Notas iniciais
Demorei um pouco pra postar esse, mas acho que valeu a pena. Esse tem lemon hohohoho
Vou dedica-lo à Sion, por ter sempre sido paciente comigo quando eu a abusava, e... Bem, espero que você fique melhor com esse cap - que eu falei que ia caprichar.
Espero que gostem ^^

Tinta À Óleo

Polly Weasley

Shaka respirava compassadamente, concentrando-se na difícil posição que executava. Estava com ambas as pernas para cima, apoiado nas duas mãos já havia uns cinco minutos. Começou a levantar uma das mãos, devagar, mudando o eixo de equilíbrio para não cair. Piscou os olhos, sentindo uma gota de suor escorregar pelo seu nariz e cair pela ponta do mesmo. Seu coração estava calmo, passivo e reflexivo. Não demorou muito nessa posição, e depois de algum tempo recolocou a mão no chão, reajustando o eixo e abaixando as pernas lentamente, sentindo aquela leveza gostosa que sempre sentia depois de uma sessão de yoga.

Olhou no relógio. Já eram 10 e meia e Ikki deveria aparecer em pouco tempo. Desligouo stereo que tocava uma calma música ambiente e reorganizou as telas no ateliê, guardando algumas que não queria que o moreno visse – a maioria inspirada nele – e seguindo para o banho. Não demorou muito, e se arrumou colocando uma bermuda bege de algodão e uma túnica marrom com detalhes dourados, ficando descalço mesmo. Gostava de sentir o chão sob seus pés. Achava-se uma pessoa que aproveitava os simples prazeres da vida, e preferia ficar em casa com um café e um livro do que sair para a rua. Será que Ikki era do tipo festeiro? Esperava que não.

Começou a separar o que usaria para preparar o almoço, enquanto um incenso queimava em um dos balcões. Esqueceu-se do mundo, apenas concentrado em cortar e lavar as verduras que usaria. Era cerca de 11 e 15 quando seu celular começou a gritar o toque escandaloso de Ikki.

- Oi. – Shaka atendeu, enxugando as mãos numa toalha de papel.

- Abre a porta pra mim? Dessa vez, tô mesmo aqui fora. – Sorriu ao ouvir a voz do moreno, e foi até a porta, encontrando-o do outro lado do portão, com o capacete na mão e encostado na moto.

- Está atrasado. – O loiro falou, enquanto abria o portão. – Por que não entrou logo?

Ikki apenas apontou para a moto, enfiando-a pra dentro assim que o portão foi totalmente aberto. Colocou-a perto do carro do outro, guardando as chaves dentro da mochila que carregava. Shaka o esperou no vão da porta, observando o quanto o moreno estava bonito. Ele vestia uma calça jeans e uma camisa preta, levemente folgada que, junto com os chinelos que usava, lhe davam um ar caseiro e rebelde ao mesmo tempo.

O loiro abriu os braços quando Ikki se aproximou, dando-lhe um abraço apertado. O leonino retribuiu, enfiando a cabeça na linha de seu pescoço, aspirando o perfume suave que saia da pele clara.

- Oi, loirinho. – Ikki falou, com a voz abafada. O roçar dos lábios dele em seu pescoço fez com que Shaka fechasse os olhos, abrindo a boca ligeiramente. Seria demais se o agarrasse ali, naquele mesmo instante?

- Oi, Ikki... – Retribuiu, sentindo uma espécie de tristeza quando o moreno separou-se dele. – Entra. Já estava começando a preparar o almoço.

Os dois entraram na casa e seguiram para a cozinha, onde Shaka voltou a trabalhar no almoço. O leonino olhava tudo com interesse, andando pela cozinha.

- Sem carne? – Perguntou, olhando para o que o outro fazia.

- Sem carne. – Shaka confirmou, simplesmente. – Isso te incomoda?

- Um pouco. Mas quero saber do que você é capaz. – Ikki sorriu, encostando-se na bancada ao lado da que o indiano trabalhava, que riu, balançando a cabeça.

Ficaram conversando besteiras – de música clássica até jogos de videogame – até que o almoço ficasse pronto: arroz com legumes de vários tipos, salada com molho e especiarias, mais empanadinhos de brócolis e queijo para acompanhar.

- Tenho que admitir que parece gostoso. Mas é saudável demais. Tem certeza que eu não vou ter uma overdose de saúde e morrer? – O moreno brincou, ajudando Shaka a ajeitar a mesa.

- Não acho que isso vá acontecer. – O mais velho disse, colocando as taças na mesa e a garrafa de vinho no centro. – Pronto para ter uma experiência única? – Perguntou, abrindo a garrafa e enchendo as taças até a metade.

- Claro. Vamos ver se você é bom mesmo. – Ikki sentou-se, com um sorriso que quase fez o outro se derreter. Shaka sentou-se também, notando duas coisas sobre o outro: ele também estava descalço e, por algum motivo, ele sentava-se por cima de uma das pernas. Nunca tinha realmente reparado nisso, e achou um pouco estranho.

- Por que você senta assim? – Perguntou, recebendo um olhar questionador do outro.

- Assim como?

- Assim, em cima da perna. – O loiro volveu, fazendo Ikki olhar para as próprias pernas.

- Ah. Não sei, sempre sento assim. – O leonino falou, sentando-se igual a Shaka dessa vez, com ambos os pés tocando o chão.

- Não precisava mudar. Só perguntei. – O indiano falou, se servindo, e indicando para que o outro fizesse o mesmo.

Começaram a comer, rindo e fazendo piada um com o outro. Era bem fácil levar uma conversa com o mais novo. Ele conhecia praticamente tudo do mundo de Shaka, apesar de não viver nesse mundo, e entrava em qualquer assunto com facilidade.

Terminaram de comer e, ainda conversando, Ikki ajudou o loiro a lavar os pratos e organizar a mesa.

- Realmente, para um almoço de gente delicada, até que estava bom. – O moreno falou, com as mãos cheias de espuma, fazendo Shaka dar-lhe um empurrão com uma das mãos, enquanto secava os pratos que o outro lavava.

- Fale a verdade! Estava uma delícia, não estava? – O mais velho falou, dirigindo uma careta de desprezo para o outro, que fez uma cara de desdém.

- Hmm... É... Tava bonzinho. – E recebeu outro empurrão, rindo. Mesmo sendo controlado e altivo, era bem fácil provocar o virginiano. Parecia que menosprezar algo de sua autoria era como um crime.

Depois do último prato enxuto, Shaka arrastou o moreno para cima, com a intenção de lhe mostrar o ateliê. Abriu a porta, mostrando os quadros antigos não vendidos e os mais recentes, inclusive alguns em processo de criação – os que ele escondeu não passou pelos olhos do leonino. Os dois sentaram-se perto da parede, um ao lado do outro, e ficaram em silêncio – um silêncio agradável, mas cheio de expectativa.

- Shaka? – Ikki chamou, fazendo o loiro virar o rosto para si. Estavam muito próximos, tanto que Shaka achou esquisito ver os dois olhos azuis de Ikki tão perto de si. Desviou o olhar e notou que ele estava sentado de novo em cima da perna. Seu rosto foi levantado pela mão de Ikki, que se virara para ele.

Shaka não notou o tempo que demorou para que os lábios do moreno se encontrassem com os seus, mas sabia que queria isso loucamente. Dessa vez não teve medo de deixar-se levar. Abraçou o outro pelo pescoço e aprofundou o beijo, deixando que ele percorresse seu corpo com as mãos. Não se importou quando foi deitado no chão, com carinho, enquanto Ikki o beijava por todo o rosto e pescoço, fazendo-o arfar.

O leonino separou-se dele, olhando-o fundo nos olhos. E então veio: a epifania que Shaka sabia que viria.

- Eu não tenho essa cor. – Falou de repente, fazendo o outro estranhar. – A cor dos seus olhos. Eu não tenho.

- Na? É só azul-escuro, não? – O moreno levantou uma sobrancelha, encarando o outro.

- Não! É uma mistura de azul da Prússia com azul-indig- O loiro foi interrompido pela boca do outro, que exigia atenção. Shaka sorriu entre os beijos, retribuindo. Pensaria nisso depois...

Abriu as pernas para que o leonino se encaixasse melhor, enfiando as mãos dentro da camisa dele, acariciando-lhe os músculos das costas, apertando, arranhando, enquanto Ikki fazia sua própria exploração, alisando a barriga lisa, mordendo seus lábios, roçando seu corpo no dele.

- Sabe... Quanto tempo esperei para que você me aceitasse...? – Shaka gemeu com a voz rouca em seu ouvido, tremendo enquanto o mais novo acariciava um de seus mamilos com a mão. – Eu estou mesmo apaixonado por ti...

O indiano apenas assentiu com a cabeça, distante demais para dar qualquer resposta. Puxou a camisa do outro para cima, revelando o corpo trabalhado do moreno. Mordeu os lábios, passando a mão por cima de cada músculo.

- Sabe o quanto tive que me controlar pra não me jogar em cima de você? – O pintou falou perto do ouvido do outro, dando-lhe beijos no pescoço e ombros, puxando a base dos cabelos negros, arrancando um gemido rouco dos lábios carnudos. – Pra não se sequestrar e te jogar na minha cama?

- Não deveria ter se controlado, loiro... – Foi a vez da túnica de Shaka sair de seu corpo, revelando seu corpo pálido e esguio, os mamilos rosados, e a barriga lisa, com apenas uma pequena penugem loira descendo depois do umbigo. Ikki sorriu, um sorriso com uma perversão que fez o loiro temer pelo que iria acontecer, mas que lhe excitou de uma forma que nunca tinha sentido. Abraçou a cintura do moreno com as pernas, sentindo a excitação do moreno contra a sua. Nunca fora uma pessoa agressiva no sexo, mas estava querendo daquela vez. Era estranho... A adrenalina no seu corpo o fazia querer que as mãos grandes do moreno lhe apertassem, com força.

Com voracidade, o mais novo começou a beijar o torso do indiano, se demorando num mamilo rosado, e depois no outro. Continuou descendo, um pouco mais devagar, mordendo em cima de um dos ossinhos do quadril do loiro, que só arfava, olhando para o que Ikki fazia. Devagar, o leonino começou a acariciá-lo por cima da calça, dando beijinhos na linha entre a bermuda e o ventre do outro. Desabotoou a bermuda e abriu o zíper com as mãos trêmulas. Puxou as duas últimas peças de roupa pelas pernas compridas do mais claro, ficando corado ao fixar os olhos na ereção do outro, de onde caiam algumas gotinhas daquele liquido que ele já conhecia. Engoliu em seco, segurando o membro de Shaka com uma das mãos e se aproximando devagar, dando pequenas lambidinhas antes de enfiá-lo na boca. O mais velho podia notar o quanto ele estava vermelho, e se perguntava o porquê, mas não conseguia tirar o pensamento de que o rapaz era muito fofinho com aquela carinha de inexperiente...

...Mas... E se ele realmente fosse? O loiro arregalou os olhos com esse pensamento, mas tentou ignorar. Ikki era homem, tinha 25 anos e morava “sozinho”. Ele com certeza não era inexperiente.

...Mas aquela carinha era linda... Por Buda!

- Se... Não estiver gostando... Pode pa-aaarar... – Shaka tentou dizer, com a garganta incrivelmente seca.

A resposta de Ikki foi enfiar o membro do outro quase até a base, agora olhando-o determinadamente. O loiro gemeu alto, arqueando as costas. Era tão quente, tão apertado, tão gostoso...

O mais novo levantou, lambendo os lábios de uma maneira provocativa. Tirou a calça e a cueca, fazendo Shaka arregalar os olhos.

Ikki era... Enorme!

Será que vai doer quando entrar?”, foi a primeira coisa que o indiano pensou, mas tentou dissipar. “Quem disse que vou ser o passivo?”, brigou consigo mesmo. Notou que Ikki dobrou a calça rapidamente antes de colocá-la no chão ao lado deles e voltou a se ajoelhar entre as pernas dele, com aquele mesmo olhar felino. “foda-se!”, pensou, mordendo os lábios. “eu quero que ele me coma!”.

Segurou Ikki pelos braços e o virou, ficando por cima. Desceu, tomando o membro dele entre os dedos compridos.

- Realmente, Ikki... – Shaka lambeu a pontinha do pênis do outro, provando o gosto agridoce do líquido transparente. — ...Você só é japonês da metade pra cima...

O moreno deu um risinho cheio de perversão, que foi dissipado e substituído por um gemido alto quando Shaka o enfiou na boca, começando o movimento de vai-e-vem enquanto o molhava completamente com saliva. O moreno gemia e arfava embaixo de si, arranhando o chão com as unhas, enquanto o olhava com as bochechas vermelhas de prazer e o olhar ébrio de desejo. Teve que se controlar quando o virginiano desceu uma das mãos e começou a se tocar enquanto o sugava e, depois de um tempo, descer a mão um pouco mais e penetrar a si mesmo com os dedos.

O leonino soltou um gemido estrangulado, puxando o outro pelos cabelos.

- Pare... Ou assim... Eu... – Tentou dizer, mas tremia muito para conseguir completar qualquer frase. Virou o loiro para baixo e, sem nenhum aviso, o penetrou de uma vez só, fazendo Shaka soltar um grito de dor e prazer ao mesmo tempo. Era justamente o que queria... Ser possuído sem reservas, sem autocontrole, sem permissão. Não queria ser racional naquela hora... Queria esquecer o mundo.

Se agarrou às costas de Ikki, cravando as unhas nelas, o marcando. O moreno o segurou pelas pernas, enquanto, de joelhos, enfiava tudo no mais velho, gemendo e observando o corpo do outro, tão claro em comparação ao seu.

- Se toca, vai...? – Ikki pediu, com uma voz que não parecia sua. – Eu quero ver...

Shaka puxou uma das mãos, que agora estavam nos braços fortes e bronzeados do outro, e começou a tocar a si mesmo, sentindo que com aquela força com que Ikki estava metendo ele não ia demorar muito para chegar ao clímax... Mas ele ainda queria mais.

Empurrou o moreno delicadamente, fazendo-o sair de dentro de si. Virou-se de costas, ficando de quatro e o olhando por cima do ombro.

- Me come, Ikki... – E mordeu os lábios, com os olhos brilhando e empinando-se um pouco mais. Viu o outro abrir os lábios e engolir em seco, antes de segurá-lo pelos quadris e enfiar tudo dentro dele, tão forte que Shaka abaixou os braços e encostou o peito no chão, gemendo alto. O leonino começou a masturbá-lo no ritmo das estocadas, atingindo-o sempre num ponto especial, o fazendo gritar e gemer de prazer. Achou extremamente lindo quando o loiro abriu mais a boca e fechou os olhos com força, tremendo e gemendo, enquanto de seus lábios saiam palavras desconexas, muitas vezes, o nome do mais novo, entre suspiros de paixão e prazer. O moreno apertou-lhe os quadris com mais força, sabendo que ia ficar uma marca ali, mas não conseguia pensar nisso agora.

Com uma força que não sabia que tinha, Ikki saiu de dentro do amante, virando-o e o puxando, fazendo com que ele ficasse de pé. Sem pedir permissão, ele o puxou pelas pernas, e Shaka teve que segurá-lo pelo pescoço e o enlaçar com as pernas para não cair. Ikki o encostou à parede e o possuiu novamente, fazendo com que o mais velho sentisse um prazer ainda maior, enfiando as unhas nas suas costas e gemendo alto, jogando a cabeça para trás, fazendo com que ela batesse na parede – não que ele tenha parado para perceber isso.

- Você... É tão lindo... – Ikki falou, arfando, enquanto o estocava profundamente. O loiro respondeu com um gemido estrangulado, mordendo os lábios. O roçar do abdômen do leonino contra seu membro o estava deixando cada vez mais perto do ápice, e não demorou muito para que o mais velho abrisse a boca, deixando escapar gemidos quase gulturais, enquanto seu corpo tremia e amolecia nos braços de Ikki. O moreno também não demorou muito: com a pressão do corpo de Shaka somado com a visão de extremo prazer se estampando no rosto corado, o moreno apertou-se mais à ele, apoiando os dois corpos contra a parede e despejando todo o líquido quente no interior de Shaka, respirando fundo, com a testa encostada no ombro do loiro.

Escorregaram até o chão, Shaka ainda apoiado no peito do outro. Ficaram assim por algum tempo, até que o mais novo interrompeu o silêncio.

- Está incomodado? – Perguntou, e o outro apenas balançou a cabeça dizendo que “não”, sem emitir som algum. Levantou a cabeça e encarou Ikki, com um olhar meigo e um sorriso no rosto, o que fez com que o moreno se ajeitasse melhor no chão e o abraçasse como se abraça uma criança. Segurou-o pelo queixo e, sem nem pensar duas vezes, falou.: — Eu te amo, Shaka Phalke, como nunca amei ninguém.

O indiano sentiu os olhos lacrimejarem, e não conseguiu disfarçar quando suas lágrimas escorreram, mas que só acentuavam o azul límpido de seus olhos, e o sorriso gigante que ele tinha no rosto. Se já escutara “eu te amo”? Sim, várias vezes, mas ninguém tinha aquele brilho nos olhos, aquela determinação.

- Eu também te amo, Ikki Amamiya! – O loiro acariciou o rosto do outro, sentindo a barba que estava crescendo. – Nunca fui tão feliz com alguém como sou contigo.

- ...E olha que a gente começou a namorar hoje! – Ikki falou, rindo, mas Shaka fechou a cara.

- Como assim... Namorar? – O indiano perguntou, se separando um pouco do outro, e Ikki fez uma cara confusa.

- Ahm... É que... Eu achei que depois disso tudo... Seríamos... Sabe... Namorados. – O leonino falou, virando-se para o lado, envergonhado. – Desculpe se entendi errado... Mas não sou um cara de uma noite só, e achei que você também não...

Shaka notou que ele apertava o polegar da mão esquerda com a unha do polegar direito. Mais uma mania?

- Não é isso... – O loiro encarou as costas do outro, e o abraçou pelos ombros. – É que geralmente as pessoas pedem antes de namorar alguém. – E sorriu. – Mas eu aceito namorar você, criança...

O meio-japonês sorriu, encostando a cabeça na do outro. Ikki teve de crescer rápido, e isso impediu que a criança dentro dele se transformasse em um adulto. O moreno era responsável e maduro, mas impulsivo e receoso como qualquer criança.

- Shaka... – O moreno chamou, e Shaka notou que sua voz estava nervosa e pesada. – Você está sangrando.

O virginiano piscou, atônito, antes de olhar para baixo. A parte interna das suas coxas estava vermelha, e o mais velho apertos os dentes, resmungando um “ô-ou” e se levantando, sentindo uma dor aguda entre as nádegas.

Desde o ateliê até o banheiro Ikki pediu desculpas por ter sido indelicado. Mesmo que Shaka dissesse que estava tudo bem, e que só tinha machucado porque há muito tempo não fazia, Ikki não aceitava. O moreno lhe prometeu milhares de coisas para compensar, e o indiano só sorria. O leonino tinha sido bastante dominador no sexo, mas agora... Novamente, estava parecendo uma criança perdida.

O que lembrou Shaka de algo.

- Ikki... Me responde... – O loiro começou, enquanto vestia a roupa que usava anteriormente, depois de tomar banho. O leonino estava sentado na cama de Shaka, olhando para ele. – Você já tinha feito?

- Não com um homem. – Ikki ficou vermelho, olhando para o chão.

- E com que frequência você fazia? – O pintor insistiu, adorando ver o rosto vermelho do outro.

- Eu... Só fiz uma vez. – O mais novo falou, num fio de voz, ainda mais vermelho. Shaka deu um risinho compreensivo, sentando-se ao lado de Ikki. – Depois... Depois de algumas coisas que aconteceram, tive que cuidar da estrela e do Shun sozinho. Eu só tinha 18 anos, e era difícil cuidar de duas crianças de 15 anos, trabalhar, cuidar de uma casa, estudar e ainda ter uma vida social.

- Você se concentrou muito em suas responsabilidades e esqueceu de você mesmo... – O loiro falou, mais para si do que para o outro. Ajeitou-se na cama, de modo que ficou sentado por trás do leonino, com as duas pernas ao lado dele e começou a massagear suas costas, de vez em quando dando “coçadinhas” com as unhas, já que o mais novo estava apenas com a calça jeans. Sorriu ao ver que os poros do moreno se arrepiavam cada vez que suas unhas tocavam sua epiderme, mas não falou nada.

- Dois anos atrás, Estrela se mudou para o prédio na esquina da nossa rua. Eu demorei pra aceitar, mas... É incrível como ela é cabeça dura às vezes. Isso me deu mais liberdade, e foi bom... Mas ainda assim... – Ikki falava com uma voz calma, sonolenta. Seus olhos estavam quase fechados e ele estava com a cabeça pendendo para um lado.

- Você está com sono? – Shaka perguntou, parando a massagem, ao que Ikki só assentiu com a cabeça. – Quer dormir agora?

O meio-japonês levantou-se e puxou Shaka para o meio da cama, deitando-se e o abraçando, fazendo com que ele se deitasse entre seus braços enquanto o mais novo o aninhava no peito.

- Dorme comigo, loiro? – Ikki pediu, enfiando uma das mãos entre os fios loiros do virginiano e acariciando seu couro cabeludo.

- Mas são três da tarde... – Shaka falou, mesmo que seus olhos estivessem se fechando. Ali, nos braços de Ikki, ele estava tão confortável que realmente queria se entregar ao sono e ficar ali o dia inteiro. Um pensamento veio de repente e o mais velho não conseguiu controlar um risinho. – É como... Se eu tivesse tirado sua virgindade.

- Vai se ferrar, Shaka Phalke! – O moreno puxou uma mexa do cabelo loiro, como uma provocação, o que só fez o virginiano rir.

- Minha criança linda... – O indiano suspirou, antes de adormecer com um sorriso no rosto.

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- Vamos, Mu! É a sua primeira grande exposição! A gente tem que fazer uma festa! – Milo tentava convencer o escultor, que mordia os lábios, inseguro.

- Vamos, Muzinho... Vai ser ótimo! – Afrodite juntou-se ao outro loiro, olhando para o ariano, esperançoso. – O Shaka não aceitou e fez todo mundo se sentir culpado por não darem uma festa pra ele.

- Mas... É muito. – O tibetano ainda tentou contestar, mas diante dos olhares incisivos dos amigos, ele suspirou e deu um sorriso, fazendo os outros exultarem. – Eu aceito, ok, mas...

- Vamos chamar a cidade inteira! – Afrodite falou, os olhos brilhando de excitação.

- Ai é bom que você aproveita, Mu, e arranja um bofe, não? – O escorpiano falou, olhando para Mu com uma expressão pervertida, o que fez o mesmo rir.

- Você não presta, Milo. – O ariano falou, com um meio sorriso. Não reclamava de estar solteiro, mas bem que sentia falta de um calor a mais...

- É melhor tomar cuidado com as ideias do Milo. – A voz séria do ruivo foi ouvida, e o escorpiano o olhou indignado. Estavam na sala da grande casa em que o francês e Milo moravam juntos. O grego gostava de, de vez em quando, chamar os amigos para conversar – fofocar -, e essa era uma daquelas tardes. Ligara para Shaka por uma hora, mas o amigo indiano nem teve a consideração de avisar que estava ocupado ou dormindo.

- O que quer dizer com isso? – Milo perguntou, em tom de ameaça. Camus apenas desviou os olhos do livro que estava lendo e deu de ombros.

- Você esbanja demais. – O ruivo falou, sem expressão.

- O dinheiro é de quem!? – O escorpiano perguntou, já ficando irritado. Odiava tanto quanto amava a cara blasé que o namorado fazia quando não gostava de algo.

Camus apenas olhou para as roupas de grife que Milo usava, ao redor, para casa e os móveis, o conjunto de chá no centro da mesinha na sala, antes de voltar os olhos para o namorado e responder:

- Meu. – E voltou a ler o livro, como se a cara vermelha do grego não o incomodasse. Milo voltou-se para os amigos, que riam da sua cara abertamente. O que o escorpiano poderia fazer? Era verdade. Ele trabalhava como violinista e ganhava bem, mas a maior parte do dinheiro que eles tinham vinha da carreira de escritor bem sucedida de Camus.

- O que importa é que vai ser uma ótima festa. – O anfitrião continuou, com seu sorriso habitual. – Além de quê, você merece, Mu.

Afrodite assentiu com a cabeça, apertando as mãos do ariano, que sorriu. Seus amigos eram como seus irmãos, e se eles queriam tanto homenageá-lo pela sua inesperada ascensão no mundo artístico, ele aceitaria.

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Mime olhava sério para o rosto da mãe, enquanto segurava sua mão delicadamente, quando ouviu o clique que indicava que a porta tinha sido aberta.

- Hyoga, eu já te disse pra voltar pra casa. – O rapaz falou, sem se voltar. Suas olheiras estavam profundas, marcando os olhos claros. O nariz estava vermelho, e os longos cabelos loiros presos num rabo de cavalo mal feito. – Você já ficou aqui... – Nesse momento ele se virou para com quem estava falando e sua voz quase sumiu. – tempo... Demais...

Seu rosto amenizou um pouco ao observar o sorriso da moça à sua frente. Ela estava com os cabelos trançados de lado, uma camisa justa até os quadris e uma calça jeans simples, com uma sandália de couro. Em suas mãos estava uma sacola, que o rapaz encarou, curioso.

- Olá, Mime. – Estrela o cumprimentou, sentando-se no pequeno sofá ao seu lado. – Hyoga me pediu pra cuidar de você hoje.

- Você... Não precisava. – Mime sorriu, meio sem jeito, soltando a mão da mãe para dar um abraço na loira. Desde que o irmão começara a namorar Shun a presença da “irmã” do cunhado era constante, até que eles se tornaram bons amigos. No caso dela, ao menos. Já fazia alguns anos que o rapaz sentia algo por ela, mas não tinha coragem de falar nada. Sabia do passado conturbado da israelense e não queria que ela se assustasse com qualquer coisa que ele falasse para ela.

- Olhe para si mesmo, Mime. – Estrela suspirou, quase exasperada. – Onde está o rapaz determinado que conheço?

Ela tirou o que tinha dentro da sacola – um bento, bem no estilo japonês, mas com comida ocidental dentro. Era tudo bem organizado e colorido, e ela ajeitava tudo numa pequena bandeja que havia na mesinha ao lado da cama da paciente.

- Fiz isso porque o Hyo disse que você não comia direito por que não gostava da comida do hospital. – Ela esclareceu para o loiro, que tinha o rosto vermelho de vergonha, mas seus traços pareciam bem mais leves, e um ligeiro sorriso cobria seus lábios.

- Você é um anjo, Estrela! – Mime falou, enquanto ela se levantava e lhe entregava os talheres.

- Sim, eu sei. – A moça deu de ombros, com um sorriso. – Agora coma tudo, se não quiser ver minha ira. – Estrela continuou, fazendo-o rir.

Quando o rapaz começou a comer, ela virou-se para a mulher na cama. Natássia estava com os cabelos bem penteados, e com um perfume gostoso se desprendendo dos fios. Havia um tubo entrando pela sua boca, e podia-se notar o quanto ela estava magra devido ao coma induzido, mesmo que por poucos dias. Mas além disso, dava pra ver o cuidado que os filhos da russa tinham por ela; era quase palpável.

A moça sentiu os olhos umedecerem, mas sorriu para dissipar as lágrimas. Desde que perdera a mãe, Natássia tinha sido o mais próximo disso, não só para Estrela, mas também para Shun e Ikki. Ela não era apenas “a mãe do namorado do Shun”; ela era alguém que os acolhera como seus próprios filhos, que cuidara deles nos momentos tristes e felizes da vida.

- Oi, tia... – A taurina falou, acariciando a mão da enferma. – Que tal ficar boa logo, un?

Um silêncio pesado se seguiu depois, até que uma enfermeira entrou no quarto.

- Vim aplicar a injeção de hoje. – A recém-chegada falou, carregando um pequeno carrinho com remédio, as seringas e o algodão. Ela tinha os cabelos negros presos, e seu olhar era de enfado. Não era feia, mas a indiferença com que falava a tornava... Desagradável.

Estrela saiu do caminho, sentando-se ao lado de Mime, que olhava para a enfermeira com uma expressão dura. E não era pra menos: a morena apertou o braço da mulher mais velha com um elástico e aplicou a injeção de uma maneira quase brutal, indelicada. Estrela arregalou os olhos, horrorizada, mas não chegou a levantar, pois o rapaz segurou-lhe o braço até que a enfermeira saísse.

- Acho que o costume tirou a humanidade deles. – O loiro falou, colocando o bento vazio de lado e indo até a mãe, massageando o braço para que não ficasse roxo ou inchado. – Não adianta brigar. Hyoga fez isso e quase foi expulso do hospital.

- Não serei assim quando me formar. – Ela falou, limpando uma lágrima dos olhos. Era a pior sensação do mundo, a de impotência.

- A maioria deles também pensava assim. – Mime falou, voltando para onde estava sentado. – Eu espero mesmo que você e o pirralho mudem alguma coisa...

Estrela riu. Parecia que ele ainda tinha ciúmes de Shun. Talvez com justificativa: o virginiano mais novo tinha “roubado” o irmãozinho dele, e não tinha previsão de devolução.

- Não sinta raiva do Shun... – Estrela falou, com um risinho.

- E não sinto! – Mime levantou as mãos, como que se defendendo. – Mas acredite...! Muitas vezes evitei batê-lo porque ele parecia com você. – Ele falou, mal se dando conta do que tinha dito.

- C-como assim? O que isso tem a ver? – A israelense perguntou, piscando. O rapaz ficou vermelho e umedeceu os lábios, antes de inventar qualquer desculpa.

- Ele parece uma mulher. Parece que se quebraria se eu batesse nele. – E virou o rosto, não vendo o sorriso que se formou no rosto dela.

Conversaram um pouco mais, antes que a enfermeira “enfadada” aparecesse para dizer que o horário de visitas tinha terminado. A loira se despediu e saiu, pensando se Ikki sabia do tratamento que aquele hospital dava aos pacientes.

Continua...

Notas finais
Aiish, espero que tenham gostado dele! Sério mesmo! As coisas estão "começando" a acontecer agora XD
Agradecendo à Sion, à Cah, à Victoriana e à ddkcarolina por terem aparecido por aqui! Obrigada!!
Beijos da Polly e até o próximo!