo o amado penetrá-lo até o fundo, acertando-lhe em um ponto específico, que o fazia gemer e se arrepiar inteiro. Jogava a cabeça para trás, gemendo e fechando os olhos, sentindo a boca seca pelo prazer. Gemeu ainda mais forte quando sentiu o outro tocá-lo em seu ponto mais sensível, masturbando-o no ritmo da penetração.
Um prazer inexplicável tomou conta do menor quando, de repente, o loiro o virou, jogando-o na cama como se fosse feito de pano e deitando-se em cima dele. Gostava da sensação de saber o quanto o namorado era forte, o quanto era fácil para o loiro carregá-lo e virá-lo. Gemeu, agarrando-se às costas do amado, que segurava uma de suas pernas, estocando fundo, enquanto se apoiava com a outra mão na cama. Mirou os olhos do namorado, que examinava suas expressões. Desceu uma mão pelo próprio ventre, tocando a si mesmo, sentindo um prazer cada vez maior. Os gemidos de Hyoga entravam pelos seus ouvidos, fazendo-o sentir mais prazer ainda. Sem mais conseguir se conter, Shun arqueou as costas, agarrando o mais velho com a mão livre, sentindo o corpo inteiro tremer com o impacto do orgasmo. Soltou um gemido rouco, esquecendo tudo o que fazia e apertando os braços do namorado, molhando seus abdomens com o sêmen. Sentindo a pressão que o corpo pequeno do outro fazia em si, Hyoga também não aguentou, gozando dentro do corpo do outro, sem ter controle sobre o seu próprio.
Ficaram parado por algum tempo, até que o mais novo sorriu, dando beijinhos leves no pescoço do outro.
- Você faz ideia do quanto fica vermelho quando goza? – Shun perguntou, e Hyoga sorriu, batendo de leve nos quadris do namorado. Ao menos hoje, não dormiria tão preocupado.
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“Esqueci de dizer: você fica lindo quando dorme”
Shaka já tinha lido aquela mensagem um milhão de vezes. Seu coração ainda saltitava ao pensar no moreno, e em tudo que ele lhe mandara naquele dia.
“você me viu dormindo?”, mandara de volta, com o rosto rosado. Achava estar agindo como um adolescente, mas sendo um artista, decidiu deixar-se levar, adorando a sensação que aquele moreno esquentado lhe causava.
“Claro! Por que acha que acordei tão feliz?”
O loiro ainda ria bobo daquelas mensagens. Queria Ikki, queria muito. Todas as portas estavam abertas... Por que ainda hesitava? Tivera algumas experiências desagradáveis no passado, mas não acreditava que aquilo lhe afetara quanto à decisão de ficar com Ikki... Seria a personalidade calorosa demais do moreno? Devia admitir que não estava acostumado com todo aquele afeto vindo de alguém.
E isso o fez sorrir ainda mais.
Talvez não estivesse apenas apaixonado por ele. Era bem provável que já o amasse. Outra vibração. Pegou o celular, que estava estrategicamente em cima de sua barriga – Shaka estava deitado na cama, atravessado, o que fazia seus longos cabelos se arrastarem no chão.
“quero te ver”
Três palavras. Três palavras que deixaram seu corpo tremendo de excitação.
“venha para minha casa, se quer me ver”, o loiro respondeu, com aquela esperança de que ele realmente fosse aparecer em sua casa às 11 e meia da noite. Poucos minutos depois, o celular começou a tocar uma música violenta, tão diferente das músicas que geralmente escutava. O toque de Ikki.
- oi? – Atendeu, tentando engolir o coração de volta. Será que ele realmente ia fazer o que ele pediu?
- Com saudades de mim, loirinho? – A voz rouca e grave de Ikki soou do outro lado do telefone, deixando o indiano arrepiado. “Ele deve ser filho do demônio, é a única justificativa!”, pensou, saboreando a sensação que aquela voz lhe causava.
- Não sou “loirinho”. Além do mais, não estou realmente com saudades. Só falei aquilo para acabar com a sua saudade de mim. – Shaka tentou parecer indiferente, mas isso fez o outro rir.
- E se eu te disser que estou aqui fora? Na sua porta? – O loiro sentou-se abruptamente, com a respiração descompassada.
- S-sério? – Indagou, ficando de pé. Então Ikki tinha realmente feito o que ele havia sugerido? Uma sensação nervosa tomou conta de seu corpo, e suas mãos tremiam. Estava a meio caminho das escadas quando escutou a risada do moreno.
- Eu estava brincando! Você foi verificar, não foi? – A voz divertida falou, e o virginiano ficou vermelho, com uma sensação de decepção, misturada com alívio, voltando para o quarto e arrastando a calça do pijama no chão.
- Não fui. Não se ache tão importante. – Tentou fingir novamente, mas o outro só ria.
- Mentiroso. Admita! Admita que me ama e que está louco pra me ver também! – Shaka sorriu. Era tudo verdade, mas nunca iria admitir aquilo para aquele leonino egocêntrico. Pelo menos, esperava que não.
- Pare de criar verdades, Ikki Amamiya. – Falou, jogando-se na cama. – Não se eleve tanto na minha estima.
- Nem tem como, loiro. – Outra risada. – Onde estou já é tão alto que você nem tem mais níveis pra me elevar.
- Convencido de merda. – O loiro xingou, fazendo o outro rir ainda mais... Era verdade, tudo verdade. Amava aquela risada, o jeito egocêntrico, o olhar amoroso, a personalidade quente. – Almoça comigo amanhã?
- Onde? – Ikki perguntou, ainda com a voz animada.
- Aqui em casa. Minha vez de te ensinar o que é comida saudável. – O virginiano falou, arrancando risinhos do outro.
- Tá certo. Apareço ai umas 11 horas, ok? E... Não vai ter sessão de xadrez depois não, né? – O moreno perguntou, e dessa vez, Shaka teve que rolar os olhos.
- Você me fez jogar tacobol. Na minha casa, faz o que eu quero.
- Certo, certo, loirinho. – Ikki só sorria. – Agora vou dormir e... Não esquece que, mesmo que você não me ame, eu amo você.
Aquele sorriso bobo que surgia em seu rosto apareceu de novo. Não entendia por que Ikki causava esse efeito nele. Ninguém o tinha feito ainda.
- Ei... – O loiro chamou, sentindo aquele nervosismo adolescente tomar conta de si. Não se lembrava de já ter sentido isso antes. – Eu... Também amo você.
E desligou, fazendo o mesmo que Ikki tinha feito com ele de manhã. Talvez fosse se arrepender da decisão precipitada, mas não estava realmente pensando nisso naquele momento. Estava feliz, como há tempos não estivera, e isso era o suficiente.
Em sua casa, Ikki sorria. Olhou para mais um dos desenhos que tinha feito: uma imagem de Shaka deitado, sem camisa, com os cabelos loiros espalhados, os olhos semicerrados, e o rosto levemente corado. Estava meio que viciado em desenhar as linhas tão delicadas, e ao mesmo tempo, tão definidas do rapaz indiano. Estaria sendo louco, se jogando assim de cabeça? Achava que não. As melhores coisas da vida aconteciam assim, de repente.
Continua...
Notas finais
Obrigada à Vanessa, Cah, Alexia, Victoriana, à Sion e a Lemos! Céus, vocês são a razão de eu continuar essa fic. Obrigada à Lemos por ter comentado aqui!! Quase chorei com sua review, falando sério!
Obrigada à todos que estão lendo, os que comentam e os que não comentam também!
Beijos da Polly e até a próxima!
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