Tinta À Óleo
9 Laços
Notas iniciais
Tinta À Óleo
Polly Weasley
Quando Ikki chegou em casa no dia seguinte ainda era muito cedo, mas Shun já estava acordado, andando de um lado para o outro, nervoso, ainda que fosse sábado.
– O que foi? – O mais velho perguntou, tirando os sapatos e se aproximando do outro. O virginiano vestia uma calça jeans reta com uma camisa verde e chinelos nos pés. Os cabelos levemente compridos estavam presos num rabo de cavalo malfeito, deixando alguns fios emoldurarem seu rosto bonito e darem destaque para as maçãs do rosto, marcadas como todo oriental. Shun tinha mais traços japoneses do que Ikki, e era o que o tornava ainda mais adorável.
– A prova. É daqui a uma hora. – O mais novo disse, nervoso. – Estou esperando a Estrela pra gente ir junto.
– Ei, calma, ok? – Ikki segurou-o por um dos ombros, tentando lhe passar conforto. – Você passou um ano inteiro estudando como um louco. Vai dar tudo certo, relaxe e não se preocupe.
Shun sorriu, abraçando-se ao irmão como se pedisse conforto, e teve seu abraço retribuído de forma calorosa. O leonino sabia o quanto aquilo era importante para o mais novo, e queria passar naquele gesto todo o seu apoio. Sempre foram sozinhos na vida, e aprenderam a cuidar um do outro da melhor maneira possível. Ficaram assim por alguns minutos, até que a campainha tocou.
– Deve ser a Estrela. – O virginiano disse, separando-se de Ikki. Andou até a porta, olhando pelo olho mágico e depois abrindo-a.
A loira lhe lançou um sorriso, abraçando o amor com força.
– Vamos? – Chamou.
– Vamos, sim. – O rapaz assentiu com a cabeça, sentindo o irmão se aproximar.
– Boa sorte, Estrelinha. – Desejou, ao passo que a moça se aproximava e lhe dava um abraço.
– Obrigada, Achi. – Ele a ouviu dizer, antes de se separarem.
– Vão logo antes que se atrasem. – Ikki disse, dando um meio abraço no irmão. Shun sorriu, adorando a atenção que estava recebendo. Naquele dia em especial sentia-se extremamente carente do irmão, e nem mesmo o seu amado Hyoga conseguiria lhe dar aquele conforto que Ikki passava em um abraço, um olhar ou um sorriso.
A mocinha se preparou para sair, mas Shun a segurou, virando-se para o mais velho, agora com um ar sério.
– Me empresta a moto? – Pediu, e o irmão ficou pensativo por alguns segundos, mas cedeu, pegando a chave de cima do criado-mudo e entregando para ele.
– Usem os capacetes e cuidado na velocidade. Vocês têm tempo o suficiente para chegar lá. – Disse, apontando os capacetes numa banquinha perto da porta, que Shun pegou prontamente, assentindo e saindo rapidamente com Estrela à tira colo.
Depois que eles saíram, Ikki ficou pensativo. Por algum motivo, sentia-se estranhamente apreensivo, como se algo fosse dar errado, mas decidiu ignorar aqueles pensamentos. Não queria transmitir energias negativas num dia tão importante quanto aquele. Fazia mais de um ano que os mais novos se preparavam para aquela prova, e ele não queria que nada desse errado.
Decidiu se acalmar fazendo algo que sempre deixava a cargo do irmão: arrumar a casa. O lugar estava uma bagunça sem tamanho, já que com a proximidade da prova e o fato de que Ikki mal parava em casa, nenhum dos dois se deu ao trabalho de arrumar nada. Começou pela cozinha, que era onde estava mais bagunçado, e depois seguiu para os quartos. Não mexeu no guarda-roupa do irmão, mas arrumou tudo o que estava fora do lugar, deixando seu quarto por último. Tinha uma mania tola de, sempre que iria arrumar seu próprio quarto, ficar olhando, perdido no tempo, todas as coisas que guardava e que esquecia que existiam.
Arrumou as roupas, separando algumas mudas que Shaka sempre deixava em sua casa, separando cuecas de meias – o que nunca durava muito mais que alguns dias – e depois, começou a arrumar sua estante, sempre apinhada de papeis e livros. Depois de uma boa meia hora organizando tudo, achou uma pasta cheia de desenhos antigos. Fazia muito tempo que não a olhava, e ficou um pouco surpreso quando a viu.
Havia vários desenhos antigos, desenhos de quando ainda não desenhava tão bem, mas muito significativos. Muitos desenhos de Esmeralda, com principal ênfase no sorriso. Seu coração deu um pulo doloroso ao se lembrar de tudo que tinha passado, e ele fechou a pasta, tentando ignorar aquele sentimento maldoso. Estava com Shaka agora e estava feliz. Não queria pensar em coisas do passado nesse momento, ainda que sentisse o mesmo medo por conta de Natássia. Aquele mesmo hospital tinha deixado que sua namorada morresse, e ele temia mais que tudo no mundo que acontecesse o mesmo com ela.
Terminou de arrumar tudo, observando sua arte com orgulho por si mesmo pela bela organização que tinha dado, ainda que soubesse que não duraria uma semana organizado. Foi tomar um banho para se livrar daquela poeira toda em seu corpo, lavando os cabelos e saindo para o quarto cheirando a sabonete, com a toalha na cintura estreita, passando a mão rapidamente nos cabelos para livrá-los da água.
Ouviu a porta abrir e o barulho de chaves sendo depositadas na mesa. Saiu do quarto, vendo o irmão sentando-se no sofá e escondendo o rosto nas mãos. O mais novo parecia cansado, e mexia a perna inquietamente, deixando Ikki um tanto nervoso. Já era mais de meio dia, isso queria dizer que o tempo da prova já tinha acabado há algum tempo. Tinha certo receio de perguntar como ele tinha ido, mas uma hora ou outra teria que perguntar.
Com esse pensamento, se aproximou de Shun e sentou-se ao seu lado, fazendo o outro notá-lo e levantar a cabeça, olhando para o mais velho com uma expressão meio perdida, e abraçou-o com força. Era como se ele tivesse novamente cinco anos e tivesse muito medo de que fossem ficar sozinhos para sempre. E como o Ikki de oito anos, o Ikki mais velho o abraçou de volta, alisando suas costas em silêncio.
– Estou com medo. – A voz abafada de Shun pôde ser ouvida, e o leonino afastou-o um pouco de si, segurando seu rosto pelos lados para poder olhar fundo nas esmeraldas que eram seus olhos.
– Não se preocupe. Você se esforçou muito. Tenho certeza de que vai dar tudo certo. – O mais velho falou, com uma voz firme.
– Minhas respostas foram diferentes das da Estrela. – Shun insistiu. – E ela estudou tanto quanto eu.
– Eles fazem provas diferentes. Não se preocupe tanto. Vamos esperar o resultado sem estresse. – Ikki falou, e Shun pareceu aliviar-se. De qualquer forma, se dando bem ou mal na prova, o que ele iria fazer? Talvez passar outro ano estudando e dando problemas para o irmão... Se bem que continuava dando problemas ainda que passasse, já que não teria tempo de trabalhar.
E aquilo só foi crescendo, aquele sentimento de culpa, como se tivesse se aproveitando da boa vontade do irmão. Não era justo! Ele tinha que, no mínimo, pagar o que Ikki tinha dado a ele por todo esse tempo em que esteve estudando e comendo do pouco dinheiro que o homem ganhava, e para isso precisava ao menos passar naquela porcaria daquela prova!
– Tudo bem... – Shun disse, por fim, levantando-se e passando as mãos nos cabelos compridos, tirando os sapatos e indo até a cozinha. – Quer comer alguma coisa? Vou fazer uns... Ah!, você organizou a cozinha! – E começou a reclamar da quantidade de tempo que a casa passou desarrumada, ao que Ikki respondeu que não era pago para ser empregada, e ficaram provocando um ao outro enquanto faziam o almoço. O resultado da prova ia sair em cerca de um mês, e até lá, era apenas esperar.
As três semanas que se passaram até a festa foram rápidas. Apesar da tensão da espera, Estrela parecia muito confiante da prova que tinha feito, enquanto Shun remoia de madrugada as questões que tinha errado e acertado, ainda que se sentisse mais tranquilo por não ter que acordar às sete da manhã para estudar. O estado de Natássia continuava o mesmo, e toda semana Ikki a visitava sem falta. Conseguira carregar Shaka uma vez, e notou como o loiro ficara interessado por uma simples parede. Claro que Ikki sabia que não era a parede em si. Acostumado com a personalidade do virginiano, o moreno conseguia quase ler os pensamentos do namorado, e sabia o que ele estava pensando ao olhar aquele ponto em especial: aquela parede devia ser ótima para determinado quadro em sua mente, e ele estava trabalhando com as cores, os tons e as pinceladas na sua imaginação. Não quis dizer nada naquela hora, mas não gostava nenhum pouco da ideia de Shaka vender um de seus quadros para aquele hospital. Embelezar um local daqueles que mais parecia um açougue deveria ser considerado um crime.
Estrela também tinha seus próprios projetos. As aulas de pintura iam cada vez melhores, e ela não deixara de ensinar a Shaka a sua dança, o que os deixou mais unidos. Ainda que fosse muito amiga de Mime, e soubesse que o rapaz gostava dela, de alguma forma ele já não lhe interessava mais. Pouco a pouco, sua atenção era voltada para o indiano e suas maneiras, trejeitos, olhares e sorrisos. Sabia que jamais teria chances, não só por Shaka namorar com Ikki, mas também por ela não ser um homem, o que dificultava bastante as coisas, mas ela jamais pararia de pensar no quanto o loiro era delicado e compreensivo, amoroso, engraçado, ainda que um tanto cruel e sádico, era verdade, assim como arrogante ao extremo, mas ela não se incomodava. Gostava de olhá-lo, ainda que de longe.
A admiração de Estrela se expressava em cada gesto dela, cada vez que entoava sua voz delicada, pelos seus gestos, sua dedicação. Muitas vezes, Shaka ficava incomodado com isso, mas não dizia nada. Temia magoar a garota e sofrer a ira de Ikki depois, então apenas aceitava, de forma que não desse à ela mais liberdade do que devia, e não fosse rude como gostaria.
Eram oito da noite. O historiador estava jogado na cama de Shaka com um livro nas mãos – onde se podia ver o título “O Arqueiro” em letras elaboradas. O loiro saiu do banho enxugando os cabelos, vestido apenas numa cueca azul-escura. Parou na frente da cama, olhando para o moreno como se o quisesse matar.
– Por que ainda está ai na cama? – Perguntou, num claro tom de acusação.
– A festa é só às nove. – O mais novo falou, como se o motivo para ele não ter ido tomar banho ainda fosse muito óbvio.
– E já são oito e quinze! Você sempre sai atrasado. Vamos, levanta dai! – Shaka saiu falando, tirando o livro das mãos do outro e o puxando da cama.
– Calma, você ‘tá muito estressado. – Ikki riu, levantando-se devagar. – Parece até que não gozou ontem...
– Isso não vem ao caso! – Shaka exclamou, as bochechas vermelhas. – A questão é que você sempre enrola e demora a sair.
– Você que sempre sai muito cedo. – O moreno falou, deixando o livro na escrivaninha e indo ao banheiro, tirando as roupas e as dobrando antes de colocar no cesto de roupa suja. Depois de um tempo, acabavam deixando mesmo algumas roupa na casa ou de um, ou do outro, então já não se importava com aquilo.
Tomou um banho rápido, saindo de lá parcialmente molhando, pondo perfume e desodorante antes de vestir as roupas que Shaka já tinha separado para si: um conjunto preto com uma camisa vermelha por dentro, que Ikki não fechou até em cima, deixando o terno aberto mesmo. Passou a mão nos cabelos para penteá-los, calçando os sapatos antes de se virar para Shaka com um sorriso.
Não importava quanto tempo passasse, Ikki ainda seria um dos homens mais lindos que ele já tinha visto, e aquilo aparentemente não mudaria. O historiador tinha aquele olhar de criança, mas o rosto másculo de queixo quadrado que o fazia ter um delicioso ar de rebelde. Isso sem contar aquele corpo malhado pelo esporte, a pele morena e rija, as mãos grandes e firmes que lhe davam arrepios quando eram passadas em seu corpo...
Desviou o olhar. Daquele jeito não conseguiria sair de casa. Se bem que, com Ikki se aproximando daquele jeito felino, não resistiria nenhum pouco. Do jeito que ele o tocava, do jeito que ele o olhava, não conseguia se opor.
Então veio... O toque das mãos dele em sua cintura, e o beijo em seus lábios. Abriu a boca, passivo, deixando que a língua quente e molhada penetrasse em seus lábios, fazendo-o tremer. Não sabia como Ikki fazia aquilo, mas ele parecia saber exatamente o que fazer para deixá-lo enlouquecido, o que era estranho se pensasse que Ikki não era lá muito conhecedor daquilo... Talvez fosse conhecedor profundo de seu corpo, então. Enlaçou o pescoço ele com os braços, fazendo com que o mais novo o abraçasse pela cintura, espalmando as mãos por duas costas, causando arrepios no indiano.
– Ikki... A festa...
– Nem um terço das pessoas chegou ainda... É uma festa, não uma reunião de negócios... Relaxe... – O moreno beijava seu pescoço e sussurrava em seu ouvido, começando a abrir sua camisa.
– A... Acabamos de nos vestir... – O outro ainda tentava ser racional, mesmo quando sentiu o paletó escorregar por seus ombros.
– Shaka... – Uma mordida em seu pescoço, e sua camisa também escorregou. – Eu quero comer você... Inteiro... Jogar você na cama e te fazer gritar...
Como Shaka poderia resistir àquela voz? Como poderia resistir aos murmúrios lânguidos e sensuais que penetravam seus ouvidos de forma lenta? O loiro sentiu o prazer tomar seu corpo, e começou ele também a despir o namorado, terminando ambos nus na cama, Ikki entre as pernas do loiro enquanto o outro se entregava completamente, arranhando as costas largas do amado com sofreguidão.
– Você ainda vai acabar com minha sanidade, Ikki... – O mais velho murmurava, sentindo os beijos do moreno esquentarem sua pele.
– A minha intenção é justamente essa... – Ikki riu, chupando seu pescoço e voltando a tomar seus lábios, sugando-os de forma lasciva, deixando-os úmidos e vermelhos.
Desceu os beijos pelo peito do indiano, as mãos apertando sua cintura, marcando a pele branquinha. Adorava marcá-lo, deixar nele a prova de que o amava de todas as formas possíveis. Tomou um dos mamilos nos lábios, prendendo-o de forma lenta e passando a língua por cima, circulando-o.
Shaka encurvou o corpo, as bochechas coradas, as mãos apertando as costas do namorado com força, gemidos irregulares irrompiam de seus lábios carmesins, e inconscientemente, ele abria ainda mais as pernas, acomodando-o melhor. Com aquele gesto, Ikki sentiu-se ainda mais à vontade. Era bom saber que o amado queria tanto quanto ele, e aquilo dava ao mais novo muito mais prazer. Lambeu-lhe o peito, arrastando até sua barriga e soprando a trilha que fizera, arrepiando toda a pele do loiro, fazendo-o soltar um gemido manhoso.
– Ikki... – Gemeu, pedindo que ele fizesse logo, e ouviu, com desespero, seu celular tocar.
– Diga... Que estamos indo... – O moreno sorriu, lambendo sua virilha com um sorriso provocador, segurando seu membro pela base, masturbando-o bem lentamente.
Shaka praguejou, atendendo o celular com o corpo em chamas.
– Onde você está? — Ouviu a voz de Milo do outro lado, mas não parecia apressado.
– Estou... Tentando sair... Hn... De casa... – Tentou dizer, e segurou um gemido como pôde quando sentiu os lábios de Ikki ao redor de seu pênis, a saliva quente engolfando-o e acariciando a carne tenra com a língua.
Houve um leve silêncio do outro lado da linha. Shaka pensou ter ouvido uma risadinha, mas não soube dizer. A boca do namorado estava fazendo com que ele não conseguisse pensar em nada que não fosse sua língua.
– Ikki está te segurando, não é? – Milo perguntou, e Shaka conseguiu sentir a ironia em suas palavras como uma faca afiada.
– Não é na—nada disso! – Tentou explicar, mas agora seu cérebro estava num completo branco.
A umidade da boca do outro o envolvia completamente, e antes que gemesse, desligou o celular, sem conseguir arranjar forças nem mesmo para ralhar com Ikki pelo papelão que tinha passado no telefone. Olhou para o rosto do mais novo, enfiando as mãos em seus cabelos e puxando-os de leve, impondo seu próprio ritmo à deliciosa felação.
– Você... É cruel... – Murmurou, a boca cheia de água, os olhos virando-se nas órbitas, a pele inteira quente e arrepiada.
Ikki não respondeu, mordendo a base e fazendo Shaka soltar um gemido que era quase um grito, logo após descendo, passando a beijar e massagear com a língua seu períneo. Shaka sentiu-se nas nuvens, completamente úmido pela boca maravilhosa do homem entre suas pernas, que ele abriu ainda mais ao sentir sua entrada sendo massageada e molhada pela língua do outro.
Não demorou muito para que a língua fosse substituída por dedos úmidos de lubrificante, que entravam em seu corpo até o final, de uma vez, fazendo-o curvar o corpo um pouco, apertando os lençóis com força. Mesmo que tentasse, não conseguia reagir. Abria ainda mais as pernas, sentindo seu anel abrindo-se com a movimentação dos dedos do outro.
– Isso, loirinho... Relaxa... Hoje é um dia de festa, e você vai se divertir muito... Hmm...
– Ah... Arran... – Shaka assentia com a cabeça, sentindo seu membro rijo vertendo líquido pré-seminal em cima de sua barriga – Ikki... Deixa de tortura... Ahh...!
Não conseguiu concluir. Os dedos de Ikki acertaram exatamente no seu ponto mais sensível. Sentiu seu corpo esquentar completamente, mas do que já estava quente, e ele sentiu o ímpeto do orgasmo tomando conta do seu corpo, que se desfazia e voltava novamente cada vez que ele o tocava ali.
Sentiu os dedos saindo de seu corpo, sendo substituídos por algo muito maior. Abriu os lábios, relaxando para que aquilo fosse mais fácil. Sentiu a pressão do corpo do outro, o sexo abrindo espaço para si e causando-lhe um leve desconforto, mas dando-lhe um prazer maravilhoso a cada centímetro que entrava. Era incrível como a meses atrás Ikki mal sabia o que era para fazer, e agora... Agora o estava fazendo gritar só com a primeira penetração, sem nem ao menos movimentar-se. Agarrou-se às costas dele, cravando suas unhas na pele morena, deliciando-se com os gemidos roucos que saiam de sua garganta. Beijou-o, sentindo a saliva acumulada em sua boca e ainda mais prazer só de notar o quanto o outro lhe desejava.
As estocadas começaram lentas, explorativas, como se quisesse acostumar-se. Depois, ficaram quase furiosas, como se ele não mais aguentasse estar longe de si. Abria suas pernas com força, apertava suas coxas até deixar uma marca vermelha, até que estivesse desesperado, indo rápido e forte contra o corpo menor do loiro, o suor escorrendo por suas costas.
– Isso, Shaka! Geme...! Grita pra mim...!
O loiro lhe obedeceu. Não porque queria agradá-lo, mas porque era a única coisa que conseguia fazer naquele momento.
– Ah — — Ikki! – Gritou, suas costas arrastando sobre o colchão, a fricção em seu ânus fazendo-o sentir uma ardência incomoda, mas que só fazia seu corpo querer mais rápido, mais forte. – Vai! Enfia mais forte! Hnn...!
Ikki parecia estar na beira de seu controle. Gemidos guturais saiam de sua garganta, a pele amorenada brilhando sob a luz fluorescente do quarto. Os cabelos caiam no rosto, os olhos estavam escuros de prazer. Sentia o corpo de Shaka puxando-o cada vez mais forte para dentro, pedindo por mais, sempre mais. Perdeu então o controle quando Shaka soltou um gemido mais alto, arranhando-o a ponto de que ele sentisse dor. Puxou-o então quase com violência, saindo de dentro dele e erguendo-o depois, prendendo-o na parede e segurando suas pernas de forma quase bruta, posicionando-se de forma que Shaka pudesse ajudá-lo a voltar à penetração não esperou dois segundos. Assim que sentiu-se dentro do outro, começou a mover-se para frente e para trás, quase prendendo a mão do loiro entre os dois corpos.
– Cuidado... – Shaka gemeu baixo, um sorriso nos lábios, sentindo o prazer tomar conta de si enquanto envolvia o pescoço de Ikki com os braços. O moreno retribuiu seu sorriso, beijando seus lábios e movimentando-se lentamente, fazendo o outro soltar um gemido alto, apertando os olhos e deixando a cabeça pender para trás. Seus gemidos iam ficando cada vez mais altos. O ritmo lento fazia seu corpo inteiro tremer, o membro grande abrindo-o e lhe dando um prazer absurdo. A fricção do abdômen do outro contra o seu, tocando seu pênis e aumentando seu prazer de forma estratosférica. As unhas entravam na epel do outro, formando vergões vermelhos enquanto a sensação do orgasmo o dominava completamente.
As pancadas eram fortes, mas lentas, e os gritos esporadicamente dominavam o quarto. As pernas de Shaka apertavam o corpo do outro, buscando mais dele. Os olhos estavam apertados, os lábios abertos, úmidos. O prazer era tão intenso que os gemidos cessaram, sendo substituídos por um arfar profundo, uns resquícios de gemidos saindo de sua garganta, até que ele arregalou os olhos, enfiando as unhas nos ombros do namorado, soltando um gemido alto, quase animalesco, enquanto jatos de líquido quente molhavam o abdômen de Ikki, que não parou de estocar.
O prazer nos olhos de Shaka era tão genuíno que o moreno não resistiu. Não parou de mover-se, prensando o outro contra a parede, apertando suas pernas com força, jogando seu sêmen para dentro dele, preenchendo-o completamente enquanto mordia seu ombro como forma de lidar com aquele prazer tão intenso.
E então, o silêncio. As respirações cruzavam-se, os peitos subiam, arfantes, o suor e sêmen descendo pelo tórax e um sorriso nos lábios, testas encostadas, mãos fixas como se não quisessem se separar nunca. Shaka enfiou as mãos nos cabelos negros e suados, sentindo o corpo quente, preenchido ainda pelo pênis e a semente do outro, como se ali pertencessem. Era incrível a sensação de pertencer. Não sabia se pela possessão do corpo, ou o amor que via nos olhos do japonês, que mirava-o quase com adoração.
– Eu te amo... – Ikki sussurrou, arrepiando o mais velho inteiro. Demorou alguns minutos para que se separassem e voltassem a ter controle sobre os próprios corpos. Tomaram um novo banho, sorrisos nos lábios, e quando estavam vestidos adequadamente, saíram de mãos dadas de casa para o carro em direção à festa.
A festa que mudaria a vida de muitos, inclusive a deles, mesmo que ainda não soubessem disso.
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